Setembro 2006

Arquivo Mensal

Algumas Considerações sobre a Arte da Guerra

Publicado por Gerente Editorial em 22 Set 2006 | sob: Editor, Textos Publicados, Madras, Livros, A Arte da Guerra

Sun Tzu, chamado também por Sun Zi ou Sun Wu, foi um estrategista militar chinês oriundo do Estado de Chi, por volta do século V a.C, período este denominado Chun Qiu, a “Era de Ouro”, em que se iniciava um processo de unificação do Império da antiga China, pois se tratava apenas de pequenos estados divididos em inúmeros principados.
Ao escrever A Arte da Guerra, um dos mais interessantes tratados sobre táticas de guerra e estratégias militares, Sun Tzu atraiu a atenção do rei Ho Lu de Wu, o qual se interessou por esses ensinamentos e, curiosamente, pediu a ele que primeiramente testasse a eficiência desse método com suas concubinas. Após 180 mulheres terem sido trazidas ao palácio, serem separadas em grupos que representavam frentes de batalhas e terem recebido ordens às quais respondiam com gargalhadas, ele, com refinada perspicácia, foi esmerando-as para que realizassem tudo que lhes era solicitado, da mesma forma que o fez quando esteve à frente dos exércitos que comandou, cujas conquistas são inspiração para todos os estrategistas posteriores a ele.
Contemporâneo do célebre filósofo Confúcio, sua literatura foi instrumento de preparação de outras personalidades como o primeiro presidente da República Popular da China, Mao Tsé-Tung, assim como de Napoleão I. Essas influências também puderam ser notadas no íntimo da cultura chinesa, a qual presenciou um crescimento do número de classes sociais educadas que ascenderam ao poder no governo e no comércio, devido à premissa de Sun Tzu que preza a sabedoria de seus guerreiros em predileção à força deles como requisito para combater, instituindo uma característica que será sempre peculiar ao país.
O general chinês insiste no fato de que a guerra não possui um fim em si mesma, mas que seu objetivo principal deve ser sempre a vitória. Ele conseguiu transpor paradigmas, tais como a filosofia chinesa e as incertezas da tradução, pois A Arte da Guerra começou a ser introduzida na Europa em 1782, quando um jesuíta francês que morava na china, Joseph Amiot, adquiriu uma cópia e fez uma tradução que continha muitas informações que não foram verdadeiramente redigidas por Sun Tzu como se veio a saber depois. Mas a primeira tradução para o inglês só veio a ser publicada mesmo em 1905, em Tokyo, e depois dessa surgiu outra em Londres que, apesar de ter sanado alguns erros anteriores, cometeu alguns novos. Todos esses trajetos que o texto percorreu o impediu de ter o impacto concreto e factual dos textos modernos, legando a ele um tom poético ou de fábulas, mas se nos empenharmos nessa leitura encontraremos respostas aos nossos próprios conflitos, ou maneiras de como solucionar as problemáticas ocasionadas por aqueles com quem nos confrontamos.
A vitória para Sun Tzu representa uma dicotomia entre a guerra e a paz. Às vezes, a primeira faz-se necessária, assim como a perfeita paz é algo impossível dentre as sociedades humanas. É por isso que à medida que o conflito deve ser evitado devemos aprimorar a força, as habilidades, a capacidade de análise da situação e a eficácia na auto-organização, ou seja, “subjugar o inimigo sem lutar”. É nesse sentido que a disciplina auxilia a discernir entre a percepção e o julgamento, deixando uma lacuna para que uma inteligência natural se manifeste em um mundo de possibilidades que é comum a todos.
É interessante notar que alguns conceitos clássicos como o “si vis pacen parabellun” (dos romanos) “se queres a paz, prepare-se para a guerra”, coaduna-se perfeitamente com as idéias de Sun Tzu.
Suas máximas são aplicáveis a qualquer campo em que a vitória seja fundamental. Seja nas empresas, nos campos de batalhas ou nas lutas do dia-a-dia.
Muitas das derrotas, mortes de civis e destruição teriam sido evitadas com o uso de A Arte da Guerra.
“Lutar e ganhar todas as batalhas não é a suprema glória, a glória suprema é quebrar o inimigo sem lutar.”
Nos últimos dias vimos uma guerra que se preocupou mais em demonstrar o “poderio” do que em evitar o conflito. A vitória poderia ter sido assegurada de formas muito mais seguras e menos traumáticas para todos os envolvidos.
Resultou em um país lançado no caos político-administrativo, destruição de sua cultura e recursos naturais, perda de identidade. Sem falar de abalar, com um único golpe, a ordem mundial.
O mundo retornando ao período anterior à primeira grande guerra, e a possibilidade da volta do colonialismo. Sem falar na ampliação da distância entre ricos e pobres, e criando mais injustiças sociais que, conseqüentemente, acarretaram novos descontentes e, talvez, mais terroristas.
Este mesmo império conseguiu derrotar outro valendo-se da tática de Sun Tzu de frustrar os planos do inimigo. Sem guerra, sem batalhas, com amplo uso de espiões e acordos comerciais. A produtividade e a mobilidade foram fatores preponderantes. Os antigos aliados do império vencido tornaram-se parceiros do império vencedor.
A mobilidade é uma das grandes armas do exército para Sun Tzu, e a história nos brinda com exemplos fantásticos. Um recente foi a marcha Anglo-Americana na guerra do Iraque, em que vários focos de resistência foram deixados para trás na marcha célere por Bagda. Não foi a primeira vez que isso foi feito. Na segunda grande guerra os alemães usaram a blitzkrieg, ou guerra relâmpago, na qual pára-quedistas, tanques e tropas transportadas por blindados surpreenderam os exércitos europeus. Uma revolução, tendo em vista que as tropas alemãs em tempo ínfimo conquistaram países como Holanda, França e Polônia. A França era uma das potências militares da época. Ela havia construído uma longa linha de defesa separando-a da Alemanha. A linha Maginot, composta de fortes, canhões, fossos, trincheiras, muros e arame farpado. Tudo muito sólido e conseqüentemente imóvel, o que se demonstrou crucial para a Alemanha ganhar a batalha.
Os alemães, de forma similar ao que Anibal, o general cartaginês, havia feito contra Roma, circundaram as defesas francesas e quando eles menos esperavam tinham as tropas alemãs rumo a Paris.
Desta forma, o exército alemão, chefiado por Von Rundstedt e as divisões Panzer de Heinz Guderian, conquistou a França e empurrou as tropas inglesas rumo ao mar.
Curiosamente, a ruína alemã veio de um erro já narrado por Sun Tzu: “Se sitiarmos uma cidade, exauriremos nossas forças”, as armas se tornarão pesadas e não haverá entusiasmo”. As legiões nazistas cometeram o mesmo erro de Napoleão ao atacar a Rússia, e o resultado na frente oriental foi decisivo para o fim do Terceiro Reich.
De acordo com Sun Tzu, fazer uso da topografia e de acidentes do terreno é uma das chaves para a vitória. “No que concerne aos desfiladeiros, se o ocuparmos primeiro, devemos esperar o inimigo.” Leônidas, o célebre general espartano, conseguiu, à frente de 300 soldados, deter o avanço do exército de Xerxes, composto de um milhão de homens, por um bom tempo. Desta batalha veio a corajosa frase do general espartano. Os persas disseram que lançariam tantas flechas que obscureceriam o sol; prontamente, Leônidas respondeu: “Então lutaremos à sombra”.
As técnicas de Sun Tzu não tiveram somente no campo de batalha a sua comprovação; nas “guerras mercadológicas”, travadas entre as grandes corporações, A Arte da Guerra fez história. O fenômeno Microsoft é um excelente exemplo. Aproveitando as lacunas do mercado, respondendo rapidamente aos estímulos, o maior império empresarial da atualidade foi erigido.
No Brasil, podemos pensar no grupo Pão de Açúcar, que, mesmo competindo com a maior rede de supermercados do mundo, conseguiu ser líder novamente.
A guerra foi racionalizada, os pontos de abastecimento foram equacionados, a logística e a reengenharia, palavras-chaves.
Infelizmente, a estratégia também pode ser utilizada por grupos criminosos; um bom exemplo é o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro. Eles aprenderam as técnicas na época da guerra fria, quando os presos políticos foram colocados ao lado dos presos comuns.
As ações do Comando Vermelho denotam um profundo conhecimento das táticas de guerrilha. O que é consolador, por outro lado, é o fato de sua força estar depositada na desigualdade social. Ora, se melhores condições chegarem ao morro, acompanhadas de justiça social, será o fim do Comando Vermelho e de organizações similares.
A Arte da Guerra é um livro eterno, talvez por falar das bases onde se assentam a organização humana e, consequentemente, as suas disputas, nas quais a guerra é a apoteose.
Terminamos este texto com a máxima latina: “Se queres a paz, prepare-se para a guerra”.

Wagner Veneziani Costa

Yoga – Mente, Corpo, Emoção

Publicado por Gerente Editorial em 21 Set 2006 | sob: Madras, Livros, Yoga – Mente, Corpo, Emoção

