Maçonaria — Escola de Mistérios A Antiga Tradição e seus Símbolos
5 de Dezembro de 2006 às 11:42 Editor | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 4379

Prefácio
“Recebam, meus queridos Irmãos, minhas primeiras Emoções
Que em Meu Coração a Ordem faz Surgir.
Feliz se Nobres Esforços
Fazem merecer sua estima,
Elevam-me a esse Verdadeiro Sublime,
À Primeira Verdade,
À Essência Pura e Divina
Da Alma Celeste Origem,
Fonte de Vida e Claridade.”
Ramsay
O espírito da inquietude está no ar. Atualmente, na face aparente das coisas, o mercantilismo fala mais alto, na maioria das vezes. Grandes associações entre o capital e a massificação de milhões parecem ser a “Ordem do Dia”. Dentro da classe política, tentam-se uma organização e uma cooperação em escala jamais vistas na história humana. Problemas econômicos estão sendo experimentados em uma medida que se torna impossível evitar sua somatória, de modo muito significativo, à experiência associada da Humanidade. Que conseqüências podem daí advir, somente os mais sábios poderiam agora opinar e, talvez, apenas os tolos se arriscariam a predizer.
Todavia, a natureza humana é um produto essencialmente estável, em que se pode depositar confiança sob qualquer circunstância. No âmago do coração do homem, mora o princípio da justiça e da eqüidade, e nenhum abuso arquitetado pelo egoísmo ou pela ganância teria vida longa. É possível que ainda estejamos longe do Reino Universal da Irmandade, porém há algo na recôndita essência do coração humano que se esforça no afã de alcançar a meta.
Tão relevantes quanto a agitação comercial e a disputa econômica, outros problemas estão igualmente em busca de uma solução. Usando o termo em seu sentido mais amplo, o problema psíquico caminha lado a lado com o econômico. Ética e Economia são inseparáveis. A conduta individual, o uso dos recursos vitais e a distribuição de renda sempre envolvem não só ética mas também economia; em síntese, constituem-nas.
Fora das igrejas e da literatura religiosa, pouco se comenta a respeito de religião, hoje em dia. Na verdade, aliás, pessoas “excelentes” parecem achar a religião (espiritualidade) obsoleta; algo do passado, uma sobrevida – quando, na verdade, admite-se de qualquer modo a sua sobrevivência – das eras de trevas. Possivelmente, nenhum erro mais grave poderia ter sido cometido. Os problemas aparentes podem ter mudado; as organizações podem ter se fragmentado ou desaparecido, mas os temas de discussão vitais não apenas permanecem como jamais estiveram em tamanha evidência como hoje. Nem poderia ser diferente, já que a natureza humana permanece imutável.
Somente os tolos ou degenerados podem, se o fizerem, tentar ignorar o elemento religioso (espiritualidade) inerente à sua própria natureza. Tão inevitável quanto a água em busca de seu nível para finalmente encontrar o caminho rumo ao mar, exatamente assim sente-se o homem em busca desse poder – dê-lhe o nome que quiser –, cujo raio divino o torna Homem e cuja presença intrínseca o eleva em momentos extraordinários, acima do sórdido “eu”, para o chamado da alma, no sentido do mais elevado, do imenso, do melhor, como em um toque de asas. Essa é uma experiência universal, igualmente vivenciada pelo selvagem ou pelo civilizado, e totalmente independente de teologias ou filosofias eclesiásticas. Teólogos, em todas as eras, têm se apossado dessa experiência humana comum e a têm formulado, com o propósito de direcioná-la, chegando freqüentemente a explorá-la, segundo a conveniência de seus credos, exatamente como os capitalistas manipulam os problemas econômicos relativos aos recursos da natureza e à distribuição da riqueza.
Em termos gerais, esse é o problema psíquico que constitui o elemento religioso inerente à vida humana. Nunca foi tão evidente como o é hoje. Essa é a realidade que, em nossos dias, caminha pari passu com o mercantilismo. E, se por um lado, como já mencionamos, talvez faça menos alarde, por outro é algo evidente em toda parte.
Todo problema na vida humana e todo movimento que afeta a sociedade são, em última análise, questões psíquicas. Ambos dizem respeito ao corpo e têm incidência no meio ambiente, essencialmente na alma do indivíduo.
O progresso obtido pela ciência materialista, em meados do último século, é tão extraordinário que se torna difícil encontrar um adjetivo apropriado para nomeá-lo. Logo, os problemas econômicos devem ser necessariamente revistos.
