Quarta, 21 de Maio de 2008

Arquivo Diário

MOISÉS EXISTIU ???

Publicado por Editor em 21 Mai 2008 | sob: Editor, Madras, Livros, Moisés existiu???

Meus Irmãos,

Recebam as minhas Cordiais Saudações!!!

Tenho dentro de mim, algo que pode ser, de certa forma, confirmado através do texto que compilei…
Moisés Existiu??? Ou é mais um Fruto criado por umadas Religião sedenta pelo Poder e pela Glória…
Vocês tirarão as suas próprias conclusões…

Estabelecer um ponto de partida para identificar uma das principais figuras bíblicas e a maior da história egípcia. Quem foi José, o patriarca que trouxe a tribo de Israel de Canaã para o Egito? Quem foi o faraó desconhecido que o apontou como um ministro sênior, o verdadeiro governante do país em nome do rei? Quem foi Moisés? Se, como acredito, o Velho Testamento foi uma obra fundamentalmente verídica, os personagens tinham de estar ligados à história egípcia.

Há anos me deparei com a pista vital (em retrospecto, o que parece um momento de inspiração) embebida em um texto bíblico tão familiar que achei difícil acreditar que a sua significância não tivesse me alcançado muitos anos antes. A passagem em questão está no Livro do Gênesis. Os irmãos do patriarca José, como é dito, venderam-no como escravo no Egito onde, como um resultado da interpretação do sonho do faraó a respeito dos sete anos de abundância que seriam seguidos por sete anos de miséria, ele foi apontado como ministro sênior do rei. Os irmãos depois fizeram duas visitas ao Egito na época da fome em Canaã. Em uma segunda ocasião, José revelou sua identidade para eles, mas lhes assegurou que não deveriam se envergonhar por tê-lo vendido ao comércio de escravos, porque não foram eles que o enviaram “para aqui, mas Deus mesmo. Ele tornou-me como o pai do faraó.” (Gen. 45:8.)

Um pai para o faraó! Pensei imediatamente — e, como eu disse, não poderia entender por que não tinha feito a ligação antes — em Yuya, ministro de dois governantes da Décima Oitava Dinastia. Embora Yuya aparentemente não tivesse sangue real, sua tumba foi encontrada no Vale dos Reis em 1905. Pouca atenção foi concedida a ele porque foi considerado comparativamente sem importância. Yuya ainda é a única pessoa cujo título it ntr n nb tawi — santo pai do Senhor das Duas Terras, título formal do faraó — foi encontrado na tumba. Há ocorrência em um dos seus ushabti (estatueta funerária real nº 51.028 no catálogo do Museu do Cairo) e mais de 20 vezes nos papiros funerários.

José e Yuya poderiam ser a mesma pessoa? E a partir de muitas fontes de consulta, todas as coisas começaram a entrar nos eixos:

- É possível criar cronologias correspondentes de Abraão a Moisés por um lado, e de Tutmósis III, o sexto governante da Décima Oitava Dinastia, a Seti I, o segundo governante da Décima Nona Dinastia, por outro.
Também ficou claro que:

- Dos três períodos do Velho Testamento — quatro gerações, 400 anos e 430 anos — para a permanência israelita no Egito, quatro gerações está correto, pois é um ponto de vista a que os estudiosos judeus chegaram por outros cálculos;

- Como se sabe, os israelitas estavam no Egito no fim da Décima Oitava Dinastia e no começo da Décima Nona Dinastia; então, o descendente deve ter aparecido mais de dois séculos depois do que a maioria dos estudiosos acreditava, o que explica por que seus esforços para relacionar as figuras bíblicas com as egípcias foram tão prolongados. Eles concentraram sua busca na época errada;

- Os quatro reis de Amarna: Akhenaton, Semenkhkare, Tutankhamon e Aye — que governaram durante um período tumultuado da história egípcia, no qual uma tentativa foi feita para substituir os vários deuses antigos por um Deus monoteísta — eram todos descendentes de José, o patriarca;

- O Êxodo foi precedido pelo fim da Amarna governada por Horemheb, o último rei da Décima Oitava Dinastia.
Vamos demonstrar que Moisés deve ser considerado o faraó Akhenaton.

Em agosto de 1799, enquanto as tropas francesas reparavam as fortificações ao norte de Rachid — na margem esquerda do Nilo, cerca de 40 quilômetros a leste de Alexandria —, um oficial, encarregado de demolir um muro velho, atingiu uma pedra preta com sua picareta. Acreditava-se que a pedra fizesse parte de um templo antigo, pois revelou possuir três inscrições. No topo, havia 14 linhas de hieróglifos; no centro, 32 linhas de demótico, a forma simplificada da antiga escrita egípcia; e na margem inferior, 54 linhas de grego. O texto em grego foi traduzido e publicado, mas a real importância da Pedra de Roseta, cujo nome é derivado da denominação européia do lugar em que foi encontrada, só veio à tona em 1818. Thomas Young (1773-1829), físico, cientista e filólogo britânico, teve sucesso ao decifrar o nome de Ptolomeu na seção hieroglífica e estabelecer o valor fonético correto à maioria dos hieróglifos. Embora o estudioso tenha dado os primeiros passos, a decodificação final da pedra foi feita três anos depois por um brilhante filólogo francês chamado, François Champollion (1790-1832).

Com essa recente descoberta, Champollion foi capaz de traduzir alguns textos egípcios que até então eram um completo mistério para os historiadores. Entre eles estavam os cartuchos da lista dos reis nas paredes do templo de Osíris em Abidos, no Alto Egito. A lista, que incluía os nomes dos reis da Décima Oitava Dinastia, não fez menção a Akhenaton ou aos outros três reis de Amarna — Semenkhare, Tutankhamon e Aye — que o seguiram. Nessas circunstâncias, não é surpreendente que, quando na metade do século XIX os arqueólogos se depararam com a figura de Akhenaton estranhamente descrita nas ruínas de Tell el-Amarna no Médio Egito, inicialmente não tiveram certeza do que fazer com ela. Alguns acreditam que, como a rainha Hatshepsut, esse faraó recém-descoberto era uma mulher que se disfarçava de rei. Surgiram mais contribuições à conjectura pelo fato de Akhenaton ter ascendido ao trono como Akhenaton IV e depois mudado o nome. Eles estavam lidando com um ou dois faraós?
No início do século XX, quando a cidade de Amarna foi escavada e soube-se mais a respeito de Akhenaton e de sua família, ele se tornou o foco de interesse para os egiptólogos do período, que o viam como um humanitarista visionário e como o primeiro monoteísta. Akhenaton foi revelado como um rei revolucionário, que aboliu o sistema religioso do Antigo Egito, o Deus Amon (oculto) com suas várias divindades representadas por amuletos ou formas animais. Ele substituiu os velhos deuses por um único Deus, Aton, que não possuía imagem ou forma, um Deus universal não apenas para o Egito, mas também para o Kush (Núbia) ao sul e para a Síria ao norte, um Deus para o mundo todo.

Ele foi o poeta que escreveu o hino a Aton, que possui notável semelhança com o Salmo 104 da Bíblia. Instruiu seus artistas a expressarem livremente o que viam e sentiam, possibilitando uma arte realista simples e nova, diferente em vários aspectos da forma tradicional da expressão artística egípcia. Foi-nos permitido ver o rei como um ser humano, com sua esposa e filhas, comendo, bebendo e fazendo oferendas a Aton. Ele não tinha o estereótipo militar dos faraós da Décima Oitava Dinastia. Embora os reis e príncipes da Ásia ocidental tentassem envolvê-lo em guerras recorrentes, ele recusou-se a participar dessas disputas. Não há dúvida de que os egiptólogos do século XX, prematuramente, viram nele uma expressão de suas próprias idéias modernas.

“O mais impressionante de todos os faraós e o primeiro indivíduo da história humana” são as palavras que James Henry Breasted, estudioso americano, escolheu para descrevê-lo. Esse foi um tema ao qual ele retornou e que desenvolveu posteriormente em um livro: “É importante notar… que Akhenaton era um profeta… Como Jesus, que, por um lado tirava suas lições dos lírios do campo, das aves do ar ou das nuvens do céu e, por outro, da sociedade humana ao seu redor em histórias como o Filho Pródigo, a Boa Samaritana ou a mulher que perdeu seu dinheiro. Portanto, esse profeta revolucionário do Egito fazia seus ensinamentos a partir de uma contemplação tanto da natureza como da vida humana…”

O mesmo tema encontra um eco na obra de Arthur Weigall, egiptólogo britânico: “… o nome Akhenaton surge das sombras como uma figura mais clara do que qualquer outro faraó e com isso vêm o cantar dos pássaros, as vozes das crianças e o perfume de várias flores. Desta vez podemos olhar diretamente dentro da mente de um rei do Egito e vermos um pouco das suas obras, e tudo o que é observado é digno de admiração. Akhenaton tem sido chamado de ‘o primeiro indivíduo na história humana’, mas é também o primeiro de todos os fundadores das doutrinas religiosas. Ele pode ser classificado na categoria do tempo e, em vista da nova classificação criada por ele, talvez na categoria de gênio, como o primeiro idealista mundial.”

Para o reverendo James Baikie, outro egiptólogo britânico, ele era “um sonhador idealista, que realmente acreditava que os homens viviam em verdade e falavam a verdade.”

Entretanto, nem todos os estudiosos tiveram uma visão tão entusiástica e favorável a respeito do primeiro dos reis de Amarna. Alguns, como o filólogo britânico Alan H. Gardiner, escreveu que “o colosso restante do peristilo de sua corte em Karnak tinha o olhar da determinação fanática, assim como sua história subseqüente que foi confirmada tão fatalmente.” John Pendlebury, que estava muito envolvido no início da exploração em Armana, chegou à conclusão: “Sua [de Akhenaton] preocupação principal era com a religião. Ele e [a rainha] Nefertiti se tornaram devotos de Aton. Nos dias de hoje os chamaríamos de fanáticos.”

A natureza controversa do caráter de Akhenaton e de seus ensinamentos finalmente atraíram o interesse do judeu Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, que introduziu um novo elemento no debate assim que a Europa começou sua guinada em direção à guerra em meados de 1930. Em julho de 1934, Freud escreveu o rascunho do que posteriormente seria a primeira parte do livro Moses and Monotheism (Moisés e Monoteísmo). Sua introdução foi publicada inicialmente na revista alemã Imago em 1937 sob o título de “Moses an Egyptian” (Moisés um Egípcio).

Freud demonstrou em seu artigo que o nome do líder judeu não era derivado do hebraico, como se acreditava até então, mas tinha como fonte uma palavra egípcia, mos, significando “uma criança”. Ele também mostrou que a história do nascimento de Moisés é uma réplica daqueles de outros mitos antigos dos grandes heróis da história. Entretanto, Freud apontou que o mito do nascimento e da exposição de Moisés permanece à parte dos de outros heróis e difere deles em um ponto essencial. Para esconder o fato de que Moisés era egípcio, o mito de seu nascimento foi invertido para fazer dele originário de pais humildes e assistido por uma família de boa situação social: “É bem diferente no caso de Moisés. Aqui, a primeira família — geralmente tão distinta — é bastante modesta. Ele é filho de levitas judeus. Mas, a segunda família — humilde, em que heróis governadores são criados — é substituída pela casa real do Egito. Essa divergência comum soou estranha a vários pesquisadores.”

Depois, em 1937, a Imago publicou um artigo de Freud sob o título de “Se Moisés fosse um egípcio”. A matéria questionava por que o judeu encarregado de transmitir as leis de Deus, se realmente fosse egípcio, teria passado a seus seguidores uma crença monoteísta em vez do clássico egípcio antigo da pletora de deuses e imagens. Ao mesmo tempo, Freud encontrou grande similaridade entre a nova religião que Akhenaton tinha tentado impor em seu país e os ensinamentos religiosos atribuídos a Moisés. Por exemplo, ele escreveu: “O povo judeu diz: ‘Schema Yisrael Adonai Elohenu Adonai Echod’.” (‘Ouça, Ó Israel, o Senhor teu Deus é um Deus’.) Como a letra hebraica d é a transliteração da letra egípcia t e e vira o, ele explicou que essa frase do povo judeu poderia ser traduzida como: “Escute, Ó Israel, nosso Deus Aton é o único Deus”.

