Maçonaria — Escola de Mistérios A Antiga Tradição e seus Símbolos Lilith

O Deus Pan

22 de Maio de 2007 às 09:42 Editor  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 7480

O Pan (pão) Nosso de Cada Dia – A Grande Dádiva de Deus

Por Wagner Veneziani Costa

Durante todo o texto, tentarei fazer uma análise comparativa do Deus Pan em todas as civilizações, como suas lendas, mitos, histórias infantis e as diversas palavras que surgiram do nome dele, tais como pânico, panacéia, panteísmo entre tantas outras. O Deus Pan é muitas vezes chamado de Fauno, Sylvanus, Lupercus, o Diabo (no Tarô). Seu lado feminino é a Fauna; é Exú (na Umbanda), o Orixá fálico; Capricórnio (na Astrologia); Dionísius (deus do vinho); Baco (dos famosos bacanais). Muitas vezes é comparado aos deuses caçadores; ou ainda, a Tupã (Pajé, Caboclo).

Pan, antiqüíssima divindade pelágica especial à Arcádia (uma região rural), morada do Deus Pan. É o guarda dos rebanhos que ele tem por missão fazer multiplicar. Deus dos bosques e dos pastos, protetor dos pastores, veio ao mundo com chifres, orelhas e pernas de bode. Pan é filho de Mercúrio. Era bastante natural que o mensageiro dos deuses, sempre considerado intermediário, estabelecesse a transição entre os deuses de forma humana e os de forma animal. Parece, contudo, que o nascimento de Pan provocou certa emoção em sua mãe, que ficou assustadíssima com tão esquisita conformação. As más línguas dizem que, quando Mercúrio apresentou o filho aos demais deuses, todo o Olimpo desatou a rir.

“Mercúrio chegou à Arcádia, que era fecunda em rebanhos. Ali se estende o campo sagrado de Cilene; nesses páramos, ele, deus poderoso, guardou as alvas orelhas de um simples mortal, pois concebera o mais vivo desejo de se unir a uma bela ninfa, filha de Dríops. Realizou-se enfim o doce himeneu. A jovem ninfa deu à luz o filho de Mercúrio, menino esquisito, de pés de bode e testa armada de dois chifres. Ao vê-lo, a nutriz abandona-o e foge. Espantam-na aquele olhar terrível e aquela barba tão espessa. Mas o benévolo Mercúrio, recebendo-o imediatamente, colocou-o no colo, rejubilante. Chega assim à morada dos imortais, ocultando cuidadosamente o filho na pele aveludada de uma lebre. Depois, apresenta-lhes o menino. Todos os imortais se alegram, sobretudo Baco, e dão-lhe o nome de Pan, visto que para todos constituiu objeto de diversão.”

As ninfas zombavam incessantemente do pobre Pan, por causa do seu rosto repulsivo, e o infeliz deus, ao que se diz, tomou a decisão de nunca amar. Mas Cupido é cruel, e afirma uma tradição que Pan, desejando um dia lutar corpo a corpo com ele, foi vencido e abatido diante das ninfas que riam.

Uma vez, ouvi um flautista contar com sua música uma história linda: a história do amor do Deus Pan, pela ninfa Sirinx. Ele disse que Pan se apaixonou pela ninfa, mas não foi correspondido. Sendo assim, Sirinx vivia fugindo do deus metade homem metade bode, até que se escondeu dele em um lago e se afogou. No lugar da sua morte, nasceram hastes de junco que Pan cortou e transformou em uma flauta de sete tubos, a qual se tornou um atributo dele. Sirinx, então, imortalizava-se.

Pan também era o deus da fertilidade, da sexualidade masculina desenfreada e do desejo carnal. Como o nome do deus significava “tudo”, no mais amplo sentido da natureza, a raiz, a fertilidade, Pan passou a ser considerado um símbolo do Universo e a personificação da Natureza; e, mais recentemente, representante de todos os deuses.

Celebrar a Pan é celebrar a sexualidade de maneira primal, a bebida e a boa música. O que hoje conhecemos como pânico tem sua origem no nome desse deus. A justificativa é que existia o mito de que quem morava próximo às florestas era perseguido à noite pelo deus. Dessa forma, o temor irracional que era atribuído a esse evento ficou conhecido como pânico.

Os romanos tinham um panteão de deuses que foi, em sua maioria, “herdado” da cultura grega. Portanto, quase todos os deuses romanos possuem seus correspondentes gregos.

