08 fev

O Caráter e a Grandeza de Winston Churchill

Meus Caros Irmãos,

Minhas Cordiais Saudações…

Quero apresentar um pouco da vida e obra de uma dos maiores personalidades de nossa história. Essa não é apenas a minha opinião, é a opinião de centenas de historiadores.

Estou me referindo a Winston Churchill (1874 - 1965) e começo parafraseando o próprio:

“Qual o sentido de viver se não for para lutar pelas causas nobres e fazer deste mundo confuso um lugar melhor para se viver depois que partirmos?”

“As pessoas que não estão preparadas para fazer coisas impopulares e desafiar o clamor não são adequadas para ser Ministros em tempos de crise.”

Fantástico, não?

Winston Churchill veio ao mundo durante um dos períodos mais ofegantes de mudança e levantes na história. Para entender o quão extensa foi essa mudança, lembre-se de que a Guerra Civil Americana, que ocorreu menos de uma década antes do nascimento de Churchill, foi lutada com rifles, sabres, ataques de cavalaria e canhões. Essa guerra terminou em 1865. Menos de 50 anos depois, em 1914, começava a Primeira Guerra Mundial. Surpreendentemente, ela foi lutada com tanques, aviões, metralhadoras, gás mostarda, telefones, caminhões e submarinos. Em meio século, o mundo tinha mudado um milênio.

Não vou fazer aqui uma biografia dessa personalidade, darei algumas pinceladas sobre sua passagem nesse planeta.

Para os que gostarem sugiro a leitura de uma obra sensacional com o título “O Caráter e a Grandeza de Winston Churchill” - Herói nos Tempos de Crise - de Stephen Mansfield - Madras Editora - 2010.

“”" Deve existir um propósito em tudo. Eu acredito que fui escolhido para um propósito que está muito além de nosso raciocínio simples.”

Vou reproduzir aqui um Capítulo, sem as notas de rodapé, sem referências dessa obra, para que todos possam degustar… Os textos em destaque e a quebra das linhas são por minha conta…

Críticas

Em certo aspecto, um ataque da cavalaria é como uma vida comum. Desde que você esteja bem, firme na sela, com o cavalo sob controle e bem armado, muitos inimigos lhe darão bastante espaço para se mover. Mas, quando perder o estribo, as rédeas forem cortadas, sua arma derrubada, você for ferido, ou seu cavalo for ferido, então neste momento, os inimigos o atacarão, vindos de todos os lugares.

Uma das marcas decisivas de um grande líder é o modo como ele lida com as críticas. A liderança, afinal de contas, é uma questão de coisas, como manter os princípios, exercer autoridade, e reunir recursos, mudança e poder – as coisas que provocam críticas.

A têmpera de um líder é testada pelas críticas que recebe.

Ele não pode se dar ao luxo de ignorá-las ou se preocupar com elas. Nem pode permitir o surgimento de uma amargura que ameace seu julgamento. Pelo contrário, tem de analisar por completo as críticas feitas contra ele, ainda que duras ou injustas, retirar delas qualquer sabedoria possível, e seguir em frente.

Winston Churchill era o tipo de homem que as pessoas adoravam criticar. Seu ego e animada autoconfiança, sua aparência um tanto estranha, a fala, a personalidade explosiva e os hábitos incomuns davam aos críticos um alvo muito tentador para ser ignorado. O que realmente atraía os ataques, todavia, era o fato de Churchill ser um homem de princípio resoluto, pois nada atrai tanta oposição quanto a confiança que nasce da certeza de estar agindo de modo correto.

Desde o início, Churchill presumiu que líderes fortes automaticamente recebiam críticas: “As pessoas que não estão preparadas para fazer coisas impopulares e desafiar o clamor não são adequadas para ser ministros em tempos de crise”. Ele conseguia lidar com as críticas desde que estivesse em paz consigo mesmo, desde que soubesse que estava fazendo a coisa certa: “O único guia de um homem é sua consciência”, disse por ocasião da morte de Neville Chamberlain.

“O único escudo para sua memória é a retidão e a sinceridade de suas ações. É muito imprudente viver sem esse escudo, porque somos zombados com tanta frequência pelo fracasso de nossas esperanças e a perturbação de nossos cálculos; mas com esse escudo, qualquer que seja o destino, sempre marchamos nas fileiras da honra.”

Churchill vivia com uma confiança incomum, porque vivia como um homem de consciência. Outros podem ter considerado arrogante quando ele dizia coisas como: “Não tenho intenção de passar os anos que me restam explicando ou retirando qualquer coisa que disse no passado, menos ainda pedindo desculpas”, mas isso era, na verdade, a coragem de um homem de princípios.

Isso não significa que Churchill se recusava a aprender com as críticas que recebia. “A crítica no corpo político é como a dor no corpo humano. Não é agradável, mas onde estaria o corpo sem ela?”. Embora não fosse como E. Stanley Jones em sua atitude em relação à crítica – “Minhas críticas são os guardiões não pagos de minha alma”, disse Jones –, Churchill se parecia muito com Marco Aurélio, que escreveu em Meditações:

“Quando outra pessoa o culpa ou o odeia, ou quando os homens dizem coisas injuriosas a seu respeito, aproxime-se da pobre alma deles, penetre-a, e veja que tipo de homens eles são. Você descobrirá que não há razão para se dar ao trabalho de fazer com que eles tenham uma boa opinião sobre você. No entanto, seja-lhes favorável, porque, por natureza, são amigos”.

Como homem de ação, o que de fato perturbava Churchill eram as críticas feitas por pessoas ociosas.

“Criticar é fácil; realizar algo é difícil.”

Em particular durante a guerra, ele sofreu ataques incessantes de grupos que se recusavam a erguer um dedo sequer para ajudar. Isso o irritava: “Não é direito do observador frio… se colocar como juiz imparcial de acontecimentos que jamais teriam ocorrido se ele tivesse estendido a mão para ajudar na hora certa”. Churchill acreditava que a voz da crítica merecia ser ouvida, que havia débitos a serem pagos antes que alguém ganhasse o direito de ser ouvido. Ele pagara. Esperava que os outros fizessem o mesmo.

Ficava especialmente perturbado quando os políticos chegavam a extremos ridículos para evitar os ataques decorrentes de se assumir uma posição. Acreditava que as políticas de apaziguamento, às quais se opôs com tanta eloquência na década de 1930, resultavam não apenas da fraqueza moral e falta de visão, mas também do medo de ofender um público mal orientado. Churchill acreditava que os líderes tinham de agir de acordo com seus melhores instintos: “Nada é mais perigoso em tempos de guerra do que viver na atmosfera temperamental de uma Pesquisa Gallup, sempre tomando o pulso e medindo a temperatura”. Mas também se preocupava com líderes que permitiam à opinião pública fazer com que agissem de modo prematuro. Ele vira a “febre da guerra” levar nações à destruição na Grande Guerra, e acreditava que os líderes deviam ter um melhor julgamento:

“Aprendamos nossas lições. Nunca, nunca, nunca acredite que uma guerra será tranquila e fácil, ou que qualquer pessoa que embarca na estranha viagem pode medir a maré e os furacões que encontrará. O estadista que se rende à febre da guerra deve perceber que uma vez que o sinal seja dado, ele não é mais o mestre da política, mas o escravo de eventos imprevisíveis e incontroláveis”.

Churchill não estava imune à dor das críticas. Ele falava por experiência quando disse:

“A política é quase tão excitante quanto a guerra, e quase tão perigosa. Na guerra você só pode morrer uma vez; na política muitas vezes”.

Mas ele sabia que a liderança verdadeira automaticamente gera críticas; que a oposição é o ambiente natural dos líderes eficazes; e que resistir à reação extrema contra a crítica é a chave para se manter firme no comando. De fato, às vezes, parecia que Churchill usava as críticas como um tipo de sistema de orientação, que ele as recebia como confirmação de um curso correto. A Escritura diz que o homem é testado pelo elogio que recebe. Churchill sabia que a crítica pode ser de igual valor.

Creio meus Irmãos que através desse pequeno Capítulo, vocês podem ter um pequena ideia da riqueza e importância dessa obra…

Visitem o site www.madras.com.br

Fraternalmente,

Wagner Veneziani Costa


05 fev

Normas para Referência Bibliográfica

Caros Irmãos,

Minhas Cordiais Saudações…

 

É lamentável quando nos deparamos com textos publicados, em qualquer meio impresso, em que o autor deixa de mencionar a referência bibliográfica das citações utilizadas, ou quando o faz de forma incompleta, estando em desacordo com as Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT (NBR 6023 - válida a partir de 20/09/02, que estabelece e fixa, no seu Item 7.1.1, a ordem dos elementos a serem incluídos em referências, que são: autor(es), título, edição, local, editora e data da publicação).

 

Além disso, o autor estará infringindo pelo menos dois artigos da Lei 9.610, que se refere aos Direitos Autorais. Dessa lei, ressalto partes dos Artigos 46 e 108, que deixam bem claro a obrigatoriedade da informação completa na referência bibliográfica/bibliografia, não podendo ser suprimido nem o nome do autor, nem o título da obra, nem a localidade, nem o nome da editora, nem o ano de publicação, da(s) obra(s) utilizada(s) como fonte(s) de consulta ou de citação.

 

       Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:

       (…)

        III - a citação em livros, jornais, revistas ou qualquer outro meio de comunicação, de passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor e a origem da obra.

        Art. 108. Quem, na utilização, por qualquer modalidade, de obra intelectual, deixar de indicar ou de anunciar, como tal, o nome, pseudônimo ou sinal convencional do autor e do intérprete, além de responder por danos morais, está obrigado a divulgar-lhes a identidade da seguinte forma:

     (…)

        II - tratando-se de publicação gráfica ou fonográfica, mediante inclusão de errata nos exemplares ainda não distribuídos, sem prejuízo de comunicação, com destaque, por três vezes consecutivas em jornal de grande circulação, dos domicílios do autor, do intérprete e do editor ou produtor.

Quero destacar, ainda, um documento de autoria do bibliotecário João Josué Barbosa, disponível em PDF neste link entre parêntese (http://www.dem.feis.unesp.br/ppgem/normas_formularios/orientacoes-dissertacao/Normas%20para%20a%20Apresentacao%20de%20Citacao%20Bibliografica.pdf), do qual destaco um trecho dos itens 1 e 5, no qual se encontram, de maneira clara e objetiva, orientações a respeito das Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, as quais são obrigatórias nos casos de citações em textos publicados.

1 - CITAÇÕES - 10520/2002

De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT (2002), são trechos transcritos ou informações retiradas das publicações consultadas para a realização dos trabalhos acadêmicos.

A fonte de onde foi extraída a informação deve ser citada obrigatoriamente, respeitando-se os direitos autorais (FRANÇA, 1999).

 

5 - REFERÊNCIA - ABNT 6023/2002

Definição:

Conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de um documento, que permite sua identificação em partes ou num todo.

As referências são os documentos citados ao longo do seu trabalho.

Para as obras levantadas sobre o assunto, durante a pesquisa bibliográfica, pode-se elaborar uma lista de obras consultadas ou bibliografia consultada que poderá constar ao final do trabalho.

 

As referências são elaboradas para garantir

Honestidade intelectual;

Facilidade em localizar a fonte consultada;

Segurança da informação.

Portanto, que os Irmãos fiquem atentos a essas Leis e Normas, pois o que fugir disso é omissão, desrespeito, crime, o que é lamentável em nossa Ordem. Portanto, não se assustem se, por ventura, esquecerem de mencionar na bibliografia de seus textos algum dos itens acima citados, serem responsabilizados legalmente pela omissão de algum dos mesmos.

Fraternalmente,

Wagner Veneziani Costa


18 jan

LOST E A FILOSOFIA

por Wagner Veneziani Costa

Lost começa com o acidente de um avião que saiu de Sydney com destino a Los Angeles e caiu numa misteriosa ilha tropical em algum lugar do Oceano Pacífico.

Os sobreviventes deverão trabalhar juntos contra as cruéis condições climáticas, as dificuldades do terreno e a convivência em grupo se quiserem permanecer vivos.

Mas a ilha também tem muitos segredos, como o constante barulho das misteriosas criaturas na floresta, o que os aterroriza. Felizmente, graças à calma e inteligência do líder Jack, eles têm esperança de sobreviverem na ilha.

Sucesso de crítica e público, Lost teve uma média 15,5 milhões de espectadores por episódio durante todo o seu primeiro ano de exibição e garantindo vários prêmios da indústria audiovisual, incluindo o Award Emmy para melhor série televisiva na categoria drama em 2005, melhor série americana importada na Academia Britânica de Prêmios Televisivos também em 2005 e o Globo de Ouro por melhor drama em 2006.