Pouco tempo após a publicação desses dois artigos, soube-se que Freud estava com câncer. Três meses depois, os alemães invadiram a Áustria; em junho de 1938, ele deixou Viena e se refugiou em Londres, onde, sentindo seu fim se aproximando, decidiu que desejava ver os dois artigos e uma terceira seção escritos em um livro em inglês. Ele achou que isso proporcionaria um clímax apropriado para sua vida distinta. Suas intenções não iam ao encontro da aprovação de vários estudiosos judeus, no entanto, eles achavam que algumas de suas visões e, em particular, sua reivindicação na terceira seção não publicada de que Moisés havia sido assassinado por seus próprios seguidores em protesto contra a aspereza de suas crenças monoteístas, apenas se somariam aos problemas dos judeus, que já enfrentavam uma nova e dura opressão dos nazistas. O professor Abraham S. Yahuda, teólogo e filólogo judeu-americano, visitou Freud em sua nova casa em Hampstead, Londres, e implorou a ele que não publicasse seu livro, mas Freud recusou-se a ser dissuadido e Moses and Monotheism foi lançado em março de 1939. Nesse livro, Freud sugere que um dos altos oficiais de Akhenaton, provavelmente chamado Tuthmose, era adepto da religião de Aton. Após a morte do rei, Tuthmose selecionou a tribo hebraica, já vivendo em Gósen no Delta oriental, para ser seu povo escolhido, levou-a do Egito no tempo do Êxodo e transmitiu a ela as máximas da religião de Akhenaton.

Freud morreu aos 83 anos, seis meses depois que seu livro foi publicado. A explosão da Segunda Guerra Mundial não apenas pôs fim a todas as escavações no Egito como retardou a resposta à bomba que Freud havia deixado para trás. Isso não demoraria muito a ser remediado assim que o mundo retornasse à paz. O novo concorrente a entrar para a lista era outro psicanalista judeu, Immanuel Velikovsky, que nasceu e foi educado na Rússia no início do século XX e depois emigrou para a Palestina antes de se estabelecer nos Estados Unidos. Em 1952, ele publicou a primeira parte de seu livro Ages in Chaos (Eras no Caos), no qual tentou apresentar algumas provas de erupções vulcânicas no Sinai quando houve o Êxodo judeu do Egito, no início da Décima Oitava Dinastia, dois séculos antes do reinado de Akhenaton, para colocar Moisés em um ponto distante na história que precedeu o rei egípcio. Não apenas isso. Em uma obra à parte, Oedipus and Akhenaten (Édipo e Akhenaton), ele propôs mostrar que o Édipo da mitologia clássica grega tinha uma origem histórica egípcia e que Akhenaton era o rei Édipo que se casou com sua própria mãe, a rainha Tiye.

Pode-se dizer que a obra de Velikovsky acertou o tom nos anos pós-guerra quanto aos apontamentos para Akhenaton. Ao todo, estudiosos têm se esforçado para destruir sua imagem inicial favorável e estabelecer alguma ligação entre ele e o monoteísmo de Moisés. Um dos primeiros a embarcar nesta cruzada foi Cyril Aldred, egiptólogo escocês. Em seu livro a respeito do primeiro dos reis de Amarna, publicado em 1968, ele tentou explicar a ausência de genitália em um colosso nu do rei de Karnak pelo fato de Akhenaton ter sido vítima de uma doença penosa:

Todas as indicações são de que estas características físicas peculiares foram resultado de uma doença conhecida pelos médicos e patologistas como Síndrome de Fröhlich. Os pacientes homens com essa desordem freqüentemente exibem uma corpulência semelhante a Akhenaton. A genitália permanece infantil e pode não ser visível por ficar enfronhada na gordura. A adiposidade pode variar em grau, mas há uma distribuição tipicamente feminina de gordura nas regiões dos seios, abdome, púbis, coxas e nádegas. Entretanto, os antebraços são delgados e as pernas, por exemplo, lembram calças de jogar golfe… Há justificativa em se pensar que ele sofreu da síndrome de Fröhlich e desejava ser representado com todas as deformidades que distinguiam sua aparência do resto da humanidade.

Entretanto, realmente temos provas conclusivas de que Akhenaton teve ao menos seis filhas com a rainha Nefertiti. Aldred apresentou uma explicação engenhosa para esta aparente contradição: “Até recentemente era possível especular que, embora as filhas de Nefertiti sejam descritas como filhas de um rei, de forma nenhuma é certo que este rei foi Akhenaton, particularmente se Amenhotep III ainda estava vivo dois anos depois que a mais nova nasceu. Embora possa parecer prepotente que Amenhotep III se responsabilizasse pelas obrigações maritais de um co-regente estéril, no meio do reinado divino um alargamento de suas responsabilidades não é impensável.”

Todavia, posteriormente, no mesmo livro, ele nos diz que Akhenaton não era, no fim das contas, impotente. O autor contradiz sua especulação anterior sugerindo que Akhenaton se casou com sua filha mais velha, Meritaton, e teve uma criança com ela: “Na morte de Nefertiti, seu lugar foi ocupado por Meritaton… Poderia parecer que ela era mãe de uma princesa Meritaton, a pequena, de uma inscrição publicada recentemente em Hermópolis [A cidade que atravessa o rio de Amarna, cujas pedras Ramsés II usou para sua construção], mas é impossível dizer quem era o pai, embora a inferência pareça indicar Akhenaton.”
O autor vai adiante para sugerir que o rei tinha um relacionamento homossexual com seu irmão/co-regente/genro Semenkhkare. A tentativa de Aldred de destruir a antiga imagem favorável de Akhenaton levou-o a um caminho que outros estudiosos provaram ser o adequado a seguir. O mais recente adepto da teoria de Aldred é o professor Donald Redford é, da Universidade de Toronto, um estudioso eminente em assuntos do Velho Testamento e de Egiptologia, que escreveu o livro Akhenaten, the Heretic King (Akhenaton, o Rei Herético), publicado em 1984:

O Akhenaton histórico é marcadamente diferente da figura que os populistas criaram para nós. Humanista ele não foi, muito menos romântico humanitário. Fazer dele a figura de um “Cristo” trágico foi pura falsidade. Ele não foi o mentor de Moisés: uma lacuna vasta é fixada entre o monoteísmo do faraó e o henoteísmo hebreu [crença em um Deus sem afirmar que ele é o único] que em qualquer caso vemos por meio do prisma distorcido dos textos escritos 700 anos após a morte de Akhenaton.
Redford resume sua aversão ao rei nas seguintes palavras: “Um homem considerado feio pelos padrões aceitáveis atualmente, isolado no palácio em sua minoridade, certamente próximo à mãe, possivelmente ignorado pelo pai, superado por seu irmão e irmãs, inseguro; Akhenaton sofreu a infelicidade singular de ascender ao trono do Egito e seu império.” E então: “Se o rei e seu círculo inspiram-me algo como desprezo, é apreensão que sinto quando contemplo sua ‘religião’.”

A tentativa pós-guerra de crucificar Akhenaton e desacreditar sua religião tem sido unânime, pois quaisquer estudiosos que poderiam sustentar visões menos hostis mantiveram um silêncio suspeito. Na raiz da campanha de vilificação reside um desejo de realçar Moisés e seu monoteísmo ao desacreditar Akhenaton, o intruso egípcio, e as crenças que ele tentou introduzir em seu país. Ironicamente, os acadêmicos que conduzem sua impiedosa campanha escolheram o alvo errado. Ao atacar Akhenaton, eles estão, na verdade, atacando seu próprio herói — como Freud chegou tão perto de demonstrar, Akhenaton e Moisés eram uma única pessoa.

Para quem quer se aprofundar no assunto sugiro a leitura da obra:

Moisés e Akhenaton: a história secreta do Egito no tempo do Êxodo/Ahmed Osman, Madras Editora, 2005.



SOMOS NÓS QUEM CRIAMOS A NOSSA REALIDADE!

Publicado por Editor em 21 Mai 2008 | sob: Editor, Somos nós quem criamos a nossa realidade

A todos os meus Amigos, Parceiros, Irmãos, Irmãs, Clientes e Leitores,

Recebam os meus mais Sinceros Votos de Luz, Amor e Paz!!!

Permitam-me manifestar o meu ponto de vista…


EU SOU a Presença de Deus em Ação.
EU SOU a Chama Trina deste coração, que transborda Luz, Amor e Paz!!!
EU SOU a porta aberta que ninguém poderá fechar.
EU SOU o que EU SOU.

“Não digais: Encontrei a verdade. Diga, de preferência: Encontrei uma verdade. Nenhum homem poderá revelar-vos nada senão o que já está adormecido na aurora do vosso entendimento. O astrônomo poderá falar-vos de sua compreensão do espaço, mas não vos poderá dar sua compreensão, porque a visão do homem não empresta suas asas a outro homem. E assim como cada um de vós se mantém só no conhecimento de Deus, assim cada um de vós deve ter sua própria compreensão de Deus e sua própria interpretação das coisas da Terra”.


(Gibran Khalil Gibran)

Uma coisa é você ser um cientista e dizer que não há evidências científicas que suportem eventuais teorias; outra é dizer que, por não haver tais evidências, o que a outra pessoa acredita é uma bobagem que pode ser facilmente explicada e, então, inventar uma explicação pseudocientífica que poderia ser dita pelos padres ou por qualquer pessoa imaginativa que queira desacreditar alguém (é como dizer a um piloto de avião que avista um óvni: “Você viu o planeta Vênus, amigão, e por causa de um problema de pressão na cabine, o ar rarefeito fez você achar que o planeta estava dando piruetas… não há nada com o que se preocupar!”).

A cada dia que passa, fica mais claro e evidente que somos nós mesmos quem controlamos os comandos de nossos movimentos, a partir dos quais prevejo os efeitos que podem ser decisivos e extremamente importantes, em cujo caso sinto e assumo por eles total responsabilidade.

A única inferência possível e que, a partir disso, imagino, é que Eu – no sentido mais amplo da palavra, ou seja, toda mente consciente que jamais disse ou sentiu o “EU” – sou a pessoa, se é que existe alguma, que controla “o movimento dos átomos”, de acordo com as Leis da Natureza.

A idéia, em si, não é nova. Os registros mais antigos datam, até onde sei, de 2.500 anos atrás. Desde os primitivos Upanishades (textos sagrados da Antiguidade), no pensamento indiano, a identificação de ATHMAN = BRAHMAN (o Eu pessoal iguala-se ao Eu Eterno, Onipresente e Onisciente) representava a quintessência da mais profunda intuição quanto aos acontecimentos do mundo. O maior empenho de todos os estudiosos da escola Vedanta era, após o aprendizado dos movimentos dos lábios para a pronúncia correta, realmente assimilar em suas mentes esse pensamento, o mais grandioso de todos.

Nossa realidade é uma extensão de nossa imagem, ou seja, SOMOS NÓS QUEM CRIAMOS A NOSSA REALIDADE! Por isso, torna-se imprescindível vigiarmos nossos pensamentos, dirigirmos nossa mente e nossas ações… Como ensinam os Mestres Ascensionados, somos aquilo que acreditamos ser.

Toda vez que pensamos, canalizamos os nossos desejos de vida para nosso centro mental criativo. Quanto mais criatividade, mais emoções e mais definições de formas e cores colocamos em nossos pensamentos, mais energia é adicionada e mais consciente é o nosso pensamento. Isso potencializa as realizações.

A vida espera que usemos mais nossa imaginação e, quando respondemos para a vida com criatividade, ela nos responde com realizações. Então, tudo o que imaginamos podemos realizar. Essa realização tem início quando idealizamos um plano, um projeto, e se concretiza à medida que colocamos nossa determinação em ação. E não se esqueça de que toda ação gera uma reação. Por isso, é de sua total responsabilidade toda ação; por isso, é muito importante que você tenha consciência de suas ações.