Sylvanus e Faunus eram divindades latinas cujas características são muito parecidas com as de Pan, que nós podemos considerá-las como o mesmo personagem com nomes diferentes.

Faunos

Entre os romanos, faunos eram deidades de florestas selvagens com pequenos chifres, pernas de cabra e um pequeno rabo. Eles acompanhavam o deus Faunus, eram alegres, habilidosos, e viviam sempre cantando e se divertindo. Faunos são análogos aos sátiros gregos.

Era o deus da natureza selvagem e da fertilidade, também considerado o doador dos oráculos. Ele foi identificado depois com o Pan grego e também assumiu algumas das características de Pan, como os chifres e as pernas de cabra. Como o protetor dos rebanhos, ele também é chamado Lupercus (”aquele que protege dos lobos”).

Uma tradição particular conta que Faunus era o rei de Latium, o filho de Picus e neto do deus Saturno. Depois de sua morte, ele foi divinizado como Fatuus, e surgiu um culto pequeno em torno da sua pessoa, na floresta sagrada de Tibur (Tivoli). Em 15 de fevereiro (a data de fundação do templo), seu festival, o Lupercalia, era célebre. Padres (chamados Luperci) vestiam peles de cabra e caminhavam pelas ruas de Roma batendo nos espectadores com cintos feitos de pele de cabra. Outro festival era o Faunalia.

Ele é acompanhado pelos faunos, análogos aos sátiros gregos. Sua contraparte feminina é a Fauna.

Para os cristãos, os chifres representam o Demônio, o cordeiro ou cabrito, que era sacrificado em redenção do pecado. Mas os chifres sempre foram sinais de algo Divino. Na Babilônia, o grau de importância dos deuses era identificado pelo número de chifres atribuídos a eles. Moisés fora representado plasticamente com chifres na testa, bem como o próprio Alexandre, o Grande, encomendara uma pintura do seu retrato, mostrando-se com chifres de carneiro na testa.

Os antigos judeus conheciam esse simbolismo, recebido das mitologias circunvizinhas. Se’irim geralmente pode ser traduzido por bode. Habitam os lugares altos, os desertos, as ruínas… No Gênesis, lemos que os filhos de Jacó degolaram um bode para com seu sangue manchar a túnica de José (Gn. 37:31).

O termo vulgar “bode” é designado pela mesma palavra que se emprega em outras partes para designar um sátiro. A palavra hebraica sa’ir significa propriamente “o peludo” e se aplica tanto ao bode como a qualquer outro sátiro, demônio ou divindade inferior, na mentalidade popular.

O bode representa um dos deuses subalternos do grande Azazel, deus ou temível príncipe dos demônios do deserto. Freqüentemente mencionado pelos apócrifos, Azazel só aparece na Bíblia em uma oportunidade, na descrição do rito de expiação:

“O sumo sacerdote receberá da comunidade dos filhos de Israel dois bodes destinados ao sacrifício pelo pecado… Lançará a sorte sobre os dois bodes, atribuindo uma sorte a Iahweh e outra a Azazel. Aarão oferecerá o bode sobre o qual caiu a sorte para Iahweh e fará com ele um sacrifício pelo pecado. Quanto ao bode sobre o qual caiu a sorte para Azazel, será colocado vivo diante de Iahweh para fazer com ele o rito de expiação, a fim de ser enviado a Azazel, no deserto. ( …) Aarão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode e confessará sobre ele todas as faltas dos filhos de Israel, todas as suas transgressões e todos os seus pecados. E depois de tê-los assim posto sobre a cabeça do bode, irá enviá-lo ao deserto, conduzido por um homem preparado para isso, e o bode levará sobre si todas as faltas deles para uma região desolada”. (Lv. 16: 5-8 e 10:21s).

Para os Celtas, o Deus Cornífero

O Deus Cornífero é representado por um ser com cabeça humana, chifres e pernas de cabra ou cervo. Ele é o guardião das entradas e do círculo mágico que é traçado para se começar o ritual. É o deus pagão dos bosques, o rei do carvalho e senhor das matas. É o deus que morre e sempre renasce. Seus ciclos de morte e vida representam nossa própria existência.

