Arquivo de Setembro de 2007

Grão-Mestre da Grande Loja de Marca do Brasil, Fernando Túllio Colacioppo Jr. e Grão-Mestre Assistente Wagner Veneziani Costa.

Maçonaria

Adicionar comentário 10 de Setembro de 2007 às 09:19 Editor

Caros Irmãos,

Recebam minhas Cordiais Saudações!

NOSSA CAMINHADA VALEU A PENA!

Quem cativa a vitória é aquele que crê plenamente.

Quero compartilhar com todos vocês a minha alegria e satisfação pelo trabalho que desenvolvemos nos últimos quatro anos na Maçonaria Paulista.

Nossa Secretaria de Cultura e Educação Maçônicas do GOSP se destacou nesse período porque trabalhamos aplicando técnicas eficientes, consciente ou inconscientemente.

O trabalho não nos assustou, a batalha nos deu ânimo, e o resultado final todos conhecem: Vencemos! Tudo isso graças à união de seus integrantes, que se dedicaram com afinco e amor nas ações que propomos desenvolver.

O espírito de Liberdade e Fraternidade também foi primordial para bom andamento das nossas tarefas, pois sempre procuramos dar atenção às idéias que nos foram propostas pelos Irmãos, para que pudéssemos ampliar e melhorar o trabalho da nossa Grande Secretaria. Ao final de tudo, quem sempre ganhou foi a nossa Sublime Ordem e, por conseqüência, todos nós que nela estamos engajados.

Aos nossos contrários, os nossos agradecimentos, pois nos auxiliaram, fazendo com que progredíssemos, ainda mais, em nossos projetos e objetivos.

Essa preocupação esteve presente em todos os dias dos quatro anos em que estive à frente de nossa Secretaria de Cultura e Educação Maçônicas.

Procuramos, a todo instante e em todas as nossas decisões, atender ao interesse dos Irmãos.

Como em todo trabalho que é feito com seriedade, foi necessário disciplina e determinação. Foi preciso exercitar a paciência e a tolerância. Foi preciso resistir. Houve momentos difíceis, em que o “não” foi a melhor resposta. Foi também necessário ouvir, acolher, incentivar, motivar. Foi preciso buscar a sabedoria. Foi preciso trabalhar muito.

Foi um trabalho de equipe, no qual o Grande Secretário foi apenas uma das peças de uma engrenagem ajustada e produtiva, que derrubou barreiras, quebrou paradigmas, estabeleceu novos conceitos e valores. E isso, meus Irmãos, é um fato.

Quando olhamos para trás, damos conta do longo caminho percorrido, e a experiência acumulada nos faz antever ainda a extensa viagem que hoje se inicia.

Esse período de quatro anos consolidou uma transição sem precedentes na história da Cultura e da Educação na Maçonaria, não só aqui em São Paulo, mas em todo o Brasil.

Incentivamos e priorizamos o fortalecimento dos ERACOMs – garantindo a sua tranqüila realização. Motivamos também a criação de mais dez Departamentos para agilizar e priorizar todas as nossa necessidades, assim como as tarefas. Como se vê, trata-se de trabalhos anônimos, cujo volume passa despercebido pela maior parte dos Irmãos. No entanto, são imprescindíveis para alcançarmos os objetivos almejados pela Secretaria de Cultura e Educação Maçônicas do GOSP.

O nosso propósito sempre foi o de fazer da Maçonaria uma escola, resgatando suas antigas tradições, garantindo o direito do Irmão que tomou ingresso “esperando” ter uma oportunidade de crescer, de se desenvolver espiritual e materialmente, pois melhorando a si mesmo, com certeza, irradia-se esse bem-estar aos que convivem com ele, participando assim da construção social…

Incentivamos a criação de diversos Cursos para as Dignidades Maçônicas e Oficiais, com a finalidade de preparar mais Irmãos para ministrarem cursos em suas regiões, de modo que não mantivéssemos uma estrutura dependente para poder se desenvolver, mas que pudesse caminhar com suas próprias pernas, mas sem perder a essência e os princípios do que é desenvolvido pelo GOSP, ou seja, sempre com a nossa supervisão e apoio, fizemos um trabalho de Multiplicadores em nosso Estado. Além disso, promovemos diversas palestras para os Irmãos, que pudessem acrescentar ainda mais seus conhecimentos a respeito da Filosofia e do Simbolismo Maçônicos.