Muitas pessoas não entendem o significado de minhas palavras, e isso leva a uma interpretação contrária ao que realmente tudo isso quer dizer. É lógico que acredito na espiritualidade, nas forças externas (energias), pelas quais pratico Magia e tento, além do pensar e do agir, conduzir as forças naturais (energias) para que, juntamente com a minha intenção, auxiliem na conquista dos meus planos e projetos. Não acredito nos “ismos”, em uma religião em particular, e sim, na natureza tal como ela é. Por isso, torna-se necessário conhecermo-nos completamente, assim como o que nos cerca…

É preciso identificar o conhecimento tradicional como sabedoria, a fim de facilitar a conscientização das pessoas quanto à necessidade de respeitar a natureza. Isso, por sua vez, promoveria o compromisso para a igualdade de direitos, o respeito ao meio ambiente e a minimização do racismo. A ciência, então, deve de ser substituída pela natureza holística da sabedoria indígena para entender como uma ação afeta todas as partes e não somente as que estão sendo estudadas independentemente do que as rodeia. Isso também restaurará o balanço entre o ser humano e a terra, a harmonia com o Universo e a natureza.

Hoje já podemos entender que o Universo é vivo e se expande infinitamente, envolvido por todo tipo de vibrações e partículas, e que somos partes constituintes desse mesmo Universo.

O século do Universo Holográfico

O século XXI é o século da conscientização da quadridimensionalidade da existência. A ciência já começa a provar isso com a teoria do Universo Holográfico. E é sempre bom não esquecermos que o Universo esta em constante expansão. Somos um sistema biológico participante, funcionando dentro da biosfera deste planeta, interpenetrados e influenciados pelas energias ao nosso redor, inclusive as energias planetárias, pois cada planeta tem uma energia específica.

Pensando em tudo isso, gostaria de sugerir um filme, isso mesmo, um filme cujo título é “What the Bleep Do We Know”, que chega ao Brasil com o nome de “Quem Somos Nós?” Esse é um daqueles filmes que não é para ser visto entre um compromisso e outro, ou com pessoas conversando ao lado. Ele exige atenção integral; ainda assim, você vai querer assisti-lo novamente para entendê-lo melhor. Relacionado a esse filme, quero lhes falar de um livro-guia que lançaremos nos próximos meses (Título; autor; editora (VER COM CAROL, JÁ TEM EDITORA COM ELE).

Por considerá-lo de interesse geral, tomo a liberdade de citar alguns trechos desse magnífico filme:

“Fomos condicionados a crer que o mundo externo é mais real que o
interno. Na ciência moderna, é justamente o contrário. Ela diz que o
que acontece dentro de nós é que criará o que acontecerá fora.
Existe uma realidade física que é absolutamente sólida, mas só começa
a existir quando colide com outro pedaço de realidade física. Esse
outro pedaço pode ser a gente, claro que somos parte desse momento,
mas não precisa necessariamente ser. Pode ser uma pedra que venha
voando e interaja com toda essa bagunça, provocando um estado
particular de existência.

Filósofos no passado diziam: ‘Se eu chutar uma pedra e machucar meu
dedo, é real. Estou sentindo, é vívido.’ Quer dizer que é a
realidade. Mas isso não passa de uma experiência, e é a percepção dessa
pessoa do que é real.
Experimentos científicos nos mostram que se conectarmos o cérebro de
uma pessoa a computadores e scanners e pedirmos para ela olhar para
determinados objetos, podemos ver certas partes do cérebro sendo
ativadas. Se pedirmos para fecharem os olhos e imaginarem o mesmo
objeto, as mesmas áreas do cérebro se ativarão, como se estivessem
vendo os objetos.
Então os cientistas se perguntam: quem vê os objetos, o cérebro ou os
olhos? O que é a realidade? É o que vemos com nosso cérebro? Ou é o
que vemos com nossos olhos?
A verdade é que o cérebro não sabe a diferença entre o que vê no
ambiente e o que se lembra, pois os mesmos neurônios são ativados.

Então devemos nos questionar, o que é realidade?
Somos bombardeados por grande quantidade de informação que, quando
entram no corpo, são processadas pelos órgãos sensoriais e,
a cada passo, partes da informação vão sendo descartadas. O que
finalmente chega na consciência é o que mais serve à pessoa. O
cérebro processa 400 bilhões de bits de informação por segundo, mas
só tomamos conhecimento de 2 mil bits. E esses 2 mil bits são sobre o
que está ao nosso redor, nosso corpo e o tempo.
Vivemos em um mundo em que só enxergamos a ponta do iceberg. Isso
significa que a realidade está acontecendo a todo momento no cérebro,
mas nós não a absorvemos. Os olhos são como lentes, mas o que
realmente está enxergando é a parte de trás do cérebro. É o córtex
visual, igual a essa câmera.

Você sabia que o cérebro imprime o que ele vê?
Por exemplo: essa câmera de vídeo está vendo muito mais ao meu redor
do que o que está aqui, porque ela não faz objeções ou julgamentos. O
filme que está passando no cérebro é do que temos habilidade para
ver. É possível que nosso olho, nossa câmera, enxergue mais do que o
nosso cérebro tenha a habilidade de, conscientemente, projetar? Do
jeito que nosso cérebro funciona, só conseguimos ver o que
acreditamos ser possível.

Os padrões de associação já existem dentro de nós por meio de um
condicionamento
Uma história incrível, que acredito ser verdadeira, conta que quando
os índios americanos, nas ilhas caribenhas, viram as naus de Colombo se
aproximarem, na verdade eles não conseguiam ver nada, pois as naus não eram parecidas com nada que tivessem visto antes. Quando Colombo chegou no Caribe, nenhum nativo conseguia enxergar os navios, mesmo estando
eles no horizonte. A razão de não verem os navios era porque não
tinham conhecimento. Seus cérebros não tinham experiência de que os
navios existiam.
O xamã começou a notar ondulações no Oceano. Mesmo não vendo os
navios, imaginou o que estaria causando aquilo. Começou, então, a olhar
todos os dias e, depois de um certo tempo, conseguiu ver os navios.
E quando ele enxergou as embarcações, contou para todos que existiam navios
lá.
Como todos confiavam e acreditavam nele, também conseguem enxergar.
Nós criamos a realidade, mas criamos máquinas que produzem realidade,
que afetam a realidade o tempo todo. Sempre perseguimos algo
refletido no espelho da memória.
Se estamos ou não vivendo em um grande mundo virtual, é uma pergunta
sem uma boa resposta, é um grande problema filosófico. E temos que
lidar com ele conforme o que a ciência diz do nosso mundo.
Como somos sempre observadores na ciência, ficamos limitados ao que o
cérebro humano capta. É a única forma de vermos e percebermos as
coisas que fazemos. Então, é possível que isso tudo seja uma grande
ilusão da qual não conseguimos sair para ver a verdadeira realidade.
Seu cérebro não sabe distinguir o que está acontecendo lá fora do que
acontece aqui dentro. Não existe o ‘lá fora’ independente do que está
acontecendo aqui…”

O nosso papel

Conscientes dessa realidade apresentada nos comentários a respeito de “What the Bleep Do We Know”, sentimo-nos ainda mais motivados a inovar e ampliar nossa linha editorial, para que os amigos leitores, nossos clientes, possam tomar contato com esses ensinamentos a fim de contribuir para o seu crescimento intelectual, cultural, filosófico e espiritual.

Portanto, o principal papel de nossa querida Madras Editora é trazer novos conhecimentos e quebrar paradigmas que não somente as religiões pregam, mas também o homem, que, por ignorância, desenvolveu certos conceitos que mantêm o ser humano na obscuridade… Acreditamos que é preciso, urgentemente, elevar o homem (gênero humano) a um patamar de consciência e de percepção mais sutil e de trazer à tona uma aprendizagem em que o “EU” e o “TODO” interajam constantemente, levando a evolução da sabedoria humana até um “salto quântico”, que transformará nossa percepção do mundo e, em última instância, nossa existência.

Lembro-me, a propósito, destas palavras do grande sábio Albert Einstein: “O ser humano é uma parte do todo a que chamamos Universo, uma parte limitada no tempo e no espaço, que concebe a si mesma, às suas idéias e aos seus sentimentos como algo separado de todo o resto. É como se fosse uma espécie de ilusão de óptica da sua consciência”.

“Em relação a todos os atos de iniciativa e de criação existe uma verdade elementar: no momento em que nos comprometemos, a Providência também se põe em movimento. Todo um fluir de acontecimentos surge a nosso favor. Como resultado da decisão, seguem-se todas as formas de coincidências, encontros e ajuda, que nenhum homem jamais poderia ter sonhado encontrar. Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você pode começar. A coragem contém, em si mesma, o poder, o gênio e a magia”.(Goethe)

As Novidades

Não são poucas as novidades que gostaríamos de transmitir aos nossos amigos. Estamos ampliando, ainda mais, nossa linha editorial, trazendo para o Brasil as edições que julgamos necessárias para o nosso querido público. Estamos também expandindo nossas instalações, aumentado consideravelmente o número de nossos funcionários e da área física de funcionamento de nossa Editora.

Em 2005 lançamos mais de (………..) títulos. E já projetamos um crescimento neste ano na faixa de 30%, ou seja, lançaremos neste ano (……………) obras, além, é claro, de nossas reedições que não são poucas.

Em dez anos de existência já editamos mais de 1.300 títulos e creio que isso é um recorde em nosso país.

Na intenção de facilitar a exposição de nossos livros, vários recursos estão sendo viabilizados na distribuição dos produtos. Atualmente, você pode encontrar nossas obras em vários pontos alternativos, entre eles lojas de conveniência nos postos de gasolina, além das lojas de artigos para presentes. Estamos investindo fortemente na divulgação de nossos títulos, em vários meios de comunicação, entre eles a TV Espiritualista (www.tvespiritualista.com.br), em diversas revistas que nos apóiam e nas mais diversas emissoras de rádio. Aliás, muito em breve estaremos lançando nossa própria rádio pela internet: www.radiomadras.com.br.

Entre as obras que estamos lançando neste início de ano, o autor Rubens Saraceni nos presenteia com dois romances inéditos (O Guardião da Pedra de Fogo e O Guardião das Sete Porteiras).

Acabamos de lançar uma obra-prima intitulada Dante – O Grande Iniciado – Uma Mensagem para os Tempos Futuros, de Robert Bonnell; Dicionário dos Rosa-Cruzes, de Erik Sablè, contendo a biografia de seus principais criadores;

O Mistério do Pergaminho de Cobre de Qumran – O Registro dos Essênios do Tesouro de Akhenaton, de Robert Feather; o grande clássico A Biblioteca de Nag Hammadi, de James M. Robinson, um compêndio de textos considerados apócrifos; o Livro do MillenniuM; Kabalah revelada; Upanishades da yoga; O Gênio de Alexandre o grande; Comunicando-se com o Anjo Gabriel e os outros livros dessa série; Buda de Heródoto Barbeiro; girando a Chave de Hiram e os outros lançamentos desse (s) autor; Iridiologia Integrada 4 cores; Relacionar-se bem; Criatividade; Star Wars e Super-Heróis; ver com a Carol os livros Nárnia e a Filosofia e os outros que estamos comprando.; Maria Madalena; Os templários e o pergaminho de Chinom em nossa editora possímos mais de 11 títulos a respeito dos Templários; O livro do Sexo; Do brega ao Chique; os livros do Fulcanelli; com um certo destaque o meu livro de Maçonaria; o livro das datas comemorativas; Otimismo e Prosperidade Cláudio e Wagner; Melquisedeque; Aikido; Samurais; a coleção Garotada Criativa, composta por quatro tomos, dedicada à arte infanto-juvenil, entre outras preciosidades, as quais esperamos que possam auxiliá-los e conduzi-los há um outro nível do saber.