Mas por que essa imagem diabólica tão horripilante? O chifre apresentava conotação sagrada, como um sinal “divino”, desde dez mil anos a.C., no período Paleolítico, representando também fertilidade e vitalidade. Acreditava-se que os chifres recebiam poderes especiais vindos das estrelas e dos céus.

Existem várias versões do Deus Cornífero, como o Deus Cernunnos (versão celta e galo-romana), Pan “Grécia”, Osíris e outros. Na religião pagã Wicca, criada por Gerald

Gardner, acredita-se que o Deus Cornífero seja o guardião das entradas e do círculo dos ritos.

Confundido no Cristianismo (propositalmente ou não) com o “Diabo”, por sua estranha aparência, o Deus Cornífero nasce e morre todos os dias, tentando ensinar os segredos da morte e da vida.

Segundo a Wicca, o Deus Cornífero nasceu da grande Deusa, divindade suprema para os wiccanianos, representada por várias faces. Acredita-se que a Deusa começou a ser cultuada entre 35 a 10 mil anos antes de Cristo, pois arqueólogos encontraram várias estatuetas de figuras humanas representando mulheres grávidas.

Uma das versões do Deus Cornífero é a que o considera protetor dos pastores e dos rebanhos. Deus Osíris – considerado pelos egípcios o deus da agricultura e da vida para além da morte.

Em algumas cavernas da França, foram encontradas pinturas do período Paleolítico, com homens fantasiados de veado, representando o Deus Cernunnos. Muitas vezes, ele era representado em imagens, acompanhado de uma serpente, e em tempos mais modernos, com uma bolsa cheia de moedas.

Nada foi relacionado a um ser infernal. Nos dias atuais, em que imaginamos o Diabo ou um ser infernal, o que nos vem à mente é uma imagem demoníaca, um ser com chifres e pernas de cabra. Ninguém pode afirmar ao certo a imagem de um ser obscuro, ele pode ser apenas uma força negativa invisível, sem aparência.

Existiu conspiração religiosa na imagem do Deus Cernunnos? Teriam criado essa farsa apenas para acabar com as antigas religiões? Não se sabe isso ao certo, pois não foram encontradas muitas coisas escritas sobre o Deus Cernunnos, e sim muitas imagens e estátuas. Geralmente, ele é representado sentado e de pernas cruzadas, talvez assumindo a posição de um xamã.

Considerado também o deus da caça e da floresta, hoje é um deus ou ser divino quase esquecido, lembrado apenas nas religiões pagãs.

Exu – O Orixá Fálico

Exu também tem os seguintes epítetos ou atributos: Exu Lonan, o Senhor dos Caminhos; Exu Osije-Ebo, o Mensageiro Divino; Exu Bará, o Senhor (do movimento) do Corpo; Exu Odara, Senhor da Felicidade; Exu Eleru, o Senhor da Obrigação Ritual; Exu Yangi, o Senhor da Laterita Vermelha; Exu Elegbara, o Senhor do Poder da Transmutação; Exu Agba, aquele que é o ancestral; Exu Inã, o Senhor do Fogo.

Exu é o Orixá que rege o jogo de Búzios, uma modalidade divinatória. Diz um mito que Exu é o único Orixá que tinha esse poder, mas decidiu compartilhá-lo com Ifá em troca de receber as oferendas e pedidos antes de qualquer outro Orixá.

É o mensageiro dos deuses, seu poder é o de receber e transportar os pedidos e oferendas dos seres humanos ao Orum, o Mundo dos Deuses. É o Senhor dos Caminhos, das encruzilhadas, das trocas comerciais e de todo tipo de comunicação. Ele representa também a fertilidade da vida, os poderes sexual, reprodutivo e gerativo. Não podemos nos esquecer de que o sexo, diferentemente do que os cristãos dizem (uma coisa de luxúria, de pecado), é na verdade um ATO SAGRADO. Talvez por isso, por ele ser o poder sexual, os cristãos o comparem com o Demônio.

Quando pergunto a qualquer pessoa se Deus é onipresente, onisciente e onipotente, e elas normalmente respondem que sim, concluo com a seguinte pergunta: Então, quem é o Diabo? Elas ficam sem resposta… Ora, esse Demônio, tão difundido pelas religiões judaico-cristãs, não existe. O conceito de bem ou mal é relativo, está intrinsecamente ligado ao ser humano, dentro de cada um de nós e não fora.