Mas não ficamos restritos na expansão do conhecimento e da cultura aos Irmãos da Maçonaria, decidimos oferecer palestras e cursos extensivos às nossas Cunhadas, Sobrinhos e a toda a comunidade, com temas de interesses gerais que os ajudassem em seu dia-a-dia.

Outras ações que nos deixaram imensamente satisfeitos foram a ampliação e a reforma da Biblioteca do Grande Oriente de São Paulo, da Hemeroteca, da Pinacoteca, da Numismática e do seu Museu, que tiveram um crescimento considerável do número de obras e peças em seus acervos, que ficarão para a posteridade, para consultas, estudos e pesquisas dos maçons do futuro.

Não podemos deixar de mencionar o jornal Nova Era Maçônica, que desenvolvemos com o intuito de manter os Irmãos sempre atualizados a respeito dos assuntos maçônicos e também de utilidade pública, culturais e sociais. Em sua 36ª edição, foi disponibilizado em versões impressas eletrônicas (veja todas elas no site do GOSP: www.gosp.org.br).

Também pudemos colaborar na preparação do Boletim Oficial, que, nos últimos meses, passou a ser distribuído eletronicamente, dentro da proposta GOSP ON-LINE, permitindo que os Irmãos recebam as nossas novidades em tempo real, mantendo-se bem informados das novidades do GOSP.

O Livro Completo para Lojas Maçônicas foi outro empreendimento da nossa Grande Secretaria que nos encheu de alegria, por poder oferecer às Lojas e aos Irmãos um farto material que pudesse ser consultado para sanar suas dúvidas e facilitar seus trabalhos em Loja. A primeira edição, com tiragem de 3 mil exemplares, foi distribuída graciosamente a todos os Orientes e Lojas do Estado de São Paulo e aos Orientes de todo o Brasil.

Além disso, nossa Grande Secretaria teve a felicidade de fazer doações de diversas obras literárias maçônicas para a formação de bibliotecas não só em São Paulo, mas em todos os Estados do território nacional, expandindo a Cultura e a Educação Maçônicas em nosso país.

Promovemos também Pesquisas, Debates e Trabalhos por meio de grupos na internet de todos os Ritos regulares no Brasil. Tivemos, ainda, participação efetiva em todas as Ordens recém-chegadas ao Brasil, como: Maçonaria da Marca; Nautas da Arca Real, Arco Real; Cavaleiros Templários e Cavaleiros de Malta e Cavaleiro Sacerdote Templário do Santo Arco Real.

Graças ao bom relacionamento que conquistamos, conseguimos firmar convênio com algumas farmácias para que os Irmãos obtivessem descontos na aquisição de medicamentos.

Em meio a tanto trabalho, observamos que não podíamos esquecer de que o lazer e o entretenimento também são necessários para o bem-estar do ser humano. Foi então que promovemos e incentivamos atividades culturais, como apresentações musicais e peças de teatro.

Maçonaria em Terra e em Alto Mar (Cruzeiros Marítimos) foi outro projeto desenvolvido pela Grande Secretaria de Cultura e Educação Maçônicas com a intenção de maior interação entre nossos familiares e entre os próprios maçons. Pudemos viver momentos de muita alegria, descontração e expansão dos laços da Fraternidade.

Todos nós sabemos que muitas vezes abrimos mão do carinho de nossas famílias, pessoas que realmente nos amam, para nos dedicar a Ordem. Por isso, esses momentos de socialização e integração são muito importantes para a família maçônica.

Quero agradecer aos demais Irmãos Grandes Secretários que dividiram comigo a responsabilidade da condução da nossa Grande Secretaria de Cultura e Educação Maçônicas e estendo o meu agradecimento a todos os funcionários do GOSP que atenderam ao nosso chamado e tornaram realidade uma nova Filosofia Maçônica, calcada no profissionalismo, na justiça e no respeito aos direitos dos Irmãos.