A série foi logo agregada à cultura pop americana, por ser um fenômeno que encanta cada vez mais espectadores e mídias externas, como comerciais, revistas em quadrinhos, webcomics, revistas de humor e canções populares. Todo o Universo fictício da série foi explorado também através de novelas e de jogos de realidade alternativa, com o Lost Experience e o Find 815.

Em maio de 2007 foi anunciado que Lost continuará com uma quarta, quinta e sexta temporada, concluindo com 117 episódios produzidos até Maio de 2010. As três próximas temporadas consistirão de apenas 16 episódios, exibidos semanalmente sem interrupções ou reprises. A quarta temporada estreou no dia 31 de janeiro de 2008 nos Estados Unidos e Canadá, movida das quartas para as quintas-feiras, às 21 horas.

Vamos entrar em Lost através da Filosofia…

Bem, vamos imaginar que se você estivesse naquele avião, o que você faria?

Será que você é a pessoa que afirma ser?

Você gosta de quem você é?

Já tentou imaginar que de uma hora pra outra você pode desencarnar?

Será que você seria exatamente isso que é?

Como você lidaria com situações diferentes, alteradas?

Qual personagem você seria agora?

Apague a luz, agora. O que você vê?

O que estou tentando fazer é trazer a tona o seu caráter, pois as situações colocadas nos seriados é exatamente essa, pois há todos os instantes elas nos convidam a trazer, a refletir, sobre o que faríamos se estivéssemos separados de nosso ambiente cultural e natural. Considerando duas narrativas antigas, cujo cenário é uma ilha, que têm certa relação com Lost: O Épico homérico de Odisseu, na ilha de Calipso, e a famosa história do século XVIII de Daniel Defoe, sobre um marinheiro sobrevivente de um naufrágio, Robinson Crusoé, e outro sucesso, só que esse bem mais atual, Naufrago, com Tom Hanks. Nesse filme uma das cenas que mais me chama a atenção é a relação entre Tom Hanks e sua Bola inseparável, “Wilson”, é simplesmente fantástico, quando “Wilson” se solta da embarcação… O desespero do ator por ver “Wilson” se distanciar é trágico, mas ao mesmo tempo magnífico… Pronto perdi meu melhor amigo!…

No poema de Homero, Odisséia, Odisseu está voltando das ruínas de Tróia em uma viagem que durou dez anos, à sua terra natal, Ítaca, onde sua esposa e filho o aguardam. No início da jornada para casa, Odisseu vai parar na ilha de Ogígia, onde Calipso, uma linda ninfa divina, o aprisiona. Sob o encantamento de Calipso, Odisseu se torna seu amante e escravo por sete anos. Ele é seduzido por sua beleza e promessa de imortalidade (juventude eterna), sendo tentado a esquecer sua família; mas, por fim, acaba convencendo Calipso a libertá-lo e ajudá-lo em sua viagem de volta. Essa história é usada para ilustrar uma escolha que algumas pessoas têm de fazer: ir atrás do sonho do eterno prazer juvenil (com Eros) ou optar pela domesticidade, ou seja, ter um lar e uma família, aceitar o avanço da idade.

Quando Odisseu chega em casa, há uma cena de alegria doméstica, invejável (depois que ele expulsa os rivais e inimigos). Odisseu e sua esposa Penélope passam a primeira noite juntos fazendo três coisas: contando suas histórias nesse tempo em que ficaram separados, fazendo amor e dormindo. O épico de Homero usa eficientemente a narrativa da vida na ilha para que seu principal personagem descubra quem ele ama de verdade (Penélope, não Calipso) e tome a decisão de negar a gratificação imediata e o deslumbramento das aparências para estar ao lado da pessoa amada…

A vida na ilha oferece um contexto ímpar para o autoconhecimento e autotransformação…

Quantas vezes ficamos perdidos?

Pois, com certeza você já ficou perdido. O seriado Lost aborda o medo mais profundo: o de ser isolado de tudo o que você conhece e ama, deixado à própria sorte em uma terra estranha. Esse é um medo filosófico porque fala da condição humana. Ele nos compele a confrontar aquelas perguntas profundas acerca de nós mesmos e do mundo.

E é esse o papel desse livro Lost e a Filosofia, fazer com que você se aprofunde em você mesmo…

Descobrir quem realmente somos, é fundamental para o entendimento do mundo e da nossa essência. Ao trabalharmos a consciência interior, passamos a agir com inteligência emocional, verdade e segurança, o que restaura o poder espiritual e retira o controle da nossa vida das mãos dos outros e dos acontecimentos negativos.


06 jan

Não Quero me Transformar…

Meus caros Irmãos,

Recebam todos os meus mais sinceros votos de

Luz, Amor e Paz!!!

“Aprender sem Pensar é tempo perdido” Confúcio

Como é difícil sobreviver ileso das críticas negativas e de muitos desaforos, quando se tem personalidade e caráter…

Realmente não consigo entender porque as pessoas querem que vivamos a vida delas e não nos permitem viver nossa própria experiência.

Você fica impedido de ter opiniões próprias… Que absurdo! Como existem medíocres, hipócritas,…

Quando não ocorre dessa forma (a respeito de opiniões) criam “normas de conduta” e “regras” para “se dar bem”! Adeus Valores, Adeus Princípios… Adeus Educação!!!

Deixe de fazer o que você realmente acredita e faça o que a sociedade lhe impõe. “Faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço”.

Quantas vezes, nesses últimos meses ouvi de diversos conhecidos: “Você não é político”. “Você é muito sincero e isso é prejudicial”. “Agora não é hora de falar, escute apenas”. Onde é que eles leram isso? Será que faltei na escola nesse dia?

E me pego perguntando: Não é melhor saber o que realmente Eu Sou? Até mesmo porque, nunca serão pegos de surpresa por uma atitude minha.

Falamos mal dos calhordas políticos, mas acredito que o ser humano gosta mesmo é de ser enganado. Colocam seu ego acima de tudo e de todos… Vão gostar de ser enganados assim, lá embaixo…

Quando temos personalidade e caráter é fácil passar de Amigos para Inimigos num mesmo instante, basta você ser o que é, e pronto, está feita a festa… As linhas entre o Amor e o ódio são paralelas muito próximas…

É bom alertá-los: “O que eles fazem para os outros, farão por ou com você” e “O que eles falam dos outros, falarão de você”.

Senso Crítico

É a busca da “verdade”, pelo questionamento do “eu”, do “outro” e do “mundo”. Tenciona-se, com isso, superar as concepções ingênuas formadas pela “ideologia” dominante.

O espírito crítico distingue-se do espírito de crítica. No primeiro, procura-se a verdade de forma amadurecida, ou seja, estimula-se o progresso mental, pela ponderação de razões e discussão de motivos. No segundo, desenvolve-se o espírito de contradição, não no sentido positivo, mas no sentido de que, uma vez estabelecida a inquietação pessoal, passa-se à inquietação de muitos. Há que se evitar a crítica contumaz e leviana. Essas que enchem nossos computadores diariamente… E deveriam ser punidos.

O pensador crítico afasta-se das limitações particulares e impulsiona o seu pensamento para as generalizações da existência. Não perde tempo com futilidades, tratando, exclusivamente, dos aspectos relevantes da evolução do ser. Direciona seu entendimento não somente para o futuro obscuro, tentando captar o seu devir, como também para o passado, buscando suas origens. Neste vai-e-vem não esquece o presente, vivendo-o intensamente, com todas as forças de sua alma.

O senso crítico, segundo o espiritismo, é realizado pelo Espírito. Como se explica? Há percepção sensorial e percepção extra-sensorial. Nossa mente capta as sensações e transmite-as ao perispírito. Este, por sua vez, envia-as ao Espírito, que faz a crítica e retorna-as, em seguida, como crítica conceituada. A essência espiritual é a herança de todas as encarnações e, de acordo com nossas vivências anteriores, podemos ser mais ou menos ricos de inteligência e de moral.

O princípio inteligente, na sua escalada evolutiva, adquiriu a atração no reino mineral; a sensação, no reino vegetal; o instinto, no reino animal; o pensamento contínuo, a razão e o livre-arbítrio, no reino nominal. Disso resultam os automatismos de nossa existência, em que a linguagem, o tato e a locomoção são os aspectos positivos, e os vícios e defeitos, os negativos. Na presente encarnação, temos de nos esforçar para estimular os atos bons, reprimindo, em contrapartida, os maus.

A evolução é do Espírito. Para que possamos melhorar o nosso “olhar crítico”, temos de nos despojar dos automatismos negativos. Essa atitude, tornando-se constante, libera a nossa mente para a compreensão das essências mais puras do nosso ser.

Em outras palavras, o senso Crítico baseia-se justamente no confronto de idéias, nem sempre diametralmente opostas, para chegar-se a uma opinião sobre determinado assunto. É o olhar analítico que desenvolvemos e começamos a utilizar em toda informação chegada a nós, analisando-as racionalmente sem tomar nenhuma delas como verdade absoluta. O fruto deste tipo de análise é uma conclusão sustentável e justificável porem não absoluta. Quando duas conclusões pessoais entram em confronto é um momento para reavaliarmos nossas posições, evoluir nossos conceitos e atualizar nossas ideologias

O Senso Crítico é sine qua non para mudarmos esta realidade onde poucos governam defendendo seus próprios interesses e muitos apenas assistem com um ar de permissividade e conformação. Enquanto não assumirmos uma posição crítica na sociedade a democracia continuará garantindo apenas a desigualdade, como é nos dias atuais. Enquanto um voto valer um saco de cimento, por exemplo, nada será mudado. Enquanto os governos gastarem mais com propaganda do que educação, continuaremos vivendo nesta sociedade de contrastes e descaso. E não podemos esperar que a mudança parta deles, é de interesse deles que não aja crítica, que não aja oposição. Uma população desinformada é mais fácil de ser controlada e manipulada.

E está aí a importância do Senso Crítico, do confronto de idéias e argumentos. Do exercício de uma sociedade civil consciente de seus direitos e deveres. Adotando uma postura mais questionadora, crítica e ativa. Nesta condição sim, o homem pode denominar-se um ser racional.

Podemos escolher o que semear, mas seremos obrigados a colher o que plantamos…

Fraternalmente,

Wagner Veneziani Costa

Fontes de consulta:

http://74.125.47.132/search?q=cache:uueW5IbitlUJ:www.ceismael.com.br/filosofia/senso-critico.htm+senso+critico&cd=2&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

http://www.webartigos.com/articles/21132/1/senso-crtico/pagina1.html


15 dez

Boas Festas 2009/2010

Meus AMIGOS

dessa Jornada MARAVILHOSA

que simplesmente denominamos Vida

 

Recebam todos os meus mais

Sinceros Votos de Luz, Amor e Paz!!!

 

Sou uma pessoa que sempre crio uma expectativa com relação ao futuro… No entanto, temos uma missão, e nas reviravoltas do destino, somos surpreendidos… Nem sempre dá para se fazer somente o que gostamos. Somos obrigados a nos adaptarmos a situações indesejáveis, desagradáveis…

Mas quando gostamos do que fazemos e sentimos orgulho em fazer sempre o melhor… Vamos, a cada dia, mais e mais longe.

Quando vamos além das metas e objetivos, seguindo nossos PRINCÍPIOS, não há outro resultado… Sucesso e Vitória!

 

Em nosso dia a dia há momentos agitados, decisivos, em que a boa intenção, infelizmente, não basta. É quando a Vida nos cobra coragem, arrojo, criatividade e um inabalável espírito de luta. E isso ocorre com muito mais freqüência do que gostaríamos…

 

Mas Deus em sua infinita sabedoria faz com que o Universo esteja sempre em movimento… Os tempos mudam. Surgem cada vez mais, novos desafios e os seus objetivos são adaptados a esses novos tempos.

 

Sem nenhum medo, sem arrogância, mas com determinação e confiança, coloco-me sempre pronto para o combate. Por maior que seja o “inimigo”, as situações difíceis estou Pronto a encará-los… Sabem como? E a maneira que consigo ver essas dificuldades, o prisma que sempre tento ver as coisas, é isso que faz a diferença…

 

Às vezes me pergunto: Como agirei, o que farei para enfrentar essa situação, essa mudança? Como atuarei diante desse novo cenário? Poxa, fazia tão bem isso e agora preciso reaprender a fazer de uma nova forma…

 

A luta começa, mas como não se trair, não deixar de lado os meus Princípios e outros valores que me são fundamentais? E o que é pior, como saber a medida exata para o antídoto? E será esse o momento certo?

