O Livro de Hiram
Publicado por Gerente Editorial em 29 Set 2006 | sob: Editor, Maçonaria, Madras, Livros

Introdução à Edição Brasileira
Quando conheci o trabalho de Christopher Knight e Robert Lomas, fiquei admirado. Comecei a ler seus escritos e não quis mais parar, pois a cada página havia uma surpresa. Encantei-me pela obra deles, tanto é verdade que adquiri todos os seus títulos que não possuíam edição em língua portuguesa, pois tenho certeza de que isso faltava em nosso país. Lógico que muitos estranharão, outros não gostarão; mas eu gostei… Sinto muito, mas querendo ou não, todo maçom, muito em breve, conhecerá as obras desses dois autores e terá que ter, pelo menos, dois exemplares de sua autoria em suas bibliotecas.
Sinto-me realizado como editor por lançar todas essas obras, mas não só por isso; creio estar cumprindo, também, o papel a que me foi confiado pelo meu querido Grão-Mestre de São Paulo, o de Grande Secretário de Cultura e Educação Maçônicas do GOSP. Para se ter uma idéia, lançaremos, neste semestre, mais de 56 livros sobre temas relacionados à Ordem. Com isso, passaremos de a Maior Editora Holística do Brasil (Ocultismo, Misticismo, Fraternidade Branca, Bruxaria, Magia, Fitoterapia, Tarô, Templários, Filosofia) para a Maior Editora Maçônica do Brasil.
Esses lançamentos são em comemoração aos dez anos da Madras Editora, e agradeço aqui a todos os que colaboraram e torceram para que conquistássemos nosso lugar no mercado.
Irmãos, saibam que não foram poucas as vezes que nossos livros foram retirados de uma ou de outra livraria, por incomodarem os católicos. Freiras e padres chegaram a ameaçar alguns parceiros comerciais, dizendo: “se for para eu entregar a lista de materiais de nossa escola para os nossos alunos e eles se depararem com esse logotipo (referindo-se ao Senhor Ganesha), prefiro entregá-la em outra livraria.” Mas, muitos desses padres e freiras “deram com os burros n’água”; nossos amigos e colaboradores enfrentaram esses desafios e, com profissionalismo, Vontade e muito Amor, vencemos todos os obstáculos. Hoje em dia, vemos nossas obras espalhadas nas melhores livrarias do país. Preconceito ainda existe? Sim, mas é bem menor do que aquele com o qual nos deparamos quando ingressamos com uma nova proposta editorial, uma nova linha de produtos com qualidade superior a deles, prova disso é que somos detentores de três prêmios de qualidade da América do Sul.
Mas, não estou aqui para falar da nossa Madras, e sim para apresentar, com o devido respeito, esta maravilhosa obra dos meus Irmãos Christopher Knight e Robert Lomas. Julgo-os, hoje, os maiores historiadores de nossa Ordem. Isso porque eles foram beber diretamente na fonte, por meio de suas pesquisas arqueológicas, diferentemente de muitos autores que se baseiam apenas em pesquisas técnicas e literárias, o que não lhes tira o mérito.
Perceberemos também que nossos Irmãos não foram poupados pela Santa Igreja, que, em seus periódicos, referira-se aos autores sem nenhum respeito, ridicularizando-os, assim como o seu trabalho. Mas, e o medo que coloquemos suas “verdades” em xeque-mate? Tento, particularmente, fazer isso em todas as nossas obras, pois sinto vergonha só de observar quantas e quantas pessoas há séculos são enganadas, iludidas, em todos os sentidos, por essa instituição.
O Catolicismo não admite discussões teológicas, por não lhe convir enfrentar os argumentos irrespondíveis da crítica científica; foge dela como, segundo sua própria teoria, “o diabo foge da cruz”. Seu pavor embarga-lhe a voz. Seu silêncio assemelha-se ao silêncio do cataléptico, embora da discussão tivesse de surgir a salvação de um descrente, pois, o que está escrito não sofre mais discussões; é crer… mesmo no absurdo. Os argumentos contrários são armas de Satanás… os absurdos são Mistérios e Mistérios não se discute!