Não podemos deixar de citar que todos nós somos SÓCIOS, pois nos cotizamos, trabalhamos e colaboramos com o crescimento de nossa Ordem. Somos responsáveis diretos do rumo que nossa Ordem segue. Portanto, que não sejamos simples marionetes nesse contexto. Arregassemos as mangas e mãos à obra. Devemos estar sempre atentos; cobrar atitudes e realizações de nossas Autoridades, além de direito é um dever nosso, pois nos cabe dar exemplos ao mundo que chamamos de profano…

Desejo que a Ordem cumpra e faça cumprir seus objetivos. Que os que estão chegando tenham o mesmo apoio e incentivo que tive durante a gestão 2003-2007, que não mudem o que estava dando certo, apenas pela vaidade de dizer que “mudei”. Façam seu trabalho conscientemente…

E se algo precisa ser mudado, tem de mudar com a vontade de todos, com esta capacidade de reformar, que é o melhor na nossa tradição e será o melhor no nosso futuro. Não se esqueçam de que estávamos fazendo e não apenas falando. Os cães ladram e a caravana passa…

Desejo sucesso especial aos Irmãos que irão governar nosso Grande Oriente de São Paulo, Benedito Marque Ballouk Filho, Grão-Mestre, e Mario Sergio Nunes da Costa Grão-Mestre Adjunto, com quem tive a satisfação de conviver nesses últimos quatro anos e compartilhar nossos conhecimentos.

Felizmente ou infelizmente preciso recarregar minhas energias e refletir muito a respeito de diversas questões em minha vida. Por isso, deixo a Grande Secretaria de Cultura e Educação Maçônicas, com a certeza de ter cumprido o meu compromisso, oferecendo à Maçonaria Paulista o melhor que há em mim, ou seja, o meu amor pela nossa Sublime Ordem, à qual abracei com os meus mais nobres sentimentos. Esses quatro anos me permitiram sentir um homem e um maçom ainda mais completo, pois me senti útil no trabalho maçônico, podendo doar e receber, fazer novos amigos e crescer espiritualmente. O que mais posso querer?

Agradeço imensamente a minha família, minha mulher, minhas filhas, meu pai e minha mãe, meus irmãos, cunhadas e sobrinhos que estiveram comigo em todos os momentos.

Agradeço, principalmente, ao Grande Arquiteto do Universo, que me tem cumulado de bênçãos e me concedeu a felicidade e a honra de ter servido a minha Ordem na condição de Grande Secretário de Cultura e Educação Maçônicas do GOSP. Que Ele, na sua infinita bondade e onipotência, abençoe a Maçonaria e a todos nós.

Tolerância Máxima, Vigilância Total.

Eu Sou,

Wagner Veneziani Costa

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VONTADE!!!

Meus Irmãos e Frateres,
Recebam os meus mais sinceros votos de Luz, Amor e Paz!!!
Acredito piamente que estou aqui para cumprir minha MISSÃO…Fui enviado para realizar minha tarefa… E desta Eu Sou o Escolhido. Não me inveje, me supere…WLux11
“A Magia é a Arte ou a Ciência de causar mudanças com a Força de Vontade” Aleister Crowley
“Invoca-me sob as estrelas! O Amor é a Lei, o Amor antes do querer. Que nem os tontos equivoquem o Amor, porque há amor e Amor, existem a pomba e a serpente. Escolha Bem!…” - O Livro da Lei
“A Lei é feita da tua vontade. A Lei é a do Amor, o amor sob tua vontade, não há mais a Lei; faça a tua Vontade” Aleister Crowley
Minha Lei é a minha Vontade…Que se cumpra a MINHA VONTADE! Assim na Terra como em qualquer outro lugar do Universo…Frater WLux 11
Quando um Ser defender a LIBERDADE, fale duas ou três “verdades” sobre ele… E ai você vai sentir a hipocrisia, de alguns babacas que dizem lutar pela liberdade… Fale a respeito das coisas que ele gosta e emita uma opinião contraria…rsrsrsrsrsrsrsrs. Liberdade é coisa séria!!! Mas não se tem liberdade sem conhecimento…Mente Lúcida! Sem preconceitos…, sem formas…, sem conceitos…, sem pecados! A Liberdade é Pura e Natural!
Liberdade, Liberdade para quem quer ser livre, a destruição da escravidão chamada religião que impõe regras e diz libertar pessoas que após matar, roubar e destruir com vidas e lares, após se converterem se acham melhores e mais “santos” que qualquer outro. Assim surgiu o cristianismo e centenas de outras religiões!, Privando o ser humano de sua liberdade e destruindo culturas primitivas, unificando o mundo em uma só doutrina escrava.
Lembre-se de Eva e Adan, invertam as palavras…rsrsrsr. Falando sério… Quando Eva preferiu o livre-arbitrio, passou a ser uma “pecadora” e foi expulsa do tal paraíso… Pegou suas coisas e mudou-se para santana rsrsrsrsrsrs. Prometo parar com as piadinhas, vamos ao que interessa de fato:

Sei que é inútil tentar discutir os juízos de valores fundamentais. Se alguém aprova como meta, por exemplo, a eliminação da espécie humana da face da Terra, não se pode refutar esse ponto de vista em bases racionais. Se houver porém concordância quanto a certas metas e valores, é possível discutir
racionalmente os meios pelos quais esses objetivos podem ser atingidos. Indiquemos, portanto, duas metas com que certamente estarão de acordo quase todos os que lêem estas linhas. Por Eisntein:

1. Os bens instrumentais que servem para preservar a vida e a saúde de todos os seres humanos devem ser produzidos mediante o menor esforço possível de todos.

2. A satisfação de necessidades físicas é por certo a precondição indispensável de uma existência satisfatória, mas em si mesma não é suficiente. Para se realizar, os homens precisam ter também a possibilidade de desenvolver suas capacidades intelectuais artísticas sem limites restritivos, segundo suas características e aptidões pessoais. A primeira dessas duas metas exige a promoção de todo conhecimento referente às leis da natureza e dos processos sociais, isto é, a promoção de todo esforço científico. Pois o empreendimento científico é um todo natural, cujas partes se sustentam mutuamente de uma maneira que certamente ninguém pode prever. Entretanto, o progresso da ciência pressupõe a possibilidade de comunicação irrestrita de rodos os resultados e julgamentos - liberdade de expressão e ensino em todos os campos do esforço intelectual. Por liberdade, entendo condições sociais, tais que, a expressão de opiniões e afirmações sobre questões gerais e particulares do conhecimento não envolvam perigos ou graves desvantagens para seu autor. Essa liberdade de comunicação é indispensável para o desenvolvimento e a ampliação do conhecimento científico, aspecto de grande importância prática. Em primeiro lugar, ela deve ser assegurada por lei.

Mas as leis por si mesmas não podem assegurar a liberdade de expressão; para que todo homem possa expor suas idéias sem ser punido, deve haver um espírito de tolerância em toda a população. Tal ideal de liberdade externa jamais poderá ser plenamente atingido, mas deve ser incansavelmente perseguido para que o pensamento científico e o pensamento filosófico, e criativo em geral, possam avançar tanto quanto possível. Para que a segunda meta, isto é, a possibilidade de desenvolvimento espiritual de todos os indivíduos, possa ser assegurada, é necessário um segundo tipo de liberdade externa. O homem não deve ser obrigado a trabalhar para suprir as necessidades da vida numa intensidade tal que não lhe restem tempo nem forças para as atividades pessoais. Sem este segundo tipo de liberdade externa, a liberdade de expressão é inútil para ele. Avanços na tecnologia tornariam possível esse tipo de liberdade, se o problema de uma divisão justa do trabalho fosse resolvido.

O desenvolvimento da ciência e das atividades criativas do espírito em geral exige ainda outro tipo de liberdade, que pode ser caracterizado como liberdade interna. Trata-se daquela liberdade de espírito que consiste na independência do pensamento em face das restrições de preconceitos autoritários e sociais, bem como, da “rotinização” e do hábito irrefletidos em geral. Essa liberdade interna é um raro dom da natureza e uma valiosa meta para o indivíduo. No entanto, a comunidade pode fazer muito para favorecer essa conquista, pelo menos, deixando de interferir no desenvolvimento. As escolas, por exemplo, podem interferir no desenvolvimento da liberdade interna mediante influências autoritárias e a imposição de cargas espirituais aos jovens excessivas; por outro lado, as escolas podem favorecer essa liberdade, incentivando o pensamento independente. Só quando a liberdade externa e interna são constantes e conscienciosamente perseguidas há possibilidade de desenvolvimento e aperfeiçoamento espiritual e, portanto, de aprimorar a vida externa e interna do homem.

Parte I

Durante o século passado e em parte do que o precedeu, a existência de um conflito insolúvel entre conhecimento e crença foi amplamente sustentada. Prevalecia entre mentes avançadas a opinião de que chegara a hora de substituir, cada vez mais, a crença pelo conhecimento; toda crença que não se fundasse ela própria em conhecimento era superstição e, como tal, devia ser combatida. Segundo essa concepção, a função exclusiva da educação seria abrir caminho para o pensamento e o conhecimento, devendo a escola, como o órgão por excelência para a educação do povo, servir exclusivamente a esse fim.