O Diabo só existe dentro de nossos corações frágeis e reina naqueles que não dominam suas emoções e navegam conforme a maré dos acontecimentos, sem rumo certo. Sem falar que normalmente a figura do Senhor Exu é colocada com chifres, rabo, pintado de vermelho, imagem bem parecida com a que os cristãos “desenham” o Diabo… Então, Exu nada tem em comum com o diabo lúdico, e as esquisitas estátuas comercializadas e utilizadas arbitrariamente em terreiros são frutos da imaginação de visionários que não enxergam nada além das manifestações dos baixos sentimentos em formas deprimentes, nos seres que lhes são afins. Exu poderia ser comparado a Príapo, a Hermes, a Mercúrio, deuses mensageiros ou protetores da sexualidade masculina, nunca ao Demônio cristão.

Laroiê, Senhor Exu! (”Ninguém tira a saúde e a riqueza”).

Tupan

Tupã ou Tupan (que na língua tupi significa “trovão”) é uma entidade da mitologia tupi-guarani.

Os indígenas rezam a Nhanderuvuçu e a seu mensageiro Tupã, que não era exatamente um deus, mas sim uma manifestação de um deus. É importante destacar esta confusão feita pelos jesuítas. Nhanderuete, o liberador da palavra original, segundo a tradição mbyá, que é um dialeto da língua guarani, do tronco lingüístico tupi seria algo mais próximo do que os catequizadores imaginavam.

Câmara Cascudo afirma que Tupã “é um trabalho de adaptação da catequese”. Na verdade, o conceito “Tupã” já existia, não como divindade, mas como conotativo para o som do trovão (Tu-pá, Tu-pã ou Tu-pana, golpe/baque estrondeante); portanto, não passava de um efeito, cuja causa o índio desconhecia e, por isso mesmo, temia. Osvaldo Orico é da opinião de que os indígenas tinham noção da existência de uma Força, de um Deus superior a todos. Assim ele diz: “A despeito da singela idéia religiosa que os caracterizava, tinha noção de Ente Supremo, cuja voz se fazia ouvir nas tempestades – Tupã-cinunga, ou “o trovão”, cujo reflexo luminoso era Tupãberaba, ou “relâmpago”. Os índios acreditavam ser o deus da criação, o deus da luz. Sua morada seria o Sol.

Para os indígenas, antes de os jesuítas os catequizarem, Tupã representava um ato divino, era o sopro, a vida, e o homem, a flauta em pé, que ganha a vida com o fluxo que por ele passa.

A religião propagada por Car era baseada na crença a um Deus onipotente, a quem ele chamou P. A. N., também uma palavra cabalística que significa “Senhor do Universo”. Dois séculos depois, pregou Moisés a mesma crença a um Deus onipotente, a quem ele chamou Je-oh-va. O nome Pan, com o significado de Senhor, permaneceu nos países orientais em todos os tempos. Alexandre Magno foi chamado na Ásia de “O Pany Alexandros”. Na Tchecoslováquia, na Polônia, na Rússia e em outros países, usa-se ainda PANE e PANJE como elocução. “Pane Antony” é igual ao “Sir Antonio”. Note-se também que a palavra panis (nosso pão) vem de Pan: a dádiva de Deus.

TU-PAN, o Deus onipotente na religião dos antigos brasileiros, significa: “Adorado Pan”. Na língua dos cários, fenícios e pelastos, significa o substantivo THUS, THUR (respectivamente TUS, TUR e TU): “sacrifício da devoção” ou “incenso”. Tudo que o homem oferece a Deus é, na língua da ordem dos sacerdotes cários, T. U., que também é uma fórmula cabalística. O infinito do verbo “sacrificar” é, no fenício, TU-AN; no germano, TU-EN; no grego, THU-EIN e THY-EIN; no latim, TU-ERI (venerar, contemplar, olhar, guardar). THUS, também no latim, é o incenso que se oferece a Deus, respectivamente aos deuses. A origem de TUPAN, como nome do Deus onipotente, remonta à religião monoteísta de Car.

O Lobisomem

Mito-maldição dos mais antigos e talvez o único verdadeiramente universal, correndo a terra de ponta a ponta e com uma antiguidade que permite registros de Plínio, o Velho, Heródoto, Petrônio e outros.