 

É ai que surge esse maravilhoso ser que vive dentro de mim. Sua manifestação ocorre exatamente, nas situações adversas… E descubro ou redescubro esse Poder interior… Fundamentais para nossas experiências… Talento, Força, Ética, Honra, Justiça, Amor

 

Redescobrimos o que temos de melhor!!!

 

Esse ano não foi fácil. Além dos Invejosos que crescem todos os dias, combatemos os antigos inimigos, que também infelizmente, crescem à medida que conquistamos os nossos objetivos, a medida do nosso sucesso…

 

O que posso fazer? Tirar o bom proveito de todas essas situações!

Importante frisar que Superamos todos os males…

 

Mas o resultado foi alcançado com ajuda, de muitos amigos e colaboradores. Chegamos ao fim de mais uma etapa, com o verdadeiro sentimento e consciência de dever cumprido… Obtendo por outro lado, o reconhecimento dos bons. Acredito que até mesmo o respeito de todos, inclusive dos contrários…

 

O que vale realmente é o reconhecimento e admiração dos que AMAMOS

 

Madras Editora, não é uma empresa de “pára-quedistas”, Somos, uma equipe de Profissionais… Temos orgulho em ouvir o nome de nossa Editora, em saber das milhares de críticas positivas que nos chegaram durante do ano inteiro. Por mais turbulências que tenhamos enfrentado, VENCEMOS mais uma etapa.

 

No ano de 2010 está batendo a nossa porta… E tenham certeza que iremos crescer ainda mais…! Para o desespero dos contrários e invejosos. Aprimoraremos, ainda mais, a nossa qualidade o nosso profissionalismo, pois por melhor que esteja, queremos mais e quem ganha com isso, são vocês, amigos, leitores, irmãos, irmãs, clientes, fornecedores… Enfim, todos os que reconhecem o nosso trabalho e a nossa missão.

 

Já estamos com os braços e o coração abertos, prontos e esperando os novos desafios. Novas expectativas, novas linhas editoriais, agora no mundo do rock… Grandes investimentos na área de Filosofia, História, Ficção, Mitologia, Espiritualidade, Maçonaria, Educação, Pedagogia, Ocultismo, Hermetismo, Esoterismo, Magia, Hinduísmo, Saúde, Clássicos da literatura, Arqueologia, Crescimento Pessoal, Arte do Sexo, Bruxaria, Fraternidade Branca, Yoga, Sabedoria Oriental, Enigmas e Mistérios de diversas Civilizações, Espírita, Vampirismo, Wicca e muito mais…

 

Conheça alguns títulos e seus autores:

01 - Anibal - O Inimigo de Roma - Gabriel Glasman;

02 - Breve História da Segunda Guerra Mundial - Jesús Hernandez;

03 - A Revelação de São João - Zachary F. Lansdowne;

04 - Maçonaria - O livro Ilustrado da Antiga Confraria - Michael Johnstone;

05 - A Verdadeira História dos Rosacruzes - Tobias Churton;

06 - Dylan 100 Songs & Pictures - Vários - em tradução;

07 - Pink Floyd - The Early Years - Barry Miles – Tradução;

08 - Star Trek and Philosophy - Jason Ebert Kevin Deker – Tradução;

09 - Jesus e a Filosofia - Paul Moser;

10 - Twilight and Philosophy - Rebecca Housel J. Wisnewski – Tradução;

11 - Pilates Four You - Ann Crother – Tradução;

12 - Guide des Monuments Mystérieux de Paris - Jean-Fraçois Blondel;

13 - The Beatles a Diary - Barry Miles – Tradução;

14 - Jung e o Futuro da FrancoMaçonaria - Jean-Luc Maxence;

15 - Os Pergaminhos Perdidos - Rubens Saraceni;

16 - Um Pouco mais sobre os Graus de Cavaleiro Templário e de Malta - Rev. Neville Barker Cryer;

 

São mais de 235 obras em Produção.

 

BOAS FESTAS!!!

 

Que o Universo transforme nossas Vontades em Realidade…

Que assim seja!

E assim será!

 

Todos somos Um.

Um por Todos e Todos por Um!

 

Eu Sou,

Wagner Veneziani Costa

Madras Editora


07 out

Degustação

Meus IIr.´.,

peço que cliquem no link abaixo, e dêem sua opinião.

Ainda está em fase de desenvolvimento.

Para trocar de livro, basta clicar no primeiro ícone branco, do lado esquerdo superior publicações.

http://www.bancadigital.com.br/madras/livros/reader2/

TFA,

Wagner Veneziani Costa


07 out

Mestres do Esoterismo Ocidental


emanuel-swedenborg1501
grs-mead1502
helena-blavatsky1501
jacob-boehme1501


john-dee1501
paracelso1501
robert-fludd1501
rudolf-steiner1501


“O tempo dá tudo e tudo toma tudo muda, mas nada morre… Com esta Filosofia meu espírito cresce, minha mente se expande. Por isso, apesar de quanto obscura a noite possa ser, eu espero o nascer do dia…” (Bruno)

Antes de adentrarmos nessa maravilhosa coleção dos Mestres do Esoterismo Ocidental, quero escrever um pouco sobre Esoterismo, Magia, Ocultismo, Misticismo, Hermetismo, Gnose e discorrer acerca da sua importância em nosso Universo.

Antigamente, quando um homem era sábio ele era chamado de Magus, Mago ou Magi, plural da palavra persa antiga magus, significando tanto imagem quanto “um homem sábio”, que vem do verbo cuja raiz é meh, que quer dizer Grande, e em sânscrito, Maha (daí Mahatma Gandhi, por exemplo).

Os Magi originais eram formados pela casta sacerdotal da Pérsia, além de químicos e astrólogos. Seus trajes consistiam de um manto escuro (preto, ou marrom, ou vermelho), e suas demonstrações públicas envolviam o uso de substâncias químicas para geração de fumaça, as quais causavam grande impressão entre o povo. Com isso, os observadores europeus trouxeram sua imagem para o folclore do Ocidente.

Mago usualmente denota aquele que pratica a Magia ou o Ocultismo; no entanto, pode indicar ainda alguém que possui conhecimentos e habilidades superiores, quando, por exemplo, se diz que um músico é um “mago dos teclados”, pois ele toca o instrumento musical com muita destreza.

No sentido religioso e histórico, portanto, denotava uma linha sacerdotal ou casta hereditária na Pérsia, da qual Zoroastro (ou Zaratrusta) foi um membro conhecido. Essa casta formava uma sociedade de Magos que dividia os iniciados em três níveis de iluminação:

Khvateush – Os mais elevados, iluminados com a luz interior, iluminados;

Varezenem – Aqueles que praticam;

Airyamna – Amigos dos arianos.

Os antigos Magos Parcis podiam ser divididos em três níveis:

Herbods – noviços;

Mobeds – Mestres;

Destur Mobds – Homens perfeitos, idênticos aos Hierofantes dos mistérios praticados tanto na Grécia como no Egito (veja Hermetismo).

Esclarecemos que Hierofante é um termo utilizado para classificar os sacerdotes da alta hierarquia dos mistérios. Em língua portuguesa, o Grande Hierofante representa o Sacerdote Supremo ou Sumo Sacerdote. Um dos exemplos mais conhecidos de alguém que pode ser designado Grande Hierofante é o líder supremo (supremo para os que comungam do mesmo credo, é lógico) da Igreja Católica Apostólica Romana, o Papa, também chamado de Sumo Pontífice.

Podemos dizer que o Hierofante simboliza o mestre espiritual que habita em nosso interior, é o intermediário que faz a ligação entre a consciência terrena e o conhecimento intuitivo da lei Divina. Um dos principais objetivos desses líderes, ou instrutores, é o de ajudar os seres humanos na escalada dos graus na grande jornada da vida, permitindo-os evoluir para se libertarem de seus sofrimentos. Em cada grau que ascende existe um desafio, uma experiência, até que o indivíduo consiga separar o joio do trigo.

A teosofista Helena Blavatsky, em Ísis Sem Véu, refere-se ao Hierofante dizendo que era o título pertencente aos mais elevados adeptos nos templos da Antiguidade: mestres e expositores dos Mistérios e os iniciadores nos grandes Mistérios finais. O Hierofante era a representação do Demiurgo que explicava aos candidatos à Suprema Iniciação os vários fenômenos da Criação que se expunham para o seu ensinamento.

Discorrendo claramente a respeito do Demiurgo, o escritor Kenneth R. H. Mackenzie disse que “era o único expositor das doutrinas e arcanos esotéricos. Era proibido até pronunciar seu nome diante de uma pessoa não-iniciada. Residia no Oriente e levava como símbolo de sua autoridade um globo de ouro junto ao colo. Chamavam-no, também, Mistagogo”.

De acordo com o francês Pierre Weil, presidente da Fundação Cidade da Paz e Reitor da Universidade Holística Internacional de Brasília (UNIPAZ), o Sumo Pontífice (Sumo Pontifex) é aquele que lança pontes, ou, tradicionalmente, aquele que deve unir as diferentes pessoas e coordenar esforços, lançar pontes em todas as direções. Hierofante também designa grandes sacerdotes de outras religiões. Em seu livro A Enxada e a Lança, Alberto da Costa e Silva traz esta definição: “Orumila, o Hierofante”. Sabe-se que Orumila é o grande conhecedor do Orum (o Desconhecido), o outro lado, o infinito, o longínquo. Acredita-se que nesse lugar inalcançável pelos habitantes da Terra (para os iorubás, Aiyê) os Orixás conservam suas moradas.

Na Bíblia, os magos são vistos como homens sábios. O termo também se tornou familiar, por causa dos três reis magos, que, seguindo uma estrela, chegaram ao local onde se encontrava o menino Jesus.

Na atualidade, a Magia foi revivida em seu aspecto ritualístico, principalmente pela Ordem Hermética do Amanhecer Dourado (Hermetic Order of the Golden Dawn), na Inglaterra, no final do século XIX.

Na Maçonaria, que dia a dia permite que homens investidos de uma pregação comunista e materialista desviem a Ordem de seu curso natural, esse aspecto ritualístico está sendo perdido aos poucos. A Maçonaria é uma Escola Iniciática, na qual o candidato galga os graus, submetendo-se a ultrapassar os obstáculos, enfrentando-os até alcançar a Luz. Somos construtores sociais, sim (maçons = pedreiros), mas temos que em primeiro lugar elevar a consciência, incentivando a busca do conhecimento próprio. Esse conhecimento é profundo… Precisamos primeiramente construir nosso próprio edifício e, somente depois de acabado, ajudar o próximo a construir o seu, e assim sucessivamente…

O maçom tem que se esforçar para poder libertar todas as amarras do instinto. É aquele que guia as rédeas ao conduzir a parte animal que ainda, por missão, sente-se obrigado a possuir no mundo. No entanto, sabe que tudo na Terra tem seu período de transição, todas as coisas ocupam tempo fixo, por lei, e são determinadas pela necessidade evolutiva. Ele sabe, mediante sua mente divina, que a atuação do Ser Supremo se faz através do Espaço. Quando volta seus “olhos de ver” para a Imensidão, é capaz de ler essas lições no livro da Sabedoria Eterna, onde tudo fica gravado para sempre, como se fosse um eterno presente.

Portanto, o maçom precisa, sim, desenvolver seu sexto sentido. A intuição é seu modo de ver, ouvir e falar. No mais alto grau da Maçonaria, já se torna senhor dos três mundos: físico, anímico e espiritual. Somente nesse ponto pode e deve ser considerado Mestre Maçom.

O caminho da Iniciação

Assim como uma flor não desabrocha fora do tempo, do mesmo modo a alma terá seu momento de encontro com a Luz. Nenhum esforço, além da senda apontada pela Consciência, poderá marcar mais perfeitamente o início dos primeiros passos no Caminho. A ansiedade é má conselheira e oferece tanta resistência à evolução do discípulo quanto à displicência. De tal modo Deus fez a alma do Homem, que ela sabe que, apesar de todas as voltas e curvas do caminho humano, é seu destino retornar mais iluminada ao Reino do Pai.

Se levarmos em conta o rigorismo do vocábulo esoterismo, na acepção de oculto, somente os Iniciados poderiam chamar-se esoteristas.

Iniciados são, portanto, todos os seres que, tendo atingido os páramos supremos dos últimos graus da iluminação, ainda como seres humanos, adquirem os meios de coordenar as forças ocultas do ser. Já sabemos que a iluminação é o ponto solar que conduz o Homem aos Mistérios. Como poderia palmilhar o Caminho aquele que, primeiramente, não se iluminasse? De sua Luz brota a claridade para seu próprio Caminho.