É provável que raramente, ou mesmo nunca, possamos encontrar o ponto de vista racionalista expresso com tanta crueza; pois todo homem sensível veria de imediato o quanto essa formulação é tendenciosa. Mas é conveniente formular uma tese de maneira nua e crua quando se quer aclarar a própria mente com relação a sua natureza. É verdade que a experiência e o pensamento claro são a melhor maneira de fundamentar as convicções. Quanto a isto, podemos concordar irrestritamente com o racionalista extremado. O ponto fraco dessa concepção, contudo, e que as convicções necessárias e determinantes para nossa conduta e nossos juízos não podem ser encontradas unicamente nessa sólida via cientifica. Pois o método cientifico não nos pode ensinar outra coisa além do modo como os fatos se relacionam e são condicionados uns pelos outros. A aspiração a esse conhecimento objetivo está entre as mais elevadas de que o homem e capaz, e certamente ninguém pode suspeitar que eu deseje subestimar as realizações e os heróicos esforços do homem nessa esfera.

É igualmente claro, no entanto, que o conhecimento do que é, não abre diretamente a porta para o que deve ser. Podemos ter o mais claro e completo conhecimento do que é, sem contudo sermos capazes de deduzir disso qual deveria ser a meta de nossas aspirações humanas. O conhecimento objetivo nos fornece poderosos instrumentos para atingir certos fins, mas a meta final em si é a mesma, e o desejo de atingi-la devem emanar de outra fonte. E é praticamente desnecessário defender a idéia de que nossa existência e nossa atividade só adquirem ’sentido’ mediante o estabelecimento de uma meta como essa e dos valores correspondentes. O conhecimento da verdade como tal é maravilhoso, mas é tão pouco capaz de servir de guia que não consegue provar sequer a justificação e o valor da aspiração a esse mesmo conhecimento da verdade.

Aqui defrontamos, portanto, com os limites da concepção puramente racional de nossa existência. Mas não se deve presumir que o pensamento inteligente não possa desempenhar nenhum papel na formação da meta e de juízos éticos. Quando alguém se dá conta de que certo meio seria útil para a consecução de um fim, isto faz com que o próprio meio se torne um fim. A inteligência elucida para nós a inter-relação entre meios e fins. O mero pensamento não pode, contudo, nos dar uma consciência dos fins últimos e fundamentais. Elucidar esses fins e valores fundamentais é engastá-los firmemente na vida emocional do indivíduo; parece-me, precisamente, a mais importante função que a religião tem a desempenhar na vida social do homem. E se alguém pergunta de onde provém a autoridade desses fins fundamentais, já que eles não podem ser formulados e justificados puramente pela razão, só há uma resposta: eles existem numa sociedade saudável na forma de tradições vigorosas, que agem sobre a conduta, as aspirações e os juízos dos indivíduos; eles existem, isto é, vivem dentro dela, sem que seja preciso encontrar justificação para sua existência. Nascem, não através da demonstração, mas da revelação, por meio de personalidades excepcionais. Não se deve tentar justificá-los, mas antes, sentir, simples e claramente, sua natureza. Os mais elevados princípios para nossas aspirações e juízos nos são dados pela tradição religiosa judáico-cristã. Trata-se de uma meta muito elevada, que, com nossos parcos poderes, só podemos atingir de maneira muito insatisfatória, mas que da um sólido fundamento a nossas aspirações e avaliações. Se quiséssemos tirar essa meta de sua forma religiosa e considerar apenas seu aspecto puramente humano, talvez pudéssemos formulá-la assim: desenvolvimento livre e responsável do indivíduo, de modo que ele possa por suas capacidades, com liberdade e alegria a serviço de toda a humanidade.
Não há lugar nisso para a divinização de uma nação, de uma classe, nem muito menos de um indivíduo. Não somos todos filhos de um só pai, como se diz na linguagem religiosa? Na verdade, mesmo a divinização da humanidade, como totalidade abstrata, não estaria no espírito desse ideal. E somente ao indivíduo que é dada uma alma. E o ’sublime’ destino do indivíduo é antes servir que comandar, ou impor-se de qualquer outra maneira. Se considerarmos mais a substância que a forma, poderemos ver também nestas palavras a expressão da postura democrática fundamental. Ao verdadeiro democrata e tão inviável idolatrar sua nação quanto ao homem religioso, no sentido que damos ao termo.