A plenitude da Sabedoria
Um dia desses, em uma discussão, provocaram-me com a seguinte pergunta: Por que você não se ajoelha e não jura com a mão na Bíblia? Você, na verdade, é quem está fechando suas portas ou se impedindo de elevar-se nos altos graus da Ordem. Ao que logo respondi: Por que deveria me ajoelhar perante outros homens, se eles não são Iniciados… Alguns Maçons são ridicularizados ao receberem seu avental do terceiro grau (grau de Mestre), pois acreditam que naquele momento eles são “Mestres” e eu pergunto: Mestre do que? De quem? Isso não é o pior, a Instalação do Irmão ao Trono de Venerável Mestre, isso então é de dar dó… Sem receber nenhuma revelação de Sabedoria. O nível de cultura desses Irmãos é no mínimo lamentável.

Sabemos que o principal objetivo das escolas de iniciação era de formar instrutores para ajudar seus semelhantes escalar os degraus da jornada evolutiva para a LIBERTAÇÃO do Sofrimento. E diante das dificuldades, Fracassos e Vitórias, nessa Magnífica Jornada que chamamos “VIDA” chegássemos à compreensão do nosso EU Superior, separando o joio do trigo.

Muitos homens dentro da ordem confundem religião com espiritualidade. Fé com religião. Posso ter fé e ser espiritualista e não ter nenhuma religião.

A Sabedoria está acima das leis ocultas da Natureza. Aquele que a possui age como Deus no oculto das sementes, jamais esquecendo que o primeiro ato do Sábio é descobrir a semente dentro de si mesmo. Por isso, pela Sabedoria o Homem pode modificar sua própria natureza, que outra coisa não é senão aquilo que chamamos o ato da vontade. Convém notar, porém, que a Vontade de Deus no Homem sempre tende ao Amor.

Ao refletir sobre esse questionamento que me fizeram, deparei-me com estas belas palavras:

“Saber que não se sabe é o bem supremo.
Não saber que não se sabe é como padecer um mal.
Quem toma consciência deste padecimento fica livre dele.
O sábio não sofre este mal porque já padeceu com ele.
Assim, ele pode evitá-lo.”
(Lao Tse - Tao Te King - Verso 71)

Explicação de Humberto Rohden
“O sábio sabe e saboreia que toda a erudição meramente intelectual é deslumbrante vacuidade e fascinante ilusão. A diferença entre o sábio e o erudito está no fato de que o sábio sabe por experiência própria o que é a Realidade, ao passo que o simples erudito ignora essa Realidade e a confunde com as facticidades. O sábio sabe que ignora mil vezes mais do que sabe – e nisto está a sua sapiência. Quem não tem plena certeza da sua vacuidade não pode ser plenificado pela plenitude.”

Por tudo isso, sou um eterno buscador da “Verdade”, esteja ela onde estiver.

“Viverei para sempre ou morrerei tentando…”

Eu Sou o que Sou,

Wagner Veneziani Costa

SEU PENSAMENTO PODE TRANSFORMAR O SEU MUNDO , AGORA!

Publicado por Editor em 21 Mai 2008 | sob: Editor, Seu pensamento pode transformar o seu mundo, agora

Meus Amigos, Clientes, Frateres, Sorores, Fornecedores, Irmãos e Irmãs,

Recebam os meus mais verdadeiros votos de Luz, Amor e Paz!!!

“Nossos pensamentos e crenças são a causa de tudo o que nos acontece, são os agentes desencadeadores de toda a realidade que nos cerca. Devemos mudar o paradigma de sermos vítimas para o de sermos responsáveis por tudo o que nos acontece.”

O processo do autoconhecimento é lento e muito difícil, ou melhor, é bastante delicado, pois depende única e exclusivamente de cada um de nós. O Universo nos oferece os instrumentos, mas somos nós que temos de tocar as notas certas da grande sinfonia da vida. Para isso, temos de ficar ligados e sensíveis a tudo o que nos acontece, e também a tudo que vibra ao nosso redor… Não é fácil entender as “lições que a vida nos dá”, nem como ela transmite seus ensinamentos todos os dias…

Precisamos urgentemente interagir com a Mãe Natureza. Buscar lá no fundo do nosso Ser o nosso verdadeiro “Eu”, para nos conhecermos melhor… Não devemos nos omitir simplesmente por querer agradar aos outros. Temos que ousar! Sermos nós mesmos, como tudo na Criação. Sermos tão naturais quanto a própria Natureza…

Está na hora de buscarmos as nossas “Verdades” e não as verdades dessa sociedade podre e corrompida que vive de acordo com seus interesses particulares. Livremo-nos da prisão de nossa própria mente apegada às coisas mundanas… De conceitos prontos, preestabelecidos, que nos foram impostos pela família, pela sociedade ou pela religião… Dessas religiões vazias e hipócritas contaminando-nos com os seus “tais pecados”.

Mas, o que é pecado? Nada é pecado, tudo é possível, não existe certo ou errado… Tudo depende do ponto de vista de quem vê a situação. O que ocorre é que geralmente tememos deixar de existir, nossos egos temem deixar de ter vida. Com isso, muito deixamos de ganhar, pelo simples medo de tentar operar a mudança interior, por meio da qual tudo se transforma no nosso exterior.

Nessas horas, precisamos mergulhar para dentro de nós mesmos e descobrir, de fato, quem somos… E tenha a mais absoluta certeza de que você não irá se decepcionar… Meditemos sobre nossos pensamentos, atitudes, palavras, gestos, olhares, defeitos, qualidades… O que realmente nos faz bem… Então, siga o seu caminho, não o caminho do outro… Você é único e, por isso, diferente… Não existem iguais. Existem apenas semelhantes!

Muitos de nós vivemos e lutamos em nome da liberdade. E eu pergunto: o que é ser livre? Alguns vão defender: “o meu ‘pensamento’, a minha mente”… E eu volto a questionar: como um ser ignorante de si mesmo pode ser livre?

David Bohm, em sua obra O Pensamento Como um Sistema, Madras Editora 2007, toma como ponto inicial o papel do pensamento e do conhecimento em cada plano relacionado às questões humanas, partindo de nossas reflexões pessoais sobre identidade individual até nossos esforços em moldar uma civilização “tolerante”. Ao falar sobre os princípios que envolvem a relação mente-matéria, o professor Bohm rejeita a noção de que os nossos processos mentais retratam, de forma neutra, o que está presente no mundo objetivo. Ele explora a maneira como o pensamento participa ativamente na formação das nossas percepções, sentidos e atividades diárias. Bohm sugere, ainda, que o pensamento coletivo e o conhecimento têm se automatizado e que somos controlados por eles, com uma subseqüente perda de autenticidade, liberdade e ordem.

O mundo atravessa uma fase ruim, nossos valores mais caros estão perdidos. Preferimos “ignorar” a “ajudar” o próximo. E isso me faz refletir profundamente no texto de um dos maiores homens que viveram em nosso Planeta, Charles Chaplin, proferido no final do filme O grande Ditador, que é um dos mais belos textos pacifistas já escritos, um legado para todas as gerações, pois não ficou preso a um contexto social ou político, nem ficou parado no tempo:

Nós continuamos a luta pela paz, pela esperança. Nós ainda queremos um mundo melhor para os nossos filhos… Mas nos acomodamos nas trincheiras dos sentidos.

A cobiça envenenou a alma do homem… Levantou no mundo as muralhas do ódio… E tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e aos morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência tornou-nos empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem… Um apelo à fraternidade universal… à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora… Milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir, eu digo: Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… Da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem, e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… Que vos desprezam… Que vos escravizam… Que arregimentam as vossas vidas… Que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da Humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… Os que não se fazem amar e os inumanos.

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela “liberdade”! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou um grupo de homens, mas de todos os homens! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… De fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da “democracia” – usemos esse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… Um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice…

É Pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da “democracia”, unamo-nos.

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

E por que não mudamos já?

Não mudamos porque buscamos em livros, palestras, doutrinas, seminários ou cultos apenas a confirmação de nossas crenças. Não nos abrimos ao novo, ao que, na realidade, a vida tenta nos passar, mostrar e ensinar. Nossas crenças nos trouxeram até onde estamos. Para seguirmos adiante, precisamos quebrar os paradigmas atuais. Temos de questionar a realidade e todos os fatos… Obviamente, enquanto continuarmos a repetir as mesmas ações, nossos resultados serão sempre os mesmos todos os dias, não há como ser diferente. Quem planta maçã, não colhe morango!

Não mudamos porque gostamos de ser o que somos e como somos… Estamos acomodados e acostumados a viver o que vivemos e como vivemos; não nos damos chances para experimentar algo diferente… Na verdade, temos medo de tudo que não conhecemos… O novo nos assusta, pois nos leva a fazer escolhas, a nos desapegar de muitas coisas, requer atitude, e isso nos leva a viver na eterna ignorância… Não nos permitimos vislumbrar a Luz, que está logo ali à nossa frente, para nos dar a direção do caminho promissor que buscamos: o da sabedoria, da criação, da alegria, da prosperidade, da saúde, ou qualquer outro que seja o nosso objetivo na vida. E para isso, basta dar o primeiro passo…

Religiões novas aparecem todos os dias em nossos horizontes, prometendo operar verdadeiros milagres… Ora, nós é que somos os Deuses e Deusas deste Planeta… Somos nós, apenas isso, nós mesmos, os grandes milagres da vida… Irmãos, por favor, não confundam Espiritualidade com religião…

Nossa forma de ser, nosso comportamento, nossos pensamentos estão tomados por mecanismos de defesa que nós próprios criamos, adquiridos por meio de experiências, sofrimentos e dores vivenciados ao longo de nossa existência. Fomos construindo-nos, moldando-nos, para evitar as sensações de dor e estimular as sensações de prazer.

Não mudamos porque nos falta vontade, força, honestidade, sinceridade, capacidade de renúncia. Uma mudança, uma transformação, significaria deixarmos de ser quem somos. E, como somos apegados a nós mesmos, ao que somos ou ao que achamos ser, reagimos negativamente à possibilidade de uma mudança. Tememos nos transformar em algo que os outros não vão gostar. Tememos perder o pouco que temos ou achamos ter, e nos esquecemos da Morte, que quando vem… vem… Tememos ser rejeitados, perder a popularidade, a fama, o status, a consideração, os prazeres. Tememos deixar de existir, nossos egos temem deixar de existir. Mas, tenha a mais absoluta certeza de uma coisa: após sua morte, só lembrarão de você cinco minutos… Isso mesmo, só cinco minutos!!! E o Universo esquecerá que você um dia visitou nosso Planeta.

Então, por que não mudar? Por que não gostar mais de si mesmo, ou melhor, por que não se amar de verdade e parar de se preocupar com o que os outros vão dizer ou pensar de você? Pense você em você! Seja você mesmo! Permita-se mudar agora mesmo, você pode, é só querer… A poderosa força do Universo está com você!

Geralmente, acreditamos que, por freqüentarmos uma religião, por conhecermos e seguirmos certas teorias, doutrinas, conceitos morais e éticos, estamos mudando, evoluindo. Mas, na verdade, o que estamos fazendo é apenas nos aprisionarmos em celas (cadeia) mais bonitas. Precisamos expandir esses exemplos, explorá-los e compreendê-los. Devemos meditar muito, rogar a essa Divindade Interior maravilhosa, à nossa Mãe Divina, ao nosso Pai Interno, que nos livre do auto-engano, da ilusão, e nos mostre a “verdade”.

Mas, por outro lado…

Tudo no Universo opera por meio de vibração. Nosso corpo é constituído de átomos, que são cercados por elétrons que giram em velocidades tão grandes que os cientistas não conseguem saber onde o elétron está em determinado momento. Imagine bilhões de átomos cercados de elétrons dentro do seu corpo e você vai ter uma idéia do que estou falando. Estamos em movimento constante…

Mas a vida reserva bem mais surpresas, se formos mais a fundo nas pesquisas. O átomo deixou de ser a menor partícula há muito tempo. Os cientistas descobriram o táquion. Ele tem uma propriedade interessante: existe e não existe. Uma hora ele está lá, na outra não está. Seguindo alguns cálculos, os pesquisadores descobriram que essa partícula pode viajar no tempo; pode estar no futuro e no passado, ou seja, viaja muito. O interessante é que você precisa procurar bem fundo na estrutura da matéria para ir encontrando essas partículas, o que nos leva à seguinte conclusão: proporcionalmente, há mais vazio dentro de você do que há na sala/quarto em que você está.

