Tantra
Publicado por Gerente Editorial em 25 Ago 2006 | sob: Textos Publicados, Tantra
TAN significa a “expansão da consciência” ou tudo aquilo que vai pela mente, enquanto que TRA tem o sentido de “liberdade do pensamento”, ou ainda, “de liberação da consciência”.
Tantra é a união de duas sílabas que carregam em si o sentido de profundidade da consciência e de liberdade. No sentido metafísico, poderia ser entendida como a energia que une a vida do plano físico com o cosmos, com os deuses e com as atitudes individuais.
Tantra Yoga é o caminho que tem por objetivo levar o indivíduo a perceber que ele já é a felicidade que busca ser. Inclui as técnicas de preparação e o conhecimento contido nos Vedas, antigos textos indianos revelados aos sábios.
“Nem a postura perfeita de lótus, nem a fixação da vista na ponta do nariz são Yoga.
Yoga é a identidade entre Jivatma, o indivíduo, e Paramatma, o Todo.” (Kularnava Tantra, cap. IX, verso 30)
Tantra é uma ciência espiritual e mística, um modo de vida orientado para o autoconhecimento, para desenvolver mais CONSCIÊNCIA, sensibilidade, aceitação, naturalidade, totalidade e presença em todos os aspectos da vida. Tantra é viver aproveitando a vida em seu mais amplo sentido, sem barreiras ou preconceitos. No Tantra vivemos o aqui e o agora, sem passado, sem futuro… Quando um praticante dessa arte fala do sexo, naturalmente é com o sentido de que, por meio do ato sexual, ele pode elevar o espírito. É muito diferente do conceito ocidental de sexo, cujo objetivo é chegar ao orgasmo.
O Tantra é o culto à feminilidade, ao princípio feminino. Por conseqüência, culto à mulher. Nesse contexto, a mulher aparece no culto à Deusa-Mãe. Surge, também, como símbolo da fertilidade e é adorada como aquela que proporciona prazer e satisfação. O Tantra vê na repressão dos valores femininos, pela civilização patriarcal, a causa oculta da crise do mundo moderno, no qual o culto da feminilidade e de seus valores poderia trazer uma verdadeira mudança à sociedade.
O Tantrismo é uma linha de desenvolvimento que aceita o ser humano exatamente como ele é. Não dita regras de uma maneira geral e existem citações sobre o mesmo em todos os livros sagrados dos mais diferentes povos.
Muito tem a ser dito sobre o Tantrismo; aqui, poucas seriam as linhas para se conseguir expressar a mais bela doutrina de crescimento humano que a humanidade já conheceu. O Tantra diz: “Seja livre”; o Tantra prega: “Conhece-te”; o Tantra permite que você cresça, se essa for a sua vontade.
Tantra é o Caminho do Coração. Um trabalho de burilamento das relações e de interação com corpo, alma e emoções, apurando sensibilidade, afeição, percepção corporal e níveis de consciência.
Tudo o que existe, todas as realidades, desde as mais materiais até as mais sutis, são formas diferenciadas de uma energia principal. Ao manejarmos energia, podemos conseguir dentro de nós uma série de transformações que nos conduzirão a um estado supremo de consciência, de união entre Shiva, a consciência absoluta e o poder manifestador, e Shakti, seu aspecto dinâmico, a força da manifestação nas formas.
Um aspecto interessante do Tantrismo e que acreditamos ser de excepcional valor para a psicologia ocidental, capaz de auxiliar os métodos utilizados para se conhecer o psiquismo humano, é o estudo do homem do ponto de vista da energia.
Consideramos o homem como um mundo complexo, presidido e configurado pela energia psíquica que se denomina genericamente de Prana ou energia sutil, a qual adota diversos nomes de acordo com as funções que regula e os ritmos vibratórios a que está sujeita.
Cada ritmo vibratório dessa energia produz os planos material, psíquico e mental. Por conseguinte, essa energia vem a ser o eixo central e o meio que o Tantra Yoga utiliza para realizar todas as transformações físicas, psíquicas e mentais.