Qual será então, em tudo isto, a função da educação e da escola? Elas devem ajudar o jovem a crescer num espírito tal que esses princípios fundamentais sejam para ele como o ar que respira. O mero ensino não pode fazer isso. Se mantermos esses princípios elevados claramente diante de nossos olhos, e os comparamos com a vida e o espírito de nosso tempo, revela-se flagrantemente que a própria humanidade civilizada encontra-se, neste momento, em grave perigo. Nos Estados totalitários, são os próprios governantes que se empenham hoje em destruir esse espírito de humanidade. Em lugares menos ameaçados, são o nacionalismo e a intolerância, bem com a opressão dos indivíduos por meios econômicos, que ameaçam sufocar essas tão preciosas tradições.

A clareza da enormidade do perigo está se difundindo, no entanto, entre as pessoas que pensam, e há uma grande procura de meios que permitam enfrentar o perigo - meios no campo da política nacional e internacional, da legislação, da organização em geral. Esses esforços são, sem dúvida, extremamente necessários. Contudo, os antigos sabiam algo que parecemos ter esquecido. “Todos os meios mostram-se um instrumento grosseiro quando não tem atrás de si um espírito vivo”. Se o desejo de alcançar a meta estiver vigorosamente vivo dentro de nós, porém, não nos faltarão forças para encontrar os meios de alcançar a meta e traduzi-la em atos.

Parte II

Não seria difícil chegar a um acordo quanto ao que entendemos por ciência. Ciência é o esforço secular de reunir, através do pensamento sistemático, os fenômenos perceptíveis deste mundo, numa associação tão completa quanto possível. Falando claramente, é a tentativa de reconstrução posterior da existência pelo processo da conceituação. Mas, quando pergunto a mim mesmo o que é a religião, a resposta não me ocorre tão facilmente. E, mesmo depois de encontrar uma resposta que possa me satisfazer num momento particular, continuo convencido de que nunca consigo, em nenhuma circunstância, criar um acordo, mesmo que muito limitado, entre todos os que refletem seriamente sobre essa questão.

De início, portanto, em vez de perguntar o que é religião, eu preferiria indagar o que caracteriza as aspirações de uma pessoa que me dá a impressão de ser religiosa: uma pessoa religiosamente esclarecida parece-me ser aquela que, tanto quanto lhe foi possível, libertou-se dos grilhões, de seus desejos egoístas e está preocupada com pensamentos, sentimentos e aspirações a que se apega em razão de seu valor supra pessoal. Parece-me que o que importa é a força desse conteúdo supra pessoal, e a profundidade da convicção na superioridade de seu significado, quer se faça ou não alguma tentativa de unir esse conteúdo com um Ser divino, pois, de outro modo, não poderíamos considerar Buda e Spinoza como personalidades religiosas. Assim, uma pessoa religiosa é devota no sentido de não ter nenhuma dúvida quanto ao valor e eminência dos objetivos e metas supra pessoais que não exigem nem admitem fundamentação racional. Eles existem, tão necessária e corriqueiramente quanto ela própria. Nesse sentido, a religião é o antiqüíssimo esforço da humanidade para atingir uma clara e completa consciência desses valores e metas e reforçar e ampliar incessantemente seu efeito. Quando concebemos a religião e a ciência segundo estas definições, um conflito entre elas parece impossível. Pois a ciência pode apenas determinar o que é, não o que deve ser, está fora de seu domínio, todos os tipos de juízos de valor continuam sendo necessários. A religião, por outro lado, lida somente com avaliações do pensamento e da ação humanos: não lhe é lícito falar de fatos e das relações entre os fatos. Segundo esta interpretação, os famosos conflitos ocorridos entre religião e ciência no passado devem ser todos atribuídos a uma apreensão equivocada da situação descrita.

Um conflito surge, por exemplo, quando uma comunidade religiosa insiste na absoluta veracidade de todos os relatos registrados na Bíblia. Isso significa uma intervenção da religião na esfera da ciência; é aí que se insere a luta da Igreja contra as doutrinas de Galileu e Darwin. Por outro lado, representantes da ciência tem constantemente tentado chegar a juízos fundamentais com respeito a valores e fins com base no método científico, pondo-se assim em oposição a religião. Todos esses conflitos nasceram de erros fatais.