Prefácio

Sem Amor não há Yoga…
Quando conheci a Suely Firmino, fiquei encantado com a sua forma de ser: meiga, inteligente, gentil e muito equilibrada. Além do que, foi-me apresentada por um inesquecível e bom amigo, Fabinho, Fábio de Augusto Ceglauski, o mentor da Fábula, um desses seres iluminados que cruzam o nosso caminho e que, infelizmente, somente com sua ausência percebemos de que se tratava de um ser de muita Luz…
Quanto à Suely, percebi logo que teríamos uma missão muito importante… Dito e feito. Editamos o seu primeiro trabalho, Yoga — A Revolução Silenciosa, e, em menos de seis meses, a 1ª edição esgotou-se. Ficamos contentes e, numa conversa, pedi a ela que não parasse de escrever.
Novamente ela me surpreendeu com uma obra maravilhosa, Yoga — Mente, Corpo, Emoção
, com dezenas de fotos coloridas, ilustrando os exercícios para a prática do Yoga, construindo uma ponte entre a alma individual e a alma universal de Brahman — A Consciência Divina. É dessa união que nasce a consciência Cósmica, que liberta o homem e faz com que ele interaja com sua verdadeira origem, esquecendo do tempo e do espaço.
O Yoga é uma antiga filosofia de vida que se originou na Índia, há mais de 5.000 anos. É uma palavra masculina e de origem sânscrita, Yug, que significa unir. Não obstante, ele figura em todo o mundo como o mais antigo e holístico sistema para colocar em forma o corpo e a mente.
Literalmente, Yoga significa união, pois ele une e integra o corpo, a mente e nossas emoções para que sejamos capazes de agir de acordo com nossos pensamentos e com o que sentimos. Juntamente com o fortalecimento do corpo físico e o desenvolvimento da flexibilidade, o Yoga nos induz a um profundo relaxamento, a uma tranqüilidade mental, concentração, clareza de pensamento e percepção interior.
É por meio dessas práticas que atingimos a paz e a satisfação de interagirmos com o nosso corpo físico, mental, sútil e causal, vivenciando uma nova vida com muito equilíbrio, contemplando o seu Universo Interior.
Fica muito difícil explicar de forma verbal essa sensação de paz absoluta, mas é com a sua prática que você sente que seus sentidos se tornam mais refinados e que seu coração e sua mente são um só, interagem com mais sutileza sem disputar espaço com o ego.
Existem diversas formas de Yoga; as sete principais são: Hatha Yoga, Raja Yoga, Karma Yoga, Bhakti Yoga, Jnana Yoga, Tantra Yoga e mantra Yoga. Todas levam ao mesmo fim, apesar de sua diferenças: à interação do EU com o Supremo.
A mais utilizada no Ocidente é a Hatha Yoga, o yoga físico, que é baseado na prática de posturas e do controle da respiração.
A primeira menção da escrita de Yoga foi encontrada nos textos Sagrados dos Vedas, cerca de 3000 a.C. Yoga também foi mencionada mais adiante nos textos do sábio Patanjali, Yogas Sutras, em dois grandes épicos, que datam de cerca de 600 a.C.: o Ramayana, escrito por Vamiki, e o Marabharata, escrito por Ganesh, ditado por Vyasa, no qual está incluso o Bhagavad-Gita, a Sublime Canção do Supremo.
A criação do Yoga é atribuída a Shiva, um dos Deuses que formam a trindade Hindu, Brahama (construtor), Vishnu (mantenedor) e Shiva (destruidor), que destrói o velho para construir o novo; por isso, podemos chamá-lo de reformador ou transformador.
Shiva Natajara é o Rei da Dança, pois é por meio desses movimentos que ele cria, conserva e destrói. Ele é o Espírito Santo que consome os focos de ignorância e do anti-amor. Destruidor da maldade, do ódio, da doença e dos demônios, enfim, do Ego Humano e da mente carnal. Também é atribuído a Shiva a manutenção dos nossos Chakras, sua saúde e sua Luz (força).
Os sete principais Chakras são:
1 — Muladhára Chakra — mula significa base ou raiz. Sua localização é na base da espinha, no cóccix. Quando despertado, amplia-se a capacidade física e sexual;
2 — Svádhishthána Chakra — significa sua própria morada, desperta a intuição e as entidades astrais;
3 — Manípura Chakra — significa cidade das jóias; é o responsável pela limpeza do corpo;
4 — Anáhata Chakra — significa invicto, desperta o otimismo, além de desenvolver o talento artístico e o equilíbrio emocional;
5 — Vishúddha Chakra — significa purificação, desperta a percepção e os sentidos;
6 — Ajña Chakra — significa comando, desperta o conhecimento e a sabedoria;
7 — Sahasrára Chakra — significa mil, a Suprema Consciência.
O Yoga pode e deve ser usado para tudo, pois melhora os relacionamentos, sua concentração, sua mente, seu corpo, suas emoções, sua saúde, seu estresse e, entre outras coisas, a auto-realização.
Liberte-se… e não se esqueça…

Eu Sou Você e Você Sou Eu.
Somos Todos Um. Um por Todos e Todos por Um.
Eu Sou simplesmente o que Sou,
Wagner Veneziani Costa

Jornada Cabalista – Cabalá Passo a Passo

Publicado por Gerente Editorial em 20 Set 2006 | sob: Madras, Livros, Jornada Cabalista – Cabalá Passo a Passo

Introdução

Antes de adentrarmos na Cabala, este assunto fantástico e envolto em muitos mistérios, cabe falar um pouco do autor deste livro, meu grande Amigo e Irmão, José Arnaldo de Castro.
Conheci José Arnaldo há algum tempo e quando decidi retornar aos Graus Filosóficos na Maçonaria, tive a grata surpresa de reencontrá-lo. Revê-lo naquele momento foi muito gratificante, uma vez que pude perceber que entre nós havia realmente uma amizade firmada em ideais elevados e sinceros. Trocamos algumas idéias a respeito de diversos assuntos e percebi que seus conhecimentos e interesses (principalmente a respeito da nossa Ordem) eram muito semelhantes aos meus.
Perguntei-lhe se tinha “Vontade” de lutar e fazer algo para mudar, ou melhor, resgatar a Verdadeira Maçonaria, e ele, imediatamente, respondeu-me que sim. E adivinhem qual foi a sua primeira atitude? Formar um curso prático de Cabala (ou Cabalá, como ele grafa nesta obra), que já é um sucesso em nossa Ordem. Todos os que participaram do curso, sem exceção, adoraram. Hoje, José Arnaldo é convidado para ministrar Cabala em várias cidades do interior de São Paulo. Temos ainda a grata satisfação em tê-lo como colaborador e tradutor da nossa Editora. Podemos dizer que José Arnaldo também faz parte da família Madras.
Mas não pensem, queridos leitores, que estamos satisfeitos. Criaremos outros cursos herméticos para transmitir um pouco mais dos conhecimentos que, por muitos motivos, se perderam. Sabemos da importância do nosso papel, e vocês podem ter certeza de que isso só foi o começo. Temos muito a fazer e esforços não serão medidos para conquistarmos os nossos objetivos.
A iniciativa do autor em lançar Jornada Cabalista – Cabalá Passo a Passo é algo fundamental, pois temos a necessidade de estudar e pesquisar para desenvolver nossa inteligência e expandir nosso pensamento.
A tradição cabalística antecede ao próprio Moisés, da qual não existem traços senão no próprio misticismo hebraico, que detinha os segredos desse grimório (do francês grimoire: antigo livro de magia). A Cabala contém, de fato, em seu interior, numerosos elementos provenientes de antigas tradições orientais, como a astrologia caldéia, a mística numérica babilônica, elementos neopitagóricos, ou seja, trazidos da própria religião egípcia antiga. Há, também, estudiosos que afirmam que a doutrina hebraica possa derivar do sufismo árabe.
A Cabala, palavra que em hebraico (Kabbalah, Qbl) significa recebimento, aceitação, vem de uma tradição de mais de cinco mil anos e tem como um dos propósitos ensinar a correlação entre causa e efeito, ação e reação de nossas fontes espirituais, objetivando melhorar a vida das pessoas.
Há indicações históricas de que sábios e alquimistas formaram “irmandades” para o estudo e a prática da Cabala. Esta, por sua vez, foi a que mais se aproximou do conceito renascentista de Magia, ou Esoterismo. Talvez devamos isso ao grande hermetista Pico della Mirandola, que também criou um sincretismo entre a Cabala hebraica de Ab Ram (Abraão) e a filosofia neoplatônica. Não podemos deixar de citar entre os diversos estudiosos da Cabala nomes como o de Mosché Bàsola, que, em 1522, fundou a Safed, a mais importante escola cabalística da época.
Alguns manuscritos nos dão conta de que a Cabala fazia parte do aprendizado dos sacerdotes egípcios. Além disso, os judeus, durante seu cativeiro, aprenderam com os egípcios e tomaram para si a criação da Cabala. É necessário, entretanto, abrir um parêntese e deixar claro que a Cabala não pertence a nenhuma religião específica. Pode-se dizer que se trata de uma filosofia de vida baseada no lado místico e que foi transmitida oralmente de geração em geração.
A meta precípua da Cabala é conscientizar o ser humano de seu lugar no Universo, para que ele exerça suas capacidades físicas, intelectuais e psíquicas de forma plena, proporcionando, assim, a evolução espiritual – que é o significado da vida.
Sabemos que a Cabala não-ortodoxa usa coma instrumento a Árvore da Vida, que também pode ser representada pela Escada de Jacó (Gênesis 28), ou seja, o contato entre a matéria e o divino, para que compreendamos melhor todas as tarefas que somos capazes de executar e os principais aspectos de Deus. Trata-se de um gráfico composto de dez Séfiras ou círculos (logoi), além de um oculto, formando uma estrutura perfeita. Corresponde não só ao corpo humano, mas também a todos os assuntos com os quais podemos lidarem nossa passagem pelo Planeta Terra. Cada Sefirot está interligada e representa as relações de força ou de energias. São subdivididas em quatro mundos, ou estados criativos, que são: Atziluth, Briah, Yetzirah e Assiah.
Na Cabala, Deus é chamado de Ayin, que significa “Nada”, em hebraico. Deus é infinito, pois incorpora tudo que existe, existiu ou existirá.
A Cabala se ocupa de palavras, letras e dos seus valores numéricos. Cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico possui um valor numérico que varia de 1 a 400. Para Cabala, as equivalências numéricas não são coincidências. Para muitos cabalistas, a numerologia é uma ferramenta hermenêutica. Divide-se em três subpartes: Gematria, que é responsável pelo valor das palavras; Temurah, que consiste na combinação das letras de uma palavra com outras que podem alterar seu valor e significado e Notarikon, que se refere à arte dos signos.
A doutrina cabalista é sustentada por dois livros: o Sefer Yetzirah (O Livro da Criação) e o Sefer ha Zohar (O Livro do Esplendor).
A Cabala não é um processo meramente intelectual, ela combina razão com emoção, uma aceitação de que há uma parte de nós que é inseparável de nós mesmos.
Segundo o que está escrito no Sefer ha Zohar, o Criador é uma força infinita de compartilhar o bem. Sendo assim, chamemos tal força infinita de “Luz”, como a Luz do Sol.
Temos a convicção de que grandes homens utilizaram o estudo da Cabala para transformar seus caminhos em terreno fértil. Tomo ainda liberdade de citar, entre eles; Lorenzo de Médici, diversos papas, Marcilio Ficino, Ermolau Bárbaro, Cornelius Agrippa, Giordano Bruno, Johannes Reuchilin e, posteriormente, a própria Maçonaria, que sentiu profundamente a marca dos ensinamentos, dos influxos e da arcana sabedoria conservada e estudada pelo misticismo hebraico.
Que esse bem infinito se manifeste em nossa essência para que o Criador compartilhe conosco a Grande Satisfação que temos em Viver.
Aproveite a leitura deste maravilhoso trabalho e desvende você também os mistérios da Cabala por meio desta jornada! Agora, é com você, meu Irmão Arnaldo…

Wagner Veneziani Costa
Grande Secretário de Cultura e Educação Maçônicas do GOSP

Defesa Psíquica e Espiritual

Publicado por Gerente Editorial em 19 Set 2006 | sob: Madras, Livros, Defesa Psíquica e Espiritual