Dentre os filósofos que se manifestaram a respeito da Iniciação, Próclus nos diz que ela serve para “retirar a alma da vida material e lançá-la na luz”. E Salústio afirma que “o fim da Iniciação é levar o Homem a Deus”.

Antonio de Macedo nos dá uma boa luz sobre o significado de Esoterismo: “O adjetivo eksôterikos, -ê, -on (exterior, destinado aos leigos, popular, exotérico) já existia em grego clássico, ao passo que o adjetivo esôterikos, -ê, -on (no interior, na intimidade, esotérico) surgiu na época helenística, nos domínios do Império Romano. Diversos autores os utilizaram. Veremos adiante alguns exemplos.

Esotérico e exotérico têm origem, respectivamente, em eisô ou esô (como preposição significa “dentro de”, como advérbio, “dentro”), e eksô (como preposição significa “fora de”, como advérbio, “fora”). Dessas partículas gramaticais (preposição, advérbio) os gregos derivaram comparativos e superlativos, tal como no caso dos adjetivos. Via de regra, o sufixo grego para o comparativo é teros, e para o superlativo é tatos. Por exemplo: o adjetivo kouphos, “leve”, tem como comparativo kouphoteros, “mais leve”, e como superlativo kouphotatos, “levíssimo”. Do mesmo modo, do advérbio/preposição esô obtém-se o comparativo esôteros, “mais interior”, e o superlativo esôtatos, “muito interior, interno, íntimo”. O adjetivo esôterikos deriva, portanto, do comparativo esôteros.

Certos autores, porém, talvez com uma visão mais imaginativa, propõem outra etimologia, baseada no verbo têrô, que significa “observar, espiar; guardar, conservar”. Assim, esô + têrô significaria qualquer coisa como “espiar por dentro e guardar no interior”.

Sabemos que as práticas ocultas concentram-se na habilidade de manipular leis naturais, como na Magia. Antigamente, Mistérios eram cultos sempre secretos nos quais uma pessoa precisava ser “iniciada”. Os líderes dos cultos incluíam os Hierofantes (“revelador de coisas sagradas”). Uma sociedade de Mistério mantinha tradições como: refeições, danças e cerimônias em comum, especialmente ritos de iniciação. Faziam isso por acreditar que essas experiências compartilhadas fortaleciam os laços de cada culto.

Esoterismo é o nome genérico que designa um conjunto de tradições e interpretações filosóficas das doutrinas e religiões que buscam desvendar seu sentido oculto. É o termo utilizado para simbolizar as doutrinas cujos princípios e conhecimentos não podem ou não devem ser “vulgarizados”, sendo comunicados apenas a um pequeno número de discípulos escolhidos.

A idéia central do Esoterismo é pesquisar o conhecimento perdido e utilizar todas as técnicas possíveis para que cada homem consiga transmutar o velho em novo, as trevas em luz, o mal em bem. Enfim, para que o esotérico consiga fazer a alquimia da sua própria alma e ascender ao encontro com o Criador. O Esoterismo estuda e faz uso prático das energias da natureza. Os métodos de sintonia com essas energias são inúmeros.

Segundo Blavatsky, o termo “esotérico” refere-se ao que está “dentro”, em oposição ao que está “fora” e que é designado como “exotérico”. Mostra o significado verdadeiro da doutrina, sua essência, em oposição ao exotérico, que é a “vestimenta” da doutrina, sua “decoração”. Um sentido popular do termo é de afirmação ou conhecimento enigmático e impenetrável. Hoje em dia, o termo está mais relacionado ao misticismo, ou seja, à busca de supostas verdades e leis que regem o Universo, porém ligando ao mesmo tempo o natural com o sobrenatural.

Ao encontro do Misticismo

Misticismo é uma filosofia que existe em muitas culturas diferentes e que se apresenta de várias maneiras. Místico é todo aquele que concebe a não separatividade entre o Universo e os seres (reino transcendente). A Essência primordial da vida, a Consciência Cósmica, ou Deus, como costumou chamar – ao contrário do que se pensa – não está e nunca esteve separado de qualquer coisa. O místico é aquele que busca um contato com a realidade, que utiliza as forças naturais como intermediário.

O místico busca a presença de um Ser Supremo, ou do inefável e incognoscível, em si mesmo. Ele acredita que dessa forma pode perceber todas as coisas como parte de uma infinita e essencial Unidade de tudo o que existe. Os místicos não reconhecem diferenças entre a natureza do Universo e a natureza dos seres.

Misticismo é, portanto, a busca de conhecimento espiritual direto mediante processos psíquicos que transcendem as funções intelectuais. Sob essa ótica, o Misticismo é tido como um caminho pessoal de evolução, realização e felicidade.

Hermetismo

Aquilo que na atualidade é chamado de Hermetismo, ou de Ciências Herméticas, compreende um campo de conhecimento muito amplo. Diariamente, observamos as ordens e as sociedades herméticas; ouvimos falar de conhecimentos herméticos. Em um primeiro momento, o leigo acredita que a palavra “hermética”, presente em inúmeras organizações, significa oculto, mistério, velado. Mas esse não é o sentido real. Aquilo que é ensinado como Hermetismo tem raízes tão antigas que é impossível precisar o seu surgimento. Acreditamos que pode ser considerado como sua origem, o registro de todos os conhecimentos que a humanidade foi acumulando, ciclo após ciclo de civilização, mesmo muito antes da Atlântida.

A Prof. Dra. Eliane Moura Silva, do Departamento de História da UNICAMP ressalta: “Em 1460, Cósimo de Médicis manda Marsílio Ficino interromper a tradução dos manuscritos de Platão e Plotino para iniciar com urgência, a tradução do Corpus Hermeticum, coletânea de textos formados pelo Asclépios (onde se descreve a antiga religião egípcia e os ritos e processos através dos quais estes atraíam as forças do Cosmos para as estátuas de seus deuses) e outros quinze diálogos herméticos tratando de temas como a ascensão da alma pelas esferas espirituais até o reino divino e a regeneração durante a qual a alma rompe os grilhões da matéria e torna-se plena de poderes e virtudes divinas, incluindo o Pimandro, que é um relato da Criação do mundo”.

Essa tradução e as obras de Platão e Plotino tiveram um papel fundamental na história cultural e religiosa do Renascimento, sendo responsáveis pelo triunfo do Neoplatonismo e de um interesse apaixonado pelo Hermetismo em quase toda a Europa. A apoteose do homem, característica do Humanismo, passou a ter, em diferentes pensadores do período, uma profunda inspiração na tradição hermética redescoberta, assim como no Neoplatonismo para cristão.

De acordo com estudiosos, todos os movimentos de vanguarda da Renascença tiraram seu vigor e impulso a partir de um determinado olhar que lançaram sobre o passado. Ainda vigorava uma noção de tempo cíclica em que o passado era sempre melhor que o presente, pois lá estava a Idade do Ouro, da Pureza e da Bondade. Essa tendência aponta uma profunda insatisfação com a escolástica e uma aspiração em encontrar as bases para uma religião universalista, trans-histórica e primordial. O Humanismo Clássico recuperava a Antiguidade Clássica procurando o ouro puro de uma civilização melhor e mais elevada. Os reformadores religiosos procuravam a pureza evangélica nos estudos das Escrituras e nos textos dos precursores da Igreja.

A crença em uma prisca theologia e nos velhos teólogos – Moisés, Zoroastro, Orfeu, Pitágoras, Platão e Hermes Trismegistos – conheceu uma voga excepcional, assim como a leitura do Antigo Testamento, dos Evangelhos e a própria Tradição Clássica. Pensava-se em uma aliança possível entre essas antigas e puras teologias, entre as quais se destacava o Hermetismo (afinal, sendo Hermes o mais antigo dos sábios e diretamente inspirado por Deus, pois suas profecias se cumpriram com o nascimento de Jesus), para se chegar a um universalismo espiritual capaz de restaurar a paz e o entendimento pela compreensão da “divindade” nos seres humanos.

Sob essa ótica, no decorrer dos anos assistimos a uma intensa recuperação de diversas formas de Gnose, da Alquimia e do Esoterismo cristão em seus temas fundamentais: enobrecimento e transmutação dos metais, regeneração do homem e da natureza, a quem serão devolvidas a dignidade e a pureza perdidas com a queda, a vitória sobre as doenças, a imortalidade e felicidade no seio de Deus, as relações simpáticas entre os seres e as coisas, o acesso a textos ocultos e revelados a poucos iniciados, Astrologia, Magia naturallis, entre outras fontes do saber.

Estamos falando das bases sobre as quais certos pensadores que marcaram época construíram suas obras, dentre eles Johanes Augustinus Pantheus, sacerdote veneziano; autor de Ars transmutationes metallicaee; ou ainda, do provençal Michel de Nostredame (ou Nostradamus), médico e alquimista, protegido de Catarina de Médicis e autor das proféticas Centúrias; de Jerônimo Cardano, médico e matemático perseguido pela Inquisição e protegido pelo Papa; Juan Tritemio, sacerdote do convento de Spanheim, mas também um profeta, necromante e mago da corte do imperador Maximiliano. Por fim, chegamos a Paracelso (Teofrasto Bombast von Hohenheim), discípulo de Tritêmio e buscador da realização sobrenatural. Temos também Henrique Cornélio Agrippa de Netesheim, que em 1510 publicou De Occulta Philosophia.* Ele era um exímio estudioso de Cabala, Magia naturallis, Alquimia, Angelologia, dos segredos ocultos da natureza e da vida. Lembramos, ainda, dos esoteristas cristãos Marsílio Ficino e Pico de la Mirandola (a renovação do cabalismo no Renascimento).

Agrippa declarava que para ocupar-se da Magia, era necessário conhecer perfeitamente Física, Matemática e Teologia. Para ele, a Magia é uma faculdade poderosa, plena de mistério e que encerra um conhecimento profundo das coisas mais secretas da natureza, substâncias e efeitos, além de suas relações e antagonismos.

Giovanni Pico de la Mirandola justifica a importância da busca humana pelo conhecimento em uma perspectiva neoplatônica. Ele afirma que Deus, tendo criado todas as criaturas, foi tomado pelo desejo de gerar outra criatura, um ser consciente que pudesse apreciar a criação. Porém, não havia nenhum lugar disponível na cadeia dos seres, desde os vermes até os Anjos. Então Deus criou o homem, que, ao contrário dos outros seres, não tinha um lugar específico nessa cadeia. Em vez disso, o homem era capaz de aprender sobre si mesmo e sobre a natureza, além de poder emular qualquer outra criatura existente. Desta forma, segundo De la Mirandola, quando o homem filosofa, ele ascende a uma condição angélica e comunga com a Divindade. Entretanto, quando ele falha em utilizar o seu intelecto, pode descer à categoria dos vegetais mais primitivos. Desse modo, De la Mirandola afirma que os filósofos estão entre as criaturas mais dignificadas da criação.

A idéia de que o homem pode ascender na cadeia dos seres pelo exercício de suas capacidades intelectuais foi uma profunda garantia de dignidade da existência humana na vida terrestre. A raiz da dignidade reside na sua afirmação de que somente os seres humanos podem mudar a si mesmos pelo seu livre-arbítrio. Ele observou na história humana que filosofias e instituições estão sempre evoluindo, fazendo da capacidade de autotransformação do homem a única constante.

Em conjunto com sua crença de que toda a criação constitui um reflexo simbólico da Divindade, a filosofia de De la Mirandola teve uma profunda influência nas artes, ajudando a elevar o status de escritores, poetas, pintores e escultores, como Leonardo da Vinci e Michelangelo, de um papel de meros artesãos medievais a um ideal renascentista de artistas considerados gênios que persiste até os dias atuais.

Para esses pensadores, era possível elaborar uma harmonia entre Gnose, Hermetismo, Cabala Magia natural e Cristianismo. “Magia naturallis era compreendida como a aproximação da Natureza com a religião, ou seja, estudar a natureza (inclusive oculta) das coisas era visto como um caminho para compreender e chegar a Deus”.

Gnosticismo ou Conhecimento

De acordo com os apontamentos de Claudio Willer, os gnósticos existiram como seitas, em diversos grupos, nos séculos I a V da Era Cristã, especialmente no Egito, convivendo e interagindo com o Neoplatonismo e o Hermetismo. Escritores conceituados, sempre empenhados na recriação mítica de suas origens, deixaram uma série de evangelhos apócrifos (a exemplo dos cabalistas que, mais tarde, também fizeram seus acréscimos à Bíblia, reescrevendo ou introduzindo trechos atribuídos aos profetas). Esses autores foram desaparecendo diante da organização, não só teológica como política, do Cristianismo. Perseguidos e combatidos como hereges, ressurgem na Idade Média como bogomilos, variante do Maniqueísmo, nos atuais territórios da Bulgária, Hungria e Romênia. E, já nos séculos XII e XIII, aparecem como cátaros, os albigenses da Provença, militarmente exterminados. Sua documentação também foi destruída, restaram apenas as peças acusatórias do Cristianismo que, para se afirmar como poder temporal, os varreu da face da Terra.

