Arquivo de Agosto de 2006

Tantra

TAN significa a “expansão da consciência” ou tudo aquilo que vai pela mente, enquanto que TRA tem o sentido de “liberdade do pensamento”, ou ainda, “de liberação da consciência”.
Tantra é a união de duas sílabas que carregam em si o sentido de profundidade da consciência e de liberdade. No sentido metafísico, poderia ser entendida como a energia que une a vida do plano físico com o cosmos, com os deuses e com as atitudes individuais.
Tantra Yoga é o caminho que tem por objetivo levar o indivíduo a perceber que ele já é a felicidade que busca ser. Inclui as técnicas de preparação e o conhecimento contido nos Vedas, antigos textos indianos revelados aos sábios.
“Nem a postura perfeita de lótus, nem a fixação da vista na ponta do nariz são Yoga.
Yoga é a identidade entre Jivatma, o indivíduo, e Paramatma, o Todo.” (Kularnava Tantra, cap. IX, verso 30)
Tantra é uma ciência espiritual e mística, um modo de vida orientado para o autoconhecimento, para desenvolver mais CONSCIÊNCIA, sensibilidade, aceitação, naturalidade, totalidade e presença em todos os aspectos da vida. Tantra é viver aproveitando a vida em seu mais amplo sentido, sem barreiras ou preconceitos. No Tantra vivemos o aqui e o agora, sem passado, sem futuro… Quando um praticante dessa arte fala do sexo, naturalmente é com o sentido de que, por meio do ato sexual, ele pode elevar o espírito. É muito diferente do conceito ocidental de sexo, cujo objetivo é chegar ao orgasmo.
O Tantra é o culto à feminilidade, ao princípio feminino. Por conseqüência, culto à mulher. Nesse contexto, a mulher aparece no culto à Deusa-Mãe. Surge, também, como símbolo da fertilidade e é adorada como aquela que proporciona prazer e satisfação. O Tantra vê na repressão dos valores femininos, pela civilização patriarcal, a causa oculta da crise do mundo moderno, no qual o culto da feminilidade e de seus valores poderia trazer uma verdadeira mudança à sociedade.
O Tantrismo é uma linha de desenvolvimento que aceita o ser humano exatamente como ele é. Não dita regras de uma maneira geral e existem citações sobre o mesmo em todos os livros sagrados dos mais diferentes povos.
Muito tem a ser dito sobre o Tantrismo; aqui, poucas seriam as linhas para se conseguir expressar a mais bela doutrina de crescimento humano que a humanidade já conheceu. O Tantra diz: “Seja livre”; o Tantra prega: “Conhece-te”; o Tantra permite que você cresça, se essa for a sua vontade.
Tantra é o Caminho do Coração. Um trabalho de burilamento das relações e de interação com corpo, alma e emoções, apurando sensibilidade, afeição, percepção corporal e níveis de consciência.
Tudo o que existe, todas as realidades, desde as mais materiais até as mais sutis, são formas diferenciadas de uma energia principal. Ao manejarmos energia, podemos conseguir dentro de nós uma série de transformações que nos conduzirão a um estado supremo de consciência, de união entre Shiva, a consciência absoluta e o poder manifestador, e Shakti, seu aspecto dinâmico, a força da manifestação nas formas.
Um aspecto interessante do Tantrismo e que acreditamos ser de excepcional valor para a psicologia ocidental, capaz de auxiliar os métodos utilizados para se conhecer o psiquismo humano, é o estudo do homem do ponto de vista da energia.
Consideramos o homem como um mundo complexo, presidido e configurado pela energia psíquica que se denomina genericamente de Prana ou energia sutil, a qual adota diversos nomes de acordo com as funções que regula e os ritmos vibratórios a que está sujeita.
Cada ritmo vibratório dessa energia produz os planos material, psíquico e mental. Por conseguinte, essa energia vem a ser o eixo central e o meio que o Tantra Yoga utiliza para realizar todas as transformações físicas, psíquicas e mentais.
À medida que o ser toma consciência de todas as suas energias, ele harmoniza seu interior e se harmoniza com o Todo.
Charles Breaux afirma: “Na psicologia ocidental, consciência é a percepção do ego-self; tudo o que está além dela é simplesmente chamado de ‘inconsciente’. Além disso, há discussão sobre qual combinação de estruturas conscientes e inconscientes constitui a psique. Por exemplo, há inúmeros psicólogos que sustentam que a psique nada mais é do que um conjunto de atividades bioquímicas do cérebro.
Embora tivesse em alta conta o escopo e a profundidade da consciência em algumas culturas orientais primitivas, Jung sintetizou a visão da consciência ocidental comum como um produto da percepção e de orientação do mundo exterior. Ele dizia que a consciência provavelmente se localizava no cérebro e especulava sobre a possibilidade de que fosse a evolução de um órgão dos sentidos da pele de nossos remotos ancestrais. O conceito ocidental de consciência implica a inexistência da consciência sem o ego e o cérebro.
É possível que a consciência existisse antes do desenvolvimento de nosso sistema nervoso central? Estará nosso sistema nervoso se desenvolvendo como um lótus nascido no lodo do universo material para florescer na ‘Luz’? É possível que a consciência tenha diferentes qualidades em contextos outros, além de sua única forma relacionada com o ego e com os centros cerebrais superiores? No Tantra, a consciência é vivenciada em muitos níveis; a consciência do ego é apenas um deles. De fato, a consciência, em sua condição mais sublime, é considerada o próprio fundamento do ser em si”.
No Tantra, a meditação produz freqüências de onda cerebral alfa e beta que nos permitem o acesso a áreas da psique exteriores às funções racionais normais. É nesses níveis subliminares que as imagens e as atividades rituais do Tantra operam sua magia. As divindades tântricas podem ser consideradas versões culturais ativadas dos arquétipos imemoriais. Além do poder das profundezas luminosas da psique que elas contêm, elas podem ser vivenciadas como baterias de energia psíquica, carregadas com as poderosas meditações de iogues tântricos praticadas durante bem mais de mil anos. Esse potencial é aberto e usado para transformar o corpo-mente em um receptáculo purificado para forças transpessoais em práticas tântricas.
Em seus métodos terapêuticos, Jung buscava um enfoque ilimitado, centrado no cliente. Ele reconhecia a singularidade de cada indivíduo e seguia a direção interior de seu paciente ao longo do caminho à totalidade. Como nossa “Natureza Búdica”, Jung estava convicto de que o Self possui a sabedoria e o desígnio de conduzir-nos à nossa verdadeira natureza, bastando que abandonemos nossa resistência e arrogância.
O homem comum é dual, está em conflito o tempo todo, buscando mais e mais. Na linguagem atual, podemos dizer que o homem tem consumido coisas sem o menor sentido para sua essência. Por isso, essa mania de estar sempre se sentindo insaciável. As práticas tântricas levam o indivíduo a conhecer a sua dualidade e a sentir a importância da unidade dentro de si.
A sexualidade é nosso ponto de partida nesta vida. Nossa existência se inicia com o sexo; definimo-nos em todos os níveis em uma sociedade e como personalidade a partir do sexo. O ato sexual deve ser visto como o encontro sagrado entre dois seres que estão retornando ao princípio da existência. Quando estamos em um ato sexual, revivemos o ponto pelo qual entramos na vida. Devemos reverenciar esse momento como se estivéssemos cumprimentando a nós mesmos.
Quando praticamos o Tantra, não há distâncias entre o feminino e o masculino, entre o físico e o espiritual. Se o contato divino se faz por meio do espírito, o corpo é o templo vivo, a morada divina do ser. Portanto, não deve haver nenhuma fronteira… nenhum preconceito… nenhum pecado…
No Tantra só há lugar para o êxtase, “O Supremo Prazer”.