Prólogo

Nossa casa é um espaço sagrado, nela só adentra quem permitimos, ou seja, nossos amigos e nossos entes queridos, aqueles com quem temos afinidade. Podemos dizer que nosso corpo material é a morada sagrada de nossos corpos sutis, entre eles, o corpo mental e o espiritual, a aura e os chacras. Do mesmo modo que em nosso lar físico apenas são bem-vindos aqueles que nos são afins, também devemos permitir que só ocupem nossos “lares” espirituais, energias com as quais nos identificamos de maneira harmoniosa.
Com isso, quero dizer que, constantemente, nos sentimos ameaçados por forças invisíveis que querem ocupar nossos corpos sutis, deixando-nos, de certo modo, abatidos, fracos, irritadiços, enjoados, com aquela sensação de que “tem alguma coisa errada comigo”. Tudo isso é decorrência dos chamados ataques psíquicos e espirituais, tema que o autor MilleniuM, um dos mais respeitados ocultistas do Brasil, discorre, de maneira clara, objetiva e com seriedade, nesta obra inédita sobre o assunto em nosso país; razão pela qual sentimos imensa satisfação em editá-la.
O tema tratado em Defesa Psíquica e Espiritual abre espaço para muita discussão, pois muitos acreditam na existência dessas forças sobrenaturais maléficas e outros, não. Mas é fato que a maioria das pessoas já viveu uma situação similar à que discorremos anteriormente. Muitas vezes essas energias negativas que influenciam o comportamento de outrem não são intencionais; há situações em que as transmitimos sem perceber. Em contrapartida, há casos em que essas energias são disparadas com o intuito de prejudicar outra pessoa.
Sabemos que todos nós projetamos energia ou magia, e sua condição de negativa, positiva ou neutra depende da estrutura mental de quem a emite. Algumas mentes fracas ou invejosas são as piores agressoras, pois desconhecem sua capacidade de destruição, enquanto os iniciados em Ocultismo, por exemplo, já aprenderam a controlar o conteúdo de suas emissões energéticas.
Especialistas explicam que o principal sintoma sentido por alguém que está vivenciando um ataque psíquico é uma mudança radical de comportamento, ou seja, uma pessoa amável, simpática, dócil, pode se tornar seu oposto. Ela muda totalmente seu modo de vida, sem uma razão aparente para tal: abandona os amigos e familiares, tem pesadelos freqüentes, sente sono constantemente, perde a libido, quer ficar sempre sozinha, não quer sair para passear ou se divertir. A pessoa também pode, inesperadamente, sentir-se deprimida ou extremamente exausta. Nesse caso, deve-se atentar para não confundir exaustão energética com cansaço físico. Esses ataques podem ser emitidos tanto por pessoas encarnadas quanto por seres espirituais, que agem como verdadeiros vampiros que sugam as energias de outrem.
Portanto, atentem-se para as suas companhias, mantenham-se sempre vigilantes, para não permitirem que essas forças os peguem desprevenidos. É realmente não deixar que o inimigo adentre o nosso espaço sagrado para destruir as nossas forças vitais. Também não devemos criar condições de afinidades com essas energias, a fim de que não sejam atraídas para perto de nós. Para isso, são necessárias técnicas preventivas; algumas das quais você encontrará nesta obra, no “Caderno de Exercícios”.
Quero ressaltar, ainda, que existe no Universo, e a física comprova essa realidade, a lei de Ação e Reação. Portanto, antes de ao menos pensar em enviar um pensamento negativo contra seu semelhante, lembre-se de que existe um espelho à sua frente e que o primeiro a receber de volta essa vibração será você; ódio vai, ódio vem. E se, ao contrário, você perceber que algo de estranho está lhe acontecendo, como sentimentos destrutivos que não lhe são afins, rebata-os, imediatamente, dizendo: “Este pensamento não me pertence. Que ele volte para o seu legítimo dono”.
Nós, da Madras Editora, esperamos que este trabalho do ocultista MillenniuM possa ser uma contribuição à sua defesa psíquica e espiritual, para que você viva de forma mais tranqüila no seu dia-a-dia. Que ele seja um guia de direcionamento para o encontro com o seu equilíbrio, de modo que você receba em seu espaço sagrado apenas bons amigos.

Wagner Veneziani Costa
Editor

Encontre a Sua Própria Verdade

Publicado por Gerente Editorial em 19 Set 2006 | sob: Textos Publicados, Encontre a Sua Própria Verdade

Há pouco tempo, conheci uma bela lenda budista cuja moral da história é a seguinte:
Não importa qual é o problema nem qual é a sua aparência; pode ser lindíssimo, precioso, tentador… Mas se for um problema, precisa ser eliminado. Mesmo que se trate, por exemplo, de um homem maravilhoso, de uma linda mulher, de uma grande amizade ou de um grande amor que acabou. Por mais tentador que seja o acontecimento, se não oferecer mais um sentido concreto de existir ou representar um problema em sua vida, deve ser suprimido.
Muitas pessoas carregam por toda a sua existência o peso de fatos que significaram muito no passado, mas que, no presente, ocupam um espaço maior do que deveriam em seus corações e mentes. E esse espaço é indispensável para recriar, reorganizar, dar novamente encanto à vida. Existe um provérbio oriental que diz: “Para você beber vinho em uma taça cheia de chá é preciso primeiro jogar o chá fora para, então, beber o vinho”.
Em todo o nosso percurso, já que neste ano comemoramos dez anos, tentamos, de uma forma talvez um tanto cifrada, transmitir o quanto é importante a nossa transformação em seu sentido mais amplo.
Meus amigos, acreditem, devemos estudar constantemente e conhecer, de maneira profunda, nossa “anatomia” psíquica e espiritual, pois, sem nos conhecermos, torna-se impossível qualquer tentativa de mudança. Cada um de nós é um sacerdote da eterna aliança com o Ser Supremo; portanto, é chegado o momento de sermos detentores dos conhecimentos que libertam. Abramos nossas mentes para que façamos o contrário do que muitas instituições religiosas fazem: geram o medo, criam “pecados”, impõem uma verdadeira ditadura e um monopólio espiritual. Algumas vendem sonhos que não podem realizar, prometem terras que não existem, fazem do homem um profano e transformam a mulher em objeto de perversão.
Acredito que aqueles que são conscientes dessa realidade criam ao invés de destruir porque estão certos de que não são apenas uma parte do Todo, mas também são o Todo em si mesmos.
Partindo desse ponto, conhecendo e compreendendo quem é realmente esse “Eu”, nossas potencialidades tornam-se múltiplas e ilimitadas. Somos canais de forças vitais do Universo e, como ferramentas, podemos canalizar a energia sutil necessária para materializar nossos sonhos, pois creio que podemos ter acesso aos acervos da matéria-prima nos quais se operam as obras da Divindade, fonte de inúmeras possibilidades.
Temos de melhorar nossa sintonia para que despertemos o nosso “Eu” e entremos em contato direto com a Presença Divina que possuímos.
Vivenciamos tempos de grande competitividade; portanto, para se obter sucesso é necessário estar à frente dos concorrentes e trabalhar em alta performance, o que nos exige muita dedicação, atualização e visão de mercado. Requer também uma revisão de valores, um melhor aproveitamento de nossas capacidades intelectuais, emocionais, motoras e espirituais. E isso cabe a todos que fazem parte de uma equipe. Não adianta apenas um buscar o aperfeiçoamento, é necessário que toda a equipe acompanhe o seu líder na conquista de metas em comum.
Hoje, graças ao apoio que tive de todos vocês (amigos, Irmãs, Irmãos, fráteres, sorores, colaboradores, clientes e fornecedores), atingimos várias de nossas metas, conquistamos muitos de nossos objetivos e estamos, continuamente, realizando todos os nossos mais caros sonhos. Enfrentamos as constantes transformações com atitudes que julgamos serem as mais propícias diante dos princípios em que acreditamos; porém, jamais nos esquecemos da mais importante “pessoa” em questão: a nossa querida Madras.
Gostaria que todos aqueles que estão ligados à Madras, seja de forma direta ou indireta, estivessem mais conscientes de nosso trabalho e, principalmente, de nossa missão. O comodismo não pode fazer parte do nosso vocabulário. É necessário que nos posicionemos diante dos fatos que nos cercam, que tenhamos consciência de nosso estado de Ser. É preciso existir sempre a vontade de nos conhecer cada vez mais, de aceitarmos o papel de protagonistas de nossas próprias vidas e isso consiste em fazer escolhas que satisfaçam nossa maneira de ser e de sentir o mundo onde vivemos.
Partindo do pressuposto de que, para crescermos, é necessário nos transformar constantemente, sinto-me na obrigação de oferecer mudanças aos meus leitores, já que possuímos a maior editora de Ocultismo, Misticismo, Maçonaria, Magia, Wicca e Bruxaria. Portanto, sem perder o foco, entramos nos campos da História e da Filosofia, nos quais já conquistamos grande reconhecimento e expandimos nossos conhecimentos.
Para que o sucesso permaneça e novas conquistas surjam, é importante despertar. E sabemos o quanto é difícil nos darmos conta de que temos de despertar… Devemos, assim sendo, abrir a mente, renovar nossas idéias, crenças, esperanças, conceitos, sonhos e fantasias para dar lugar a uma nova “Verdade”. Nem tudo o que os olhos vêem representa a realidade. Temos, por exemplo, nos dias de hoje, a imprensa que detém o poder de manipular fatos e, conseqüentemente, manipular a grande massa, oferecendo ao público falsas versões de nossa História. Algumas verdades nos são omitidas para que não tenhamos acesso aos reais interesses do poder. A Revolução Francesa nos dá uma mostra clara dessa omissão que vem de muito tempo. Apesar dos grandes benefícios que ela trouxe para todo o mundo ocidental, há de se concordar que o lema “Igualdade, Liberdade e Fraternidade” não correspondia aos verdadeiros interesses da época, e Napoleão apontou uma outra verdade quando questionou: “Quem é que fez a Revolução?”, e ele mesmo respondeu: “A vaidade; a liberdade só foi o pretexto.”
Esses exemplos são apenas para ilustrar o quanto as pessoas se deixam levar por “verdades” impostas. Por isso, é preciso que cada um tenha vontade e determinação para encontrar sua própria “Verdade” e abrir a mente para refletir sobre diversos pontos de vista a respeito de um mesmo assunto. É preciso ser crítico.
Tenho uma imensa vontade de crescer. Todos os que nos acompanham sabem do estrondoso crescimento de nossa editora no mercado. Acredito que há muito mais o que fazer e conto com vocês, como sempre, pois estamos dispostos a publicar muitos outros livros de História, Templários, Arqueologia, Física Quântica, Filosofia, Magia, Religiões, Mitologia e livros infantis.
Também compramos mais de 90 títulos das mais diversas linhas editoriais e cerca de 40 obras que julgamos serem as mais completas sobre Maçonaria. Portanto, os amigos leitores têm a satisfação de encontrar nas livrarias obras como:
Hello Kitty — 5 volumes de autores diversos
O Grau da Marca, de David Mitchell
O Livro de Hiram, de Christopher Knight e Robert Lomas
Por Dentro do Arco Real, de Richard Sandbach
As Sociedades Secretas da Elite da América – Dos Cavaleiros Templários à Sociedade Skull and Bones, de Steven Sora
Nascidos do Sangue — Os Segredos Perdidos da Maçonaria, de John J. Robinson
Além da Maçonaria Simbólica, de Keith B. Jackson
Américas Antigas – As Grandes Civilizações, de Nicholas J. Saunders
A Arte do Kendo e Kenjitsu, de Darrell Max Craig
A Enciclopédia de Serial Killers — Um Estudo de um Deprimente Fenômeno Criminoso, de “Anjos da Morte” ao matador do “Zodíaco” , de Michael Newton
Os Enigmas do Vaticano — História Debatida e Comentada dos Mistérios mais Desconcertantes da Cristandade, de Alfredo Lissoni
A Filosofia de Rudolf Steiner — E a Crise do Pensamento Contemporâneo, de Andrew Welburn
O Reinado de Arthur — Da História à Lenda, de Christopher Gidlow
Pizarro — O Conquistador dos Incas, de Stuart Stirling
Rei Pirata — Coxinga e a Queda da Dinastia Ming, de Jonathan Clements
Os Templários — E o Pergaminho de Chinon Encontrado nos Arquivos Secretos do Vaticano, de Barbara Frale
Os Templários e a Arca da Aliança — A Descoberta do Tesouro de Salomão, de Graham Phillipps
Toque Quântico — O Poder de Curar, de Richard Gordon
Hierogramas de Moisés — Hilaritas, de A. Letere
O Templo e a Loja, de Michael Baigent e Richard Leigh
Ensaio sobre a História da Ordem dos Templários, de Édouard Fraissinet
Girando a Chave de Hiram, de Robert Lomas
A Máquina de Uriel, de Christopher Knight e Robert Lomas
Racismo em Mente, de Michael P. Levine e Tamas Pataki
O Governo Secreto — A História Oculta que Liga a Comissão Trilateral, os Maçons e as Grandes Pirâmides, de Jim Marrs
Notre Dame vs. a Klan — Como os Lutadores Irlandeses Derrotaram a Ku Klux Klan, de Todd Tucker
A Biblioteca Nag Hammadi – A Tradução Completa das Escrituras Gnósticas, de James M. Robinson
O Mistério de Sírius, de Robert Temple, entre tantas outras.
É com todo este trabalho que pretendemos atender a todos vocês; afinal de contas, a amplitude do pensar coloca a alma em sintonia com o mundo espiritual que, então, torna-se acessível à compreensão humana.