Táquion é um vocábulo derivado do grego, que quer dizer “rapidez”. São partículas subatômicas que se movem mais rápidas do que a velocidade da luz. Ainda apenas “teóricas” nos meios científicos ortodoxos, essas partículas foram inicialmente investigadas por Nikola Tesla, o engenheiro eletrônico que desenvolveu o primeiro motor elétrico produzido em massa pela Westinghouse. Você pode conhecer um pouco mais a respeito da vida e obra desse cientista lendo a obra As Fantásticas Invenções de Nikola, de David Hatcher Childress e Nikola Tesla, Madras Editora.

David Wagner, observando mais profundamente o controvertido trabalho de Tesla, desenvolveu um processo que chama de Quality of One, o qual ele acredita que pode transformar certas substâncias naturais em permanentes antenas de táquions. Essas substâncias são então colocadas sobre e ao redor do corpo, habilitando-o a atrair grandes quantidades de energia táquion que, por sua vez, ajuda na desintoxicação, aumenta a absorção de vitaminas e minerais, expande a energia, cura mais efetivamente e aprofunda a meditação. Os resultados dos experimentos de David habilitaram-no a curar o seu próprio corpo e a ajudar milhares de outras pessoas.

Eu então me pergunto: será que essa energia que Nikola Tesla já conhecia, o “Táquion”, é parte de uma força universal da qual todos fazemos parte e que, portanto, se transformava em uma “ponte” entre a energia de nossas consciências e a do Universo?

Voltando ao assunto vibração, o que nos diferencia de uma pedra é, grosso modo (e materialmente falando), exatamente a vibração. A estrutura das pedras tem um padrão vibratório mais baixo, portanto, mais denso. Eis uma historinha interessante para ilustrar este caso:

Uma aluna de Einstein estava passando pelo pátio da Universidade de Princeton e viu seu mestre parado em frente ao chafariz, balançando a mão rapidamente na frente dos seus olhos. Curiosa, ela foi lá perguntar a Einstein o que ele estava fazendo. Então, ele apontou para o jorro d’água que caía do chafariz, depois mandou que ela fizesse a mesma coisa que ele. Ao passar a mão rapidamente na frente dos olhos, a pessoa “quebra” o efeito de permanência da vista, que é um “defeito” dos olhos, responsável pela movimentação fluida com a qual vemos as coisas (e que nos faz imaginar o movimento perfeito numa seqüência de apenas 24 cenas por segundo). O resultado é que ela conseguia distinguir os pingos d’água caindo, em câmera lenta, em vez do jorro constante.

Onde eu quero chegar com tudo isso? Vibração! Nós vivemos numa grande e tola ilusão sensorial, que os hindus chamam de Maya. Tudo o que somos, tudo o que temos, não passa de um agregado de matéria em estado bruto, réplicas mal-feitas de uma realidade cada vez mais sutil. Sócrates também chegou a essa conclusão com o seu mundo das idéias, em que existe a “idéia cavalo” antes mesmo de existir o cavalo em sua cópia grosseira. Sabiamente, os hindus dizem que o véu de Maya é como uma teia de aranha: esconde, mas também mostra. Se souberem como olhar, claro.

Portanto, caro leitor, se você mudar o foco para o que tem ATRÁS da teia da aranha, vai perceber mais detalhes de um novo mundo. Experimente, e veja quão fantástica pode ser a teia da vida!

Eu Sou Você e Você Sou Eu!

Somos Apenas Um!

Eu Sou, Wagner Veneziani Costa

Fontes:
BOHM, David. O Pensamento Como Um Sistema. Madras Editora, 2007.
BALOTA, Fabio Ferreira.
CHAPLIN, Charles, em O Grande Ditador.
CHILDRESS, David Hatcher e TESLA, Nikola. As Fantásticas Invenções de Nikola Tesla. Madras Editora, 2005.
COSTA, Wagner Veneziani. Maçonaria – Escola de Mistérios – A Antiga Tradição e Seus Símbolos. Madras Editora, 2006.
www.vivendodaLuz.com.br

MAOMÉ

Publicado por Editor em 21 Mai 2008 | sob: Editor, Maomé



“Diz: Ele é Deus, o Único!
Deus, O Eterno Refúgio!
Que não gerou nem foi gerado!
E nada é igual a Ele! ”
[Alcorão 112:1-4]

Acredita-se que Maomé nasceu no ano 570 d.C. em Meca, uma cidade da atual Arábia Saudita. Seu pai, que morreu antes do seu nascimento, era membro do clã Hashim da poderosa tribo Quraysh. A mãe de Maomé, Amina, morreu quando ele tinha apenas 06 anos. Ele foi morar então com o seu avô, que era o guardião da Ka’aba, templo nacional do povo árabe. Infelizmente, dois anos mais tarde seu avô também morreu, e desde a idade de 08 anos, Maomé passou a ser criado por seu tio, Abu Talib, que era um negociante junto às grandes rotas de comércio em camelos.

Passou grande parte da juventude num tempo de agitação econômica e descontentamento concernente a vasta diferença entre os ricos e os pobres. Historiadoes muçulmanos afirmam que mesmo quando menino, Maomé já detestava a adoração a ídolos, e que
levava uma vida moralmente pura.

Maomé foi empregado por Khadija, uma viúva rica, para administrar a caravana mercante. Ficou conhecido como “Al-Amin”, o “Digno de Confiança”, e foi proeminente membro da associação mercante de Meca. Aos 25 anos casou-se com Khadija, com quem teve 6 filhos - todos mortos,exceto a filha caçula, Fátima. Maomé e Khadija foram casados durante 25 anos. Mais tarde depois da morte de Khadija, Maomé adotou a poligamia, casando-se com várias mulheres.

Aos 40 anos, ficou muito preocupado com a situação de seus compatriotas e gastou muito de seu tempo em meditação sobre assuntos religiosos. Durante sua vida Maomé conheceu muitos cristãos, sacerdotes e judeus. Muitas vezes buscou conselho de um monge jacobino que lhe ensinou vários aspectos dos costumes religiosos judaicos.

Durante o mês de Ramadan, que é o nono mês no calendário lunar muçulmano, Maomé retirava-se para uma caverna na encosta do Monte Hira, a aproximadamente 5 kilômetros de Meca. Foi durante uma destas ocasiões que ele começou a receber revelações e instruções que ele acreditava serem do arcanjo Gabriel. Estes escritos formam a base do Alcorão (do árabe “al-Quram” = “o recitativo” ou “o discurso”). Foi em Meca ele começou a ensinar a nova religião mas fugiu de lá para Medina em 622, quando soube que a tribo Quraysh planejava acabar com a sua vida. O calendário muçulmano inicia no dia desta fuga, conhecida como Hijra (hégira).

Nessa altura o Islam afirmou-se não só como religião, mas também como comunidade organizada. Muito embora o próprio Maomé afirmasse que o que ele pregava não era uma nova religião, mas a continuação da revelação que Deus tinha dado aos profetas do Antigo Testamento e a Jesus (que não considerava Filho de Deus, mas um grande profeta que devia ser obedecido).

Maomé estabeleceu a constituição Medinense e instituiu o dogma da guerra santa. A idéia da “Jihad” surgiu quando Maomé se encontrava em Medina, depois da fuga de Meca. O profeta precisava de se defender dos habitantes de Meca e para isso precisava de organizar um exército, algo que exigia dinheiro.

Mais tarde Maomé entrou triunfante em Meca. Destruiu os ídolos de pedra com excepção da “pedra negra”. Deu depois inicio à sua obra política. As tribos do deserto converteram-se ao credo de Alá unificando e consolidando o novo modelo de religião-estado.

Além do Alcorão, há o livro de Hadiths. O Hadiths compreende os ensinos de Maomé, e é tão importante quanto o Alcorão em todas as áreas da vida do muçulmano.

Aos poucos, Maomé estruturou sua religião e organizou um exército de seguidores que, em 630, conquistou Meca.

A Kaaba foi transformada num centro de orações, mas, como havia dito acima, Maomé proibiu todos os cultos muçulmanos idólatras que antes existiam.

A doutrina muçulmana também chamada islâmica ou maometana impõe cinco regras:

- Crer em Alá, o único Deus e em Maomé, seu profeta;
- Realizar cinco orações diárias;
- Ser generoso para com os pobres e dar esmolas;
- Obedecer ao jejum religioso durante o ramadã (mês anual do jejum);

Ir a peregrinação a Meca pelo menos uma vez durante a vida.

Ao contrário do que se imagina, nem todo árabe é muçulmano. De fato, apenas 18% dos Muçulmanos são árabes dentre a estimativa de um bilhão e duzentos milhões de pessoas.

A palavra “Islam” significa simplesmente submissão a Deus, e “muçulmano” ou submisso é aquele que segue as leis do Islamismo. A revelação do Islamismo foi dada a Maomé, e este é reverenciado pelos muçulmanos como o maior dentre todos os profetas. De fato “Maomé” não é apenas um nome, mas um título que significa “O louvado” ou ainda “digno de louvor”.

Os árabes são de origem semita. Identificados como descendentes de Ismael, filho de Abraão e Agar, não tinham unidade política. Viviam em tribos independentes, governadas por neques. Cada tribo tinha o seu próprio deus, ao qual se rendia culto num santuário comum, a Ka’aba, existente em Meca. Na Ka’aba encontravam-se 360 ídolos. O mais importante era a “pedra negra” um tipo de meteorito adorado pelas tribos. Além disto haviam mais de 124.000 profetas conhecidos na época.

Os muçulmanos estão divididos em dois grandes grupos, os sunitas e os xiitas. Essas tendências surgem da disputa pelo direito de sucessão a Maomé. A divergência principal diz respeito à natureza da chefia: para os xiitas, o líder da comunidade (imã) é herdeiro e continuador da missão espiritual do Profeta; para os sunitas, é apenas um chefe civil e político, sem autoridade espiritual, a qual pertence exclusivamente à comunidade como um todo (umma). Sunitas e xiitas fazem juntos os mesmos ritos e seguem as mesmas leis (com diferenças irrelevantes), mas o conflito político é profundo.

Sunitas - Os sunitas são os partidários dos califas abássidas, descendentes de all-Abbas, tio do Profeta. Em 749, eles assumem o controle do Islã e transferem a capital para Bagdá. Justificam sua legitimidade apoiados nos juristas (alim, plural ulemás) que sustentam que o califado pertenceria aos que fossem considerados dignos pelo consenso da comunidade. A maior parte dos adeptos do islamismo é sunita (cerca de 85%). No Iraque a maioria da população é xiita.

Xiitas - Partidários de Ali, casado com Fátima, filha de Maomé, os xiitas não aceitam a direção dos sunitas. Argumentando que só os descendentes do Profeta são os verdadeiros imãs: guias infalíveis em sua interpretação do Corão e do Suna, graças ao conhecimento secreto que lhes fora dado por Deus. São predominantes no Irã e no Iêmen. A rivalidade histórica entre sunitas e xiitas se acentua com a revolução iraniana de 1979 que, sob a liderança do aiatolá Khomeini (xiita), depõe o xá Reza Pahlevi e instaura a República islâmica do Irã.

Outros grupos - Além dos sunitas e xiitas, existem outras divisões do islamismo, entre eles os zeiitas, hanafitas, malequitas, chafeitas, bahais, sunitas, hambaditas. Algumas destas linhas surgem no início do Islã e outras são mais recentes. Todos esses grupos aceitam Alá como deus único, reconhecem Maomé como fundador do Islamismo e aceitam o Corão como livro sagrado. As diferenças estão na aceitação ou não da Suna como texto sagrado e no grau de observância das regras do Corão.