Ora, ainda que os âmbitos da religião e da ciência sejam em si claramente separados um do outro, existem entre os dois fortes relações recíprocas e dependências. Embora possa ser ela o que determina a meta, a religião aprendeu com a ciência, no sentido mais amplo, que meios poderão contribuir para que se alcancem as metas que ela estabeleceu. A ciência, porém, só pode ser criada por quem esteja plenamente imbuído da aspiração e verdade, e ao entendimento. A fonte desse sentimento, no entanto, brota na esfera da religião. A esta se liga também a fé na possibilidade de que os regulamentos válidos para o mundo da existência sejam racionais, isto é, compreensíveis à razão. Não posso conceber um autêntico cientista sem essa fé profunda. A situação pode ser expressa por uma imagem: a ciência sem religião e aleijada, a religião sem ciência e cega.
Embora eu tenha afirmado acima que um conflito legítimo entre religião e ciência não pode existir verdadeiramente, devo fazer uma ressalva a esta afirmação, mais uma vez, num ponto essencial, com referencia ao conteúdo efetivo das religiões históricas. Esta ressalva tem a ver com o conceito de Deus. Durante o período juvenil da evolução espiritual da humanidade, a fantasia humana criou a sua própria imagem ‘deuses’ que, por seus atos de vontade, supostamente determinariam ou, pelo menos, influenciariam o mundo fenomênico. O homem procurava alterar a disposição desses deuses a seu próprio favor, por meio da magia e da prece. A idéia de Deus, nas religiões ensinadas atualmente, é uma sublimação dessa antiga concepção dos deuses. Seu caráter antropomórfico se revela, por exemplo, no fato de os homens recorrerem ao Ser Divino em preces, a suplicarem a realização de seus desejos.

Certamente, ninguém negará que a idéia da existência de um Deus pessoal, onipotente, justo e todo-misericordioso é capaz de dar ao homem consolo, ajuda e orientação; e também, em virtude de sua simplicidade, acessível as mentes menos desenvolvidas. Por outro lado, porem, esta idéia traz em si aspectos vulneráveis e decisivos, que se fizeram sentir penosamente desde o início da história. Ou seja, se esse ser é onipotente, então tudo o que acontece, aí incluídos cada ação, cada pensamento, cada sentimento e aspiração do homem, é também obra Sua; nesse caso, como é possível pensar em responsabilizar o homem por seus atos e pensamentos perante esse Ser ‘todo-poderoso’? Ao distribuir punições e recompensas, Ele estaria, até certo ponto, julgando a Si mesmo. Como conciliar isso com a bondade e a justiça a Ele atribuídas? A principal fonte dos conflitos atuais entre as esferas da religião e da ciência reside nesse conceito de um Deus pessoal. A ciência tem por objetivo estabelecer regras gerais que determinem a conexão recíproca de objetos e eventos no tempo e no espaço. A validade absolutamente geral dessas regras, ou leis da natureza, e algo que se pretende - mas não se prova. Trata-se sobretudo de um projeto, e a confiança na possibilidade de sua realização, por princípio, funda-se apenas em sucessos parciais. Seria difícil, porém, encontrar alguém que negasse esses sucessos parciais e os atribuísse a ilusão humana. O fato de sermos capazes, com base nessas leis, de predizer o comportamento temporal dos fenômenos de certos domínios, com grande precisão e certeza, está profundamente enraizado na consciência do homem moderno, ainda que possamos ter apreendido muito pouco do conteúdo dessas leis. Basta considerarmos que as trajetórias planetárias do sistema solar podem ser antecipadamente calculadas, com grande exatidão, com base num número limitado de leis simples. De maneira similar, embora não com a mesma precisão, é possível calcular antecipadamente o modo de funcionamento de um motor elétrico, de um sistema de transmissão ou de um aparelho de rádio, mesmo quando estamos lidando com uma invenção inédita.

É bem verdade que, quando o número de fatores em jogo num complexo fenomenólogico é grande demais, o método científico nos decepciona na maioria dos casos. Basta pensarmos nas condições do tempo, cuja previsão, mesmo para alguns dias à frente, é impossível. Ninguém duvida, contudo, de que estamos diante de uma conexão causal cujos componentes causais nos são essencialmente conhecidos. As ocorrências nessa esfera estão fora do alcance da predição exata por causa da multiplicidade de fatores em ação, e não por alguma falta de ordem na natureza. Penetramos muito menos profundamente nas regularidades que prevalecem no âmbito das coisas vivas, mas o suficiente, de todo modo, para pelo menos perceber a existência de uma regra necessária. Basta pensarmos na ordem sistemática presente na hereditariedade e no efeito que provocam os venenos - como o álcool, por exemplo - no comportamento dos seres orgânicos. O que ainda falta aqui é uma compreensão de caráter profundamente geral das conexões, não um conhecimento da ordem enquanto tal.