Por Wagner Veneziani Costa
Eu Sou o que Sou

Adicionar comentário 25 de Agosto de 2006 às 15:37 Gerente Editorial

Salve a Egrégora 7777!

Estou muito feliz com a recepção sempre calorosa dos meus Irmãos e Irmãs da Umbanda. A cada egrégora formada, é notório o número de multiplicadores presentes. Isso nos faz acreditar que estamos no caminho certo, desenvolvendo um trabalho cada vez mais consistente e, por que não, bonito, fazendo despertar os sentimentos mais nobres que o homem pode vivenciar: a Fraternidade e a Espiritualidade.
Quero mais uma vez afirmar o meu apoio incondicional, bem como o da Madras Editora, para que consigamos conquistar nossos objetivos e colocar a querida Umbanda Sagrada em lugar de destaque entre as diversas crenças religiosas.
Agradeço, mais uma vez, aos formandos da Egrégora 7777 da Magia Divina pelo convite para que eu fosse o paraninfo da turma, razão pela qual até agora me sinto muito emocionado. Não sei se o que vou anunciar é bom ou não, mas quero dizer que já me sinto ad eternum o paraninfo das novas turmas de alunos dessa magia que certamente se formarão de agora em diante, pois entre uma das definições que encontramos nos dicionários para a palavra “paraninfo”, lemos: “aquele que defende ou apóia uma causa, uma idéia”. E nós temos todos os motivos para apoiar uma causa tão nobre quanto essa, pois, pela Magia Divina, muitas pessoas podem ser beneficiadas em suas vidas.
Não posso deixar de, nesta oportunidade, parabenizar o meu Amigo e Irmão, o Mestre Mago Rubens Saraceni pelo seu trabalho na formação desses 7777 magos, compartilhando os ensinamentos que recebeu da Espiritualidade superior, pelos Magos da Luz.
Que o nosso Pai Olorum ilumine a todos com a sua Verdadeira Luz!

Eu Sou,
Wagner Veneziani Costa

Adicionar comentário 22 de Agosto de 2006 às 15:53 Gerente Editorial

Eu Sou, o que Sou!

O ser humano tem dois “Eus”, ou está composto de duas entidades: o Eu corporal, carnal, que tem sua própria mente, e o EU SOU. Cada vez que o homem diz “EU SOU”, está invocando a ação de Deus em si e em sua vida, pondo em movimento a substância única da qual Deus formou o céu e a terra: “Que a Luz seja feita” - e o fluido e a vibração se puseram em movimento. Dizer EU SOU é trabalhar sobre essa Luz e, por seu meio, sobre toda a natureza que seja submissa às modificações pela inteligência.
Deus é Vida e a Vida é Amor, Paz, Harmonia e Bem-Estar. A Ela, não lhe interessa quem a use; é como o Sol que ilumina o bom e o mau, o lobo e o cordeiro. EU SOU é a própria vida ativa, e quando alguém diz “EU SOU” faz vibrar todo o poder da Vida e abre a porta a seu eflúvio e fluxo naturais, porque EU SOU é a plena atividade de Deus, e por tal motivo nunca, jamais se deve consentir que seu pensamento venha a colocar uma negatividade a EU SOU, ou venha a entorpecer a atividade DESSA VIDA como quando diz: “eu não posso”, “já estou perdido”, “não sou feliz”, etc., porque com essas afirmações inutiliza a energia de Deus que está em si mesmo e em seu mundo. Todo homem arrasta um saldo de erros através de sua larga existência no mundo. Com pensamentos e evocações discordantes, ele criou, na atmosfera que o rodeia, formas nocivas, horríveis e desagradáveis, que atuam segundo suas índoles de vibrações; por outro lado, quando alguém diz com pureza - EU SOU - projeta uma espécie de fogo na cor violeta, que consome e dissolve toda criação discordante de sua aura. A chama do amor Divino acelera as vibrações nos três corpos a um grau tal que, no indivíduo, nenhuma imperfeição densa ou baixa pode subsistir. Só o amor Divino aos demais pode operar esse prodígio. Cada indivíduo deve purificar-se de suas próprias criações mediante o AMOR a seus semelhantes, por isso ninguém pode se salvar sozinho, pois, para salvar-se, tem de salvar aos demais com ele. Inúteis são igrejas, templos, orações e religiões sem a Lei do “amai-vos uns aos outros”.
Bem, esses são os ensinamentos contidos no prefácio do livro Eu Sou: breviário do iniciado e poder do mago, de Jorge Adoum (Mago Jefa). A aplicação prática dele pode ser ótima aliada para aumentar a auto-estima, pois funciona como programação neurolingüística. De fato, abrir a boca para dizer que não vai conseguir alguma coisa, mesmo que seja por falsa humildade, já está influindo com suas vibrações na “teia da realidade” aqui em Maya. Se algo estava se delineando no astral, depois dessa negatividade… puft! Foi embora! Lembrem-se de que, “No princípio era o Logos (Verbo), e o Logos (Verbo) estava com Deus, e o Logos (Verbo) era Deus”, e que “o Logos (Verbo) se fez carne”. O som é vibração, e a vibração atua em todos os níveis, visíveis e invisíveis.
“Em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, assim lhe será feito.” (Marcos 11:23)
Muitos são os falsos mestres e profetas que chegam do alto de suas tamancas para nos tratar como se fôssemos seus poodles que fizeram xixi no tapete. Passam a mão em nossa cabeça e dizem: “Não façam mais isso que é feio; seja um bom cachorrinho, obediente e brincalhão. Agora vá brincar na área de serviço”. Isso é ótimo para quem não quer ter responsabilidade, sempre tendo alguém que pense por ele para dizer “faça isso” ou “não faça isso”; afinal, ele é uma entidade suprema (ou vibra na mesma freqüência) porque assina “EU SOU”.
Sim, somos Deuses, mas será que ESTAMOS Deuses? O que fazemos para mudar nosso interior, além de balbuciar palavras que não estão em nosso coração? Vemos pessoas falando de espiritualidade, sobre a vida dos Avataras que visitaram nosso planeta e nos deixaram um legado muito rico sobre o AMOR INCONDICIONAL; falando e falando… Mas, será que vivenciam tudo o que falam? Ou apenas nos dizem o que seria o ideal justo e perfeito, enquanto em suas próprias vidas suas palavras não lhes servem?…
Era isso que o Mestre criticava nos sacerdotes e fariseus:
“Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom; ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; para que do fruto se conheça a árvore. Raça de víboras! Como podeis vós falar coisas boas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca. O homem bom, do seu bom tesouro tira coisas boas, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Digo-vos, pois, que de toda palavra inútil que os homens disserem, hão de dar conta no dia do julgamento.” (Mateus 12:33-36)