Diógenes, o cínico, já dizia que “os Mistérios tinham pretensão de garantir a felicidade eterna a celerados, uma vez que fossem iniciados, ao passo que os homens honestos, que deles se afastassem, teriam de sofrer nos Infernos.”
Repugna-me aceitar como essência divina a idéia de que um homem virtuoso, caridoso, temente a Deus, possuidor, em suma, de todos os requisitos de um santo, como os há aos milhões em credos contrários, se veja condenado como herege à excomunhão e às penas, não só terrenas, como as de um inferno eterno, só pelo fato de não aceitar os dogmas do Catolicismo, de acordo com o apregoado livre-arbítrio que, por pilhéria, ele preconiza, ao passo que um celerado, assassino, ladrão devasso e hipócrita merecerá todas as honras e regalias do céu, uma vez que tenha abdicado do irônico livre-arbítrio e satisfaça as tabelas absolutórias, ou, na última hora, se tiver tempo, peça perdão a Deus, o que não deixa de ser uma grande comodidade para os bandidos, mas pouco edificantes em moral e religião.
E a massa analfabeta ou dos simplórios e a dos fanáticos, que só se cogita a exterioridade, abandonando a parte espiritual que desconhece, entrega-se inconscientemente, de corpo e alma, nas mãos de uma legião de cegos espirituais, que lhe suga o último vintém, em benefício único do tesouro do Vaticano, senão mesmo atirando-lhe a própria alma nos braços do seu maior agente, Satã! É com tais armas que o Catolicismo se ostenta, e é com tal massa que ele computa a maior parte do Brasil, e que, erroneamente, computava a da Espanha.
Esquecem-se que, por cerca de trezentos anos, a Igreja Romana viveu, por assim dizer, ao deus-dará; cada qual cultuava como entendia, cada um interpretava a seu modo, chegando mesmo a ligar-se ao Paganismo, até que, sobrevindo os Concílios, estes passaram a decretar coisas tais que as consciências se revoltaram entre os próprios adeptos, causando sanguinolentos encontros e as horrorosas guerras das Cruzadas, o Santo Ofício da Inquisição e uma política de perseguições entre os próprios Papas, o que fere o próprio Cristo e abala os fundamentos da alma de quem lê a História do Cristianismo, Antigo e Medieval, para terminar transformando essa doutrina, toda espiritual, em uma organização política romana, que só tem em mira apoderar-se da espada Temporal.
Antes de prosseguir e entrar no mérito da obra O Livro de Hiram, quero anunciar que lançamos também a obra A Biblioteca de Nag Hammadi — A Tradução Completa das Escrituras Gnósticas, de James M. Robinson. Peço especial atenção de todos, pois, sem nenhuma dúvida, essa obra revolucionará a opinião de muitos cristãos (católicos). Trata-se da maior reunião de textos Apócrifos já publicados.
É necessário recorrer aos que estudam desapaixonadamente, com o único fim de procurar a “Verdade” em seu benefício e para o bem da humanidade, livrando-se das garras dos espertalhões ou velhacos. São estes os Sábios que levaram a vida inteira comparando os livros sacros de todas as religiões perante a História e perante a Ciência. Podem seus argumentos serem tachados de errôneos pelos sofismas, mas não podem ser destruídos pela lógica, pela razão e pelas próprias palavras dos Cristos.
E, infelizmente, assim como fizeram na Igreja Romana, tentam fazer na Maçonaria, se já não conseguiram… Para mim, ainda há uma esperança de que os homens que se intitulam LIVRES E DE BONS COSTUMES sejam realmente isso: Livres… e de Boa Conduta…
Alguns Irmãos dizem que estamos errados em comemorar os solstícios e os equinócios dentro de nossos Templos. Que isso não existe e que estamos inventando rituais disso ou daquilo. Santa ignorância! Que esses Irmãos despertem, pois isso deveria acontecer em todas as Oficinas e não apenas na nossa, como eles próprios mencionam, pois é um fato, como poderão ver e CONHECER neste livro. Comecemos por citar a data da fundação da UGLE (Grande Loja Unida da Inglaterra). Trata-se da mesma data em que comemoram o solstício de verão, 24 de junho, no Hemisfério Norte, dia de São João Batista, porque aqui estamos, nessa mesma data, comemorando o solstício de inverno. Recordemos as festas juninas (São João). No dia 25 de dezembro comemoramos o solstício de verão e, no Hemisfério Norte, o solstício de inverno. É a data do nascimento de Avatares como: Krishna, Mitra, Hórus, Buda e Jesus Cristo, todos considerados grandes Sóis (Deuses). Percebam que quem trouxe a Maçonaria para o Hemisfério Sul não se preocupou com isso. Simplesmente copiou seus Templos com as mesmas características, esquecendo-se de “inverter as posições” de suas “estrelas” seus “planetas” e também o altar de nossas Dignidades. Até mesmo a queda d’água, por exemplo; ao darmos descarga em um vaso sanitário no Hemisfério Sul, a água gira para o lado direito e no Hemisfério Norte, para o lado esquerdo.