Eu sou
Wagner Veneziani Costa
Presidente da Madras Editora

Templo Maçônico

Publicado por Gerente Editorial em 18 Set 2006 | sob: Textos Publicados, Templo Maçônico

Introdução

Quando recebemos o convite para fazer a introdução da obra Templo Maçônico, do nosso Poderoso Irmão Jorge Barnsley Pessôa Filho, Grande Secretário do Patrimônio do Grande Oriente de São Paulo (2003-2007), ficamos muito felizes, não apenas por sermos escolhidos para essa tarefa, mas também por sentir que estávamos incentivando outros Irmãos a escreverem.
No início dos tempos da comunicação, havia uma pluralidade de sociedades, de cultura oral, vivendo fechadas em si mesmas. Cada tribo tinha sua própria linguagem e partilhava um contexto único. O conhecimento, limitado às lembranças dos mais velhos, era repassado, de geração a geração, apenas aos membros daquela comunidade. Com a escrita e, em seguida, com a imprensa, abriu-se uma nova perspectiva, universal, de comunicação e difusão de conhecimentos. Os “mais instruídos”, autores dos livros, repassavam sua visão particular do mundo, influenciando a todos e difundindo suas idéias a quem tivesse a oportunidade de ler suas obras.
A escrita trouxe uma nova perspectiva para a comunicação, já que, nas sociedades orais, seus participantes (emissor e receptor de mensagens) partilhavam do mesmo contexto, isto é, a comunicação ocorria, por meio da linguagem, no mesmo tempo e espaço em que ambos se encontravam. A comunicação baseava-se nas lembranças das pessoas, em especial, em sua memória auditiva. Os membros das sociedades sem escrita exploravam ao máximo os artifícios, como dramatizações, rituais, danças e músicas, como forma de transmitir e perpetuar acontecimentos e histórias que consideravam relevantes. Não havia, entretanto, qualquer garantia de que a mensagem oral seria a mesma após vários estágios de transmissão.
Mas ingressemos ao tema desta obra…
Templo, do latim templum, é o edifício consagrado a um culto religioso e, figuradamente, significa lugar respeitável, lugar sagrado; locais onde se reúnem os obreiros em nome do Incognoscível, o Criador de todas as coisas. É também um lugar sagrado onde se celebram instruções e cerimônias. Um templo Martinista, por definição, é um lugar respeitável, uma vez que o Martinismo não é um culto religioso, nem uma seita religiosa. Porém, todo Martinista é encorajado a ter uma religião, seja ela qual for. Assim também é a Maçonaria, que só aceita em seus Quadros homens que acreditem em um Ser Supremo.
Algumas tradições religiosas dedicam nomes específicos para seus templos: igreja ou catedral, no caso do Cristianismo; mesquita, no caso do Islamismo; pagode, no caso do Budismo; pathi, no caso do Ayyavazhi; sinagoga, no caso do Judaísmo; terreiro, no caso do Candomblé, do Batuque, do Xambá e da Umbanda.
No início de sua história mística, o homem usava, para as suas orações, o alto das montanhas, ou o refúgio sob as árvores de bosques e florestas. Os templos só surgiram na época em que, nos locais tradicionalmente destinados ao culto religioso, foram murados para proteção, permanecendo descoberta a parte de cima, para que, de seu interior, fosse possível ver os céus, já que, desde os primitivos tempos, considera-se que é nos céus que residem os deuses. E isso não é estranho, quando se considera que os primeiros deuses da humanidade eram os astros visíveis no firmamento (Sol, Lua, Mercúrio, Marte, Vênus, Júpiter e Saturno).
Os primeiros templos surgiram na Mesopotâmia, “terra entre rios”, situada entre os rios Tigre e Eufrates, mais precisamente entre os sumerianos, por volta do IV milênio a .C., atingindo o seu apogeu na época dos babilônios. Os primitivos templos mesopotâmicos, feitos de tijolos secos ao sol, eram bastante simples, tendo a estátua do deus contra a parede do fundo e cercados pelas demais paredes, sem teto. Os mais importantes templos, todavia, foram os da Babilônia, que eram em forma de zigurate; o grande templo era o do deus Marduc, chamado de Esaguil, “casa do teto alto”, flanqueado, ao norte, pela torre em degraus, o zigurate, chamado Etemenanqui, “templo dos fundamentos dos Céus e da Terra”, e conhecido pelo nome de “Torre de Babel”, cuja base era um quadrado de 91 metros de lado e cuja altura também era de 91 metros. Essa torre, destruída pelo rei assírio Senaqueribe, foi refeita por Nabopolassar e seu filho Nabucodonosor.
Os templos egípcios, que surgiram depois, tiveram sua expressão maior no Novo Império, a partir de 2200 a. C., aproximadamente, e obedeciam a um esquema invariável: havia uma alameda processional cercada, de cada lado, por uma fileira de esfinges, conduzindo à porta de acesso, situada entre suas colunas e por meio da qual se chegava a um pátio interno e, em seguida, ao santuário. Os templos egípcios eram a representação da Terra, da qual brotavam as colunas, como gigantescos papiros, em direção ao céu estrelado. No início, o próprio céu, nos templos descobertos; depois, um teto imitando a abóbada celeste.
Os templos egípcios e babilônicos influenciaram, evidentemente, os templos hebraicos, inclusive o lendário grande Templo de Jerusalém, ou Templo de Salomão, que viria a ser o arquétipo das igrejas. Mas foi com os gregos que a construção de templos se tornou a mais alta expressão da arquitetura antiga, desenvolvendo, nela, formas e estilos que refletem, de maneira objetiva e exemplar, a essência da antiga arte de construir.
Influenciando todas as culturas posteriores, o templo grego é, essencialmente, a habitação do deus. O seu núcleo é a cela, erigida para o deus e para a sua presença em forma de imagem; com a configuração de um retângulo alongado e uma larga porta aberta em um dos lados menores. A cela tem a estrutura fundamental da casa grega, o Megaron. A forma básica do templo grego, determinado por um eixo longitudinal e desenvolvendo-se, equilibradamente, a partir desse eixo, adquire isso, mais tarde, de maneira secundária em relação à sua finalidade, uma orientação, segundo a qual a porta do Leste, ou Oriente, dá acesso à cela, de maneira que a imagem cultual do deus apareça, em frente a ela, a Oeste, ou Ocidente. Com equilíbrio, o recinto interior é dividido por duas filas de colunas interiores, em nave central, ampla e dominante, e duas naves laterais, mais estreitas, de cada lado. O Megaron tem um vestíbulo, constituído pelo prolongamento das paredes mais compridas do quadrilátero, que são reforçadas na parte anterior, “antas”, tendo, entre elas, duas colunas formando o átrio.
Nos templos Martinistas, observa-se diversas configurações, uma vez que há diferenças ritualísticas entre as distintas Ordens. As organizações mais relacionadas e identificadas com a Maçonaria possuem uma estrutura física parecidas com essas, ou seja, um direcionamento Oriente/Ocidente ladeados por pontos cardeais simbólicos, norte e sul. No ritual de Teder, por exemplo, a estrutura é quase uma cópia de uma Loja Maçônica.
Em média, os Templos ou Lojas Martinistas possuem a mesma configuração; a decoração baseia-se em três cores básicas: preto, vermelho e branco. Geralmente são simples e sem nenhum tipo de ostentação material. Há uma estação dedicada aos Mestres do Passado, o Pantáculo Martinista instalado no Oriente, ou sobre uma cadeira, e ao centro, uma mesa quadrada ou redonda, com três velas simbolizando as colunas simbólicas do templo.
Segundo José Laércio do Egito, como é conhecido, “Salomão foi um INICIADO nos Mistérios Menores e Maiores da Escola Iniciativa de Memphis, no Egito. Os Mistérios Menores envolviam todos os conhecimentos históricos e científicos da humanidade, mas somente com os Mistérios Maiores é que o postulante aprendia o domínio da mente. Além do conhecimento já existente nas Escolas de Mistérios de Memphis, Salomão dominava magistralmente os ensinamentos da Cabala Hebraica e, especialmente, pelo seu saber inato, saber que ele tinha em si mesmo, que trazia consigo mesmo, pois sua consciência era uma projeção da Consciência Cósmica na Terra.
Exatamente por ser detentor de conhecimentos ocultos, especialmente aqueles ligados à Cabala, Salomão foi aceito como o protetor dos magos. É tido como o rei da magia, das ciências ocultas, do hermetismo, etc. Por meio desses conhecimentos ele se impõe aos cultivadores das doutrinas secretas, das diferentes formas de magia, da Maçonaria e de quase todas as sociedades e doutrinas secretas do Ocidente. Como um dos principais reis de Israel, ele chegou a ponto das grandes religiões do Ocidente, como o Islamismo e muitas Igrejas Cristãs, tê-lo no mais elevado conceito.
Dizem os cabalistas que Salomão foi o maior entre os maiores conhecedores dessa ciência. Ele detinha, segundo todas as fontes de informações, um poder incrível sobre as forças da Natureza. Assim, o grande poder de Salomão dominava todos os gênios da Natureza. Diz a tradição que ele impunha a sua vontade sobre todos os ‘demônios’”.
Uma das maiores obras de Salomão foi a construção do Templo de Jerusalém. No templo, ele introduziu a Arca da Aliança (1Rs 8: 1-13); abençoou a assembléia de Israel (1Rs 8: 14), fez suas orações (1Rs 8: 15-52), ofereceu sacrifícios com todo o povo, exercendo as funções sacerdotais (1Rs 8: 62-66).
O Templo de Jerusalém (em hebraico kythmqrc, beit hamiqdash) é o nome dado ao principal centro de culto religião do antigo povo de Israel, onde se realizavam as diversas ofertas e sacrifícios conhecidas como o korbanot.