Eu Sou Wagner Veneziani Costa - Um outro Você!

Adicionar comentário 18 de Agosto de 2006 às 16:52 Gerente Editorial

Episódio da Queda da Bastilha

por Nicola Aslan

“Desde o ano de 1780, que a França atravessava uma grande época de escassez de gêneros alimentícios. A rapidez e a amplidão das trocas internacionais que, nos nossos dias, continuamente nos fornecem, vindos dos pontos mais afastados do globo, os elementos necessários à subsistência, fazem com que não conheçamos hoje essas terríveis crises de fome que outrora, por vezes, flagelavam os países. “A escassez, escreve Taine, permanente, prolongada, há já dez anos, agravada pelas próprias violências de que era a causa, exagerava até à loucura todas as paixões”. “Quanto mais se aproximava do 14 de julho, refere uma testemunha ocular, tanto mais essa escassez aumentava”. Schmidt conta-nos que em virtude da má colheita, o pão encarecia constantemente desde o princípio do ano 1789. Tal estado de coisas era aproveitado pelos perturbadores que pretendiam levar o povo aos maiores excessos: esses excessos, por seu lado, intimidavam o comércio. Cessaram os negócios; numerosos trabalhadores ficaram sem pão…
Assim se formou, nos fins do antigo regime, aquilo a que Taine, com tanta felicidade, chamou de anarquia espontânea. Nos quatro meses que precederam. a tomada da Bastilha, deram-se em França mais de trezentos motins. Em Nantes, a 9 de janeiro de 1789, a Casa da Câmara foi assaltada e as padarias saqueadas. Tudo isto se fazia aos gritos de “viva o rei!”
Em Bray-sobre-o-Sena, no dia 10 de maio, campônios armados de facas e cacetes obrigaram os rendeiros a diminuir o preço dos cereais. Em Ruão, a 28 de maio, saquearam os cereais, do mercado. Na Picardia, um antigo carabineiro põe-se à frente de um bando armado que invade as aldeias e rouba o trigo. Por toda parte, casas totalmente roubadas.
“Em Aupt, o Sr. de Montferrat, porque se defendeu, foi “cortado em pequenos pedaços”. Em Sayne, a população traz um caixão para defronte da casa de um dos principais habitantes; dizem-lhe que se prepare para morrer e que lhe darão a honra de o enterrar. Consegue fugir, mas a sua casa foi posta a saque. Entre centenas de casos, citamos antes, ao acaso.”
“As imediações de Paris vivem em pleno terror. Correspondências, ainda inéditas, guardadas nos Arquivos nacionais, mostram toda a gravidade da situação. Bandos de vagabundos armados percorrem a província, saqueiam as aldeias, roubam as colheitas. São os “salteadores”. Esta expressão repete-se a cada passo nos documentos da época e cada vez mais, à medida que se aproxima o 14 de julho.
“São verdadeiras quadrilhas constituídas por trezentos, quatrocentos, quinhentos homens. Em, Coshe, em Orleans, em Rambouillet, por toda a parte os assaltos limitam-se ao roubo dos cereais. Nas diferentes localidades das cercanias de Paris, a população organiza-se militarmente. Burgueses armados fazem patrulhas contra os salteadores. De todo o país se reclamam do rei tropas para a defesa. A cidade de Versailles teme ser invadida por estes bandos e pede proteção ao rei: as cartas da assembléia municipal conservadas nos Arquivos nacionais são bem elucidativas a respeito.
“Por essa ocasião foram concentradas tropas nas cercanias de Paris; a sua permanência foi habilmente explorada pelos oradores do Palais Royal, a quem essas tropas incomodavam. Registramos que de fato o rei não tinha o direito de fazer permanecer tropas em Paris; isso era privilégio da cidade e de outras grandes cidades francesas, especialmente Tolosa e Bordéus. Que estas tropas não eram destinadas a atuar contra os parisienses, prova-o a correspondência secreta de Villedeuil, em que nos mostra a Corte insistentemente recomendando as reservassem para a defesa das localidades vizinhas diariamente expostas, e para assegurar o livre trânsito dos comboios de víveres, especialmente os de cereais que se dirigiam para Versalhes e Paris. Os bandos formavam-se em volta da capital.
“Os oradores do Palais Royal não tiveram dúvidas em convencer muita gente de que a entrada de Breteuil para o ministério, pressagiava uma “Saint-Barthelemy de patriotas”. A agitação tomou-se tão viva, as calúnias contra a Corte e o governo repetiram-se tanto e de tal forma, que a Corte, para evitar até as possíveis aparências de uma “Saint-Barthelemy” ordenou o afastamento das tropas, saindo ela própria de Paris.
Camile Desmoulins continuava, no entanto, a proclamar: “Venho de sondar o povo. A minha cólera contra os déspotas transformou-se em desespero. Não vejo os grupos, apesar de vivamente emocionados e consternados, suficientemente emocionados e consternados, suficientemente dispostos para um levantamento… Fui mais arrastado para esta tribuna do que trazido pela minha própria vontade. Mal que a ela subi, vi-me cercado por uma multidão imensa.
Eis aqui o que lhes disse e que nunca mais esquecerei: Cidadãos! Não há um momento a perder. Venho de Versalhes; Necker foi demitido; esta demissão é o toque a rebate de uma Saint-Barthelemy de patriotas; logo à noite todos os batalhões suíços e alemães sairão do Campo de Marte para nos assassinarem. Só um recurso nos resta: correr às armas!”.