O nome, derivado das Lupercais, festividades dedicadas ao deus Pan, na antiga Roma, alastrou-se também nas Américas Central e do Sul, via Espanha (Lubizon), Portugal (Lobisomem), e na do Norte, via França (Loup-garou), ou saxão (Werrwolf), depois de ter atingido toda a Europa. Registros indicam a existência do mito na China e no Japão e na África.

O homem “vira” Lobisomem, misto de lobo e homem, por ser o sétimo filho nascido após sete filhas, se for atingido pelo sangue de outro lobisomem ou sendo filho de incesto, também.

Pode-se quebrar esse encanto-maldição, bastando, para tanto, que a primeira filha batize, ferindo-o, durante sua transformação, bastando apenas tirar-lhe uma gota de sangue ou, quase sem perigo, com um tiro de arma de fogo, cuja bala tenha sido previamente untada com cera de uma vela comum, mas que tenha ardido em três missas de domingo. Se for em uma só missa-do-galo, também fará o efeito.

A sina do Lobisomem, além da própria maldição, parece ser cansativa; pois consiste de, toda sexta-feira, fazer uma maratona, visitando, entre meia-noite e duas horas, sete cemitérios ou adros de igrejas, sete vilas, sete encruzilhadas, sete outeiros e sete mata-burros, voltando sempre ao ponto de partida.

O Panteísmo

Etimologicamente falando, o termo “panteísmo” deriva das palavras gregas pan (”tudo”) e teísmo (”crença em deus”), sustentando a idéia da crença em um Deus que está em tudo, ou à de muitos deuses representados pelos múltiplos elementos divinizados da natureza e do Universo.

Em diversas culturas panteístas, freqüentemente a idéia de um Deus que vive em tudo, complementa e coexiste pacificamente com o conceito de múltiplos deuses associados com os diversos elementos da natureza, sendo ambos, aspectos do Panteísmo.

A principal convicção é que Deus, ou força divina, está presente no mundo e permeia tudo o que nele existe. O divino também pode ser experimentado como algo impessoal, como a alma do mundo, ou um sistema do mundo. O Panteísmo costuma ser associado ao misticismo, no qual o objetivo do mortal é alcançar a união com o Divino.

O Panteísmo é também a linha filosófica que mais se aproxima da filosofia hermética do antigo Egito, em que o principal objetivo é fazer parte da conspiração universal (ou conspiração Cósmica).

Pandeísmo

Corrente religiosa sincrética (do grego: πάν (pan), “todo” e do latin deus, “deus”) proveniente da junção do Panteísmo (identidade de Deus com o Universo) com o Deísmo (O Deus criador do Universo não pode mais ser localizado, senão com base na razão), ou seja, a afirmação concomitante de que Deus precede o Universo, sendo o seu criador e, ao mesmo tempo, sua totalidade.

Como o Deísmo, faz uso de razão na religião, o Pandeísmo usa os argumentos cosmológico, teológico e outros aspectos da chamada “religião natural”. Tal uso se deu entre os disseminadores de sistemas filosóficos racionais, durante o século XIX. Também foi largamente empregado para identificar a expressão simultânea de todas as religiões.

Algumas mitologias, tais como a nórdica, sugerem que o mundo foi criado da substância corporal de uma deidade inativa, ou ser de capacidades similares; no exemplo citado, Odin, junto de seus irmãos Ve e Vili, derrotaram e mataram o gigante Ymir, e de sua carne fizeram a terra, dos cabelos, a vegetação, e assim por diante, criando o Mundo conhecido. Semelhantemente, a mitologia chinesa propugna a mesma estrutura, atribuindo a Pan Gu a criação dos elementos físicos que compõem o Mundo.

Modernamente, Thomas Paine, filósofo britânico, e o naturalista holandês Franz Wilhelm Junghuhn redimensionaram os conceitos sobre Deísmo e Panteísmo em suas obras, introduzindo-as na mentalidade contemporânea.

Em 2001, Scott Adams escreveu God’s Debris (Restos do Deus), que propõe um formulário de Pandeísmo.

Panacéia

Remédio que curaria todos os males. Panacéia faz parte da mitologia, pois descende de Asclépio, o deus da Medicina, simbolizando a cura universal.

Antigamente, os médicos, quando acabavam de se formar, faziam um juramento chamado de o Juramento de Hipócrates, muito comprido, que começava assim:

“Eu juro, por Apolo médico, por Esculápio, Hígia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue…”

Mais modernamente, entenderam que não fazia sentido jurar em nome de deuses gregos, e a fórmula mudou.