O Templo de Jerusalém situava-se no Monte Moriá, também chamado Monte do Templo, ao norte do Monte Sião. Foi o sucessor do Tabernáculo construído pelo profeta Moisés, segundo uma revelação Divina. O Monte do Templo, em hebraico: Har Habait; em árabe: Haram esh-Sharif, o Nobre Santuário, local do Primeiro e do Segundo Templo, é identificado tanto na tradição judaica quanto na muçulmana como o Monte Moriá, onde Abraão (AbRam – da Escola de Rama) ofereceu seu filho Isaac em sacrifício (Gênesis 22:1-18; Alcorão, Surata Al-Safat 37: 102-110).
De acordo com a tradição judaico-cristã, o primeiro templo teve a sua construção iniciada entre o terceiro/quarto ano do reinado de Salomão e foi concluído sete anos depois. Foi saqueado várias vezes e acabou por ser totalmente incendiado e destruído por Nabucodonosor II, em 587 a.C..
O segundo templo foi reconstruído durante a dominação persa, no mesmo local. Sofreu modificações com rei Herodes, o Grande. Acabaria também por ser destruído em 70 d.C., desta vez pelas legiões romanas comandadas pelo general Tito. Desse templo, atualmente só restou o que conhecemos como o Muro das Lamentações.
Era uma empresa régia, o lugar da representação do rei e de Deus, venerado por ele, mas eram os santuários menores que davam plena garantia de fidelidade às tradições religiosas de Israel. Salomão mandou construir seu palácio igualmente descrito em seus mínimos detalhes: origem, mobília e natureza do material de construção, equipe de trabalho, etc.1Rs 9:15-24 fala de outras construções, como o aterro chamado de Melo, onde se encontravam o palácio e o templo, o muro de Jerusalém, a fortificação das cidades de Hasor, Meguido e outras. As notícias sobre o recrutamento para o trabalho são contraditórias. Segundo 1Rs 5: 27, todo o Israel era recrutado como mão-de-obra escrava, causa da ruptura posterior entre Israel e Judá (1Rs12: 3-4, 14-16). Salomão criou 12 distritos administrativos para sustentar a corte durante os 12 meses do ano.
Diversos cultos surgiram em adoração ao Sol e a seus ciclos, decorrentes da observação do levantar e do pôr-do-sol, bem como de suas posições de apogeu diário. Surgiram monumentais construções astronômicas na Antiguidade para melhor compreensão dos mistérios celestes, como Stonehenge, a grande pirâmide de Gizé, Chitzen Itza, Machu Pichu e outras. Os antigos tinham a Natureza como se fosse um grande templo onde habitava o Grande Regente, o Grande Espírito Diretor, que castigava ou premiava seus vassalos de acordo com seus méritos.
Com a evolução da arte da construção, os homens passaram a representar a Natureza e seus fenômenos em sua arquitetura e em seus ritos. As construções sagradas sempre procuraram exaltar e representar a Natureza com suas leis e princípios. Por meio da Geometria Sagrada, os construtores iniciados da Antiguidade procuravam em suas obras manter a harmonia e a beleza que existem na Natureza, resultado da obra do Grande Arquiteto do Universo. Esses construtores constituíram um grupo especial dentro da sociedade comum, pois detinham os grandes conhecimentos das leis naturais e sabiam como aplicá-las em suas obras.
Sob o arquétipo dessa classe de sábios iluminados é que a Maçonaria fundamentou sua doutrina, por meio da alegoria da construção do Templo de Jerusalém, idealizado por David e executado por seu filho, Salomão, com a cooperação dos artífices fenícios, de onde apareceram as figuras de Hirão, rei de Tiro, e do arquiteto Hiram Abiff. Como conseqüência imediata, todos esses elementos vieram a ser agrupados na Maçonaria Especulativa, para simbolizar o grande trabalho que o maçom, como construtor de si mesmo, deve realizar.
Vemos que a Maçonaria é uma das ordens rituais que preservou essa tradição da longínqua e trabalhosa evolução do espírito humano, desde seu primórdio na Terra.
O Templo Maçônico é a representação da Natureza, e seus rituais estão repletos da simbologia pagã dos fenômenos da Natureza. A orientação do Templo se faz de acordo com os pontos cardeais e em referência com o nascer, zênite e pôr-do-sol. Os oficiais dirigentes de uma Loja são denominados Luzes, como verdadeiros representantes do Sol em seus diferentes pontos na evolução diária. Estão colocados nos pontos cardeais correspondentes ao nascer, no Oriente ou Leste; no ocaso, no Ocidente ou Oeste; e no seu apogeu ou zênite, no Sul.
Cabe aqui uma explicação. Como a Maçonaria originalmente se desenvolveu no Hemisfério Norte do planeta, o Sol, em sua caminhada diária pelo céu, levanta-se no Leste, passando pelo Sul, de quem se acha no Hemisfério Norte, para se pôr no Oeste. Por essa razão, o Norte é considerado como região das trevas ou menos iluminada no Templo; lá não se encontra nenhuma das luzes.
Astronomicamente, a região menos iluminada para nós, que estamos no Hemisfério Austral, é o Sul. A Maçonaria no Hemisfério Sul conserva o simbolismo como no Hemisfério Norte, uma vez que de lá herdamos suas tradições.
Os antigos observaram também que o Sol não nascia todos os dias, durante o ano, no mesmo lugar. No transcorrer do ano, nascia em posições diferentes, como que em um bailado ou serpenteado em torno de um ponto central. Marcaram com colunas de pedra os pontos de maior afastamento que o Sol alcançava de um lado e de outro, resultando, imediatamente, o ponto central do bailado do nascer do orbe solar. Por meio dessas colunas, o observador podia verificar as estações do ano e os pontos de solstícios e equinócios e, assim, poderia rogar aos deuses do período a proteção às suas famílias e criações.
A tradição dessas duas colunas está também em nossos Templos, nas colunas J e B, que representam os pontos solsticiais. Por entre elas passam todos aqueles que, ansiosos pela Luz ou conhecimento solar, procuram, no espelho da natureza templária, identificar-se com os mais altos princípios do Universo.
Os trabalhos maçônicos começam ao meio-dia e terminam à meia-noite, sendo mais uma alusão ao princípio da Luz e Trevas que está sob a influência solar. Há uma antiga tradição que nos fala que Zoroastro utilizava esse sistema de trabalho em sua escola, começando ao meio-dia e terminando à meia-noite. Convém lembrar que Zoroastro, ou o Zero Astro, é o mesmo Sol, que tem seu fulgor máximo ao meio-dia e sua decrepitude máxima à meia-noite.
Os antigos consideravam o período do meio-dia à meia-noite propício às coisas do espírito, enquanto que da meia-noite ao meio-dia, propício para as coisas da matéria. Isso porque da meia-noite ao meio-dia cresce a influência objetiva do Sol, enquanto que do meio-dia à meia noite cresce a influência subjetiva do astro-rei, propiciando assim os estudos espirituais.
O Sol está representado em nosso Templo e nos rituais sob muitas maneiras, cada qual se referindo a um de seus aspectos. Temos o Sol no altar do Venerável Mestre, como no teto da Loja, como está implicitamente representado na circulação do Mestre-de-Cerimônias em Loja. No altar do Venerável Mestre, acha-se o Sol acompanhado de sua parceira, a Lua. Nesse assunto existem muitas controvérsias sobre qual é a posição correta de cada um dos luminares em relação ao trono.
O Templo representa o Universo e também a própria figura humana. Como os dois luminares são representantes fidedignos da polaridade lateral dos hemisférios, tanto terrestre e celeste como do próprio homem, e tendo ainda por princípio que o Sol representa a Razão enquanto que a Lua, a Emoção, notamos que na maioria dos Templos as posições dos dois luminares obrigam a que o homem representado pelo Templo esteja de bruços, posição negativa, ao invés de decúbito dorsal, que é uma posição positiva. Por outro lado, a posição do Sol no lado Sul está em correspondência com o simbolismo dos hemisférios, já descritos. De qualquer maneira, o importante é notar que o Sol, nessa posição, mantém-se em equilíbrio com a Lua na divisão dos hemisférios da Loja, e representam os princípios da polaridade universal.
O Sol, no teto da Loja, acha-se no Oriente, e está representando, no cenário do sistema celeste do plano horizontal do teto, o Rei da Evolução e comandante do nosso sistema. Geralmente, está acima do Altar dos Perfumes, como a indicar que é ele que, diariamente, vem perfumar a Natureza com seus fulgurantes raios. Representa também o poder de iluminar da sabedoria do Venerável Mestre, que comanda a luminosidade da Lua que está acima do Primeiro Vigilante e da Estrela Flamejante do Segundo Vigilante.
A circulação do Mestre-de-Cerimônias em Loja representa a translação aparente do Sol em relação à Terra, simbolizando, portanto, o próprio Sol nesses momentos, enquanto os demais obreiros possuem sua representação planetária própria.
Como vemos, inúmeros são os exemplos que constam em nossos rituais sobre a tradição simbólica pagã na Natureza, e por demais extenso seria aqui relatar todos.
A Maçonaria exalta na sua ritualística a grandiosidade da Natureza e seus elementos, e mister se faz que o obreiro se torne consciente desses princípios, para trabalhar em harmonia com a Natureza Universal, alcançar a Sabedoria, a Força e a Beleza de sua natureza interior. Dessa forma, notamos que na Maçonaria se funde a tradição pagã com a Arte Construtora Sagrada, e a tradição hebraica aliada à lenda do construtor, na figura de Hiram Abiff. Assim, nossa ritualística toma um caráter judaico-hiramítico-pagão.
Deve o maçom especulativo, iluminado pelas leis judaicas expressas no Livro da Lei, sob o modelo da alegoria do Construtor Sagrado e auxiliado pelos conhecimentos pagãos da Antiguidade, erguer o Templo Interno de sua personalidade, a fim de abrigar a Individualidade Superior para a Glória do Grande Arquiteto do Universo.