Enquanto os problemas psíquicos atingirem igual proeminência, não se pode chamar tais resultados de organizados, como os dos experimentos econômicos. A espécie, como um todo, tem reunido fatos e realizado experimentos. Raramente foi sugerida, na Psicologia, uma hipótese funcional. Não obstante, não há nenhum acordo amplo ou geral quanto a quaisquer teoremas. Parece-me não haver nenhum projeto em estudo, e os trabalhadores, as legiões, acham-se confusos.
A grande maioria das pessoas, mesmo entre as mais cultas e esclarecidas, irá apressar-se em negar ter o homem, algum dia, conhecido tal teorema psíquico. Para essas pessoas, a hipótese desse teorema ter sido descoberto em algum momento e, então, ter se perdido ou tornado hermético, é absurda; ainda assim, o conjunto das tradições e o Simbolismo da Maçonaria giram em torno desse teorema, essa hipótese funcional na vida psíquica do homem. Trata-se de algo fundamental para criar uma ordem na confusão dos problemas psíquicos, que afetam muitos hoje em dia.
Esse Grande Segredo, a Palavra do Mestre, foi dado a conhecer e preservado nos Mistérios da Antiguidade, tendo sido incorporado e preservado nas tradições e no simbolismo da atual Maçonaria. É um fato repetidamente mencionado ao longo desta singela obra, com o real propósito de despertar em iniciados, especialmente nos maçons, o desejo de buscar o real segredo. É a recompensa ao estudo e à devoção, e jamais foi obtido sob quaisquer outras condições. Nunca foi outorgado mediante os graus ritualísticos da Ordem maçônica, e isso possivelmente jamais ocorrerá. É o estabelecimento do entendimento na alma humana, entre aquele seu “Eu” mais elevado e o “Mais”, e além do “Eu”, a partir do qual ele fundamenta sua vida e de onde nascem suas intuições, seus insights. Esta é a real iniciação: tornar-se uno em sua mente.
Sinto-me gratificado e também encorajado pela acolhida e interesse manifestados à minha obra e pelos elogios, vindos de muitos amigos, irmãos de diversos setores e sociedades.
Creio que em nenhum outro lugar, no seio da sociedade humana, pode-se encontrar hoje em dia uma abordagem tão próxima àquela da Fraternidade, Ideal do Homem, como nas Lojas maçônicas. Perfeita não o é, mas não pode sê-lo até que a evolução humana seja completada. Atualmente, dentre as centenas de milhares de maçons existentes no mundo, seria difícil encontrar um que não se empenhe, dando o melhor de si, na prática da beneficência e da fraterna bondade, particularmente em relação aos seus Irmãos nas Lojas. Além do mais, há milhares de maçons que percebem ser a Maçonaria algo que tem alcance e implicações muito maiores do que o simples ato de comparecer aos rituais e cerimônias da Loja. Há um interesse realmente muito amplo e cada vez mais crescente nesse sentido e, esse é o escopo, acima de tudo, com que a Maçonaria Mística foi concebida, no intuito de fomentar, encorajar e auxiliar. Na verdade, na última década, houve um crescimento notável desse sentimento, e nós não temos a menor sombra de dúvida quanto ao resultado. Se isso for somente a minha esperança, que seja assim! Se pois isso morrer em mim, não terei mais o que fazer, pelo menos no que se refere à Ordem. Sei que estou sendo um tanto romântico, ou melhor, poético, mas sinto-me bem, por encorajar todos os que vibram na mesma freqüência, na mesma sintonia, na mesma harmonia de sincronicidade que eu e torcem para que nossa Ordem ressuscite, o mais rápido possível, antes que seja tarde demais. Continuemos…
São os preceitos éticos inculcados na Loja e amplamente praticados pelo ofício, mais que tudo, o que contribui para abrir as intuições mais elevadas do homem, permitindo-lhe intuir e finalmente compreender problemas mais complexos, ocultos, no profundo simbolismo da Maçonaria. Por conseguinte, a Moderna Maçonaria está se tornando rapidamente, como seu protótipo na Antiguidade, uma Escola de Mistérios; sendo o real Mistério, a origem e a natureza da alma humana, o destino transcendente e imortal do Homem. Os que já atingiram os mais altos graus da Ordem sabem a que estou me referindo.
A organização maçônica é muito grande, forte e amplamente difundida; seu espírito é tão fraterno e seus ensinamentos tão valiosos e inspiradores que parece estar fadada a obter os resultados mais gloriosos no aprimoramento e na elevação da raça humana, como um todo. Pelo menos é assim que o mundo profano nos vê e assim o foi.