Esculápio era o deus romano da Medicina e da cura. Foi herdado diretamente da mitologia grega, na qual tinha as mesmas propriedades, mas um nome sutilmente diferente: Asclépio (”cortar”).

Segundo reza o mito, Esculápio nasceu como mortal, mas depois da sua morte foi-lhe concedida a imortalidade, transformando-se na constelação Ofiúco. Dentre seus filhos, encontram-se Hígia e Telésforo.

Curiosamente, na província da Lusitânia, Esculápio era especialmente venerado, enquanto em Roma era considerada uma divindade menor.

Pandora

Na mitologia grega, Pandora (”bem-dotada”) foi a primeira mulher, criada por Zeus como punição aos homens pela ousadia do titã Prometeu em roubar dos céus o segredo do fogo.

Em sua criação, os vários deuses colaboraram com partes; Hefestos moldou sua forma a partir de argila, Afrodite deu-lhe beleza, Apolo ofereceu-lhe talento musical, Deméter ensinou-lhe a colheita, Atena concedeu-lhe habilidade manual, Poseidon deu-lhe um colar de pérolas e a certeza de não se afogar, e Zeus, uma série de características pessoais, além de uma caixa, a caixa de Pandora.

“Caixa de Pandora” é uma expressão utilizada para designar qualquer coisa que incita a curiosidade, mas que é preferível não tocar (como quando se diz que “a curiosidade matou o gato”). Tem origem no mito grego da primeira mulher, Pandora, que por ordem dos deuses abriu um recipiente (há polêmica quanto à natureza deste, talvez uma panela, um jarro, um vaso, ou uma caixa tal como um baú…) onde se encontravam todos os males que desde então se abateram sobre a humanidade, ficando apenas aquele que destruiria a esperança no fundo do recipiente. Existem algumas semelhanças com a história judaico-cristã de Adão (Adan) e Eva em que a mulher é, também, responsável pela desgraça do gênero humano.

Desde que Zeus (Júpiter) e seus irmãos (a geração dos deuses olímpicos) começaram a disputar o poder com a geração dos Titãs, Prometeu era visto como inimigo, e seus amigos mortais eram tidos como ameaça.

Sendo assim, para castigar os mortais, Zeus privou o homem do fogo; simbolicamente, da luz na alma, da inteligência… Prometeu, “amigo dos homens”, roubou uma centelha do fogo celeste e a trouxe à terra, reanimando os homens.

Ao descobrir o roubo, Zeus decidiu punir tanto o ladrão quanto os beneficiados. Prometeu foi acorrentado a uma coluna e uma águia devorava seu fígado durante o dia, o qual voltava a crescer à noite.

Para castigar o homem, Zeus ordenou a Hefesto (Vulcano) que modelasse uma mulher semelhante às deusas imortais e que tivesse vários dons. Atena (Minerva) ensinou-lhe a arte da tecelagem, Afrodite (Vênus) deu-lha a beleza e o desejo indomável, Hermes (Mercúrio) encheu-lhe o coração de artimanhas, imprudência, ardis, fingimento e cinismo, as Graças embelezaram-na com lindíssimos colares de ouro… Zeus enviou Pandora como presente a Epimeteu, o qual, esquecendo-se da recomendação de Prometeu, seu irmão, de que nunca recebesse um presente de Zeus, o aceitou. Quando Pandora, por curiosidade, abriu uma caixa que trouxera do Olimpo, como presente de casamento ao marido, dela fugiram todas as calamidades e desgraças que até hoje atormentam os homens. Pandora ainda tentou fechar a caixa, mas era tarde demais: ela estava vazia, com a exceção da “esperança”, que permaneceu presa junto à borda da caixa.

Pandora é a deusa da ressurreição. Por não nascer como a divindade, é conhecida como uma semideusa. Pandora era uma humana ligada a Hades. Sua ambição em se tornar a deusa do Olimpo e esposa de Zeus fez com que ela abrisse a ânfora divina. Zeus, para castigá-la, tirou a sua vida. Hades, com interesse nas ambições de Pandora, procurou as Pacas (dominadoras do tempo) e pediu para que o tempo voltasse. Sem a permissão de Zeus, elas não puderam fazer nada. Hades convenceu o irmão a ressuscitar Pandora. Graças aos argumentos do irmão, Zeus a ressuscitou dando a divindade que ela sempre desejava. Assim, Pandora se tornou a deusa da ressurreição. Para um espírito ressuscitar, Pandora entrega-lhe uma tarefa; se o espírito cumprir, ele é ressuscitado. Pandora, com ódio de Zeus por ele tê-la tornado uma deusa sem importância, entrega aos espíritos somente tarefas impossíveis. Desse modo, nenhum espírito conseguiu nem conseguirá ressuscitar.