Não estavam tranqüilos os parisienses, mas não eram os batalhões suíços e alemães que lhes causavam medo. O autor da Quinzena memorável, apesar de muito dedicado ao movimento revolucionário, reconhece que durante os acontecimentos de 12 e 14 de julho, todas as pessoas de bem se meteram em casa. E enquanto estes e a tropa se retiravam, a lama subia à superfície. Durante a noite de 12 para 13 de julho, a maior parte das barreiras onde se cobravam os impostos, foram assaltadas, saqueadas, incendiadas. Salteadores armados de lanças e cacetes percorriam as ruas, ameaçando as casas onde os burgueses se enclausuravam, tremendo de medo. No dia seguinte, as padarias e lojas de vinho foram pilhadas…”
“Durante a noite de 13 para 14 de julho foram saqueadas as padarias e as tabernas. O padre Morellet, ilustre enciclopedista que esteve preso na Bastilha no reinado de Luís XV, escreve:
“Passei uma grande parte da noite de 13 para 14 às janelas da minha casa, na rua de Saint-Honoré, a ver bandos de homens da mais vil populaça armados de espingardas, espetos, chuços, obrigando a abrir as portas e a dar-lhes de comer, beber, dinheiro e armas”.
Mathieu Dumas descreve igualmente, nas suas Lembranças, estes vagamundos esfarrapados, alguns quase nus e com fisionomias pavorosas. Durante esses dois dias e essas duas noites, diz Bailly, Paris correu o risco de ser saqueada, e, se de tal se salvou, foi devido à guarda nacional…
O autor da História Autêntica, que deixou a mais completa descrição da época da tomada da Bastilha, com muita razão diz: “O motim começou no dia 12 de julho, à noite”. Constituiu um conjunto de desordens e ladroeiras; nas quais a tomada da Bastilha ocupou um lugar, brilhante sem dúvida, mas está de tal forma ligada a essas desordens e ladroeiras que constituem um todo único. Surgiu radiante o Sol da manhã de 14 de julho. Uma grande parte da população tinha ficado em pé durante toda a noite. O dia veio encontrá-la com as suas preocupações e receios. Ter armas era o desejo de todos; os burgueses e os amigos da ordem, para se defenderem; os desordeiros, de que uma parte fora desarmada para novamente arranjarem meios de ataque e pilhagem. Correram aos Inválidos, onde existiam os mais importantes depósitos de armas. Foi o primeiro ato violento do dia. A multidão conseguiu dali levar vinte e oito mil espingardas e vinte e quatro bocas de fogo. E como se sabia que na Bastilha existiam grandes depósitos de munições de guerra, depois de se ter gritado: “Aos Inválidos!”, gritou-se: “A Bastilha!”…
“No dia 14 de julho de 1789, pelas oito horas da manhã, os vereadores da Câmara Municipal foram procurados por alguns habitantes do Bairro Santo Antônio, que se queixaram de que os canhões colocados nas torres da Bastilha ameaçavam o bairro.
Estas peças eram destinadas às salvas em dias de gala, e pela sua colocação, de forma alguma podiam ser prejudiciais aos bairros vizinhos. Alguns dos vereadores foram à Bastilha onde de Launey, o governador, os recebeu com todas as deferências convidando-os para almoçar e, satisfazendo o pedido daqueles, mandou retirar as peças das suas canhoneiras.
“Foi então, diz Funck-Brentano, pela primeira vez, que, vendo o erro que tinha cometido em os deixar avançar até a primeira ponte, o Sr. de Launay dá ordens aos soldados para fazer fogo, pondo em desordenada debandada essa canalha que tinha mais brutalidade que bravura; e é aqui que se começa o caluniar o governador, de quem, através dos tempos, se tem dito que ele proferiu palavras de paz; que a povo avançara a coberto dessas palavras de que resultou o assassinato de muitos. Esta pretensa traição de Launey, rapidamente espalhada em Paris, foi um dos acontecimentos do dia. É desmentida, não só por todas as narrações dos sitiados, mas também pelos próprios sitiantes e repelida modernamente por todos os historiadores …
“Tendo encontrado no pátio das casernas a linda menina de Mensigny, filha do capitão da companhia de Inválidos da Bastilha e como alguns supuseram ser a menina de Launay, arrastaram-na para junto dos fossos e, por gestos, fizeram compreender à guarnicão que a queimariam viva se esta não se rendesse. Deitaram a desgraçada criança, desmaiada, sobre a palha a que lançaram fogo. O Senhor de Morwigny assiste do alto das torres a esse bárbaro espetáculo, e ao querer lançar-se em socorro da filha, é morto com dois tiros. Duguesclin nunca sonhou com tais processos: para obrigar as praças sitiadas a renderem-se. Graças à coragem do soldado Aubin Bonnemère, a pobre menina foi salva…

“A Bastilha não foi tomada à viva força, rendeu-se, antes de ser atacada, pela palavra que tu tinha dado, cobre a minha fé de oficial francês, de que nenhum mal seria feito- àqueles que se rendessem” Confiante nessa palavra, de Launay rendeu-se e teve a cabeça decepada, pouco, a pouco, a navalhadas.”