A Terra faz um movimento de translação ao redor do Sol em uma órbita plana, quase circular, com período definido de um ano. Enquanto isso, ela gira em torno de si mesma, originando os dias. O equinócio é o ponto da órbita da Terra onde a duração do dia e da noite são iguais. É o dia a partir do qual os dias ou as noites começam a crescer (respectivamente primavera e outono), até que se chegue ao solstício, que é o ponto da órbita da Terra onde existe a maior disparidade entre a duração do dia e da noite. Os solstícios são, então, o dia e a noite mais longos do ano (verão e inverno, respectivamente).
Iniciando então no solstício de inverno (noite mais longa do ano), é a partir dessa data que os dias começam a crescer, até que se alcance uma igualdade entre o dia e a noite (equinócio de primavera), e continua até o ápice do dia no solstício de verão (dia mais longo do ano), data a partir da qual os dias diminuirão até que, mais uma vez, a igualdade se faça presente entre dia e noite (equinócio de outono), seguindo, novamente, para o solstício de inverno, onde começamos nossa explicação, em um ciclo perpétuo.
O solstício deve ser comemorado com “ágapes solsticiais”. Isso não significa se reunir para comer ou beber, mas sim para compartilhar, agradecer e unir energias a serviço do “Mais Elevado” e da ajuda à humanidade. E por esse motivo, compartilhar uma comida simples.
Os mesmos Irmãos que nos criticam, normalmente dão mais valor aos “sinais e toques”, que dizem ser secretos, do que ao estudo astronômico e astrológico do Templo, acreditando nas penalidades de ver sua garganta cortada, sua língua e seu coração arrancados… Só para lembrá-los, isso sim é que não existe, ainda mais nos dias de hoje. Poderíamos vivenciar essa época, descrevendo como era antes e relatar que nos tempos antigos, se algum Irmão fosse perjuro ou traísse de qualquer forma a Ordem, sua pena seria… E muitos pagaram com a própria vida, é o que eu acredito, pois disso não se tem provas. Gostaria, também, de ver em todas as Lojas Maçônicas, naquela época (1717), uma Bíblia em cada Altar de Juramentos, afinal, era tão fácil se ter uma Bíblia, não era? Todos conheciam o latim, o grego e o alemão. Ora, deixemos de ser irônicos, sabemos que ter uma Bíblia e saber como lê-la não era para qualquer um… A primeira Bíblia em português foi impressa em 1748. A tradução foi feita a partir da Vulgata latina e iniciou-se com Dom Diniz (1279-1325). A divisão em capítulos foi introduzida pelo professor universitário parisiense Stephen Langton, em 1227, que viria a ser eleito bispo de Cantuária pouco tempo depois. A divisão em versículos foi introduzida em 1551 pelo impressor parisiense Robert Stephanus. Ambas as divisões tinham por objetivo facilitar a consulta e as citações bíblicas, e foi aceita por todos, incluindo os judeus.
Se não bastasse, quero lembrá-los de que todas as nossas palavras “Sagradas e de Passe” são hebraicas e não cristãs. Referem-se ao Antigo Testamento e não ao Novo Testamento.
Os autores Christopher Knight e Robert Lomas descrevem de forma clara e objetiva alguns passos da iniciação, da elevação e da exaltação, e fazem menção à “ressuscitar um cadáver”. Pergunto a vocês: isso não é Necromancia? Quer dizer que Hiram, assim como Jesus, foram ressuscitados? E no terceiro dia? E o candidato ao grau três, mesmo que simbolicamente, também não é ressuscitado? A Arte de ressuscitar os mortos não é Necromancia?