Wagner Veneziani Costa
Grande Secretário de Cultura e Educação Maçônicas do GOSP

História do Ganesha

Publicado por Gerente Editorial em 12 Set 2006 | sob: Textos Publicados, História do Ganesha

por Wagner Veneziani Costa

Ganesha pertence à família dos deuses mais populares do Hinduísmo. Ele é o primogênito de Shiva e Parvati. Shiva é a terceira pessoa da trindade hindu. É o Deus da renovação, destrói para construir algo novo (transformação). Ele é o criador da Yoga. Parvati é a filha dos Himalayas. Deusa da beleza, mãe bondosa e mulher devotada. Shiva tem alma aventureira e adora viajar montado em sua vaca branca Nandi. Infelizmente, os lugares que ele mais gosta são as montanhas inacessíveis e perigosas. Adora também os crematórios, mas sua paixão é a meditação e a Yoga. Quando pratica a Yoga, nem mesmo um terremoto o perturba.
Por algum tempo depois de seu casamento com a bela Parvati, vivendo em um bangalô no Himalaya, longe da civilização, Shiva começava a sentir falta de suas viagens; foi quando Parvati, já desconfiada, pergunta-lhe:
— Shiva, por que não viaja por uns tempos? Não sente saudades dos seus companheiros?
— É que quando estou perto de você, não sinto falta de nada. E, na verdade, todos os meus companheiros estão em torno da casa, eles nunca se afastam de mim. Eu não quero assustá-la, mas todos os fantasmas, demônios e gnomos, apesar de estarem invisíveis e quietos, estão presentes. Espero apenas que não peça para mandá-los embora, pois são como crianças e sabem o quanto lhe amo.
— Claro que não Shiva, podem ficar. Mas e a sua meditação? Ela era sua maior ocupação.
Shiva, no fundo, sabia que ela estava certa e que tinha muita saudade das montanhas, onde sentava para meditar. E sabia que fora pela meditação que conseguiu se transformar em um Deus tão poderoso. Shiva então, depois de uma longa conversa, decidiu sair para meditar. Feliz, coloca sua pele de tigre na cintura, enrola suas cobras favoritas no pescoço, apanha seu tridente e sai montado em sua vaca, Nandi, seguido de seus estranhos companheiros. Mas não podemos nos esquecer de que quando Shiva medita, é impossível despertá-lo. E foi isso que aconteceu. Muito tempo se passou quando, finalmente, Shiva levantou-se da posição de lótus, lembrou-se de sua Parvati e correu de volta para ela. Nesse ínterim, Parvati transformara aquela simples choupana num lugar muito confortável e bonito. E não ficou sozinha por muito tempo. Shiva não sabia, mas a tinha deixado grávida. E, no tempo certo, deu à luz um lindo bebê, Ganapati. Os anos passaram-se, o deus bebê cresceu e se transformou num rapazinho muito inteligente. Numa manhã de primavera, Parvati estava tomando banho enquanto Ganapati se mantinha perto do portão, aguardando sua mãe. Nesse instante, um homem alto, com cabelos longos, um monte de cobras enroladas em seu pescoço e vestido com uma pele de tigre e uma aparência selvagem, aproxima-se do portão.
Shiva parou e olhou com estranheza para o bangalô. “Será que esta casa linda era mesmo a sua? E quem seria aquele rapaz parado no portão?”
— Deixe-me entrar! — disse Shiva, impaciente e descortês.
— Não — respondeu Ganapati — você não pode entrar!
Empurrando o rapaz para o lado, Shiva atravessou o jardim e foi direto para casa. Ganapati sabia que sua mãe estava tomando banho, e aquele homem rude não poderia entrar em sua casa. Ele correu e se postou à porta, de espada em punho. Pobre menino! Que hora mais infeliz para provocar a ira do pai! E Shiva, nesse momento, perdeu completamente as estribeiras, e seu terceiro olho, o do poder, apareceu no meio de sua testa, brilhando como fogo, e em segundos o corpo do rapaz jazia sem cabeça no chão. Ouvindo vozes e gritos, Parvati apressou-se e saiu correndo do banho. Ao abrir a porta, viu horrorizada o corpo do filho estendido sem cabeça; e em sua frente, o marido, que há tanto se fazia ausente. Shiva corre para abraçá-la; e ela, desviando-se do abraço, chora amargamente.
— Mas o que você fez? O que você fez? — Ela repetia, torcendo as mãos em desespero. — Este era o seu filho, e você o destruiu!
Só então Shiva caiu em si e se entristeceu de verdade. Logo tentou confortá-la:
— Nosso filho é um Deus; portanto, não pode estar morto. Encontra-se apenas desmaiado. Mas Parvati não queria ouvir nada daquilo e lhe disse:
— Você o destruiu! De que serve um Deus sem cabeça?
Shiva tentou da melhor forma que podia dizer-lhe que não tinha feito nenhum mal ao rapaz. Parvati insistia com Shiva para que ele colocasse a cabeça de seu filho no lugar, mas Shiva dizia que não podia desfazer o que já estava feito. E Parvati chorava muito… Então Shiva teve uma idéia: capturar o primeiro animal que encontrasse e tirar sua cabeça para colocá-la sobre os ombros de seu filho. Foi quando encontrou um elefantinho bebê, tirou sua cabeça e a colocou em Ganapati; e naquele momento, o nome do rapaz passou a ser Ganesha. Parvati tentou de diversas formas mudar o acontecido e pedia para outros Deuses que dessem ao seu filho uma cabeça decente.
Então os deuses pediram à linda Parvati que secasse suas lágrimas e tudo se resolveria. Brahma, que adora as crianças, Vishnu e Indra pediram a Parvati que perdoasse Shiva, pois ele não sabia o que estava fazendo e deixaram bem claro que Ganesha não perderia nada com isso. Apesar de não ser mais tão atraente, todos o reconheceriam pela sua bondade e o amariam pelo que ele era. Brahma prosseguiu:
— Ganesha será o Deus da sabedoria, será o Escrivão dos céus e o Deus da literatura.
Acrescenta, Vishnu: — Será o Deus que removerá todos os obstáculos, e será para Ganesha que todos rezarão em primeiro lugar, antes de invocar qualquer outro Deus. Será o Deus que sorrirá com boa fortuna para todas as novas empresas.
E foi assim que tudo aconteceu…

A Simbologia do deus Ganesha

Ganesha significa “Senhor de Todos os Seres”. É filho do Senhor Shiva, a “Realidade Suprema”, e de Parvati, a “Mãe do Cosmo”. Seus sinais sobre a testa representam as três dimensões: a região inferior, a Terra e o Paraíso. Suas orelhas simbolizam a grande sapiência da educação espiritual. Seus olhos enxergam além da dualidade, o espírito de Deus em cada um. Sua tromba indica capacidade intelectiva. Suas presas representam os mundos material e espiritual, negativo e positivo, Yin e Yang, forte e fraco. Sua enorme barriga indica capacidade de “ingerir” qualquer experiência, representando também a abundância. Seus braços representam os quatro atributos do ser: mente, corpo, intelecto e consciência. Em sua mão direita (acima), carrega uma machadinha, que decepa os apegos do mundo material; na outra (abaixo), o sinal do OM, que abençoa com prosperidade e destemor; na mão esquerda (acima), o laço significa a fertilidade, a própria natureza; na outra (abaixo), gadu, um doce feito de grão-de-bico com açúcar granulado ou doce-de-leite com arroz, que representa a satisfação e a plenitude do conhecimento. O rato significa que devemos ser astutos e diligentes em nossas ações. A serpente é o símbolo da energia física, guardiã dos segredos da Terra. Assim, Ganesha é o Mestre do Conhecimento, da Inteligência e da Sapiência. É aquele que proporciona a potência espiritual e a inteligência suprema. É o grande Removedor dos obstáculos, Guardião da Riqueza, da Beleza, da Saúde, do Sucesso, da Prosperidade, da Graça, da Compaixão, da Força e do Equilíbrio.

GANESHA SHARANAN, SHARANAN GANESHA
GANESHA SHARANAN, SHARANAN GANESHA

Lições de Tai ji Jian com Espada

Publicado por Gerente Editorial em 11 Set 2006 | sob: Textos Publicados, Lições de Tai ji Jian com Espada

Prefácio

De todas as armas criadas e produzidas pelo homem, a que mais me fascina é a Espada. Não somente quando analiso seu critério prático, mas também quando observo sua beleza artística e sua dimensão espiritual. A espada, como símbolo, evoca vários aspectos que vão do mítico ao místico, ao social, ao mental, ao cívico, ao cultural, ao espiritual, sempre relacionada ao conceito de poder, de comando. Vejamos como isso ocorre:
A espada é um veículo da Alta Magia, que se processa pela condensação de fluidos da natureza. Afinal, para nós, tudo na natureza possui vida, ou seja, essência.
Na Magia, a espada age como condensadora de energias porque possui um corpo de força, um gerador de formas energéticas benéficas. De sua Sagrada Lâmina de Aço, gera ondas concêntricas com diversos poderes, até mesmo de cura. Quando emprego minha espada física na Magia, sei do seu poder e uso-o a fim de lidar com espíritos malévolos. Ao empunhar minha espada, os seres das Trevas se escondem, pois ela é emblema dissipador das trevas e da ignorância.
Na Maçonaria, é marcada por forte dose mística e de semiótica, ou simbólica. Trata-se de um acessório muito usado nas cerimônias maçônicas como símbolo de poder, autoridade, proteção e defesa. Leadbeater (1847-1934) considera a espada, do ponto de vista esotérico, como “poderoso instrumento de amor na magia prática do ritual”.
Já a espada flamígera (flamejar é lançar chamas, brilhar, luzir, resplandecer) tem o papel de despertar a Consciência do Iniciado. É um momento muito especial, de beleza mística e de grande emoção. É quando é dado o tinir de seu mantra maravilhoso; esse sim faz vibrar os nossos corpos, irradiando um foco de Luz cósmica.
Na Bíblia, a espada é citada por diversas vezes, mas a cena que mais nos impressiona é a de Abraão, que, seguindo as ordens de Deus, leva seu filho Isaac para ser imolado. Outra passagem marcante é a de Simeão e Levi, que entraram com a espada em punho na cidade de Sichem e massacraram todos os habitantes. Os taoístas consideram-na como símbolo do raio luminoso ou cósmico, que pode desintegrar todas as coisas e até mesmo concorrer para que o corpo físico se transmude em corpo sutil.
Essa arma de dois gumes mostra-nos a dualidade dos pólos, que são as duas extremidades do eixo e dos dois hemisférios. Sua ponta angular funciona como uma espécie de pára-raios espiritual, bem como defesa contra os eflúvios negativos. As correntes magnéticas e astrais que percorrem seu corpo em duas direções, como se ela compusesse um Solenóide, podem ser notadas quanto à potencialidade contida na espada, portadora de fluidos altamente sutilizados e benéficos.
A espada sempre esteve presente na história da Humanidade, seja como arma de um samurai, ou como símbolo de poder e de status. Companheira constante dos guerreiros, gladiadores e soldados, representava para eles a Paz, guerra, construção e destruição. Esses homens conheciam perfeitamente o lado técnico e o espiritual da espada.
Na Justiça, ela tem o conceito de base e equilíbrio, de defesa e ataque, de força e poder. É considerada a perfeição, o rigor, a razão, o conhecimento e a sabedoria.
No esporte, o Jogo de Esgrima, com sua elegância, traz ricos ensinamentos éticos, educa e disciplina as atitudes, fortalece a vontade, conferindo ao adepto energia, determinação, coragem e firmeza de atitudes.
Na literatura, os personagens transfundiam seu poderoso magnetismo. Não podemos deixar de citar as obras de Alexandre Dumas, como O Conde de Monte Cristo, Os Três Mosqueteiros, Vinte Anos Depois, Visconde de Bragelone, A Rainha Margot, Tulipa Negra e Memórias de um Médico. Outro grande escritor francês que desenrolava romances engenhosos, ficção com aspectos históricos altamente atraentes, era Michel Zevaco, com mais de 60 obras escritas, entre elas, A Ponte dos Suspiros e Les Pardaillans.
Além de Dunas e Zevaco, a maioria das pessoas já ouviu falar de Cirano de Bergerac, personagem da peça teatral de Edmond Rostand. E como estes, a arma de aço fino e perigosa inspirou muitos outros autores que ornam a história da literatura mundial, dos quais um deles foi Rafael Sabatini, que, em seus livros de aventura, descreve extraordinários espadachins: Capitão Blood, O Falcão dos Mares e Scaramouche.
Vale ressaltar que a espada é, também, símbolo do verbo ou da palavra, com seu duplo poder criador e destruidor. Eu não poderia falar em espada sem dar ao menos uma pincelada a respeito da presença desse poderoso objeto no Japão. Lá, essa arma conquistou um alto nível de respeito; mesmo hoje, ela não perdeu suas características fundamentais de ponto de irradiação da honra. Sabe-se que o samurai é considerado um defensor dos fracos e das mulheres, tem coragem ilimitada, é um bravo; enfim, um homem que vive em função de sua honra e missão. Ele é seguidor do Bushido* (o caminho do guerreiro), um código muito rígido. A obediência é a coluna fundamental dessa moral.
Muitos foram os homens que adquiriram notabilidade, não apenas no combate à espada, mas também em suas incríveis minúcias na fabricação dessa arma. Dentre diversos ferreiros famosos de espadas, destaco: Masamune de Sagami, cujas peças de sua autoria valem 20 mil Yens; Amakuni é outro, hoje suas espadas custam 35 mil Yens; temos ainda Muramasa, de Ise; o valor de suas espadas chega a 2 mil Yens.
Quanto ao combate, houve um fenômeno que se chamava Sinmen Nusahi No Kami Fujiwara, conhecido apenas como Miyamoto Musashi, ou, ainda, como “Kensei” ou “Santo da Espada”. Quatro caminhos lhe eram importantes: o do guerreiro, o do agricultor, o do artesão e o do comerciante.
Musashi escreveu uma obra, O Livro dos Cinco Anéis** , voltada para os que querem aprender a estratégia que atravessou os séculos e é lida até hoje, pois executivos buscam orientação prática para o exercício dos negócios. Os cinco anéis de seu livro são: Terra, Água, Fogo, Ar e Tradição (vento). Uma obra que recomendo a todos.
Neste Lições de Tai Ji Jian, o amigo leitor conhecerá mais uma finalidade da espada: o seu efeito benéfico para o bem-estar e a saúde do ser humano, por meio de 32 exercícios que são feitos com o uso deste poderoso instrumento.