A REVOLUCÃO FRANCESA

Colaboração Ir Wagner Veneziani Costa

Cronologia

Em seis anos, a Revolução Francesa teve muitos avanços e recuos. Nessa cronologia estão os fatos mais marcantes desde a convocação dos Estados Gerais (1789) até o golpe do 9 Termidor (1794):

1789
• Março: os camponeses se revoltam nos departamentos de Provença, Picardia e Cambresis;
• 5 de maio: sessão de abertura dos Estados Gerais, que foram convocados pelo Rei Luís XVI, para resolver a crise;
• 17 de junho: o Terceiro Estado (povo e burguesia), um dos três grupos dos Estados Gerais, proclama-se Assembléia Nacional;
• 9 de julho: a Assembléia Nacional proclama-se Constituinte;
• 11 de julho: demitido o ministro das Finanças, Jacques Necker, um progressista; o descontentamento cresce;
• 12 de julho: vários amotinamentos, incêndios e refregas;
• 13 de julho: formada uma milícia burguesa;
• 14 de julho: o povo toma a Bastilha – o símbolo do absolutismo francês;
• 20 de julho: inicia o chamado “grande medo”, pânico geral e mais revoltas;
• 4 de agosto: a Assembléia vota a abolição parcial de privilégios feudais;
• 26 de agosto: votação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão;
• 5 e 6 de outubro: as mulheres marcham a Versalhes e trazem Luís XVI para Paris.
1790
• Maio: discutidos os direitos de paz e guerra. O conde de Mirabeau vende seus serviços ao Rei;
• 31 de agosto: massacre dos soldados suíços que estavam amotinados em Nancy.
1791
• 20 a 21 de junho: Rei Luís XVI e sua família fogem de Paris, mas são detidos em Varennes;
• 15 de julho: a Assembléia Constituinte desculpa a fuga do Rei;
• 17 de julho: La Fayette é acusado de atirar contra os grupos que exigiam a deposição do Rei, no Campo de Marte;
• 14 de setembro: Luís XVI jura fidelidade à Constituição;
• dezembro: a França se prepara para enfrentar os exércitos estrangeiros.
1792
• 23 de janeiro: agitações contra a falta de café e açúcar;
• 15 de março: formado o ministério girondino;
• 24 de abril: Rouget de Lisle compõe a Marselhesa;
• 13 de junho: cai o ministério girondino;
• 11 de julho: a Assembléia Legislativa (eleita após a dissolução da Constituinte) declara: “A pátria está em perigo”;
• 10 de agosto: mais insurreições; o povo assalta o palácio das Tulherias, massacrando os guardas suíços do Rei; é convocada a Convenção Nacional - o órgão máximo;
• 2 a 6 de setembro: o povo massacra os contra-revolucionários que estão nas prisões;
• 20 de setembro: o Estado rompe com a Igreja Católica; fica instituído o divórcio;
• 21 de setembro: abolição da monarquia;
• 11 de dezembro: inicia o processo de acusação contra Luís XVI.
1793
• 21 de janeiro: guilhotinamento de Luís XVI;
• 10 de março: instituído o Tribunal Revolucionário, Danton é o ministro da Justiça;
• 5 de abril: instalado o Comitê de Salvação Pública - um dos braços da Convenção Nacional;
• 31 de maio a 2 de junho: 27 deputados girondinos são presos em Paris, acusados de conspiração;
• 10 de julho: reforma do Comitê de Salvação Pública; Danton é afastado;
• 13 de julho: Marat é apunhalado dentro de uma banheira;
• 17 de julho: abolição definitiva, sem indenizações, dos privilégios feudais;
• 27 de julho: Robespierre assume o Comitê de Salvação Pública;
• 4 e 5 de setembro: o “Terror” entra na ordem-do-dia;
• 17 de setembro: aprovada lei que permite executar suspeitos;
• 5 de outubro: entra em vigor o calendário republicano;
• 16 de outubro: execução da Rainha Maria Antonieta;
• 31 de outubro: execução dos girondinos.
1794
• 24 de março: executados os seguidores de Jacques Hébert;
• 30 de março: guilhotinamento dos dantonistas;
• 10 de junho: reorganização do Tribunal Revolucionário; início do “Grande Terror”;
• 22 e 23 de junho: falham as tentativas de conciliação;
• 27 de julho: Golpe do 9 Termidor. Robespierre é acusado de tirania e guilhotinado, com 22 dos seus partidários, no dia seguinte.

Adicionar comentário 10 de Agosto de 2006 às 13:26 Gerente Editorial

Autor e iniciado

WAGNER VENEZIANI COSTA

Livros Escritos / Obras Publicadas

01.Além do que se Vê
02.Além do que se Ouve
03.Almas Gêmeas – Reencarnação
04.Aromaterapia – A Magia do Aroma e dos Perfumes
05.Contratos – Manual Prático e Teórico
06.Diário de Magia - Manual de Esoterismo
07.Dicionário Jurídico
08.Gênesis - O Primeiro Livro de Moisés
09.Grande Livro das Orações, O - Para Todos os Fins
10.Hierarquia Angelical
11.Livro da Sorte e do Destino
12.Livro Completo dos Heróis, Mitos e Lendas, O
13.Livro Sagrado das Orações, O
14.Manual Completo para Lojas Maçônicas
15.Maçonaria – Escola de Mistérios – Antiga Tradição e Seus Símbolos
16.Modelos de Contratos
17.Mundo Encantado dos Orixás, O
18.Novo Exame de Ordem
19.Orações para o seu Anjo da Guarda
20.Palavras de Sabedoria
21.Pompoarismo e Tantrismo
22.Preces Espíritas para Todos os Momentos
23.Salmos da Bíblia, Os
24.Tarô do Cigano – com 36 cartas coloridas
25.Tarô dos Anjos
26.Tarô Encantado dos Gnomos
27.Maçonaria - Escola de Mistérios - A Antiga tradição e seus Símbolos

Atividade Principal
Diretor-Presidente e Editor-Geral da Madras Editora Ltda.

Atividades Paralelas
Também é membro das seguintes organizações:
Fraternidade Rosa Cruz – Amorc – 1995
Ordem Civil e Mil. Cavaleiros do Templo – Grã-Cruz – 1996
Ordem Templais Orient – OTO – 1999 (WLUX)
Diretor da Assoc. Bras. de Arte e Cult. História - Grau Comendador – 1998
Soberana Ordem de Fraternidade Universal - Grau Comendador – 1999
Baba Elegan – Federação Espírita Guardiões da Luz
Diretor da Federação Espírita Guardiões da Luz
Diretor da Assoc. dos Profissionais de Imprensa de São Paulo
DD. Membro da Comissão de Relações Corporativas e Institucionais da OAB/SP – Ordem dos Advogados do Brasil – 2004
Membro do Conselho Consultivo da Câmara Brasileira do Livro – CBL – 2005
Hóspede Oficial da Estância Turística de Águas de São Pedro – 2005
Jornalista (MTB: 35032)
Faz parte da Ilmembers Lodge (a 1ª Loja Maçônica da Internet)

Adicionar comentário 7 de Agosto de 2006 às 16:13 Gerente Editorial

Religião, Direito, Ocultismo e Muita,… Muita Sede de Saber!