Com isso, encerra-se a Gnose como forma de organização social, mas não como modo de pensar. A inversão da história do Jardim do Éden, com a serpente portadora não da perdição, mas da sabedoria, além de se manter em práticas de Magia e Bruxaria desde a baixa Idade Média e da Renascença, reaparece na criação de novos escritores, especialmente na transição do século XVIII para o XIX. Alexandrian, em sua História da Filosofia Oculta (Seghers, 1983, ou Edições 70, Portugal, s/d), atribui-lhes grande alcance: “o espírito da Gnose subsistiu até nossos dias; além disso, todos os grandes filósofos ocultos foram de uma forma ou de outra, continuadores dos gnósticos, sem que necessariamente utilizassem o mesmo vocabulário e os temas”. Seu comentário coincide com aquele feito em 1949 por André Breton (no ensaio Flagrant délit, em La clé des champs, Le Livre de Poche, 1979), ao registrar com lucidez a importância da então recente descoberta das Escrituras Gnósticas de Qumran. “Sabe-se, com efeito, que os gnósticos estão na origem da tradição esotérica que consta como tendo sido transmitida até nós, não sem se reduzir e degradar parcialmente no correr dos séculos, apontando ainda que poetas tão influentes como Hugo, Nerval, Baudelaire, Rimbaud, Lautréamont, Mallarmé e Jarry haviam sido mais ou menos marcados por essa tradição.”

Esses escritores são de uma família representada também por William Blake* (1757-1827). Pouco antes de Blake, Emannuel Swedenborg (1688-1772) havia formulado cosmologias complexas de grande influência, a ponto de se criarem seitas swedenborguianas, grupos que persistem até nossos dias. Swedenborg, que também deixou obra científica, representa uma dualidade típica do século XVIII, a coexistência do culto à razão e ao desenvolvimento científico, e seu aparente inverso, o crescimento, a sombra do Iluminismo, de seitas e grupos iniciáticos de orientação hermética. Entre outros, destacam-se a Maçonaria, na versão de Cagliostro; os Martinistas e os “Iluminados”. Ambos, racionalismo e ocultismo, aparente claridade e suposto obscurantismo, modernização e tradicionalismo, são pólos da mesma complexa configuração. Para cada Voltaire havia um Cagliostro; para cada Rousseau, um Marquês de Sade. Todos possíveis graças à liberdade de pensamento e expressão possibilitada pelo enfraquecimento dos regimes absolutistas e do poder temporal da Igreja.

Não por acaso, o pai de William Blake foi adepto de Swedenborg. E o poeta, também notável artista plástico, formou-se por meio de leituras não somente do próprio Swedenborg, mas de seus antecessores renascentistas como Paracelso e Jacob Boehme – formuladores da teoria das “assinaturas” de que o microcosmo reproduziria traços do macrocosmo, e cada coisa particular manifestaria correspondências com o Todo, as qualidades e características da ordem universal – e dos movimentos ocultistas de seus contemporâneos, iluminados e martinistas inclusive. Não era de se estranhar que, sendo um visionário, Blake acreditasse que, desde a adolescência, conversava com profetas bíblicos e que poemas seus fossem ditados por anjos.

Sem dúvida, Blake foi um panteísta e um politeísta, pelo modo como apresentou em seus poemas uma pluralidade de entidades, uma teogonia particular, e como cultuou a natureza, visualizando-a animada pela energia divina (minha principal fonte, The Poetical Works of William Blake, editada por John Sampson, Oxford University Press, 1960). Formulou antevisões, em seus Poemas Proféticos, em América, A Revolução Francesa e em Matrimônio do Céu e do Inferno, em cujas metáforas, deslindando-as, é possível reconhecer antecipações do que estava por vir (no mínimo, na Canção de Liberdade, em Matrimônio do Céu e do Inferno), ou seja, a expansão e a subseqüente queda do Império Britânico. Até que ponto sua poesia encerra idéias gnósticas, isso é e continuará sendo uma incógnita.

Contudo, declarações como esta: “O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria” (a mais famosa de Matrimônio do Céu e do Inferno) permitem associação a um Gnosticismo dissoluto. Igualmente, as estetizações de Satã, retratado como fonte da sabedoria (em Matrimônio do Céu e do Inferno, em outros lugares de sua obra e na esplêndida gravura na qual seu Lúcifer triunfante é uma herética citação do redentor apocalíptico de Michelangelo), e os personagens, deuses criadores do mundo, porém decaídos ou malignos, como Los, Urizen e Nobodaddy, são representações do Pai opressor.

Friedrich Hölderlin (1770-1843) jamais ascendeu ao status de profeta, e o componente visionário de sua obra – mais evidente quando passou o restante de seus dias na pequena cidade de Nürtingen, abrigado na casa do carpinteiro Zimmer em sua fase de loucura – não pode ser tomado como expressão da adesão a seitas e doutrinas. Escrevia como se fosse um grego e estivesse na Grécia antiga, e, impregnado de mitos, lamentava a queda dos deuses em poemas lacunares, extremamente modernos, com belas imagens; assim naufraga o ano no silêncio…

Com o passar do tempo, Hölderlin e Blake, quase contemporâneos, cresceram em prestígio e estatura literária. Outro poeta, já de um romantismo tardio, de uma geração seguinte, também se destacou: Gérard de Nerval (1808-1855), influenciado pela Cabala, pelo Hermetismo e por idéias gnósticas, a qual havia aderido de modo consciente, conforme deixou claro em Les Illuminés. Em Aurélia, obra que escreveu antes de desencarnar em virtude de um acesso de melancolia e que é uma narrativa regida por mecanismos do sonho e do delírio, bem como em Sílvia, exemplarmente analisada por Umberto Eco em Seis Passeios pelos Bosques da Ficção, confundem-se dois modos do pensamento mágico: um deles, aplicação ou expressão da formação ocultista; o outro, resultado de seu distúrbio psíquico.

O Luciferianismo é um antigo culto de mistérios que tem origem nos cultos de adoração às serpentes ou dragões, sendo parte dessa crença originada dos mistérios clássicos. O luciferianista presta culto ao Deus romano, Lúcifer, o Andrógino, o Portador da Luz, o espírito do Ar, a personificação do esclarecimento, por meio de seus deuses machos e fêmeas. Dentro do contexto geral pagão, Lúcifer era o nome dado à estrela matutina (a estrela conhecida por outro nome romano, Vênus). A estrela matutina aparece nos céus logo antes do amanhecer, anunciando o Sol ascendente. O nome deriva do termo latino lucem ferre, o que traz, ou o que porta a luz. Lúcifer vem do latim, lux + ferre e é denominado, muitas vezes, como a Estrela da Manhã. Dentre todos os deuses, Lúcifer foi aquele que manteve a relação mais notável com a Humanidade. Encontrar a faceta da divindade Lúcifer dentro de nós é fator importante no caminho da Verdade para um luciferianista. Ela nos trará a consciência, o conhecimento e, sobretudo, o livre-arbítrio. Lúcifer, para nós, é o caminho para o encontro com o verdadeiro Eu - divindade, a nossa vontade real.

Lúcifer (em hebraico, heilel ben-shachar, ; em grego na Septuaginta, heosphoros) representa, como já dissemos, a Estrela da Manhã (a estrela matutina), a estrela D’Alva, o planeta Vênus, mas também foi o nome dado ao anjo caído, da ordem dos Querubins (ligados à adoração de Deus). Na atualidade, em uma nova interpretação da palavra, chamam-no de Diabo (caluniador, acusador) ou Satã (cuja origem é o hebraico Shai’tan, adversário).

Hoje, Nerval é visto como possuidor de uma estatura próxima à do autor referencial, inaugurador da modernidade, Charles Baudelaire (1821-1867), o poeta dos mistérios, dos abismos e da sua cidade, da metrópole moderna e movimentada em que Paris ia se convertendo. Ambos, Nerval e Baudelaire, eram excêntricos no plano da conduta pessoal; sua excentricidade passando a símbolo de uma provocação romântica e pós-romântica.

Karl Bunn nos diz que: “No Ocidente, algumas das formas mais conhecidas de Gnose são o Hermetismo, a Gnose Cristã, a Alquimia, os ensinamentos dos Templários e a Maçonaria.

O Hermetismo ou os Mistérios de Hermes foi estabelecido em antiqüíssimos tempos por Hermes Trismegistos, no Egito dos grandes magos e sacerdotes. Afortunadamente, essa ciência conseguiu manter-se pura e intacta até nossos dias nas lâminas do Tarô Egípcio. Já a Gnose dos primeiros cristãos, somente nos últimos 20 anos do século passado ressurgiu nos principais centros culturais do mundo, tanto em forma integral quanto em forma de livros compilados a partir das chamadas obras apócrifas do Cristianismo antigo – que nada têm de apócrifos, considerando-se que a lista canônica foi elaborada para servir aos interesses dos primeiros padres da Igreja Romana. Na realidade, apócrifa e canônica são obras escritas na mesma época e da mesma maneira. Existe sim uma diferença de fundamental importância: os textos denominados apócrifos não sofreram mutilações nem adaptações ao longo dos séculos e são, portanto, mais puros, originais e completos que os canônicos.

Segundo estudiosos do assunto, existem muitas discussões e polêmicas em torno das obras apócrifas. Isso é compreensível, levando-se em conta que as fantasias teológicas, criadas nos últimos dois mil anos, estão muito vivas na cabeça das pessoas, principalmente dos fiéis católicos e das seitas cristãs. Em contrapartida, é crescente o número de pessoas esclarecidas que atestam a veracidade e a fidelidade dos textos considerados apócrifos, tornando acessível ao público toda a sabedoria gnóstica da Antiguidade.

A Gnose chama a atenção não só por seus aspectos históricos e antropológicos, que ajudam a explicar os pontos cruciais da atribulada trajetória da humanidade, mas também por seu caráter psicológico profundo, de extrema atualidade, como conhecimento divino, ou fogo liberador que surge das mais íntimas profundezas do indivíduo.

Hoje em dia muitos sábios, filósofos, psicólogos, humanistas, etc., encontraram na Gnose as orientações precisas que possibilitam o esclarecimento dos grandes enigmas do Universo e do Homem. Basta recordar a famosa frase: “Nosce te Ipsum” (Conhecida tradicionalmente como “Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses”).

Vemos, então, que a Gnose sempre foi um conhecimento misterioso, que parece surgir espontaneamente nas mais diversas épocas e lugares. O estudioso francês Serge Hutin diz o seguinte: “Se o Gnosticismo não fosse mais que uma série de aberrações doutrinárias, próprias de hereges cristãos dos três primeiros séculos, seu interesse seria puramente arqueológico. Mas é muito mais que isso, a atitude gnóstica aparecerá espontaneamente, além de qualquer transmissão direta. O Gnosticismo é uma ideologia mística que tende a reaparecer incessantemente na Europa e em outros lugares do mundo em épocas de grandes crises ideológicas e sociais”.

E também afirma: “Ainda que muitos gnósticos falem uma linguagem desconcertante para o homem contemporâneo, sua atitude no fundo é muito moderna: apresentam-se como homens preocupados com o futuro do mundo, procurando uma solução para os problemas que o envolvem”.

Em meados do século passado, foram encontrados pergaminhos, manuscritos e outros textos que, ao serem traduzidos, mostram a profundidade das doutrinas gnósticas praticadas antes de Jesus Cristo e também depois de sua vinda, fundindo-se com as primeiras comunidades cristãs. Pode-se dizer que o Cristianismo nascente encontrou seu primeiro ponto de apoio nos filósofos gnósticos daquela época.

O Gnosticismo, ou grupos de doutrinas relativas à Gnose, constitui-se no que é a tradição esotérica das diversas religiões, em especial do Cristianismo. Podemos dizer que a Gnose é aquele elo secreto que une a sabedoria do Oriente à do Ocidente.

No Budismo, vamos encontrar a Gnose principalmente nas formas que se caracterizam pela transmissão direta, como o Zen; nas formas esotéricas tibetanas, o Prajna-Paramita, entre outros.

A palavra zen é a forma japonesa do ch’an chinês, que por sua vez vem do dhyana sânscrito, do qual se deriva gnana (sabedoria), que finalmente chega ao grego, e daí Gnose em língua portuguesa.