Wagner Veneziani Costa

Virtudes e Vícios

Publicado por Gerente Editorial em 08 Set 2006 | sob: Editor, Virtudes e Vícios

“Vencer minhas paixões levantando Templos à Virtude e cavando masmorras ao vício, eis o que viemos aqui fazer”.
“Do Caos à Ordem; Da Obscuridade à Luz.”

Seria tarefa simples falar de virtude e vício em sentido literal, bastaria para isso dar o sentido filológico; mas falar de virtude e vício em sentido filosófico e maçônico já se torna uma tarefa nada fácil.
A Maçonaria não é uma religião, nem um partido, nem uma igreja; todavia ela põe no caminho, ela desperta. Não oferece a nós, membros, uma verdade definitiva, imutável, dogmática, fazendo representar o livre exercício da tolerância. Assim, aprendemos a nos interrogar, recolocarmo-nos em questão. Graças a esse fator de progresso descobrimos não só o caminho do conhecimento, mas também da ordem que deve reinar, tanto no domínio material como espiritual, facilitando assim, com que o homem desenvolva suas virtudes. E é por meio dos processos (rituais; contatos humanos, conhecimento, disciplina, etc.) que o homem adquire sua real personalidade.
A virtude é uma passagem da paixão para ação e meditação, uma externa e a outra interna, onde o homem se revela a si mesmo, ultrapassando seus próprios limites, seu eu. O ser interno, nossos sentimentos, atos e pensamentos. Capacidade ou potência própria do homem de desenvolver suas qualidades naturais. Entendo que virtude é uma característica de valoração positiva do indivíduo, uma disposição geral e constante da prática do bem, isto não quer dizer que um homem de virtudes seja altruísta ou filantropo, embora tenha uma tendência de o ser. Um homem de virtudes tem o hábito de cumprir as leis e obedecer aos costumes da sociedade em que vive; ser socialmente correto, honesto, justo, paciente, sincero, compreensivo, generoso, prudente, possuir coragem e perseverança.
Portanto, Maçonaria para mim é uma escola, pois permite-nos controlar nossas paixões, fazendo com que tenhamos o domínio do nosso “EU” e respeitemos o próximo.
Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Mas não basta falarmos, temos que experimentá-la. Os mais variados tipos de virtude têm que ser experimentados, vividos… compreendidos, pelo menos intelectualmente. Assim como Spinoza, “não creio haver utilidade em denunciar os vícios, o mal. Para que acusar? Isso é a moral dos tristes e uma triste moral.” A primeira e fundamental parte da virtude é a verdade, como dizia Montaigne, “A verdade condiciona todas as outras e não é condicionada, em seu princípio, por nenhuma.
A virtude não precisa ser generosa, suscetível de amor ou justa para ser verdadeira, nem para valer, nem para ser devida, ao passo que amor, generosidade ou justiça só são virtudes se antes de tudo forem verdadeiras. Aqui surge uma outra virtude, a boa-fé, que como fato é a conformidade dos atos e palavras com a vida interior, ou desta consigo mesma. É o respeito à verdade. Virtude sem boa-fé é má-fé não é virtude. A boa-fé como todas as virtudes é o contrário do narcisismo, do egoísmo cego, da submissão de si a si mesmo.
Não devemos confundir dever com virtude. O dever é uma coersão, a virtude, uma liberdade, ambas necessárias. O que fazemos por amor, não fazemos por coersão nem, portanto, por dever. Quando o amor e o desejo existem, para que o dever? Não amamos o que queremos, mas o que desejamos. O amor não se comanda e não poderia, em conseqüência, ser um dever.
Nietzsche dizia: “O que fazemos por amor sempre se consuma além do bem e do mal”.
A virtude não é um bem, mas é a força para ser e agir na prática do bem.

Wagner Veneziani Costa

São João e a Tradição Maçônica

Publicado por Gerente Editorial em 05 Set 2006 | sob: Textos Publicados, São João e a Tradição Maçônica