À medida que o ser toma consciência de todas as suas energias, ele harmoniza seu interior e se harmoniza com o Todo.
Charles Breaux afirma: “Na psicologia ocidental, consciência é a percepção do ego-self; tudo o que está além dela é simplesmente chamado de ‘inconsciente’. Além disso, há discussão sobre qual combinação de estruturas conscientes e inconscientes constitui a psique. Por exemplo, há inúmeros psicólogos que sustentam que a psique nada mais é do que um conjunto de atividades bioquímicas do cérebro.
Embora tivesse em alta conta o escopo e a profundidade da consciência em algumas culturas orientais primitivas, Jung sintetizou a visão da consciência ocidental comum como um produto da percepção e de orientação do mundo exterior. Ele dizia que a consciência provavelmente se localizava no cérebro e especulava sobre a possibilidade de que fosse a evolução de um órgão dos sentidos da pele de nossos remotos ancestrais. O conceito ocidental de consciência implica a inexistência da consciência sem o ego e o cérebro.
É possível que a consciência existisse antes do desenvolvimento de nosso sistema nervoso central? Estará nosso sistema nervoso se desenvolvendo como um lótus nascido no lodo do universo material para florescer na ‘Luz’? É possível que a consciência tenha diferentes qualidades em contextos outros, além de sua única forma relacionada com o ego e com os centros cerebrais superiores? No Tantra, a consciência é vivenciada em muitos níveis; a consciência do ego é apenas um deles. De fato, a consciência, em sua condição mais sublime, é considerada o próprio fundamento do ser em si”.
No Tantra, a meditação produz freqüências de onda cerebral alfa e beta que nos permitem o acesso a áreas da psique exteriores às funções racionais normais. É nesses níveis subliminares que as imagens e as atividades rituais do Tantra operam sua magia. As divindades tântricas podem ser consideradas versões culturais ativadas dos arquétipos imemoriais. Além do poder das profundezas luminosas da psique que elas contêm, elas podem ser vivenciadas como baterias de energia psíquica, carregadas com as poderosas meditações de iogues tântricos praticadas durante bem mais de mil anos. Esse potencial é aberto e usado para transformar o corpo-mente em um receptáculo purificado para forças transpessoais em práticas tântricas.
Em seus métodos terapêuticos, Jung buscava um enfoque ilimitado, centrado no cliente. Ele reconhecia a singularidade de cada indivíduo e seguia a direção interior de seu paciente ao longo do caminho à totalidade. Como nossa “Natureza Búdica”, Jung estava convicto de que o Self possui a sabedoria e o desígnio de conduzir-nos à nossa verdadeira natureza, bastando que abandonemos nossa resistência e arrogância.
O homem comum é dual, está em conflito o tempo todo, buscando mais e mais. Na linguagem atual, podemos dizer que o homem tem consumido coisas sem o menor sentido para sua essência. Por isso, essa mania de estar sempre se sentindo insaciável. As práticas tântricas levam o indivíduo a conhecer a sua dualidade e a sentir a importância da unidade dentro de si.
A sexualidade é nosso ponto de partida nesta vida. Nossa existência se inicia com o sexo; definimo-nos em todos os níveis em uma sociedade e como personalidade a partir do sexo. O ato sexual deve ser visto como o encontro sagrado entre dois seres que estão retornando ao princípio da existência. Quando estamos em um ato sexual, revivemos o ponto pelo qual entramos na vida. Devemos reverenciar esse momento como se estivéssemos cumprimentando a nós mesmos.
Quando praticamos o Tantra, não há distâncias entre o feminino e o masculino, entre o físico e o espiritual. Se o contato divino se faz por meio do espírito, o corpo é o templo vivo, a morada divina do ser. Portanto, não deve haver nenhuma fronteira… nenhum preconceito… nenhum pecado…
No Tantra só há lugar para o êxtase, “O Supremo Prazer”.
Por Wagner Veneziani Costa
Eu Sou o que Sou
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