No Islã também vamos encontrar a Gnose na parte esotérica, no Sofismo.

No Pistis-Sophia, livro que pode ser considerado a Bíblia Gnóstica, vimos que Jesus revelou a Gnose oralmente a seus discípulos, depois da Ressurreição.

Após os primeiros séculos do Cristianismo, a pura Gnose Cristã precisou se envolver no véu do Hermetismo, pois sua existência manifesta já não era mais conveniente à religião de Estado que então se formou.

Pistis Sophia - o livro - foi publicado pela primeira vez em 1851, na França. Depois, houve uma versão para o inglês, feita por G.R.S. Mead. Mas, qualquer que seja a edição de Pistis Sophia, moderna ou antiga, trata-se de uma obra incompreensível para os não-iniciados. Mesmo a edição comentada do Mestre Samael Aun Weor, que desvela os dois primeiros dos seis volumes de Pistis Sophia, é bastante complexa, não somente pelo vocabulário mas pelas próprias verdades da Alta Iniciação ali contidas.

Infelizmente, por preconceito ou ignorância, os maiores tesouros do Gnosticismo antigo continuam incompreendidos. Mestres e estudiosos, como Samael Aun Weor, H. P. Blavatsky e Carl Gustav Jung foram alguns poucos que se atreveram a enveredar pelos caminhos do Gnosticismo histórico e de lá retornar com compreensão e entendimento suficientes para explicar algo de seus augustos e reservados mistérios. Mas, agora em edição especial, a Madras Editora traz para a língua portuguesa a maior coletânea de textos apócrifos em duas obras: O Mistério do Pergaminho de Cobre de Qumran – O Registro dos Essênios do Tesouro de Akhenaton, de Robert Feather, com 448 páginas, e A Biblioteca de Nag Hammadi – A Tradução Completa das Escrituras Gnósticas, coordenação de James M. Robinson, com 464 páginas.

No entender de um antigo Patriarca Gnóstico, Clemente de Alexandria, “Gnose é um aperfeiçoamento do homem enquanto homem”. A Gnose, transmitida oralmente depois dos apóstolos, chegou a um pequeno número de pessoas.

As doutrinas gnósticas, sendo doutrinas de regeneração, ocupam-se especialmente do trabalho com a energia criadora, a transmutação ou Alquimia sexual, ou ainda Tantrismo, como é conhecida no Oriente a ciência gnóstica da supra-sexualidade.

É interessante saber que a misteriosa ciência dos alquimistas teve origem na Gnose de Alexandria. De Alexandria, ela passou a Bizâncio e aos venezianos. Mas foram os árabes que levaram a Alquimia à cristandade européia, por meio da Espanha.

Na Alquimia tântrica, o amor desempenha um papel essencial. Por isso, as ilustrações feitas pelos alquimistas mostram sempre um casal em atitude amorosa.

Uma das principais características do Tantrismo é que ele se apóia totalmente em um progressivo e total domínio da sexualidade – o que também é exigido de todo alquimista. O Tantrismo e a Alquimia buscam os mesmos objetivos: a reconquista progressiva dos poderes perdidos pelo homem quando da queda (sexual) no Éden, do domínio total das energias ocultas do Cosmos e também das energias que se encontram no próprio homem.

Wagner Veneziani Costa

Fontes de Consulta:

http://pt.wikipedia.org

Jornal Infinito (www.jornalinfinito.com.br).

G. Trowbridge, Swedenborg, Vida e Ensinamento;

J. H. Spalding, Introdução ao Pensamento Religioso de Swedenborg;

S. Toksvig, Emanuel Swedenborg : Cientista e Místico.

S. M. Warren, ed., Um Compêndio dos Escritos Teológicos de Emanuel Swedenborg.

Copyright, by Wagner Veneziani Costa.

É proibida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou por qualquer meio eletrônico, mecânico, inclusive por meio de processos xerográficos, incluindo ainda o uso da internet, sem a permissão expressa da Madras Editora, na pessoa de seu editor (Lei nº 9.610, de 19/02/98).


10 ago

Lilith

Por Wagner Veneziani Costa

 

Lilith é vulgarmente tratada como um demônio da noite. Ela é também referida na Cabala como a primeira mulher do bíblico Adão. Pensa-se que o Relevo Burney, um relevo sumeriano, a represente. Muitos acreditam que há uma relação entre Lilith e Inanna, deusa sumeriana da guerra e do prazer sexual.

 

Inanna era a deusa (dingir) do amor, do erotismo, da fecundidade e da fertilidade, entre os antigos sumérios, sendo associada ao planeta Vênus. Era especialmente cultuada em Ur, mas era alvo de culto em todas as cidades sumerianas.

 

Surge em praticamente todos os mitos, sobretudo pelo seu caráter de deusa do amor (embora seja sempre referida como a virgem Inanna); por exemplo, como se a deusa tivesse se apaixonado pelo jovem Dumuzi, tendo este morrido, a deusa desceu aos infernos para resgatá-lo dos mortos, para que este pudesse dar vida à humanidade, agora transformado em deus da agricultura e da vegetação.

 

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18 jun

Sorria você está sendo enganado!!!

Hoje no Brasil, se faz mais politicagem do que política. O que seria essa politicagem? Acordos, troca de cargos, troca de apoios políticos e vários outros tipos de atos ilícitos que corrompem a política brasileira. Um caso recente de politicagem é a dificuldade de se dar os cargos de seu governo para os que lhe apoiaram nas últimas eleições… O que é mais engraçado é que se fazia muitas críticas nesse mesmo sentido na gestão anterior, que criávamos cargos. Muita gente pra pouco cargo. Agora vemos a criação de vários cargos e comissões… Muitos sem nenhum sentido, sem necessidade… Com realizações insignificantes.

 

Política é o ato de representar o povo, lutar pelos interesses do povo. Coisa que raramente acontece, o que vemos é uma deformação da política. A politicagem acontece por debaixo dos panos, em restaurantes, em hotéis, aqui isso ocorre até pelo telefone. É nessa deformação da política que nascem os interesses particulares, troca de favorzinhos. Ganham cargos do tipo “não faz nada”. Um claro exemplo de politicagem sem pudor.

 

Mas ainda existem coisas piores, as denúncias engavetadas, arquivadas… Para uns, isso é prevaricação, mas para ser mais leve, vamos denominá-las de omissão. E eu pergunto o que é pior?

 

O que o Brasil precisa não é de combate a política, mas sim de combate a politicagem e os politiqueiros e seus descendentes. O Brasil precisa de uma política anti politicagem.

 

“Não somos incendiários como alguns imaginam, mas tampouco somos idiotas…”. Refiro-me aos que ignoram os fatos e se deixam enganar por “ideologias” político partidárias e repetem os mesmos erros seguidamente e ficamos na mesma, com o perdão da palavra, m.e.r.d.a.

 

Muito cuidado quando você recebe uma informação, ela pode estar narcotizando você. A ferramenta muito utilizada por essa gestão tem o objetivo perverso de confundir os fatos… Inverter as verdades… Ou seja, fazem um verdadeiro teatro, e nas suas versões, são sempre as vítimas… Em resumo, a ignorância é diabolicamente criada para ser explorada.

 

O momento lembra muito a obra 1984, de George Orwell, em que todos viviam sob o jugo do grande irmão que tudo via e sabia. E aqueles que pensavam diferente cometiam crime de “crimidéia”, eram capturados e vaporizados pela “polícia do pensamento”. Se aprofundarmos nossas reflexões, podemos entender que qualquer Irmão que se recusa a pactuar com essas informações falsas, seja quem ou o que for, será vaporizado.

 

O maior castigo para quem não gosta de política é ser governado pelos que gostam. Arnold Toynbee, historiador inglês (1889/1975).

 

Não permita que o reino da hipocrisia domine você, pense, analise e tente ver além dos seus olhos. Estude a história, certifique-se da vida profissional e familiar de quem está falando, como vivem e do que vivem, pesquise a respeito de cada um dos envolvidos…

É muito triste percebermos que estamos todos sendo enganados e pouco fazemos para trazer nossas antigas tradições de volta.

 

Por fim, também devemos reconhecer que a Razão triunfante da modernidade não conseguiu – felizmente! – por termo a todas as tradições, o que significa a possibilidade de mantermos um elo com o passado, aprender com este e resguardar aquilo que ainda nos dá o status de humanos e não de autômatos obedientes aos ditames da lógica do mercado. A sobrevivência da tradição nos ajuda a contrapor nossa subjetividade à racionalidade cega e objetiva, contribuindo para a crítica racional a um mundo desencantado com sua própria realidade.

 

Essa Maçonaria Política foi utilizada como ferramenta pelos americanos, nos anos 30. Esses nossos Irmãos nos fizeram aceitar mudanças muito radicais no funcionamento da Ordem… “Deixamos de trabalhar os valores internos dos Homens e passamos a trabalhar as suas aparências, deixamos de selecionar Candidatos pelo caráter e passamos a escolhê-los aleatoriamente, deixamos de influenciar positivamente os acontecimentos do País e passamos a ser escravos deles, entregando nossa consciência de homens livres e de Bons Costumes ao flutuar das conveniências.” Zé Rodrix

 

Esta percepção positiva da modernidade não está isenta de crítica. No seio do próprio iluminismo, Rousseau apontou os limites do progresso e da ciência e observou o quanto vivemos sob as aparências, numa sociedade essencialmente hipócrita e corrompida:

 

Que cortejo de vícios não acompanha essa incerteza! Não mais amizades sinceras e estima real, não mais confiança cimentada. As suspeitas, os receios, os medos, a frieza, a reserva, o ódio, a traição, esconder-se-ão todo o tempo sob esse véu uniforme e pérfido da polidez, sob essa urbanidade tão exaltada que devemos às luzes de nosso século.” (Rousseau, 1978: 336)

 

Por

Wagner Veneziani Costa

 

Copyright, by Wagner Veneziani Costa.

É proibida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou por qualquer meio eletrônico, mecânico, inclusive por meio de processos xerográficos, incluindo ainda o uso da internet, sem a permissão expressa da Madras Editora, na pessoa de seu editor (Lei nº 9.610, de 19/02/98).

 


05 jun

Drácula

 Por Wagner Veneziani Costa

 

Meus caríssimos amigos leitores,

 

Recebam os meus mais sinceros votos de Luz, Amor e Paz!!!

 

Antes de adentrarmos neste clássico da literatura, Drácula, de Bram Stoker, creio ser importante saber um pouco da história, da fonte em que Stoker bebeu e alimentou sua mente para criar o seu personagem…

 

“No meio das sombras, onde a lenda e a realidade se confundem, surgem às histórias de um ser fantástico que nunca morre, aquele que dizem que não nasceu na terra, e sim nos esgotos do inferno… e que suga o sangue de virgens inocentes… ele é o Príncipe do Mal, aquele que faz tremer até o mais bravo entre os bravos!”

 

O horror de Drácula é um horror gótico baseado em um romance clássico da literatura fantástica, publicado em fins do século XIX por Bram Stoker (Drácula é de 1897). Foi um período de alterações significativas no processo de desenvolvimento do sistema capitalista, o imperialismo, que conduziria o mundo para a Primeira Guerra Mundial e para a barbárie do século XX. Vivia-se naquela época um tempo de grandes transformações sócio-históricas em razão da Segunda Revolução Industrial. Cada vez mais a ciência e a tecnologia afirmavam seu poder sobre a Natureza, seja ela o tempo ou o espaço. Como diria Weber: “O mundo se desencantava de modo acelerado”.

 

Bram Stoker foi buscar seu material literário em lendas sobre Vlad Drácula, lendas da Europa central, que representava, de certo modo, o “retorno do reprimido”. O mal que atingia o Ocidente vinha das profundezas macabras da periferia capitalista e pertencia a um passado distante, de cunho aristocrático (Drácula era, antes de mais nada, um conde). O personagem Drácula representava a forma primordial do Mal, que seduzia e dominava suas vítimas utilizando recursos naturais, de uma natureza noturna (Drácula possuía a alcunha de Senhor das Trevas) atingida pela civilização da luz, cuja eletricidade, um dos grandes inventos da Segunda Revolução Industrial, se disseminava e transfigurava o cenário urbano-industrial. Drácula representava uma natureza insurgente no interior do próprio Ocidente tecnificado (em sua odisséia de horror, Drácula não lidava com artefatos tecnológicos para destruir), apesar de sua “exterioridade” acidental (Drácula veio da periferia do sistema capitalista), e, de sua representação gótica, o personagem de Bram Stoker possui um sentido profundamente moderno.