por Wagner Veneziani Costa*
e Celso Ferrarini**

Na mesma data em que se comemora o solstício de verão, 24 de junho, no Hemisfério Norte, dia de São João Batista, estamos comemorando aqui, o solstício de inverno. Recordemos as festas juninas (São João). No dia 25 de dezembro, comemoramos o solstício de verão e, no Hemisfério Norte, o solstício de inverno. É a data do nascimento de Avatares como: Krishna, Mitra, Hórus, Buda e Jesus Cristo, todos considerados grandes Sóis (Deuses). Percebam que quem trouxe a Maçonaria para o Hemisfério Sul, não se preocupou com isso. Simplesmente copiou seus Templos com as mesmas características, esquecendo-se de “inverter as posições” de suas “estrelas”, seus “planetas” e também o altar de nossas Dignidades.
A Terra faz um movimento de translação ao redor do Sol em uma órbita plana, quase redonda, com período definido de um ano. Enquanto isso, ela gira em torno de si mesma, originando os dias. O equinócio (Do latim: aequinoctiu = noite igual; aequale = igual + nocte = noite) é o ponto da órbita da Terra onde a duração do dia e da noite são iguais. É o dia a partir do qual, os dias ou as noites começam a crescer (respectivamente primavera e outono), até que se chegue ao solstício (Do latim: solstitiu = Sol Parado), que é o ponto da órbita da Terra onde existe a maior disparidade entre a duração do dia e da noite. Os solstícios são, então, o dia e a noite mais longos do ano (no verão e inverno, respectivamente).
Iniciando então no solstício de inverno (noite mais longa do ano), é a partir dessa data que os dias começam a crescer, até que se alcance uma igualdade entre o dia e a noite (equinócio de primavera), e continua até o ápice do dia no solstício de verão (dia mais longo do ano), data a partir da qual os dias diminuirão até que, mais uma vez, a igualdade se faça presente entre dia e noite (equinócio de outono), seguindo, novamente, para o solstício de inverno, onde começamos nossa explicação, em um ciclo perpétuo.
Durante o intervalo de um ano temos dois solstícios e dois equinócios. Desse modo é possível dividir o intervalo de um ano em quatro períodos, a saber: Primavera, Verão, Outono e Inverno. Esses períodos são chamados de estações do ano. As estações do ano são conseqüência das variações da inclinação do eixo da Terra, girando em sua órbita elíptica em torno do Sol. Não tem a ver com a distância da Terra ao Sol.
O solstício deve ser comemorado com “ágapes solsticiais”. Isso não significa se reunir para comer ou beber, mas sim para compartilhar, agradecer e unir energias a serviço do “Mais Elevado” e da ajuda à humanidade. E por esse motivo, compartilhar uma comida simples.
O historiador José Castellani, explica: “Por herança recebida dos membros das organizações de ofício, que, tradicionalmente, costumavam comemorar os solstícios, essa prática chegou à Maçonaria moderna, mas já temperada pela influência da Igreja sobre as corporações operativas. Como as datas dos solstícios são 21 de junho e 21 de dezembro, muito próximas das datas comemorativas de São João Batista, 24 de junho, e de São João Evangelista, 27 de dezembro, elas acabaram por se confundir com estas, entre os operativos, chegando à atualidade. Hoje, a posse dos Grão-Mestres das Obediências e dos Veneráveis Mestres das Lojas realiza-se a 24 de junho, ou em data bem próxima; e não se pode esquecer que a primeira Obediência maçônica do mundo foi fundada em 1717, no dia de São João Batista.
Graças a isso, muitas corporações, embora houvesse um santo protetor para cada um desses grupos profissionais, acabaram adotando os dois São João como padroeiros, fazendo chegar esse hábito à moderna Maçonaria, onde existem, segundo a maioria dos ritos, as Lojas de São João, que abrem os seus trabalhos (à glória do Grande Arquiteto do Universo Deus e em honra a S. João, nosso padroeiro), englobando, aí, os dois santos.
No templo maçônico, essas datas solsticiais estão representadas num símbolo, que é o Círculo entre Paralelas Verticais e Tangenciais. Este significa que o Sol não transpõe os trópicos, o que sugere, ao maçom, que a consciência religiosa do Homem é inviolável; as paralelas representam os trópicos de Câncer e de Capricórnio e os dois S. João.
Tradicionalmente, por meio da noção de porta estreita, como dificuldade de ingresso, o maçom evoca as portas solsticiais, estreitos meios de acesso ao conhecimento, simbolizados no círculo cósmico, no círculo da vida, no zodíaco, pelo eixo Capricórnio Câncer, já que Capricórnio corresponde ao solstício de inverno e Câncer ao de verão (no Hemisfério Norte, com inversão para o Sul). A porta corresponde ao início, ou ao ponto ideal de partida, na elíptica do nosso planeta, nos calendários gregorianos e também em alguns pré-colombianos, dentro do itinerário sideral.
O homem primitivo distinguia a diferença entre duas épocas, uma de frio e uma de calor, conceito que, inicialmente, lhe serviu de base para organizar o trabalho agrícola. Graças a isso é que surgiram os cultos solares, com o Sol sendo proclamado – como fonte de calor e de luz – o rei dos céus e o soberano do mundo, com influência marcante sobre todas as religiões e crenças posteriores da humanidade. E, desde a época das antigas civilizações, o homem imaginou os solstícios como aberturas opostas do céu, como portas, por onde o Sol entrava e saía, ao terminar o seu curso, em cada círculo tropical.
A personificação de tal conceito, no panteão romano, foi o deus Janus, representado como divindade bifásica, graças à sua marcha pendular entre os trópicos; o seu próprio nome mostra essa implicação, já que deriva de janua, palavra latina que significa porta. Por isso, ele era, também, conhecido como Janitur, ou seja, porteiro, sendo representado com um molho de chaves na mão, como guardião das portas do céu. Posteriormente, essa alegoria passaria, através da tradição popular cristã, para São Pedro, mas sem qualquer relação com o solstício.
Janus era um deus bicéfalo, com duas faces simetricamente opostas, cujo significado simbolizava a tradição de olhar, uma das faces, constantemente, para o passado, e a outra, para o futuro. Os Césares da Roma imperial, em suas celebrações e para dar ingresso ao Sol nos dois hemisférios celestes, antepunham o deus Janus, para presidir todos os começos de iniciação, por atribuir-lhe a guarda das chaves.
Tradicionalmente, tanto para o mundo oriental, quanto para o ocidental o solstício de Câncer, ou da Esperança, alusivo a São João Batista (verão no Hemisfério Norte e inverno no Hemisfério Sul), é a porta cruzada pelas almas mortais e, por isso, chamada de Porta dos Homens, enquanto que o solstício de Capricórnio, ou do Reconhecimento, alusivo a São João Evangelista (inverno no Hemisfério Norte e verão no Hemisfério Sul), é a porta cruzada pelas almas imortais e, por isso, denominada Porta dos Deuses. Para os antigos egípcios, o solstício de Câncer (Porta dos Homens) era consagrado ao deus Anúbis; os antigos gregos o consagravam ao deus Hermes. Anúbis e Hermes eram, na mitologia desses povos, os encarregados de conduzir as almas ao mundo extraterreno .
A importância dessa representação das portas solsticiais pode ser encontrada com o auxílio do simbolismo cristão, pois, para o maçom, as festas dos solstícios são, em última análise, as festas de São João Batista e de São João Evangelista. São dois São João e há, aí, uma evidente relação com o deus romano Janus e suas duas faces: o futuro e o passado, o futuro que deve ser construído à luz do passado. Sob uma visão simbólica, os dois encontram-se num momento de transição, com o fim de um grande ano cósmico e o começo de um novo, que marca o nascimento de Jesus: um anuncia a sua vinda e o outro propaga a sua palavra. Foi a semelhança entre as palavras Janus e Joannes (João, que, em hebraico é Ieho-hannam = graça de Deus) que facilitou a troca do Janus pagão pelo João cristão, com a finalidade de extirpar uma tradição “pagã”, que se chocava com o cristianismo. E foi desta maneira que os dois São João foram associados aos solstícios e presidem as festas solsticiais.
Continua, aí, a dualidade, princípio da vida: diante de Câncer, Capricórnio; diante dos dias mais longos, do verão, os dias mais curtos, do inverno; diante de São João (do inverno), com as trevas, Capricórnio e a Porta de Deus, o São João (do verão), com a luz, Câncer e a Porta dos Homens (vale recordar que, para os maçons, simbolicamente, as condições geográficas são, sempre, as do Hemisfério Norte).
Dentro dessa mesma visão simbólica, podemos considerar a configuração da constelação de Câncer. Suas duas estrelas principais tomam o nome de Aselos (do latim Asellus, i = diminutivo de Asinus, ou seja: jumento, burrico). Na tradição hebraica, as duas estrelas são chamadas de Haiot Ha-Kadosh, ou seja, animais de santidade, designados pelas duas primeiras letras do alfabeto hebraico, Aleph e Beth, correspondentes ao asno e ao boi. Diante delas, há um pequeno conglomerado de estrelas, denominado, em latim, Praesepe, que significa presépio, estrebaria, curral, manjedoura, e que, em francês, é crèche, também com o significado de presépio, manjedoura, berço. Essa palavra créche já foi, inclusive, incorporada a idiomas latinos, com o significado de local onde crianças novas são acolhidas, temporariamente.
Esse simbolismo dá sentido à observação material: Jesus nasceu a 25 de dezembro, sob o signo de Capricórnio, durante o solstício de inverno, sendo colocado em uma manjedoura, entre um asno e um boi. Essa data de nascimento, todavia, é puramente simbólica. Para os primeiros cristãos, Jesus nascera em julho, sob o signo de Câncer, quando os dias são mais longos no Hemisfério Norte.
O sentido cristão, no plano simbólico, abordaria, então, apenas a Porta dos Homens e, assim, só haveria a compreensão de Jesus, como ser, como homem. Mas Jesus é o ungido, o messias, o Cristo – segundo a teologia cristã – e o outro polo, obrigatoriamente complementar, é a Porta de Deus, sob o signo de Capricórnio, tornando a dualidade compreensível.
Dois elementos, entretanto, um material e um religioso, viriam a influir na determinação da data de 25 de dezembro. O material refere-se aos hábitos dos antigos cristãos e o religioso, ao mitraismo da antiga Pérsia, adotado por Roma:
Os primeiros cristãos do Império Romano, para escapar às perseguições, criaram o hábito de festejar o nascimento de Jesus durante as festas dedicadas ao deus Baco, quando os romanos, ocupados com os folguedos e orgias, os deixavam em paz.
Mas a origem mitraica é a que é mais plausível para explicar essa data totalmente fictícia: os adeptos do mitraismo costumavam se reunir na noite de 24 para 25 de dezembro, a mais longa e mais fria do ano, numa festividade chamada – no mitraismo romano – de Natalis Invicti Solis (nascimento do Sol triunfante). Durante toda a fria noite, ficavam fazendo oferendas e preces propiciatórias, pela volta da luz e do calor do Sol, assimilado ao deus Mitra. O cristianismo, ao fixar essa data para o nascimento de Jesus, identificou-o com a luz do mundo, a luz que surge depois das prolongadas trevas”.

O BATISTA
São João Batista, também dito “o Precursor”, era filho de Isabel, prima da Virgem Maria e, por conseguinte, também parente de Jesus. Ele ganhou o epíteto de “batista” porque, no rio Jordão, “batizava” as pessoas, derramando-lhes água sobre as cabeças, assim limpando-as espiritualmente (batismo significa banho). Era também conhecido por viver no deserto, alimentando-se de mel e gafanhotos, vestindo apenas com uma pele de carneiro, andando assim meio nu, meio vestido. Seguramente, pertencia, entre os judeus, ao grupo dos essênios, que vivia em Qunram, perto do mar Morto. Local onde, em 1947, foram encontrados alguns documentos de sua época. Tinha vários seguidores, mas se dizia Precursor de Alguém Maior que ele, e de quem não era digno sequer de “lhe desatar as sandálias.” Vituperava a Herodes Antipas, o rei imposto pelos romanos aos judeus, porque Antipas mandara matar a seu meio-irmão para ficar com a sua esposa. Antipas mandou decapitar a João Batista, atendendo ao pedido de Salomé, sua enteada, filha de seu meio-irmão, acima referido.
O dia 24 de junho foi estipulado pela Igreja Católica como o de sua comemoração.

O EVANGELISTA
O outro São João, o Evangelista, era apóstolo de Jesus. Chamam-no de Evangelista porque, além de pregar os ensinamentos do Mestre, foi o autor do 4o Evangelho, de três epístolas e do famoso Apocalipse. Essa palavra quer dizer “revelação”. Nele, João relata as revelações que teria tido sobre o fim dos tempos e dos caminhos para a salvação. Por falar no fim dos tempos, catástrofes, guerras, pestes, castigos, a palavra “apocalipse” ganhou a conotação de “algo ruim, apavorante, cataclismático, terrificante”. A linguagem é extremamente simbólica, de difícil compreensão. É comemorado em 27 de dezembro.

MAÇONARIA OPERATIVA
Na verdade, porém, como vem registrado no item XXII, dos Regulamentos Gerais das Constituições de Anderson, de 1723, e com elas publicados, o dia que os maçons operativos do passado tinham escolhido para a reunião anual era o de São João Batista, em 24 de junho, ou, opcionalmente, no dia de São João Evangelista, em 27 de dezembro. Mas, com ênfase ao primeiro. Aliás, notem que a fundação da Grande Loja de Londres, em 1717, ocorreu precisamente nesse dia, 24 de junho. Veja-se como vem redigido esse cânone dos Regulamentos Gerais, aprovados, pela segunda vez, no dia de São João, 24 de junho de 1721, por ocasião da eleição do Príncipe João, duque de Montagu, para Grão-Mestre:
“XXII. Os Irmãos de todas as Lojas de Londres e Westminster e das imediações se reunirão em uma COMUNICAÇÃO ANUAL e Festa, em algum Lugar apropriado, no Dia de São João Batista ou então no Dia de São João Evangelista, como a Grande Loja pensa fixar por um novo Regulamento, pois essa reunião ocorreu nos anos passados no Dia de São João Batista: Provido(…)”

RAZÕES ESOTÉRICAS
Só por uma segunda opção a reunião e festa ocorreria, portanto, no dia 27 de dezembro, na festa do outro São João. Mas, por quê? O porquê dessa alternativa tem uma explicação esotérica, que remonta às prováveis origens da Maçonaria, aos Colegiatti Fabrorum dos romanos. Eles acompanhavam as tropas romanas, para o trabalho de reconstrução e instalação da administração imperial, nas terras conquistadas e colonizadas. E com eles ia a sua religião ou religiões, para ser mais exato, ainda que entre os romanos a predominante fosse a da adoração à Mitra, que era representado por uma figura humana. No lugar da cabeça, um Sol. Havia muitos outros deuses, notadamente, Jano, com suas cabeças que, sabidamente, simbolizavam os solstícios. Esses solstícios estavam sempre presentes nas festas pagãs, porque eram vinculadas à Natureza. É aí que encontramos uma provável explicação histórica para os festejos juninos e natalinos, que a nova religião romano-cristã, não podendo desenraizar dos costumes populares, o mínimo que conseguiu foi a substituição. Todavia, no seio da Maçonaria operativa, mesmo sob tal disfarce, ambas as datas sobreviveram, em face do conteúdo esotérico de seus significados. Os colégios, principalmente os dos construtores, seriam depositários dos conhecimentos e mistérios de antiqüíssimas sociedades iniciáticas, todas praticantes de ritos solares.

*Wagner Veneziani Costa, Grande Secretário de Cultura e Educação Maçônicas do GOSP.
**Celso Ferrarini - Jornalista.

Fontes de Consulta:
Introução ao Livro de Hiram - Madras Editora
Ir. Silva Pinto, Loja Virtual da Arte Real
José Castellani - www.maçonaria.net

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