Quanto mais o homem esta imbuído da regularidade ordenada de todos os eventos, mais firme se torna sua convicção de que não sobra lugar, ao lado dessa regularidade ordenada, para causas de natureza diferente. Para ele, nem o domínio da vontade humana, nem o da vontade divina existirão como causa independente dos eventos naturais. Não há dúvida de que a doutrina de um Deus pessoal que interfere nos eventos naturais jamais poderia ser refratada, no sentido verdadeiro, pela ciência, pois essa doutrina pode sempre procurar refúgio nos campos em que o conhecimento científico ainda não foi capaz de se firmar. Estou convencido, porém, de que tal comportamento por parte dos representantes da religião seria não só indigno como desastroso. Pois uma doutrina que não é capaz de se sustentar à “plena luz”, mas apenas na escuridão, está fadada a perder sua influência sobre a humanidade, com incalculável prejuízo para o progresso humano. Em sua luta pelo bem ético, os professores de religião precisam ter a envergadura para abrir mão da doutrina de um Deus pessoal, isto é, renunciar a fonte de medo e esperança que, no passado, concentrou um poder tão amplo nas mãos dos sacerdotes. . Em seu ofício, terão de se valer daqueles forças que são capazes de cultivar o Bom, o Verdadeiro e o Belo na própria humanidade. Trata-se, sem dúvida, de uma tarefa mais difícil, mas incomparavelmente mais valiosa. Quando tiverem realizado esse processo de depuração, os professores da religião certamente hão de reconhecer com alegria que a verdadeira religião ficou enobrecida e mais profunda graças ao conhecimento científico.

Se um dos objetivos da religião é libertar a humanidade, tanto quanto possível, da servidão dos anseios, desejos e temores egocêntricos, o raciocínio científico pode ajudar a religião em mais um sentido. Embora seja verdade que a meta da ciência é descobrir regras que permitam associar e prever os fatos, essa não é sua única finalidade. Ela procura também reduzir as conexões descobertas ao menor número possível de elementos conceituais mutuamente independentes. E nessa busca da unificação racional do múltiplo que a ciência logra seus maiores êxitos, embora seja precisamente essa tentativa que a faz correr os maiores riscos de se tornar uma presa das ilusões. Mas todo aquele que experimentou intensamente os avanços bem-sucedidos feitos nesse domínio é movido por uma profunda reverência pela racionalidade que se manifesta na existência. Através da compreensão, ele conquista uma emancipação de amplas conseqüências dos grilhões das esperanças e desejos pessoais, atingindo assim uma atitude mental de humildade perante a grandeza da razão que se encarna na existência e que, em seus recônditos mais profundos, é inacessível ao homem. Essa atitude, contudo, parece-me ser religiosa, no mais elevado sentido da palavra. A meu ver, portanto, a ciência não só purifica o impulso religioso do entulho de seu antropomorfismo, como contribui para uma ‘espiritualização’ religiosa de nossa compreensão da vida.Quanto mais avança a evolução espiritual da humanidade, mais certo me parece que o caminho para a religiosidade genuína não passa pelo medo da vida, nem pelo medo da morte, ou pela fé cega, mas pelo esforço em busca do conhecimento racional. Neste sentido, acredito que o sacerdote, se quiser fazer jus a sua ’sublime’ missão educacional, deve tornar-se um professor.

Esse incentivo para a pessoa tornar-se o que é, como diria Nietzche, é a síntese da Sociedade Alternativa, e Raul repetiria essa frase em mais de uma ocasião, visando divulgar a lei máxima de um comportamento autêntico.
SER VOCÊ MESMO!
Eu Sou, apenas isso… Wagner Veneziani Costa… Um outro Você!,.

Fontes
Fonte de pesquisa:
“Ciência e Religião” (1939-1941) - Págs. 25 a 34. Einstein, Albert, 1870-1955 Título original: “Out of my later years.”
Escritos da Maturidade: artigos sobre ciência, educação, relações sociais, racismo, ciências sociais e religião.
Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges -
Rio de Janeiro : Editora Nova Fronteira,
1994.
Costa, Wagner Veneziani - Além do Pensar - Madras Editora (prelo). São Paulo.

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