As profundas e rígidas amarras que até aqui haviam segregado a Humanidade estão desaparecendo rapidamente. Credos e dogmas perderam seu valor, uma vez que o Estado não mais os protege, além do que se esvaiu o medo dos anátemas eclesiásticos. Homens e mulheres de todas as classes estão se familiarizando cada vez mais com a finalidade manifestada da compreensão, de maneira que podem ajudar-se mutuamente. Reconhece-se cada vez mais que o bem do indivíduo é o bem-estar de todos. O “pecado da separação” vai sendo, por conseguinte, lentamente solapado. Partindo daí, os problemas éticos, religiosos, econômicos e políticos são vistos como praticamente inseparáveis e todos eles definitivamente relacionados ao problema básico, que é a evolução do homem. Essa reconhecida unidade de pensamento bem como os interesses da comunidade são o prelúdio para a Irmandade Universal do homem, o que representa o estado ideal e o sonho de qualquer verdadeiro filantropo através dos tempos. A Maçonaria representa exatamente isso, na íntegra, essencialmente como nas eras em que se definiu e se promulgou claramente a filosofia que viabiliza a existência de um Estado ideal, tal como uma Grande República de Nações e Povos. Deve ela ser fundada nos alicerces da natureza intrínseca do homem e consolidada na afetuosa fraternidade individual e coletiva, a fim de que assim possa existir e perdurar.
Tomo a liberdade de pedir aos nossos Irmãos que voltemos a empreender, levando ao mundo um pouco mais de LUZ.
Promover esse glorioso resultado é a finalidade exclusiva desta singela obra. Essa é, na verdade, a Obra da sua Loja, como deve ser a de cada Irmão, em cada canto deste planeta, até que finalmente se torne a obra de cada ser humano.
Que o Grande Arquiteto do Universo possa iluminar nossos trabalhos. Fazer com que cada um dos homens que formam a Maçonaria sejam alterados pela Luz Divina para que possam perceber qual é o seu papel, a sua missão, e que todos os seus trabalhos sejam abençoados!!!
Eu Sou o Que Sou,
Wagner Veneziani Costa
Introdução
“A Verdade está dentro de nós. Não surge das coisas
externas, mesmo que assim acreditemos.
Há um centro interno onde a Verdade habita
em sua plenitude.”
Buda
Antes mesmo de começar a escrever a introdução de nossa obra, quero frisar os meus mais sinceros respeitos a J. D. Buck, Saint-Ives d’Alveydre, Eliphas Levi e Oswald Wirth, que são, na verdade, os maiores idealizadores e motivadores desse meu sonho que se torna realidade. Fundamento, base e inspiração, além de diversos textos em seu pleno conteúdo das suas obras originais, foram aqui mantidos. Quero também dizer a eles, onde quer que estejam, que seus trabalhos não foram e não serão facilmente esquecidos, pois tomo a liberdade de ingressar, mergulhar com eles, manter o mesmo prisma, trazer à tona suas obras, recheadas de textos e referências atualizados.
Esta obra não apenas atrai a atenção e instiga o estudo, mas também reflete, por meio dos seus originais, a aprovação incondicional das maiores autoridades maçônicas de nossos dias. Homens com grandes ideais.
E isso me entusiasmou a pegar os originais de J. D. Buck, assim como diversos outros, e compilá-los – prefiro esse termo a pesquisar. Ele próprio já o fizera antes e, não importa o motivo, colocou todos os textos aqui inseridos como sendo suas idéias, o que sabemos, por meio de pesquisas, que não os são. Mais isso é irrelevante perto da riqueza deste material que tenho a grata satisfação de editar e inserir nos textos da edição em língua portuguesa.
Parti do princípio de que tem havido, ultimamente, um amplo interesse quanto aos assuntos relacionados com a Maçonaria. Acreditando poder somar, abracei essa valiosa oportunidade de mostrar que a Arte Real, após centenas de anos, pode apresentar sua sublime filosofia ao mundo, para o aprimoramento da Humanidade.
Há outros autores que quero homenagear e ao mesmo tempo agradecer: Albert Pike, que não canso de citar durante todo o livro; Édouard Schuré; Fabre d’Olivet; J.M. Ragon; Helena Petrovna Blavatsky (Madame Blavatsky ou H.P.B.); A. Leterre; C. W. Leadbeater, além dos mais recentes e extraordinários escritores, historiadores e arqueólogos: Laurence Gardner; John J. Robinson; Christopher Knight; Robert Lomas; Martin Lunn; David Stevenson; Andrew Sinclair; Alfredo Lissoni; Richard Leigh e Michael Baigent.