Maomé declarou que o Alcorão era a revelação final e superior do único e supremo Deus. Ele baniu a adoração aos ídolos e ensinou que a vida do muçulmano deve ser completamente submissa a Alá (Deus, em árabe), com abluções rituais antes das cinco vezes diárias de oração em direção a Meca. Sexta-feira foi o dia estabelecido para adoração coletiva na Mesquita, o templo muçulmano.

Maomé morreu em 632 d.C. em Medina na Arábia Saudita, onde se encontram seus restos mortais…

Bibliografia :
Manual de Intercessão Pelo Mundo Muçulmano, PráMídia Publicações. 1998
http://wwwalu.por.ulusiada.pt/~21503299/ultima.htm


Wagner Veneziani Costa
CIM 176691
EME 058484

PLATÃO

Publicado por Editor em 21 Mai 2008 | sob: Editor, Platão

PLATÃO

“Que aqui não adentre quem não souber geometria”.

Seu verdadeiro nome era Aristócles, em homenagem ao seu avô, nasceu em Atenas, Grécia, em 428 ou 427 a.C., e lá morreu em 347 a.C. Platão é um nome que, segundo alguns, derivou de seu vigor físico e da largueza de seus ombros (platos significa largueza). Ele era filho de uma abastada família, aparentada com famosos políticos importantes, por isso não espanta que a primeira paixão de Platão tenha sido a política.

Inicialmente, Platão parece ter sido discípulo de Crátilo, seguidor de Heráclito, um dos grandes filósofos pré-Socráticos, sua máxima era: “Tudo Flui”, “Tudo se move”, “exeto o movimento”. Ele exemplifica, dizendo que não podemos entrar duas vezes no mesmo rio, porque, ao entrarmos pela segunda vez, não serão as mesmas águas que estarão lá, e a pessoa mesma já será diferente (de fato, a Biologia veio a descobrir muito mais tarde que nossas células estão em constante renovação, e isso é uma mudança).

O pensamento de Heráclito sobre Deus era: “O Deus é dia-noite, inverno-verão, guerra-paz, saciedade-fome; mas se alterna como o fogo, quando se mistura a incensos, e se denomina segundo o gosto de cada um.”

Nesse argumento, podemos ver que Heráclito considerava as diversas divindades da mitologia grega, que eram adoradas pelos homens de seu tempo, como sendo apenas fogo misturado a diferentes tipos de incensos.

E a alma consiste apenas de mais uma rarefação do fogo e sofre as mesmas mudanças que todas as outras coisas também experimentam; e a morte traz a completa extinção da alma.

“Para almas é morte tornar-se água, e para água é morte tornar-se terra, e de terra nasce água, e de água alma.”
Novamente aqui, nesse raciocínio, vemos Heráclito descrever seus caminhos “para baixo” e “para cima”. “Para Deus tudo é belo e bom e justo; os homens, contudo, julgam umas coisas injustas e outras justas.”

Posteriormente, Platão entra em contato com Sócrates, tornando-se seu discípulo, com aproximadamente vinte anos de idade e com o objetivo de se preparar melhor para a vida política. Mas os acontecimentos acabariam por orientar sua vida para a filosofia como a finalidade de sua vida.

Platão tinha cerca de vinte e nove anos quando Sócrates foi condenado à beber o cálice de cicuta (veneno fortíssimo). Ele havia acompanhado de perto o processo de seu mestre, e o relata na Apologia de Sócrates. O fato de Atenas, a mais iluminada das cidades-estados gregas, ter condenado à morte “o mais sábio e o mais justo dos homens” - como falara mediunicamente o oráculo de Apolo, em Delfos - lhe deixou marcas profundas que determinariam as linhas mestras de toda a sua atividade de filósofo.

Faço aqui mais um corte no texto para falar um pouco sobre Delfos, o Umbigo do Mundo. Durante mais de 15 séculos, do nascimento ao fim da cultura grega antiga, o Oráculo de Delfos, ou templo de Apolo, serviu como local onde os peregrinos vindos das mais diversas latitudes do mundo helênico consultavam as pitonisas, as sacerdotisas oraculares, para saber qual o seu destino, da sua família ou da sua pátria. Delfos tornou-se um dos lugares sagrados mais venerados pelos gregos, sendo que suas previsões e predições tiveram enorme repercussão nos destinos de reis, de tiranos e de gente famosa daqueles tempos.

O nome Delfos tem origem em Delphinios, um epíteto para Apolo originado em sua ligação com golfinhos. De acordo com a lenda, Apolo foi a Delfos com sacerdotes de Creta no dorso de golfinhos. Outra lenda sustenta que Apolo chegou a Delfos vindo do norte e parou em Tempe, uma cidade na Tessália para colher louro, planta sagrada para ele. Com base nesta lenda, os vencedores nos Jogos Píticos recebiam uma coroa de louro colhido em Tempe. Na juventude, Apolo matou a terrível serpente Píton, que viveu em Delfos perto da Fonte Castalian, — de acordo com alguns — porque Píton tinha tentado violar Leto quando se encontrava grávida de Apolo e Ártemis. Esta era a fonte que emitia os vapores que permitiam ao oráculo de Delfos fazer as suas profecias. Apolo matou Píton, mas teve que ser punido por isso, dado que Píton era filho de Gaia. O altar dedicado a Apolo provavelmente foi originalmente, dedicado a Gaia e depois a Posseidon. O oráculo nesse tempo predizia o futuro baseado na água ondulante e no sussurro das folhas das árvores.

Acredita-se que todas, ou uma boa parte da obra de Platão nos chegou inteira. Além de cartas e da Apologia de Sócrates, Platão escreveu cerca de trinta Diálogos que têm sempre invariavelmente Sócrates como protagonista. Nestas obras excepcionais, Platão tenta reproduzir a magia do diálogo socrático, imitando o jogo de perguntas e respostas, com todos os meandros da dúvida, com as fugazes e imprevistas revelações que impulsionam para a verdade, sem, contudo, revelá-la de modo direto. O motivo pelo qual sua obra nos chegou praticamente intacta reside no fato de Platão ter fundado uma escola que se tornou famosa, e que era dedicada ao herói ático Academos. Daí o nome Academia.

Platão foi o responsável pela formulação de uma nova ciência, ou, para ser mais exato, de uma nova maneira de pensar e perceber o mundo. Este ponto fundamental consiste na descoberta de uma realidade causal supra-sensível, não material, antes apenas esboçada e não muito bem delineada por alguns filósofos, embora tenha sido um pouco mais burilada por Sócrates. Antes de Sócrates, era comum tentar-se explicar os fenômenos naturais a partir de causas físicas e mecânicas. Platão observa que Anaxágoras, um dos pré-socráticos, tinha atinado para a necessidade de introduzir uma Inteligência universal para conseguir explicar o porquê das coisas, mas não soube levar muito adiante esta sua intuição, continuando a atribuir peso preponderante às causas físicas. Entretanto, se perguntava Platão, será que as causas de caráter físico e mecânico representam as “verdadeiras causas” ou, ao contrário, representam simples “concausas”, ou seja, causas a serviço de causas mais elevadas? Não seria o visível fruto de algo mais sutil?

Para encontrar a resposta às suas dúvidas, Platão empreendeu aquilo que chamou simbolicamente de “a segunda navegação”. A primeira navegação seria o percurso da filosofia naturalista. A segunda navegação seria a orientação metafísica de uma filosofia espiritualista, do inteligível. O sentido do que seja essa segunda navegação fica claro nos exemplos dados pelo próprio Platão.

Se se deseja explicar por que uma coisa é bela, um materialista diria que os elementos físicos como o volume, a cor e o recorte são bem proporcionais e causam sensações prazerosas e agradáveis aos sentidos. Já Platão diria que tudo isso seria apenas qualidades que evocariam uma lembrança de algo ainda mais belo, vista pela alma no plano espiritual, mas que não está acessível ao plano físico. O objeto seria apenas uma cópia imperfeita, por ser material, de uma “Idéia” ou forma pura do belo em si.

Vejamos um outro exemplo:

Sócrates está preso, aguardando a sua condenação. Por que está preso? A explicação mecanicista diria que é porque Sócrates possui um corpo corpulento, composto de ossos e nervos etc., que lhes possibilitam e lhe permitiram locomover-se e se deslocar por toda a vida, até que, por ter cometido algum erro, tenha-se dirigido à prisão, onde lhe sejam postas as amarras. Ora, qualquer pessoa sabe a simplificação desse tipo de argumento, mas é justamente assim que falam o materialistas-mecanicistas até os dias de hoje. Mas este tipo de explicação não oferece o verdadeiro “porquê”, a razão pela qual Sócrates está preso, explicando apenas o meio pelo qual pode uma pessoa ser posta num cárcere devido ao seu corpo. Explica o ato, descrevendo-o, e não suas causas. A verdadeira causa pela qual Sócrates foi preso não é de ordem mecânica e material, mas de ordem superior, da mesma forma que um computador não executa um complexo cálculo matemático pela ação de seus componentes em si, mas devido a algo de ordem superior e mais abstrato: o seu programa, o software. Sócrates foi condenado devido a um julgamento de valor moral usado a pretexto de justiça para encobrir ressentimentos e manobras políticas das pessoas que o odiavam. Ele, Sócrates, decidiu acatar o veredicto dos juízes e submerter-se à lei de Atenas, por acreditar que isso era o correto e o conveniente, pois ele era cidadão de Atenas, mesmo ciente da injustiça de sua condenação. E, em conseqüência disto, dessa escolha de ordem moral e espiritual, ele, em seguida, moveu os músculos e as pernas e se dirigiu ao cárcere, onde se deixou ficar prisioneiro.

A segunda navegação, portanto, leva ao conhecimento de dois níveis ou planos do ser: um fenomênico e visível (em nível do hardware, como diríamos em linguagem de computação); outro, invisível e meta fenomênico, (a nível do software), inteligível e compreensível pela razão e pela intuição. Podemos definir que é a realidade do mundo…

Podemos afirmar como falam Reale & Antiseri, que a segunda navegação platônica constitui uma conquista e assinala, ao mesmo tempo, a fundação e a etapa mais importante da história da metafísica. Todo o pensamento ocidental seria condicionado definitivamente por essa “distinção” entre o físico (o hardware) e o causal (o software, a ordem implicada que causa a ordem explicada), tanto na medida da sua aceitação quanto de sua não aceitação através da história. Se ela não é aceita, a pessoa que não a aceita terá de justificar a sua não aceitação, gerando uma polêmica onde continuará dialeticamente a ser condicionada ao fato de que existe - ao menos filosoficamente - algo que se chama metafísica.

Só após a “segunda navegação” platônica é que se pode falar de material e espiritual. E é à luz dessas categorias que os físicos anteriores a Sócrates, e muitos físicos modernos, podem ser tachados de materialistas, mas agora a natureza não pode mais ser vista como a totalidade das coisas que existem, mas como a totalidade das coisas que aparecem. Como diria o Físico David Bohm (Madras Editora), a ordem explícita é apenas conseqüência de uma ordem implícita, superior e invisível. O “verdadeiro” ser é constituído pela “realidade inteligente” e “inteligível” que lhe é transcendente.

Segundo Platão, a união da alma espiritual com o corpo é extrínseca, até violenta. A alma não encontra no corpo o seu complemento, o seu instrumento adequado. Mas a alma está no corpo como num cárcere, o intelecto é impedido pelo sentido da visão das idéias, que devem ser trabalhosamente relembradas. E diga-se o mesmo da vontade a respeito das tendências. E, apenas mediante uma disciplina ascética do corpo, que o mortifica inteiramente, e mediante a morte libertadora, que desvencilha para sempre a alma do corpo, o homem realiza a sua verdadeira natureza: a contemplação intuitiva do mundo ideal.

O Mito da Caverna

É o próprio Platão quem nos dá uma idéia magnífica sobre a questão da ordem implícita e explícita no seu célebre “Mito da Caverna” que se encontra no centro do Diálogo A República.