Peter Pan

O menino mágico que voa sem medo de envelhecer, mas não quer crescer. Peter Pan leva-nos aos gnomos e fadas comuns em histórias européias antigas. Esses “arquétipos”, como Jung deveria dizer, têm reaparecido na “mente coletiva”, mais recentemente como o Sr. Spock. Quando despimos nosso amigo Vulcano (deus do fogo na Mitologia Romana) de seu uniforme Star Trek, encontramos a imagem familiar parecida com a do gnomo em um humanóide de orelhas pontudas com grande inteligência, ou seja, Peter, visto pela ótica mítica do deus Pan, deus dos bosques, da natureza selvagem que habita cada um de nós.

Pan, a carta “O Diabo” no Tarô Mitológico: o encontro com o que há de instintivo, sexual, amoral, cruel e divino. Quando essa carta sai em um jogo, é hora de confrontarmos o medo, de livrarmo-nos das amarras da moralidade, de expandirmos a mente por meio do encontro com o que há de sombra na nossa psique, com o que há de vergonha nos nossos cotidianos vividos, pensados e guardados.

Peter Pan toca sua flauta com nostalgia no filme de Hogan. Sem tristeza, porém. Afinal, ele só pode ter pensamentos felizes, pois só assim se pode voar.

Tomo a liberdade de transcrever aqui o Hino a Pan, do Mestre Aleister Crowley, para que possam ver que não estou “viajando” sozinho…

(*)Vibra do cio subtil da luz,

Meu homem e afã

Vem turbulento da noite a flux

De Pã! Iô Pã!

Iô Pã! Iô Pã! Do mar de além

Vem da Sicília e da Arcádia vem!

Vem como Baco, com fauno e fera

E ninfa e sátiro à tua beira,

Num asno lácteo, do mar sem fim,

A mim, a mim!

Vem com Apolo, nupcial na brisa

(Pegureira e pitonisa),

Vem com Artêmis, leve e estranha,

E a coxa branca, Deus lindo, banha

Ao luar do bosque, em marmóreo monte,

Manhã malhada da âmbrea fonte!

Mergulha o roxo da prece ardente

No ádito rubro, no laço quente,

A alma que aterra em olhos de azul

O ver errar teu capricho exul

No bosque enredo, nos nás que espalma

A árvore viva que é espírito e alma

E corpo e mente — do mar sem fim

(Iô Pã! Iô Pã!),

Diabo ou deus, vem a mim, a mim!

Meu homem e afã!

Vem com trombeta estridente e fina

Pela colina!

Vem com tambor a rufar à beira

Da primavera!

Com frautas e avenas vem sem conto!

Não estou eu pronto?

Eu, que espero e me estorço e luto

Com ar sem ramos onde não nutro

Meu corpo, lasso do abraço em vão,

Áspide aguda, forte leão —

Vem, está fazia

Minha carne, fria

Do cio sozinho da demonia.

À espada corta o que ata e dói,

Ó Tudo-Cria, Tudo-Destrói!

Dá-me o sinal do Olho Aberto,

E da coxa áspera o toque erecto,

E a palavra do louco e do secreto

Ó Pã! Iô Pã!

Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã Pã! Pã.,

Sou homem e afã:

Faze o teu querer sem vontade vã,

Deus grande! Meu Pã!

Iô Pã! Iô Pã! Despertei na dobra

Do aperto da cobra.

A águia rasga com garra e fauce;

Os deuses vão-se;

As feras vêm. Iô Pã! A matado,

Vou no corno levado

Do Unicornado.

Sou Pã! Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!

Sou teu, teu homem e teu afã,

Cabra das tuas, ouro, deus, clara

Carne em teu osso, flor na tua vara.

Com patas de aço os rochedos roço

De solstício severo a equinócio.

E raivo, e rasgo, e roussando fremo,

Sempiterno, mundo sem termo,

Homem, homúnculo, ménade, afã,

Na força de Pã.

Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!

(Magick in Theory and Practice, de The Master Therion, prefácio de

Aleister Crowley, 1929.)

Para finalizar essa pesquisa, concluo que muitos deuses antigos como Baco, Pã, Dionísio e Quíron (este foi uma das figuras mais nobres e inteligentes da mitologia. Em sua origem, Quíron era um deus da Medicina na mitologia tessaliana, mas se tornou um centauro imortal na mitologia grega, que tinha maior aceitação. Apesar de os centauros geralmente serem selvagens e indomáveis, Quíron era exceção. Destacou-se por sua inteligência, e seu conhecimento de Medicina foi legendário) foram representados com chifres. Lembro que até mesmo Moisés foi homenageado com chifres pelos seus seguidores, em sinal de respeito aos seus feitos e favores divinos.

Os chifres sempre foram representações da luz, da sabedoria e do conhecimento entre os povos antigos. Portanto, como podemos perceber, desde tempos imemoráveis os chifres foram considerados símbolos de realeza, divindade, fartura, e não símbolos do mal como muitos associaram e ainda associam. O chifre sempre simbolizou a força de um animal, ou o poder de uma pessoa ou nação.

Sl 89:17 – “Pois tu és a glória da sua força; e no teu favor será exaltado o nosso poder (chifre).”

Lam 2:3 – “No furor da sua ira cortou toda a força (o chifre) de Israel; retirou para trás a sua destra de diante do inimigo; e ardeu contra Jacó, como labareda de fogo que consome em redor.”

Examinando o verso, vemos que o altar e seus chifres eram um. Da mesma maneira que a Sua pessoa e o Seu poder são inseparáveis, conectados, não há nenhum limite para que Deus libere poder quando um sacrifício é feito. Note o que também é ensinado em relação aos chifres:

Ex 29:12 – “Depois tomarás do sangue do touro, e o porás com o teu dedo sobre as pontas (chifres) do altar, e todo o sangue restante derramarás à base do altar.”

Havia poder ilimitado no sangue que foi borrifado nos chifres. Também porque o sangue representa vida, e o sacrifício era um substituto, por causa de um, os pecadores viveriam com Deus. Havia uma união de sangue entre o altar, os chifres e o pecador.

A misericórdia de Deus também é vista aqui:

1Rs 1:50 – “Porém Adonias temeu a Salomão; e levantou-se, e foi, e apegou-se às pontas (chifres) do altar.”

Os sacrifícios também eram amarrados relutantemente com cordas aos chifres:

Sl 118:27 – “Deus é o SENHOR que nos mostrou a luz; atai o sacrifício da festa com cordas, até às pontas (chifres) do altar.”

Podemos dizer, então, que o Deus, a Grande Mãe e o Deus Cornífero representam juntos as forças vitais do Universo Cornífero. É o mais alto símbolo de realeza, prosperidade, divindade, luz sabedoria e fartura. É o poder que fertiliza todas as coisas existentes na Terra.

Eu Sou, apenas o que Sou…

Wagner Veneziani Costa

(*)N.E.: Hino a Pã; traduzido de Hymn To Pan, de Aleister Crowley, por Fernando Pessoa. Sobre o jeito da tradução, indico a leitura da monografia “Hino a Pã”, tradução de Helena Barbas; ela faz uma exaustiva análise das coisas que Pessoa troca, das censuras, etc.; ela diz que as alterações que lhe introduziu a uma leitura literal “não podem ser meramente explicadas por um esforço de poeticidade”.

A tradução foi publicada na edição de julho-outubro de 1931, de Presença.

Fontes:

http://www.cranik.com

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pandora

http://www.desejosesonhos.hpg.ig.com.br/pandora.htm

http://www.vidhya-virtual.com/vidhya4/antigahistoria3.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tup%C3%A3

http://www.emporiowicca.com.br/deus.htm

Créditos:

Primeira ilustração: Rosaleen Norton

Publicação arquivada em: Editor, Textos Publicados

Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 7481

Deixe um Comentário

http://blog.madras.com.br/2007/05/22/o-deus-pan/Você deve estar conectado para publicar um comentário.

Linkar esta publicação  |  Assine os comentários via o RSS


Calendário

Maio 2007
S T Q Q S S D
« Dez   Set »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Minhas Publicações Recentes

Publicações por Mês

Estatísticas

Meta