Sempre ouvimos falar muito em determinados nomes da história, seja ela nacional ou internacional, mas muitas vezes não sabemos quem são esses personagens que marcaram época, ou nem mesmo sabemos o que aconteceu em determinada época.

O que torna possível o conhecimento desses nomes, dos seus atos, estudos e conseqüências marcantes da história mundial é o fato de podermos registrar, tudo isso, em livros.

Um exemplo disso está nas citações e comentários de grandes nomes da história, sobre os próprios livros:

· Use um casaco velho, mas compre um novo livro. (Austin Phelps);
· Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira);
· Cuidado com a pessoa de um só livro. (São Tomás de Aquino);
· Livros são como carapaças de lagostas, nos cercamos deles e então crescemos, deixando-os para trás como sinais de nossos estágios anteriores de desenvolvimento. (Dorothy L. Sayers);
· Ler muito é um dos caminhos para a originalidade; uma pessoa é tão mais original e peculiar quanto mais conhecer o que disseram os outros. (Miguel Unamuno);
· A leitura engrandece a alma. (Voltaire).

Graças aos livros conseguimos nos diferenciar dos demais. E o que seria de nós, se não existissem pessoas empenhadas em publicá-los? Não apenas por uma simples profissão, mas sim pelo prazer de adquirir e transmitir conhecimentos que não estariam facilmente ao alcance de todos? Wagner Veneziani Costa, Diretor-presidente e Editor-geral do Grupo Editorial Madras, é uma dessas pessoas.

Brasileiro, nascido em 25 de agosto de 1963, o virginiano com ascendente em Virgem, começou sua trajetória participando de diversos cursos: Inglês, por quatro anos, no CCAA; Curso de Constitucionalista, pelo Instituto Pimenta Bueno; Marketing e Planejamento, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV); E-Business, pela ADMB, e Oratória.

Aos 16 anos, já mostrava o sangue de escritor que corria em suas veias, pois em tenra idade já discorria sobre os mais variados temas. Logo, tornou-se escritor permanente e autor de diversas obras, das quais podemos mencionar: Contratos - Manual Prático e Teórico; Exame de Ordem; Dicionário Jurídico; Cálculos Trabalhistas; Lei do Inquilinato - Comentários; Código do Consumidor - Comentários; Inventário e Partilha; Direito Falimentar; Direito Civil - Perguntas e Respostas; Lições de Tai Ji Jian - Com Espada; Modelos de Contrato, Recibos, Procurações e Requerimentos; Filosofia Americana; Almas Gêmeas – Reencarnação; Aromaterapia - A Magia dos Perfumes; Diário de Magia; Pompoarismo e Tantrismo; Os Sete Mestres da Grande Fraternidade Branca; Mahabharata - Poema Épico Indiano; O Mundo Encantado dos Orixás; Tarô do Cigano - com 36 cartas coloridas; Tarô Encantado dos Gnomos; Tarô dos Anjos e Palavras de Sabedoria.

Outras obras de sucesso de sua autoria são: Maçonaria – Escola de Mistérios – A Antiga Tradição e Seus Símbolos; Iniciação Maçônica; Guia de Magia e Bruxaria; Conversando com Ogum; Conversando com Xangô; Arqueômetro - Comentários, adaptação e introdução; e Datas Comemorativas do Brasil, que será lançada com o Eminente Grão-Mestre Estadual do GOSP, Cláudio Roque Buono Ferreira.

Desde sua juventude, Wagner Veneziani Costa demonstrou interesse em se aprofundar nos estudos das questões ligadas à espiritualidade, em seu sentido amplo. Tornou-se Mestre Terapêutico (CRT 31626), e Mestre Reiki, no qual se capacitou plenamente com iniciação nos níveis I, II, e III, nos sistemas Tradicional, Japonês, Usui, Tibetano, Osho e Kahuna. Além dessas artes, também cursou Reflexologia, Cromoterapia, Numerologia, Shiatsu, Massagem Psíquica e Tarô.

Isso tudo não conseguiu saciar sua sede de conhecimento, muito menos sua avidez por novos desafios. Esses fatores foram preponderantes, para que ele começasse a atuar em diversas atividades paralelas.

Em 1992, por exemplo, ingressou na Maçonaria (GOB), na qual atuou como Mestre de Cerimônias (1995), Orador (1997), Deputado Federal (1999) e Mestre Instalado, em 2001, na ARLS Madras N.º 3359.

Recebeu a honraria de Garante de Amizade junto a Ancient Free and Accepted Masons of Texas, conferida pela The Grand Lodge of Texas, em 27 de agosto de 2002, e tornou-se Membro Correspondente da Loja de Pesquisas Maçônicas Quatuor Coronati Lodge N.º 2076 (Inglaterra).

Entre outras sociedades, Wagner Veneziani Costa também iniciou na Fraternidade Rosacruz – Amorc (em 1995) e tornou-se membro da Ordo Templi Orientis (OTO), local que o intitulou como Frater e gerou seu nome oculto provindo de Vênus (Fiat Lux), ou seja, um Guardião da Luz.

Também foi batizado no Hinduísmo, e assim como na OTO, recebeu seu verdadeiro nome. Ganesha é sua grande Deidade.

Entre outros títulos, conquistou também o de Xamã. Iniciou em Machu Picchu, no ano de 1998, e conviveu com os Feiticeiros Incas durante 21 dias na floresta.

Por sua freqüente ação participativa em diversos segmentos, Wagner Veneziani Costa recebeu várias láureas, dentre as quais se destacam: Grã-Cruz, pela Ordem Civil e Militar Cavaleiros do Templo - 1996; Grau de Comendador, pela Associação Brasileira de Arte, Cultura e História - 1998; Grau de Comendador, pela Soberana Ordem de Fraternidade Universal - 1999; Grão-Mestre de Cultura, pela Sociedade de Estudos de Problemas Brasileiros e, ainda, Baba Elegan - cargo espiritual.

Em 2003, passou a ser Membro do Ilustre Conselho Estadual do GOSP, onde foi empossado como Grande Secretário de Cultura e Educação Maçônicas (gestão 3003/2007).