Em sua apresentação, o autor J. D. Buck nos diz: “Meu livro, Mystic Masonry (Maçonaria Mística), é, em grande parte, uma compilação”. Não era propósito do autor tornar-se um inovador, mas, em vez disso, modestamente, um inspirador e renovador. Imbuído desse princípio, apenas reprisou enunciados já formulados por figuras importantes, com autoridade no tema Maçonaria; enunciados estes que foram negligenciados ou esquecidos e que precisavam ser relembrados.
Outro ilustre autor, Albert Pike, prefaciando seu livro Moral e Dogma, declara: “(…) Aproximadamente metade de seu conteúdo é original, enquanto a parte restante constitui-se de material colhido em variadas fontes e, uma vez que não estava escrevendo por fama ou dinheiro, mas para beneficiar o ofício, a fonte na qual havia se baseado era assunto de importância secundária”. Freqüentemente, fez adaptações em vez de inserções de passagens, em muitos pontos, e bem raramente citou suas fontes. Abordava assuntos que, evidentemente, acreditava serem do conhecimento da Fraternidade maçônica e havia despido sua mente de toda motivação egoísta ou esperança de ganhos; portanto, não se deve atribuir-lhe o uso de plágio. Fez freqüentes excertos, a partir dos escritos de Alphonse Louis Constant, mais conhecido como Eliphas Levi Zahed,* cujas obras à época eram publicadas apenas em francês e cujo conteúdo apresenta, sem dúvida, o saber mais profundo acerca das Ciências Ocultas e dos Mistérios da Antiguidade, revelados ao mundo desde os dias dos Antigos Iniciados.
É minha esperança que meus Irmãos percebam o real significado deste trabalho e que de nenhuma forma se sintam obrigados a aceitar a interpretação de seu conteúdo. Mais do que isso, peço que evoquem a tolerância e que por meio de sua inteligência busquem o saber e posssam discernir, a partir de critérios de eqüidade e moderação, a seqüência lógica de seu todo como reveladora da profunda filosofia da Natureza e da Vida, bem como a influência benéfica que tais ensinamentos seguramente irão exercer, se universalmente difundidos e adotados entre os homens, em seu dia-a-dia.
Precisamos observar a Natureza e aprender com ela, a exemplo da água, que nasce no útero da terra, cresce, enfrenta seus obstáculos, desenvolve-se, cumpre sua missão e volta ao centro da terra. E novamente nasce…
É possível que Liberdade e Igualdade baseadas na Fraternidade se tenham transformado em um slogan sangrento à época da Revolução Francesa; todavia, em tempos mais pacíficos, tal Fraternidade deve ser interpretada como a condição ideal para promover a Irmandade Universal e Incondicional do Ser Humano.
Wagner Veneziani Costa
Quarta capa
É comum ouvirmos que a Maçonaria consiste em uma instituição que congrega homens de bons costumes, solidários e transformadores da sociedade. Há quem diga que sua origem remonta às primeiras civilizações do mundo (egípcios, persas, gregos…) e que vem acumulando diversos conhecimentos desde então.
O que podemos afirmar é que a Maçonaria, sem sombra de dúvida, sempre foi uma Escola Iniciática de Mistérios, alicerçada nos símbolos e na tradição. Ninguém ensina Maçonaria para ninguém, é preciso vivenciá-la; isso é algo comum em qualquer escola iniciática. Cabe ao recipiendário absorver e praticar cada palavra, cada símbolo e detê-los em sua existência.
Os Antigos Mistérios não deixaram de existir quando o Cristianismo se tornou a religião mais poderosa no mundo, e a Maçonaria é a prova da sua sobrevivência. Sua estrutura simbólica é muito rica e complexa. A interpretação dessa simbologia é responsabilidade individual do maçom; e é no processo dessa interpretação pessoal que se pode entender a sobrevivência da Ordem Maçônica como um ‘Mistério’.
Em Maçonaria – Escola de Mistérios – A Antiga Tradição e Seus Símbolos, Wagner Veneziani Costa apresenta esse universo de Mistérios por meio de uma compilação de textos de autores consagrados, como J. D. Buck e Oswald Wirth, além de fontes como Albert Pike, Saint-Ives d’Alveydre, Eliphas Levi, Fabre d’Olivet, Helena Blavatsky, A. Leterre, C.W. Leadbeater, entre outros.
A descrição dos Mistérios correlatos à Maçonaria, os Mistérios da Índia, os Mistérios Egípcios, os Mistérios de Elêusis, os Mistérios Gregos, os Mistérios do Cristianismo, os Mistérios dos Judeus e dos Essênios, os Mistérios Egípcios, os Mistérios Cabírios, os Mistérios Sagrados de Zoroastro e de Mitra são temas que valem a pena conferir neste compêndio maçônico.
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