 

Tal como o capital, que Marx alcunhava de Moloch, deus fenício que exigia constantes sacrifícios humanos, Drácula se reproduz sugando sangue de homens e mulheres. Sangue é a representação simbólica do trabalho vivo. Inclusive, Marx observa que a força de trabalho é “fermento vivo”, capaz de despertar os mortos, isto é, os meios de produção, criando mais valor. Enfim, Drácula, tal como o capital, era um morto-vivo (ou fetiche?) que consumia homens e mulheres.

 

Deste modo, o personagem de Bram Stoker não deixa de ser a alegoria típica do fetiche capital, transfigurado em um personagem pré-moderno, antediluviano, de semblante tradicional (o que significa, de certo modo, que o capital se apropria, para sua reprodução sócio-metabólica, de elementos da tradição, do passado morto que tanto oprime os vivos, como bem destacou Comte e Marx). E o cinema se apropriou da figura de Drácula, criada por Bram Stoker, para fazer inúmeros filmes no século XX.

 

Vamos falar um pouco de Moloch e de Baal?

 

Retirei o texto a seguir da minha obra Maçonaria – Escola de Mistérios – A Antiga Tradição e Seus Símbolos, Madras Editora, 2007, edição totalmente esgotada…

 

Os Deuses Moloch e Baal

 

Os deuses cananeus Moloch e Baal exigiam o sacrifício humano. Esse sacrifício era feito comumente com crianças. Elas eram sangradas e depois queimadas no altar do sacrifício. As “primícias” eram dedicadas ao deus cruel Moloch, divindade semita mencionada na Torá (Lv 18, 21; 20, 2- 5; 1 Rs 11,7; 2 Rs 23, 10). Trata-se da divindade cananeia Milk, cultuada desde o século XXIV a.C. em Ur (de onde proveio Abraão), Mari, Assiria, Ugarit e Canaã; ele era o deus nacional dos amonitas. Exigia dos fiéis o sacrifício das “primícias”, que tanto eram os primeiros frutos, as primeiras frutas colhidas, as primeiras crias do gado, em geral, incluindo o primeiro filho de seus adoradores. A lenda do “quase sacrifício” feito por Abraão exigido por Javé nos permite entendê-la como a transição da adoração de Moloch para a adoração de outro deus único, menos violento. Já não exigia a vida, somente o prepúcio. Mas esse novo deus era ainda violento e exterminador com relação aos estrangeiros, aos gentios e aos próprios judeus, quando o desobedeciam. Era a representação externa do chefe do clã, ou seja, onipotente.

 

Abraão (Abraham), por se sentir um filho eleito pelo D’us, Javé, passou a acreditar na promessa (desejos seus projetados no deus que agora os devolvia em forma de promessa) e nos seus direitos, já que o aceitou como único e se submeteu às suas imposições, para então “ter direito àquelas terras”. O pacto com Javé foi uma transação na qual, em troca da fidelidade eterna e exclusiva ao deus-único, Abraão recebia a promessa de ser aceito, bem como seus herdeiros, como o “filho eleito e único”. Assim como Abraão procedeu com os outros filhos, Javé fez com os outros povos, filhos de Deus. Baniu-os.

 

A essa altura, cabe um parêntese: o D’us dos judeus, JAVÉ (YHWH, o tetragrama), tinha outras denominações: EL, EL-SHADAI (“O Todo-Poderoso”, como o designava Abraão), O ETERNO, ELOHIM (ou ELOÁ), JAHU, JO ou JAH e ADONAI. “Adonay” é usado quase que com exclusividade pelos Sefaradis, em sua Bíblia de Ferrara escrita no dialeto ladino. Os cristãos, em suas diversas seitas e ramificações, designam esse Deus, SENHOR DEUS, O SENHOR, O D’US DE ISRAEL, O CRIADOR, JEOVÁ, O ALTÍSSIMO, PAI CELESTIAL, ou simplesmente DEUS.

 

Baal

 

Com o nome de Baal, os povos semitas ocidentais adoraram diversos deuses, todos de características semelhantes. Originariamente, Baal constituía, com El, a principal divindade do panteão cananeu. A principal fonte de informação a respeito do Deus são as tábuas descobertas em Ras Shamra, localidade do norte da Síria situada onde existiu o antigo reino de Ugarit, que se desenvolveu em meados do segundo milênio antes da era cristã. Baal era o deus da fertilidade e, associado à tempestade e à chuva, tinha lutas periódicas com Mot, senhor da seca e da morte. Nessa mitologia, Baal representava as forças ativas da vida, enquanto El estava associado à sabedoria e à prudência da maturidade. Os fenícios adotaram o culto de Baal, que chamavam “Baal Shamem, Senhor dos céus”. Depois de chegar a Canaã, os israelitas passaram a chamar de Baal os deuses da região. No século IX Jezebel pretendeu substituir o culto de Iavé pelo de Baal, o que provocou o repúdio deste. Baal passou a representar, para os israelitas, a abominação e os falsos deuses. Essas circunstâncias, aliadas à crença de que os cartagineses sacrificavam seus primogênitos a Baal Amon, atribuíram ao deus uma imagem sanguinária que em nada corresponde a sua origem.

 

Os fenícios conservaram os antigos deuses tradicionais dos povos semitas: as divindades terrestres e celestes, comuns a todos os povos da Ásia antiga. Assinale-se, como fato estranho, que não deram maior importância às divindades do mar. Eram representantes do deus-Sol, marido da rainha dos céus, Baalat. Os festivais de fertilidade dos equinócios da primavera, efetuados no Templo de Baalat, envolviam prostituição ritualística, considerando-a um dever sagrado imposto a todas as mulheres férteis do reino. Elas deviam entregar-se sem inibição a qualquer estranho que passasse e as desejasse.

 

Cada cidade tinha seu deus, Baal (senhor), associado muitas vezes a uma entidade feminina – Baalit ou Baalat. O Baal de Sidon era Eshmun (deus da saúde). Biblos adorava Adônis (deus da vegetação), cujo se associava ao de Ashtart (a caldeia Ihstar; a grega Astreia), deusa dos bens terrestres, do amor e da primavera, da fecundidade e da alegria. Em Tiro, rendia-se culto a Melcart e Tanit.

 

Para aplacar a ira dos deuses, sacrificavam-se animais. E, às vezes, realizavam-se terríveis sacrifícios humanos. Queimavam-se, inclusive, os próprios filhos. Em algumas ocasiões, recém-nascidos foram lançados, ao mesmo tempo, ao fogo – enquanto as mães assistiam, impassíveis, ao sacrifício.

 

Antes de prosseguirmos, vale a pena fazer uma rápida revisão nos primórdios da Mitologia Judaico-Cristã. Desde Adão (Adan), há uma constante luta entre os irmãos, que, movidos pela cobiça, inveja e pelo ciúme, competem entre si na intenção de serem os prediletos, os queridos dos pais e, portanto, únicos herdeiros. Algumas culturas dão ao primogênito do sexo masculino a responsabilidade de cuidar da herança e tem sua preferência.

 

Vemos isso claramente quando Caim, por ciúme, ao ver seu lugar de primogênito e preferido ameaçado, mata seu irmão Abel (Gn. 5: 32), “pois a oferenda deste, e não a sua, fora aceita por Javé”. Javé estava elegendo Abel como o preferido.

 

Moloch era mais que um simples ídolo. Muitos estudiosos acreditam que ele era o deus cananeu do Sol e que seu nome, entre o povo judeu, estava associado ao sacrifício de crianças. Seu nome deriva da palavra malak, que significa “rei”.

Antigas descrições do Deus Moloch mostram-no como um homem com cabeça de touro. O tema central de seu culto era a imolação ritualística de crianças no “fogo de Moloch”. A Bíblia chama esse sacrifício infantil de “abominação dos amoneus”, mas temos de aceitar que esse horrível ritual era praticado no tempo em que a Lei judaica estava sendo escrita.

Aqui também nos cabe citar as similaridades com o mito do Minotauro, aquele que, com as mesmas características de Moloch, vivia em um labirinto de Minos, na ilha de Creta. Resumindo o mito, o Minotauro era alimentado com sete meninas e sete meninos todos os anos. Minos cobrava os suprimentos de crianças como um tributo anual da cidade de Atenas.

 

Lembramos também do que está no capítulo 22 do Gênesis, em que Abraão começa os preparativos para o sacrifício de Isaac, seu primogênito. Foi no Monte Moriá que o pai do Judaísmo construiu uma pira de madeira para matar seu filho nas chamas de Moloch. Mas os escribas do Velho Testamento tinham de mostrar como Abraão não levou adiante o sacrifício (ao estilo Moloch) de seu primeiro filho. Eles tentam explicar que Deus o livrou da situação – mas isso somente depois que Abraão demonstrou toda a sua determinação de matar o filho em honra ao deus-Sol, El Elyon, “O Mais Alto”.

 

Depois desse enorme parêntese, voltemos ao clássico de Bram Stoker…

Quem foi Vlad Tsepesh aka Dracula? Vlad Dracula (pronuncia-se Drácula) ou Vlad, o Empalador, foi um príncipe vivo e real no qual Bram Stoker baseou o famoso texto. Drácula nasceu na Transilvânia, em 1431, na cidade de Sighisoara, ou Schassburg. Seu pai, Vlad Dracul (Vlad, o Demônio) foi membro da Ordem do Dragão, o que significava um pacto de luta eterna contra os turcos. O nome Dracul significa Dragão ou Demônio, e se tornou o símbolo de seu pai porque ele usava o símbolo do dragão em suas moedas. Com apenas 13 anos de idade, Drácula foi capturado pelos turcos, que o ensinaram a torturar e empalar pessoas. Mas foi sob o seu reinado em Wallachia, de 1456 a 1462, que ele realmente teve a chance de usar seus conhecimentos. Foi também nessa época que aconteceu a maioria das histórias. Por exemplo:

 

Certo dia, Drácula viu um homem com camisa suja e maltrapilha. Drácula perguntou se o homem tinha esposa, e o homem respondeu que sim. Drácula vê que ela é uma mulher saudável e cheia de fibra, e a chama de preguiçosa, de forma que tem ambas as mãos decepadas e seu corpo empalado. Ele procurou outra esposa para o homem e mostrou a ela o que acontecera com sua preguiçosa predecessora, como uma forma de aviso. A nova mulher definitivamente não era preguiçosa.

 

O outro nome de Drácula, Tsepesh (ou Tepes), significa empalador. Vlad era chamado assim por causa de sua propensão para o empalamento como uma forma de punição para seus inimigos. Empalamento era uma forma particularmente medonha de execução. A vítima era posta em um cavalo e empurrada em direção a estacas polidas e untadas em óleo, de forma a não causar morte imediata. Esposas infiéis e mulheres promíscuas foram punidas por Drácula, tendo seus órgãos sexuais cortados, a pele arrancada enquanto vivas e sendo expostas em público, com suas peles penduradas próximas aos seus corpos.

 

Drácula apreciava especialmente execução em massa, em que várias vítimas eram empaladas de uma vez, e as estacas içadas. Como as vítimas se mantinham suspensas do chão, o peso de seus corpos fazia com que descessem vagarosamente pela estaca, tendo sua base lisa arrombando seus órgãos internos. Para melhor apreciar o espetáculo, Drácula rotineiramente ordenava um banquete em frente às suas vítimas, e era um prazer para ele entre os lamentáveis sinais e ruídos delas morrendo.

 

O atual castelo de Drácula fica ao norte da Wallachiana, cidade de Tirgoviste. Vlad Tsepesh aka Drácula morreu em 1476. Algumas histórias dizem que ele morreu em uma batalha na qual se disfarçou de turco. Como a vitória estava próxima, correu para o alto de um penhasco para ver tudo, mas foi confundido com um turco e morto por seus próprios homens. A tumba de Drácula fora aberta em 1931, mas ela estaria vazia, a não ser por um deteriorado esqueleto, uma coroa de ouro, uma gargantilha parecida com uma serpente e fragmentos de um traje em seda vermelha, com um sino costurado nela. Infelizmente, todas essas coisas foram roubadas do History Museum of Bucharest (Museu Histórico de Bucareste), onde haviam sido depositadas.

 

Há uma lenda que diz o seguinte: “As pessoas tornaram-se tão honestas devido ao medo das punições do Conde Drácula que ninguém se atrevia a roubar um copo de ouro deixado num poço ao largo de uma estrada. Um dia, uma mulher foi beber água e reparou que o copo tinha desaparecido. Ela gritou e começou a chorar, sabendo que o Conde Drácula morrera e a desonestidade haveria de prevalecer novamente”.