1 comentário às 16:02 Gerente Editorial

Revolução Constitucionalista de 1932

Julho de 1932. Explode em São Paulo uma revolta contra o presidente Getúlio Vargas. Tropas federais são enviadas para conter a rebelião. As forças paulistas lutam contra o Exército durante três meses. O episódio fica conhecido como a Revolução Constitucionalista de 1932.
São Paulo comemora no dia 9 de julho o aniversário desse Movimento. Mais do que uma revolução visando aos interesses paulistas, os embates com o governo central tinham caráter democrático, pois reivindicavam uma nova Constituição e rechaçavam os rumos discricionários que a Revolução de 30 havia tomado.
A tese é do historiador José Alfredo Vidigal Pontes, que no final do ano passado lançou o livro “1932, o Brasil se revolta”, com farta documentação escrita e fotográfica. Segundo o autor, não faz sentido a propaganda do governo federal na época, de que a revolução de São Paulo tinha caráter separatista. Pelo contrário. Era um movimento em defesa da democracia em todo o país e dos ideais que levaram Getúlio Vargas ao poder em 1930. Uma evidência disso é que o movimento tinha articulações em outros estados, como Rio Grande do Sul e Minas Gerais, e contava com o apoio velado de oficiais no Rio de Janeiro.
O que São Paulo não concordava, na sua particularidade, era a forma como vinha sendo tratado pelo governo Vargas. Afinal, mesmo tendo apoiado a Revolução de 1930, os paulistas sentiam-se hostilizados pelo governo federal, com a nomeação de interventores sem nenhuma relação com o Estado. Manifestava-se assim, segundo o historiador, uma ação preconceituosa contra o Estado por ser ele, desde 1915, o mais desenvolvido da nação, com relações capitalistas concretizadas, em meio a um país agrário, dominado em muitas regiões por coronéis com seus vícios da Velha República – a exemplo do voto de cabresto. “A crise político-militar de 1932 foi um questionamento profundo do próprio caráter da república brasileira, um confronto aberto entre a democracia, defendida pelos constitucionalistas, e o autoritarismo, praticado por Vargas e apoiado pelos tenentes”, ressalta o historiador, na introdução do seu trabalho. O radicalismo separatista estava restrito a uma minoria, reunida no PRP (Partido Republicano Paulista), partido que já fora dissolvido, mas atuava na clandestinidade. A insatisfação em relação a Vargas começa a se dar quando o presidente se aproxima mais dos setores militares que o apoiaram, deixando de lado parcelas importantes de seus aliados políticos, a exemplo do PD (Partido Democrático), de São Paulo. A situação exaspera-se com a nomeação do tenente João Alberto, ainda em finais de 1930, como interventor no Estado, em vez de Francisco Morato, ligado ao Partido Democrático.
Impossibilitado de exercer suas funções devido ao conturbado cenário político, João Alberto renunciou em julho do ano seguinte. O novo interventor, Pedro de Toledo, só seria nomeado em fevereiro de 1932, concomitantemente à publicação do novo código eleitoral. Embora Pedro de Toledo fosse civil e paulista, estava há uma década afastado do Estado, portanto, sem representação junto às forças locais.
Contrariado em seus interesses, o PD decidiu unir-se ao PRP, seu antigo adversário, formando a FUP (Frente Única Paulista). A deterioração das relações entre o PD e o novo regime atingiu um ponto insustentável em janeiro de 1932, quando o partido rompeu com Vargas e aproximou-se do PRP. Nem mesmo o anúncio de Getúlio, em maio, de que promoveria eleições diretas em um ano, serviram para acalmar os ânimos.
Maio foi um mês particularmente tenso, com pressões políticas se misturando a reivindicações operárias por aumentos salariais e melhores condições de trabalho. Houve greves de ferroviários da São Paulo Railway e na indústria de calçados. Em 6 de maio, o tráfego de trens entre São Paulo e Santos parou. No campo político, a Frente Única Paulista fechou acordo com a Frente Única Gaúcha, movimento que também planejava a derrubada do governo central naquele estado. No dia 22, uma forte manifestação marcou a visita de Oswaldo Aranha, ministro da Fazenda enviado por Getúlio Vargas, para nomear um secretariado ligado aos tenentes, que a FUP repudiava.
O ministro telegrafou a Vargas dizendo ser insustentável a nomeação de um secretariado sem os constitucionalistas. Getúlio aceitou fazer essa concessão para amainar os ânimos, mas isso não foi suficiente. No dia 23 de maio, um confronto que resultou na morte dos jovens Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Américo de Camargo Andrade, acirrou ainda mais os ânimos. A sigla MMDC, de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, passou a denominar uma sociedade secreta contra o governo central.
Durante todo o mês de junho tentou-se novas negociações dos oposicionistas com o governo federal, mas o governo se recusava a fazer uma reforma ministerial e nomeou um novo ministro da Guerra, Espírito Santo Cardoso, afinado com os tenentes, o que levou o comandante militar do Mato Grosso, Bertholdo Klinger, a enviar, no dia 1º de julho, um telegrama desaforado ao novo ministro. Entre outras coisas, dizia que Cardoso “nem fez curso de Estado-Maior, de modo que jamais teve necessidade de cogitações de caráter de conjunto sobre os problemas do Exército, mormente em seu entrelaçamento com os demais problemas nacionais”. Na verdade, Klinger queria provocar a sua demissão, já que havia um acordo de que a punição ou exoneração de qualquer líder constitucionalistas seria a senha para o início da revolução. O comandante enviou emissário a São Paulo para informar que o governo contra-articulava junto às tropas em Mato Grosso e que os revolucionários deviam agir o quanto antes. A manobra de Klinger foi precipitada, já que os gaúchos ainda não sabiam se Flores da Cunha, interventor no Estado, iria aderir ao movimento porque Vargas havia liberado verbas para cooptá-lo. Por isso, os rebelados do Sul haviam comunicado aos paulistas que a revolução só deveria ter início na segunda quinzena de julho, para que o quadro político ficasse mais claro. Klinger desconhecia essa situação e, exonerado, dirige-se a São Paulo.
Ele havia prometido chegar com seis mil soldados, mas, graças à hábil articulação do governo federal, só 10 homens aderiram ao comandante. Duas reuniões da cúpula conspiratória em São Paulo, nos dias 7 e 9 , decidiram pelo início do confronto na madrugada do dia 10, tendo como comandante militar o coronel Euclydes Figueiredo, recém-chegado do Rio de Janeiro, e comandante-geral Isidoro Dias Lopes, que havia liderado o levante de 1924.