Essa história tem como intuito ilustrar como a maioria das pessoas vive com um véu sobre seus olhos, o que permite apenas uma noção distorcida e indefinida sobre coisas como a Verdade e a Beleza. Imagine um grupo de indivíduos acorrentados em uma caverna escura, iluminada apenas por uma grande fogueira atrás deles. Esses homens da caverna podem somente enxergar sombras de si mesmos e outras imagens tremeluzindo nas paredes em frente aos seus olhos. Essa é a realidade deles.

Vejamos o que nos diz Platão, através da boca de Sócrates: Imaginemos homens que vivam numa caverna cuja entrada se abre para a luz em toda a sua largura, com um amplo saguão de acesso. Imaginemos que esta caverna seja habitada, e seus habitantes tenham as pernas e o pescoço amarrados de tal modo que não possam mudar de posição e tenham de olhar apenas para o fundo da caverna, onde há uma parede. Imaginemos ainda que, bem em frente da entrada da caverna, exista um pequeno muro da altura de um homem e que, por trás desse muro, se movam homens carregando sobre os ombros estátuas trabalhadas em pedra e madeira, representando os mais diversos tipos de coisas. Imaginemos também que, por lá, no alto, brilhe o sol. Finalmente, imaginemos que a caverna produza ecos e que os homens que passam por trás do muro estejam falando de modo que suas vozes ecoem no fundo da caverna.

Se fosse assim, certamente os habitantes da caverna nada poderiam ver além das sombras das pequenas estátuas projetadas no fundo da caverna e ouviriam apenas o eco das vozes. Entretanto, por nunca terem visto outra coisa, eles acreditariam que aquelas sombras, que eram cópias imperfeitas de objetos reais, eram a única e verdadeira realidade e que o eco das vozes seria o som real das vozes emitidas pelas sombras. Suponhamos, agora, que um daqueles habitantes consiga se soltar das correntes que o prende. Com muita dificuldade e sentindo-se freqüentemente tonto, ele se voltaria para a luz e começaria a subir até a entrada da caverna. Com muita dificuldade e sentindo-se perdido, ele começaria a se habituar à nova visão com a qual se deparava. Habituando os olhos e os ouvidos, ele veria as estatuetas moverem-se por sobre o muro e, após formular inúmeras hipóteses, por fim compreenderia que elas possuem mais detalhes e são muito mais belas que as sombras que antes via na caverna, e que agora lhes parece algo irreal ou limitada. Suponhamos que alguém o traga para o outro lado do muro. Primeiramente ele ficaria ofuscado e amedrontado pelo excesso de luz; depois, habituando-se, veria as várias coisas em si mesmas; e, por último, veria a própria luz do sol refletida em todas as coisas. Compreenderia então, que estas e somente estas coisas seriam a realidade e que o sol seria a causa de todas as outras coisas. Mas ele se entristeceria se seus companheiros da caverna ficassem ainda em sua obscura ignorância acerca das causas últimas das coisas. Assim, ele, por amor, voltaria à caverna a fim de libertar seus irmãos do julgo da ignorância e dos grilhões que os prendiam. Mas, quando volta, ele é recebido como um louco que não reconhece ou não mais se adapta à realidade que eles pensam ser a verdadeira: a realidade das sombras. E, então, eles o desprezariam…

Qualquer semelhança com a vida dos grandes gênios e reformadores de todas as áreas da humanidade não é mera coincidência.

A Teoria de Platão

A teoria de Platão é uma história mística que postula que, muito tempo atrás, a espécie humana era constituída por criaturas andrógenas, significando que elas compreendiam tanto o sexo masculino como o sexo feminino. Os Deuses separaram essas criaturas em duas partes, criando homens e mulheres. A crença afirma que cada um de nós, em um nível profundamente subconsciente, sabe que algo está faltando dentro de nós e, assim, continuamos a procurar a totalidade. O idealista alemão Schopenhauer disse que a polaridade, ou a divisão de uma força em metades iguais e opostas, é um tipo fundamental de todos os fenômenos da natureza, “desde o cristão e o imã até o próprio homem”.

Muitas teorias sobre a alma gêmea diferem da teoria de Platão. Os puristas e os românticos concordam com Platão que a verdadeira alma gêmea é sua outra metade, também chamada “dissociação”, “almas idênticas” ou “chama gêmea”.

Platão escreveu, principalmente, na forma de diálogos. A coleção desses escritos, considerados autênticos, e numa ordem provavelmente cronológica, são:

1 - Hípias (menor): trata do agir humano;
2 - Alcibíades (Primeiro): trata da doutrina socrática do auto-conhecimento;
3 - Alcibíades (Segundo): trata do conhecimento;
4 - Apologia de Sócrates: relata o discurso de defesa de Sócrates no tribunal de Atenas;
5 - Eutífron: trata dos conceitos de piedade e impiedade;
6 - Críton: trata da justiça;
7 - Hípias (maior): discussão estética; O que é belo?
8 - Laques: trata da coragem;
9 - Lísis: trata da amizade/amor;
10 - Cármides: diálogo ético;
11 - Protágoras: trata do conceito e natureza da virtude;
12 - Górgias: trata do verdadeiro filósofo em oposição aos sofistas;
13 - Mênon: trata do ensino da virtude; O que é virtude? ela pode ser ensinada?
14 - Fédon: relata o julgamento e morte de Sócrates e trata da imortalidade da alma;
15 - Banquete: trata da origem, as diferentes manifestações e o significado do amor sensual;
16 - Fedro: trata da retórica e do amor sensual;
17 - Íon: trata de poesia;
18 - Menêxeno: elogio da morte no campo de batalha;
19 - Eutidemo: crítica aos sofistas;
20 - Crátilo: trata da natureza dos nomes;
21 - A República: aborda vários temas, mas todos subordinados à questão central da justiça;
22 - Parmênides: trata da ontologia. É neste diálogo que o jovem Sócrates, a personagem, defende a teoria das formas que é duramente criticada por Parmênides;
23 - Teeteto: trata exclusivamente da Teoria do Conhecimento; O que é Ciência?
24 - Sofista: diálogo de caráter ontológico, discute o problema da imagem, do falso e do não-ser;
25 - Político: trata do perfil do homem político;
26 - Filebo: versa sobre o bom e o belo e como o homem pode viver melhor;
27 - Timeu: trata da origem do universo;
28 - Crítias: Platão narra aqui mito de Atlântida através de Crítias (seu avô). É um diálogo inacabado;
29 - Leis: aborda vários temas da esfera política e jurídica. É o último (inacabado), mais longo e complexo diálogo de Platão;
30 - Epidômite;
Cartas (dentre as quais, somente a de número 7 é considerada realmente autêntica).

Bibliografia:
Platão - Político, in Diálogos II (Ed.Globo, P.Alegre, 1955);
Carlos Antonio Fragoso Guimarães;
Mannion, James – Livro Completo da Filosofia – Madras Editora, 2006.
PLATÃO. A República. São Paulo: Hemus, 1970

MARTINHO LUTERO

Publicado por Editor em 21 Mai 2008 | sob: Editor, Martinho Lutero


Um homem que, por amor aos ensinamentos de Jesus, foi contra a máquina de lucrar (e matar) da Igreja Católica.

A Europa foi abalada por uma série de movimentos religiosos que contestavam abertamente os dogmas da Igreja Católica e a autoridade do papa. A esses movimentos deram o nome de Reforma, pois eram de cunho religioso (contrário à forma de ser da Igreja Católica). Por outro lado, ocorria ao mesmo tempo mudança na economia européia, juntamente com a ascensão da burguesia.

Nessa época, a Igreja, havia se afastado muito de suas origens e de seus ensinamentos, como pobreza, simplicidade, sofrimento. Agora ela era uma religião de pompa, luxo e ociosidade.

As críticas não paravam, entre elas o grande clássico de Erasmo de Rotterdam, Elogio da Loucura (Madras Editora), que serviu como base para que Martinho Lutero efetivasse o rompimento com a Igreja Católica.

Moralmente, a Igreja estava em decadência, assim como hoje, só que naquela época sua preocupação era maior com questões políticas e econômicas do que com as questões religiosas.

Preocupada em aumentar, ainda mais, suas riquezas, começou a vender cargos eclesiásticos, relíquias e as famosas indulgências (o papado dava ao indivíduo a garantia de que cada cristão “pecador” poderia comprar o perdão por intermédio da Igreja), que foram a causa imediata da crítica de Lutero. Havia um padre dominicano, Tetzel, que pregava sobre as indulgências com grande exibicionismo. Ele dizia: “Cada vez que a moeda cai na bolsa do frade, uma alma sai do purgatório”.

Com o declínio da autoridade papal, o rei e a nação passaram a ser mais importantes.

Os principais reformadores foram:

- Martinho Lutero: Nasceu na cidade de Eisleben, em 10 de novembro de 1483. Veio de uma família humilde; seu pai, Hans Luther, e sua mãe, Margarete Ziegler Luther, eram agricultores (proprietários agrários). Teve uma próspera carreira acadêmica: foi ordenado sacerdote em 1507, entrando na ordem agostiniana; estudou Filosofia na Universidade de Erfurt; doutorou-se em Teologia e lecionou como professor em Wittemberg. Também recebeu o grau de mestre em artes. Lutero deixou oficialmente a Igreja Romana em 1521. Casou-se com uma ex-freira em 1525. Faleceu, com 62 anos de idade, em 1546.

- Huldreich Zwinglio: Nasceu em 1484 no povoado de Wildhaus, de família de fazendeiros. Recebeu o grau de bacharel em artes estudando nas Universidades de Viena e Basiléia. Antes disso, havia se tornado sacerdote católico e teve Glarus como sua primeira paróquia. Por volta de 1519, já sob a influência dos escritos de Erasmo e Lutero, começou a pregar em Zurique contra certos abusos da Igreja Católica e logo em seguida a deixou, convertendo-se.

- João Calvino: Nasceu em 1509 na cidade francesa de Nóyon, na Picardia. Seu pai era cidadão abastado e por isso se valeu do benefício de estudar na Universidade de Paris. Mais tarde, estudou advocacia na Universidade de Orleans e em Bourgs. Calvino converteu-se às idéias da Reforma em 1533. Foi forçado a abandonar a França por colaborar com a Reforma, instalando-se em Basiléia onde terminou sua obra As Institutas da Religião cristã.

- João Knox: Nasceu em 1515 e viveu até 1572. Era padre escocês. Cerca de 1540, começou a pregar idéias da Reforma. Em 1547, foi preso pelo exército francês e mandado para a França. Passou por Genebra onde absorveu completamente a doutrina de Calvino. Em 1559, voltou à Escócia para liderar um movimento de Reforma Nacional.

A moderna Maçonaria reverencia como seus grandes mestres da Antiguidade Zoroastro, Pitágoras, Platão e muitos outros, além disso, ministra, em alguns de seus graus, um breve sumário de suas doutrinas. Em um certo sentido, a Maçonaria inclui a todos e adota seus preceitos, uma vez que eram iniciados nos mistérios e suas doutrinas tinham, fundamentalmente, um só teor.

Todas ensinavam a existência do Grande Arquiteto do Universo (cuja sigla em inglês é G. A. O. U.), a imortalidade da alma e a fraternidade incondicional do homem. E a Maçonaria está de pleno acordo com essas verdades primitivas e fundamentais.

As sociedades de maçons ou edificadores, com as quais a moderna Maçonaria afirma ter ligação, sem dúvida sugeriram a denominação maçom, que é o simbolismo de edificador e talvez a forma de organização ou ascensão por graus, como os de aprendiz, companheiro e mestre, com o objetivo de neles representar os três graus dos mistérios antigos.

Os dois ou três últimos séculos, no máximo, abrangem toda a história da moderna Maçonaria. A organização é recente, porém seus princípios, quando claramente definidos e inteligentemente interpretados, são eternos e acordam plenamente com os grandes mistérios da Antiguidade.