 

Isso nos faz pensar em outras histórias, ou lendas, que afirmam que os vampiros não são ruins ou maldosos… Se você procurar o significado da palavra vampiro no dicionário, encontrará a definição de um ser noturno, diabólico, que suga o sangue das pessoas; mas vampiro não é só isso, é uma filosofia fascinante, que se contrapõe aos conceitos racionais e está acima de todos nós…

 

Relatos de seres “vampíricos” já foram apresentados diversas vezes. Uma vez foi sobre Johannes Cuntius: na noite de sua morte, um gato entrou em seu quarto e arranhou seu rosto. Após o enterro, o vigia da cidade começou a relatar ruídos estranhos vindos da casa de Cuntius todas as noites. Outras histórias extraordinárias foram relatadas de outras residências. Uma empregada, por exemplo, relatou ter ouvido alguém cavalgando em volta da casa e depois para dentro do edifício, abalando-o violentamente. Em outras noites, Cuntius apareceu e teve encontros violentos com antigos conhecidos, amigos e membros da família. Entrou no quarto e exigiu dividir a cama com a mulher. Como outras aparições (pessoas que voltam após a morte ou depois de longa ausência), Cuntius tinha uma presença física e uma força extraordinária. Numa ocasião, relata-se que arrancou dois postes firmemente enterrados no solo. Todavia, em outras ocasiões, ele aparentemente operava de forma não corporal – como um fantasma – e desaparecia subitamente quando era acesa uma vela em sua presença. Dizia-se que Cuntius cheirava mal e tinha extremo mau hálito. Relata-se que uma vez transformou leite em sangue. Sugava as vacas até que ficassem sem sangue, numa tentativa de chamar a atenção, não somente de sua esposa, mas também de diversas mulheres de sua cidade. Uma pessoa à qual tocou disse que sua mão era fria como o gelo. Diversos buracos apontando para o local de seu caixão apareceram ao lado do túmulo. Os buracos foram preenchidos, mas reapareceram na noite seguinte.

 

Os moradores da cidade, incapazes de encontrar uma solução para essas ocorrências, resolveram finalmente verificar o cemitério e cavaram diversos túmulos. Todos os corpos estavam em adiantado estado de decomposição, menos o de Cuntius. Embora já estivesse enterrado há seis meses, seu corpo ainda estava macio e flexível. Puseram um bastão na mão do morto e ele o agarrou. Cortaram o corpo e o sangue espirrou. Foi convocada uma audiência judicial formal, sendo pronunciado um julgamento contra o cadáver. Foram dadas ordens para que o corpo fosse queimado. Como este demorou a queimar, foi cortado em pedacinhos. O executor relatou que o sangue estava fresco e puro. Após a cremação, a figura de Cuntius nunca mais foi vista.

 

Lilith, uma das figuras mais famosas do folclore hebreu, originou-se de um espírito maligno tempestuoso e, mais tarde, passou a ser identificada com a noite. Fazia parte de um grupo de espíritos malignos demoníacos dos americanos que incluíam Lillu, Ardat Lili, e Irdu Lili. Apareceu no épico babilônico de Gilgamesh (aproximadamente 2000 a.C.) como uma prostituta vampira que era incapaz de procriar e cujos seios estavam secos. Foi retratada como uma linda jovem com pés de coruja (indicativos de sua vida noctívaga).

 

No épico de Gilgamesh, Lilith foge de casa perto do rio Eufrates e se estabelece no deserto. Nesse sentido, mereceu um lugar na Bíblia hebraica (Velho Testamento cristão). Isaías, ao descrever a vingança de Deus, durante a qual a Terra foi transformada em um deserto, proclamou isso como sinal da desolação: “Lilith repousará lá e encontrará seu local de descanso” (Isaías 34:14).

 

Lilith reapareceu no Talmude, no qual uma história mais interessante é contada, em que ela é a mulher do bíblico Adão. Tiveram um desentendimento sobre quem ficaria na posição dominante durante as relações sexuais. Quando Adão insistiu em ficar por cima, Lilith usou seus conhecimentos mágicos para voar até o Mar Vermelho, o lar dos espíritos malignos. Conseguiu muitos amantes e teve muitos filhos, chamados Lilin. Lá, encontrou-se com três anjos enviados por Deus – Senoy, Sansenoy e Semangelof – com os quais fez um trato. Alegou ter poderes vampíricos sobre os bebês, mas concordou ficar afastada de quaisquer bebês protegidos por um amuleto que tivesse o nome dos três anjos.

 

Uma vez mais atraída a Adão, Lilith retornou para assombrá-lo. Depois que ele e Eva (sua segunda mulher) foram expulsos do jardim de Éden, Lilith e suas asseclas, todas na forma íncubus/súcubus, os atacaram, fazendo assim com que Adão procriasse muitos espíritos malignos e Eva mais ainda. Dessa lenda, Lilith veio a ser considerada na tradição hebraica muito mais uma súcubus do que uma vampira.

 

Kali, uma das mais importantes divindades da mitologia na Índia, era conhecida, entre outras características, pela sua sede de sangue. Kali apareceu pela primeira vez nos escritos indianos por volta do século VI, em invocações pedindo ajuda nas guerras. Nesses primeiros textos, foi descrita como tendo presas, usando uma guirlanda de cadáveres e morando no local de cremações. Diversos séculos mais tarde, no Bhagavat-Purana, ela e seus seguidores, os dakinis, avançaram sobre um bando de ladrões, decapitaram-nos, embeberam-se em seu sangue e divertiram-se em um jogo de atirar as cabeças de um lado para o outro. Outros escritos registram que seus templos deveriam ser construídos longe das vilas e perto dos locais de cremação.

 

Kali fez sua aparição mais famosa no Devi-Mahatmya, onde se juntou à deusa Durga para lutar contra o espírito demoníaco Raktabija, que tinha a habilidade de se reproduzir com cada gota de sangue derramado; assim, ao lutar contra ele, Durga se viu sobrepujada pelos clones de Raktabija. Kali resgatou Durga ao vampirizar Raktabija e ao comer suas duplicatas. Kali foi vista por alguns como o aspecto irado de Durga. Kali também apareceu como consorte do deus Shiva. Eles se engajaram numa dança feroz. Pictoricamente, Kali geralmente era vista sobre o corpo de Shiva numa posição dominante enquanto se engajavam em relações sexuais.

 

Kali tinha um relacionamento ambíguo com o mundo. Por um lado, destruía espíritos malignos e estabelecia ordem; por outro, servia como representante das forças que ameaçavam a ordem social e a estabilidade por sua embriaguez de sangue.

 

Anne Rice (Nova Orleans, Louisiana, 4 de outubro de 1941) é uma escritora estadunidense, autora de séries de terror e fantasia. Em seus livros, ela invariavelmente apresenta seus vampiros como indivíduos com suas paixões, teorias, sentimentos, defeitos e qualidades como os seres humanos, mas com a diferença de lutarem pela sua sobrevivência por meio do sangue de suas vítimas e sua própria existência, que para alguns deles é um fardo a ser carregado através das décadas, séculos e até milênios.

 

Ao encerrar essa introdução, não podemos deixar de citar um dos seriados que mais fez sucesso na TV: “Buffy, A Caça Vampiros”, e sobre essa série sugerimos a leitura do livro Buffy – A Caça Vampiros e a Filosofia, coletânea de James B. South, da Madras Editora, que também publicou Vampiros – Um Guia sobre as Criaturas que Espreitam à Noite, do dr. Bob Curram, que resgata a importância da morte e mostra as diferentes crenças sobre o vampiro em culturas de todo o mundo; além de Universo dos  Vampiros – O Mundo Sombrio de Seres Sobrenaturais que Assombram, Perseguem e Devoram, de Jonathan Maberry, que apresenta o vampiro em todas as suas formas e tipos, bem como as diferentes espécies de lobisomens, fantasmas vingativos, homens bestiais e outros. Dessa obra, destaco estes dois verbetes a seguir, relacionados à Drácula, e a foto ilustrativa desta introdução.

 

Drakul: Apesar do fato de que a pessoa real em quem Bram Stoker baseou o Drácula não era um vampiro, ainda há alguma relação com a verdadeira tradição na história – embora se tome grande liberdade em sua apresentação de poderes e defesas desses monstros. Além de basear o conde Drácula em Vlad Tepes, o infame príncipe da nação do Leste Europeu, Valáquia, muitas das características que Stoker atribuiu a seus personagens ficcionais podem ser encontradas nas lendas da criatura moldava chamada Drakul. Pode-se traduzir o nome tanto como “demônio” quanto como “dragão”, e, na verdade, ele é usado como um palavrão comum, mas bastante grosseiro. Palavras que incitam um confronto em qualquer país, mas principalmente na Moldávia.

 

Quando trata exclusivamente de uma criatura da noite, o termo “Drakul” se refere a um espectro que bebe sangue, com pele pálida e olhos fundos, semelhante em diversos aspectos aos vampiros de filmes populares. Parecido com o vampiro da Morávia, o Drakul é um cadáver trazido a um simulacro de vida por possessão demoníaca. O demônio habita o cadáver enquanto ele está no túmulo e, uma vez abrigado, reanima a carne morta, reativa as memórias do cadáver de quando estava em vida, e então se levanta para molestar os vivos. O demônio usa as memórias roubadas para escolher suas presas e, muitas vezes, aterroriza a família do morto.

 

Assim como o Drácula ficcional, o Drakul não pode se separar por muito tempo de seu caixão; caso contrário se desintegra. Mas, diferentemente do famoso conde, ele carrega o caixão sobre a cabeça.

Já que Drakul deve dormir durante o dia em seu caixão, a forma mais direta de matá-lo é desenterrá-lo, tirá-lo de lá e roubar seu leito. Depois, queimar o caixão usando tochas feitas de espinheiros. À medida que o ataúde se reduz as cinzas, também o monstro se transforma em pó.

 

O método parece muito mais fácil do que é na realidade, pois, ao contrário dos vampiros dos filmes, Drakul não fica em um transe indefeso enquanto dorme. Ele pode acordar, não teme a luz do Sol e luta para evitar que seu caixão seja roubado. O Drakul é cruel e muito rápido, sendo poderoso o suficiente para arrancar os braços de um homem forte. Para derrubá-lo, é melhor trazer a tradicional multidão enfurecida com tochas e forquilhas para cercá-lo, enquanto uma dúzia de homens valentes, com longas estacas e machados, entram na luta para acabar com sua existência.

 

Uber: Palavra em turco para “bruxa”, mas também é considerada por muitos estudiosos como sendo a raiz da palavra “vampiro”. Esse espectro se levanta do túmulo de uma pessoa que morreu durante um ato de violência, ou de um estrangeiro não muçulmano que morreu em solo turco. Esta última crença, na verdade, está ligada à lenda do verdadeiro príncipe Vlad da Valáquia, que, apesar de ser um herói cultural na Romênia, é considerado bicho-papão na Turquia. Quando os pais querem que as crianças durmam ou escovem seus dentes, eles ameaçam-nas com o cruel Uber Vlad.

 

No século XV, o Império Otomano invadiu os três países romenos: a Valáquia, a Transilvânia e a Moldávia. Os turcos foram amargamente expulsos pelo príncipe Vladislav III, filho de Dracul,* mais conhecido hoje como o Drácula histórico. Vlad era governante poderoso, guerreiro sedento por sangue e conhecido como um dos homens mais selvagens da época. Ele foi responsável pela morte de 40 a 100 mil turcos.

Não é surpresa que Vlad tenha sido usado como o modelo da lenda duradoura do eternamente malvado Uber.

 

Agora, sim, vamos ao clássico de Bram Stoker e aprender um pouco mais sobre esse universo fascinante do vampiro.

 

Bibliografia:

COSTA, Wagner Veneziani. Maçonaria – Escola de Mistérios – A Antiga Tradição e Seus Símbolos. São Paulo: Madras Editora, 2007.

CURRAM, Bob. Vampiros – Um Guia sobre as Criaturas que Espreitam à Noite. São Paulo: Madras Editora, 2008.

MABERRY, Jonathan. Universo dos  Vampiros – O Mundo Sombrio de Seres Sobrenaturais que Assombram, Perseguem e Devoram. São Paulo: Madras Editora, 2007.

SOUTH, James B. Buffy – A Caça Vampiros e a Filosofia. São Paulo: Madras Editora, 2004.

 

http://www.telacritica.org/Dracula.htm

http://www.interativa.org/judaismo/Judeus3.htm

http://www.mrmalas.com/sinistro/sinistros/dracula.htm

http://www.lookweb.com.br/vampiros/topicos/historia.html

 

 

 

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