Os primeiros confrontos se deram em Passa Quatro, no Vale do Paraíba, quando tropas federais comandadas por Eurico Gaspar Dutra – que seria presidente 14 anos depois – sufocaram os rebelados, e em Itararé, na divisa com o Paraná, onde tropas do Rio Grande do Sul atacaram as posições paulistas. É curioso notar que, segundo o historiador José Alfredo, os voluntários paulistas que haviam se dirigido a essas regiões esperavam pela adesão dos militares vindos de Minas Gerais, no caso de Passa Quatro, e do Sul, na região de Itararé. Mas as articulaçes do governo federal minaram esses apoios e inverteram o xadrez político.
“Os paulistas que foram para esses locais não tinham prática alguma no manuseio das armas. Eles esperavam pelas tropas do Sul e de Minas achando que viriam como aliadas para marcharem até o Rio e derrubarem o governo. No entanto, os militares, que eram profissionais na utilização das armas, já chegaram atirando”, afirma José Alfredo, para quem não houve possibilidade de resistência nessas frentes.
Decidido a esmagar a revolução, o governo federal ordena às forças armadas o bombardeio aéreo do Campo de Marte; na Zona Norte, à cidade de Campinas, uma Usina Hidrelétrica, posições no Vale do Paraíba – entre Bananal e Barra Mansa, interior do Estado do Rio –e na frente Sul, às cidades de Faxina, Buri e Itapetininga.
O bombardeio mais forte ocorreu em Campinas, onde civis ficaram feridos e um garoto de 10 anos foi morto. Já o Campo de Marte foi alvo de um pesado ataque aéreo porque seus pilotos haviam sido convocados para integrar o Movimento Constitucionalista, juntamente com outros aviadores militares que aderiram à causa.
Além da destruição provocada no Campo de Marte pelos bombardeios, derrotado o levante, todos os aviões do Campo de Marte foram levados para o Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Além disso a instalação do Parque da Aeronáutica, em 1934, ocupou uma boa parcela da área do Campo de Marte. Apesar da supremacia das forças governistas – com mais de 300 mil homens contra o exército de 40 mil soldados paulistas – a resistência dos constitucionalistas surpreendeu, mesmo tendo os estoques de armas, munições e equipamentos das guarnições federais no Estado tendo sido transferidos para outros estados, durante o período pré-revolucionário, justamente para evitar que fossem tomados por uma possível sublevação. O motivo para a revolução ter se prolongado até outubro foi o esforço de guerra paulista, que envolveu empresários, engenheiros, operários e os constitucionalistas.
O saldo da revolução registra mais de 600 mortos e 15 mil feridos ou mutilados. Mas, se São Paulo foi derrotado no que diz respeito aos embates de guerra, o mesmo não se pode afirmar sobre os desdobramentos políticos, dentre os quais a confirmação das eleições de 1933 e a promulgação da Constituição de 1934, para cuja redação os constitucionalistas deram contribuição importante, já que obtiveram 17 das 22 vagas da bancada paulista para a Câmara Federal Constituinte. No Parque do Ibirapuera foi construído um obelisco em homenagem a Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, onde se encontram enterrados os corpos dos quatro em companhia de outros heróis da guerra.
A Sociedade Veteranos de 32 – MMDC mantém vivos os ideais da Revolução Constitucionalista. Era julho de 1932. No quartel do 2º Batalhão de Engenharia, o soldado 143 aguardava instruções. “O soldado era o que menos sabia o que estava acontecendo”, lembra Paulino Delfino Nogueira, o 143. Eles saberiam seu destino apenas na noite do dia 9, quando receberiam ordens para deixar o quartel, na Vila Mariana, e seguir para a Estação da Luz.
O batalhão atravessou a cidade em bondes especiais, saudado pela população por onde passava. Na Luz, embarcaram no trem e seguiram para o Vale do Paraíba. Iriam lutar na Revolução Constitucionalista de 1932 e pôr em prática o treinamento recebido no quartel, hoje Instituto Biológico. As aulas de tiro eram realizadas onde está o Parque do Ibirapuera.
Nogueira é um dos integrantes da Sociedade Veteranos de 32-MMDC. A associação foi criada no fim da revolução, mas foi oficializada apenas em 1954.
Idealismo
“Nosso propósito é manter vivo os ideais de 1932”, explica o atual presidente, o coronel Ary Canavó. Eles estão resumidos na frase inscrita na bandeira do Estado de São Paulo: “pro Brasilia fiant eximia” (tudo pelo Brasil).
Uma das funções do grupo é zelar pelo Monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932, no Ibirapuera. O museu abriga fotos, documentos, livros, objetos e recortes de jornais referentes à revolução. A associação também organiza e está presente em datas importantes, como 23 de maio, 9 de julho (início da revolução) e 2 de outubro (fim dos combates).
“Além disso, visitamos todos os campos de batalha”, explica Canavó, filho do soldado José Canavó, ex-combatente. No ano passado, ele representou a sociedade no aniversário da Revolução Farroupilha, em Porto Alegre (RS).
Ontem, foram a Queluz, no Vale do Paraíba, palco de combate entre revolucionários e legalistas. A associação também é responsável pela nomeação do comandante do Exército Constitucionalista, revezado anualmente por um veterano.
MMDC
Conversar com os ex-combatentes é a oportunidade de aprender história com quem a viveu. Um deles é o jornalista Silveira Peixoto, que percorria o Estado de carro, levando informações da Capital para os campos de batalha.
Peixoto conta que, na noite de 23 de maio de 1932, houve agito no centro. Na Praça do Patriarca, alguém chamou a população para seguir até a sede do Partido Popular Paulista (PPP), favorável a Getúlio Vargas, na Praça da República. Dentro do prédio, os legalistas resistiram. Como os revolucionários não conseguiam entrar, chegaram duas escadas para que populares invadissem. “A população de São Paulo estava conosco”, lembra o jornalista. Um jovem subiu e tomou um tiro. Mais quatro tentativas frustradas, resultando em cinco mortos: Martins, Miragaia, Dráusio, Camargo e Alvarenga. O último faleceu meses depois. No dia seguinte ao tumulto, num jantar no restaurante Posilipo, foi fundado o MMDC, grupo que exerceu importante papel no episódio de 32.
Sociedade Veteranos de 32-MMDC - Rua Anita Garibaldi, 25. Tel.: (11) 3105-8541

Bibliografia:www.prefeitura.sp.gov.br
www.sampa.art.br
Jornal - O Estado de São Paulo
Sociedade Veteranos de 32-MMDC

Colaboração: Wagner Veneziani Costa

Adicionar comentário 1 de Agosto de 2006 às 16:47 Gerente Editorial


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