O comentário histórico precedente a respeito de alguns pontos referenciais antigos nos permitirá estabelecer comparações e deduzir interpretações dos símbolos e grifos maçônicos, com base nos mistérios antigos e, dessa forma, desvendar a ciência e a filosofia que constituem o caráter da Maçonaria. A Maçonaria é uma imitação dos mistérios da Antiguidade, mas deveria transmutar-se por meio de sua restauração e perpetuação, através dos séculos vindouros, não pelo relaxamento de sua disciplina ou alterações em seu ritual, mas pelo aprofundamento de seus ensinamentos, intensificação do zelo e elevação da meta de cada irmão, em todo o planeta.

Todas as grandes religiões têm suas histórias internas e externas. As primeiras mais ocultas, com doutrinas de mistério, com uma tradição esotérica. Ela é passada no fundo dos templos, nas confrarias secretas, a ciência profunda. Já a história exterior são os dogmas e os mitos ensinados publicamente nos templos.

A exemplo disso, destaco a antiga Grécia, onde o pensamento esotérico era mais visível e mais oculto que em outros lugares. A escola de Alexandria nos fornece chaves úteis, pois foi a primeira a publicar em parte e a comentar o sentido dos mistérios, em meio ao esquecimento da religião grega e face ao Cristianismo crescente.

Vamos tentar explicar com um pouco mais de detalhes.

A Queda da Igreja Católica

A Igreja Católica detinha o monopólio de Deus e seus líderes buscavam monopolizar todos os outros aspectos da cultura. Os reis inclinavam-se perante os papas e aqueles que ousassem desafiar a Igreja eram ameaçados com o terrível espectro da excomunhão. Um católico excomungado naqueles dias era o pária definitivo, um leproso espiritual afastado nesta vida e sentenciado às regiões infernais na próxima. Em outras palavras, ninguém deveria brincar com a Santa Madre Igreja.

A Reforma Protestante foi em parte uma resposta à corrupção desenfreada que havia se espalhado no papado. Martinho Lutero sentia-se ultrajado pela venda de indulgências — ou seja, como citado anteriormente, o pagamento de uma taxa monetária pelo sacramento da confissão, A Renascença transformou os europeus em homens arrogantes e eles começaram a discordar abertamente de muitas das práticas do papado daquela época. Um dos exemplos mais ultrajantes do abuso da autoridade religiosa era a venda de indulgências. A Igreja Católica tem um sacramento chamado Confissão (atualmente, recebe o nome mais moderno e politicamente correto de Reconciliação) e ela era oferecida, livre de taxas, àqueles que desejassem permanecer nas boas graças de Deus durante grande parte do milênio. Isso começou a mudar durante a Renascença, quando a Igreja precisava de dinheiro para financiar seus diversos empreendimentos.

Martinho Lutero, enfureceu-se com o que ele entendeu como graves injustiças realizadas pela Igreja. Ele considerava que a mensagem estava sendo obscurecida por homens com ambições e objetivos mundanos e desejos decididamente seculares. Lutero enfatizou a “experiência interna” da fé. Em outras palavras, esses homens enfeitados e ricos intermediários que viviam em palácios ornamentados estavam turvando as águas espirituais. O indivíduo poderia ter uma experiência direta com Deus por meio de suas preces, meditações e pela volta aos preceitos. Ou seja, tudo o que você precisa saber está no Antigo e no Novo Testamento e graças a Gutenberg e sua prensa tipográfica, a Bíblia estava agora disponível para as massas.

Lutero tinha outros problemas com a Igreja e eles foram ignorados na tradição protestante. A tradição da Virgem Maria recebia menor atenção. A ela não mais caberia o lugar especial de reverência na tradição protestante como a existente no coração dos católicos. Lutero também não concordava com a noção de transubstanciação da Eucaristia (cerimônia em que o pão e o vinho transformam-se no corpo e no sangue de Cristo durante a Missa). Lutero acreditava que isso era um ritual simbólico. E ainda havia o voto de castidade. Lutero abandonou sua ordem religiosa, casou-se e constituiu uma família.

Uma nota interessante sobre Lutero e Calvino é a contribuição para suas respectivas línguas. Essa era uma época em que os homens instruídos falavam latim. Com o movimento Humanista e a Reforma, as nações celebraram sua singularidade e suas línguas. Os escritos extensos de Lutero e Calvino em suas línguas nativas contribuíram para a evolução do francês e do alemão
modernos.

A Igreja não levou Lutero a sério em um primeiro momento. O Papa não poderia ser incomodado com uma “briga de monge” como ele a chamava. A Igreja considerava-se intocável. Três anos depois de Lutero ter pregado seus protestos escritos na porta de sua igreja local veio a resposta da Igreja. Os ventos da mudança estavam soprando por toda a Europa. Apoiada pelo príncipe alemão e outros príncipes e políticos do Norte da Europa que favoreceram um rompimento com Roma nas áreas do poder e da economia, a Reforma era uma força ofensiva.

João Calvino

Na França, outro reformador radical estava perturbando a ordem das coisas. Sua filosofia não apenas redefiniu a religião, mas também influenciou o pensamento econômico para sempre. João Calvino, era um teólogo francês e um humanista que se juntou ao grupo da Reforma e foi influente em muitos outros campos além do espiritual. Quando ele adotou o movimento reformista e começou a escrever extensivamente sobre suas crenças, foi forçado a viver uma vida em constante fuga para evitar os raivosos padres da Igreja. Seu produtivo tratado chamado Princípios da Igreja Católica consolidou sua reputação como o maior proponente do Protestantismo.

O que é predestinação?

Predestinação é a crença germinada pelo reformador protestante João Calvino de que Deus já decidiu antecipadamente quem vai para o Céu e quem vai para o Inferno, e nada do que você possa fazer nesta vida poderá mudar essa decisão. Conseqüentemente, os seguidores de Calvino tornaram-se austeros, diligentes e cuidadosos com o dinheiro. Isso é um absurdo…

Como Lutero, Calvino enfatizou a experiência espiritual individual e reiterou que tudo o que você precisa saber pode ser encontrado nas Escrituras, conhecimento não filtrado pelos dogmas católicos. Calvino, como Lutero, acreditava em uma interpretação literal da Bíblia. Ele considerava que não somente as instituições religiosas deveriam ser guiadas por este princípio, como também a sociedade como um todo deveria ser estruturada sob esse conceito e deveria ser considerada responsável por uma interpretação literal das Escrituras. Essa idéia é chamada de teocracia, ou seja, um governo guiado por autoridades religiosas. Os líderes dessa teocracia, em vez de serem governadores, senadores e congressistas, seriam moldados na estrutura organizacional do início da Igreja Católica, conforme descrito nos Atos dos Apóstolos do Novo Testamento, sendo divididos em quatro categorias:

- Pastores: esses cinco homens estariam no comando de todas as questões religiosas;
- Professores: esse grupo ensinaria a doutrina da Igreja aos cidadãos;
- Anciões: doze homens (como os doze Apóstolos), escolhidos pela burocracia municipal, que supervisionariam tudo o que fosse feito na cidade;
- Diáconos: esse grupo seria responsável por prestar auxílio aos doentes, às viúvas, aos órfãos e aos pobres.
Calvino colocou esse governo teocrático em prática na cidade suíça de Genebra, mas os moradores logo o rejeitaram; Ele e seus seguidores deixaram a cidade.

Diferentemente de Lutero, Calvino enfatizou o conceito de predestinação. A predestinação significava que, antes de você nascer e sem que você fosse culpado de qualquer coisa, Deus já havia decidido quem estava destinado para o Céu e quem estava destinado ao Inferno. A predestinação também era chamada de “doutrina dos eleitos” e “doutrina dos santos vivos”.

Com a noção de predestinação, surgiu um senso de moderação e espiritualidade que se tornou conhecido como O Trabalho Ético Protestante. A graça de Deus seria alcançada por meio do trabalho, da vida modesta e do sucesso econômico. O voto de pobreza que é comum entre muitas ordens religiosas católicas não seria encontrado no Calvinismo. Essa filosofia espiritual obteve resultados transformadores em mais do que questões da alma. Ela estimulou a era do capitalismo e a economia de mercado livre na Europa.

O Calvinismo produziu o Trabalho Ético Protestante, o que levou diretamente ao surgimento do capitalismo (propriedade privada, mercado livre e nenhuma vergonha na obtenção do lucro) como o maior sistema econômico da Europa. O capitalismo substituiu o feudalismo, sistema no qual o senhor local controlava todos os aspectos das vidas dos camponeses em seu território.

A Contra-Reforma Católica

Para não ser ultrapassada, a Igreja Católica também iniciou uma reforma que passou a ser conhecida como Contra-Reforma. O almoço de graça havia terminado para os padres ricos e bispos gordos. O materialismo desumano de muitos clérigos renascentistas estava conseguindo uma péssima reputação para a Santa Madre Igreja. Era hora de parar e voltar a um estilo de vida espartano e ascético, ou pelo menos cultivar essa imagem mediante boas relações públicas e com a ajuda da Inquisição.

Como na Divisão de Assuntos Internos de uma agência de cumprimento de leis, a Igreja Católica começou a policiar a si mesma.
Em 1534, o Papa Paulo III encorajou o desenvolvimento de novas ordens religiosas, a mais notável sendo a Companhia de Jesus ou os Jesuítas. Fundada por Santo Inácio de Loyola, eles eram uma elite de clérigos dedicados à propagação da fé por meio da educação. Muitas universidades jesuítas foram estabelecidas na Europa e eventualmente no Novo Mundo. Não podemos deixar de citar, que foi a Maçonaria que abriu suas portas aos Jesuitas, dando-lhes abrigo, quando foram expulsos de toda a Europa.

A Igreja Católica iniciou a Contra-Reforma em resposta à Reforma Protestante. Tão lenta nas ações quanto qualquer burocracia inchada, a Igreja levou anos para finalmente marcar uma reunião para discutir sua reforma. A reunião, conhecida como o Concílio de Trento, durou dezoito anos.

A Contra-Reforma teve seu lado sombrio. A abominável Inquisição Espanhola foi iniciada. Os inquisidores possuíam um modo único de encorajar a fé entre a multidão. Um atiçador quente é uma afirmação mais intensa do que um sermão severo. A censura também foi institucionalizada na forma do Índex de Livros Proibidos. Volumes de literatura eram agora considerados inapropriados para o público e as penalidades por possuir um dos volumes proibidos eram severas.

Outro elemento da Contra-Reforma era evangelizador. As Boas Novas eram espalhadas por todo o Novo Mundo. A Igreja investiu pesadamente e não sabia aceitar um “não” como resposta. A resistência provou ser inútil para os povos indígenas das Américas.
Alguns pontos de Lutero, expostos nas 95 teses que ele afixou na porta da Igreja, em 1517:

- A única coisa que salva o homem é a fé. Sem ela, de nada valem as obras de piedade, os preceitos e as regras. O homem está só diante de Deus, sem intermediários: Deus estende ao homem sua graça e salvação; o homem estende para Deus sua fé.
- O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou dos cânones, nem pode redimir culpa alguma.
- A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes ao ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura. Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados veniais no que se refere à sua culpa.
- Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos moribundos. Essa erva daninha de transformar a pena canônica em pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam.
- Pregam doutrina humana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando (do purgatório para o céu). Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, podem aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.
- Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência.
- Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de São Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
- Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto - como é seu dever - a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extraem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de São Pedro.

Por isso a Igreja não tem função, o papa é um impostor, a hierarquia eclesiástica, uma inutilidade. Outra idéia de Lutero era o livre-exame. A Igreja era considerada incompetente para salvar o homem; por isso sua interpretação das Sagradas Escrituras não era válida: Lutero queria que todos os homens tivessem acesso à Bíblia (por isso a traduziu do latim para o alemão, uma coisa tão revolucionária e pioneira que a bíblia se tornou um padrão para a língua alemã). Todo homem poderia interpretar a Bíblia segundo sua própria consciência, emancipando-se no plano da ideologia religiosa.

Bibliografia:
Costa, Wagner Veneziani, Maçonaria - Escola de Mistérios - 2006/2007 - Madras Editora.
Guia Completo das Religiões do Mundo - completar - Madras Editora
Erasmo de Roterdã - Elogio a Loucura - Madras Editora