Todos os Templários eram enterrados de forma peculiar, pois cruzavam os ossos e separavam sua cabeça, lembrando, assim, mais uma passagem do grau três (seu símbolo). E a bandeira dos piratas, não lembra a cabeça com os ossos cruzados? Não foi nessa mesma época que a Inglaterra se separou da Igreja de Roma?
A construção de um Templo Maçônico está totalmente embasada na Astronomia, e o Grande Arquiteto do Universo é associado ao “Mais Elevado”, o Deus Sol. E isso, Irmãos, é fato, não se trata de especulação, pois especulativa é a Maçonaria moderna. Que pena!
Uma outra coincidência refere-se à Estrela de Vênus, na qual os autores encontram respostas, e que são as mesmas que encontrei e registrei, com muito pouca diferença, em minha mais recente obra Maçonaria – Escola de Mistérios – Antiga Tradição e Seus Símbolos. Também faço menção no Diário da Abundância, no qual citei a Estrela de Vênus como a estrela matutina e vespertina e a comparei com Lúcifer, Phosphóros, O Portador da Luz. Isso porque, em seu percurso, ela cai e se levanta, perfazendo um “U”, um chifre, daí a referência a Lúcifer como o anjo caído; e ainda a Nut, “que carregava Rá entre seus chifres.”
Vênus também era considerado pelos antigos como dois astros diferentes, ao qual davam o nome de Lúcifer e Vesper. Só mais tarde, quando se descobriu tratar-se do mesmo corpo celeste, é que atribuíram a ele o nome de Vênus, pela sua Luz e Beleza, pois quando está no céu, à noite, é o astro mais brilhante depois da Lua. Porém, no século III a.C., Pitágoras já afirmava que Lúcifer e Vênus eram um único corpo celeste. No Brasil, é conhecido como Estrela Dalva.
Os autores de O Livro de Hiram vão muito mais longe e nos dão uma verdadeira aula. Eles comparam Vênus à Estrela de Cinco Pontas, com a letra G em seu centro, fazendo também uma referência a Shekinah, o lado feminino do Senhor, a mulher de Deus, bem como toda sua trajetória, seu ciclo de oito anos, sua importância em estudos das ciências. Segundo eles, Vênus é a peça central da civilização e que, tendo por fundo o zodíaco, completa uma estrela de cinco pontas a cada oito anos e retorna à sua posição original depois de quarenta anos. Também, a anunciação da vinda do Messias, em que os três reis magos seguiram uma estrela, mais conhecida como a estrela de Belém, até um estábulo na cidade de Belém, lugar onde havia nascido o rei David um milênio antes.
Uma das descobertas dos autores que mais me chamou a atenção foi que, no Egito, o nome de Vênus era Hathor. Ela era “o olho do Deus do sol, Rá”, “o habitante em seu peito”, “a deusa de muitos nomes”. O outro nome era Uatchet, a Senhora das Chamas. Além disso, Christopher Knight e Robert Lomas decifram o código de Rosslyn e revelam o projeto e a construção da capela de William St. Clair, seu subsolo, que coincide exatamente com o solo projetado no Templo de Salomão, conforme relatado no ritual maçônico.
Eles nos lembram de que a Maçonaria foi uma máquina de empreender que levou o mundo da escuridão à Luz e dos Homens Grandes e bons que fizeram com que ela prosperasse, florescesse na Europa, na América e em várias cidades do mundo ocidental. Seus altos padrões de Honestidade e Decência sempre foram exigidos, pela Ordem de todo e qualquer Irmão.
Na segunda parte da obra, eles constroem um Testamento Maçônico com 16 capítulos sensacionais, com o cuidado que é muito peculiar em todo o seu trabalho. Mantiveram o estilo de velhas cópias de vários rituais, conservando a essência dos registros originais.
Não tenho dúvidas do sucesso que esta obra atingirá. Mesmo que nos deparemos com a mais dura “verdade”.
Eu Sou,
Wagner Veneziani Costa
Editor
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