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Publicado por Editor em 21 Mai 2008 | sob: Editor, Madras, Livros, Moisés existiu???
Meus Irmãos,
Recebam as minhas Cordiais Saudações!!!
Tenho dentro de mim, algo que pode ser, de certa forma, confirmado através do texto que compilei…
Moisés Existiu??? Ou é mais um Fruto criado por umadas Religião sedenta pelo Poder e pela Glória…
Vocês tirarão as suas próprias conclusões…
Estabelecer um ponto de partida para identificar uma das principais figuras bíblicas e a maior da história egípcia. Quem foi José, o patriarca que trouxe a tribo de Israel de Canaã para o Egito? Quem foi o faraó desconhecido que o apontou como um ministro sênior, o verdadeiro governante do país em nome do rei? Quem foi Moisés? Se, como acredito, o Velho Testamento foi uma obra fundamentalmente verídica, os personagens tinham de estar ligados à história egípcia.
Há anos me deparei com a pista vital (em retrospecto, o que parece um momento de inspiração) embebida em um texto bíblico tão familiar que achei difícil acreditar que a sua significância não tivesse me alcançado muitos anos antes. A passagem em questão está no Livro do Gênesis. Os irmãos do patriarca José, como é dito, venderam-no como escravo no Egito onde, como um resultado da interpretação do sonho do faraó a respeito dos sete anos de abundância que seriam seguidos por sete anos de miséria, ele foi apontado como ministro sênior do rei. Os irmãos depois fizeram duas visitas ao Egito na época da fome em Canaã. Em uma segunda ocasião, José revelou sua identidade para eles, mas lhes assegurou que não deveriam se envergonhar por tê-lo vendido ao comércio de escravos, porque não foram eles que o enviaram “para aqui, mas Deus mesmo. Ele tornou-me como o pai do faraó.” (Gen. 45:8.)
Um pai para o faraó! Pensei imediatamente — e, como eu disse, não poderia entender por que não tinha feito a ligação antes — em Yuya, ministro de dois governantes da Décima Oitava Dinastia. Embora Yuya aparentemente não tivesse sangue real, sua tumba foi encontrada no Vale dos Reis em 1905. Pouca atenção foi concedida a ele porque foi considerado comparativamente sem importância. Yuya ainda é a única pessoa cujo título it ntr n nb tawi — santo pai do Senhor das Duas Terras, título formal do faraó — foi encontrado na tumba. Há ocorrência em um dos seus ushabti (estatueta funerária real nº 51.028 no catálogo do Museu do Cairo) e mais de 20 vezes nos papiros funerários.
José e Yuya poderiam ser a mesma pessoa? E a partir de muitas fontes de consulta, todas as coisas começaram a entrar nos eixos:
- É possível criar cronologias correspondentes de Abraão a Moisés por um lado, e de Tutmósis III, o sexto governante da Décima Oitava Dinastia, a Seti I, o segundo governante da Décima Nona Dinastia, por outro.
Também ficou claro que:
- Dos três períodos do Velho Testamento — quatro gerações, 400 anos e 430 anos — para a permanência israelita no Egito, quatro gerações está correto, pois é um ponto de vista a que os estudiosos judeus chegaram por outros cálculos;
- Como se sabe, os israelitas estavam no Egito no fim da Décima Oitava Dinastia e no começo da Décima Nona Dinastia; então, o descendente deve ter aparecido mais de dois séculos depois do que a maioria dos estudiosos acreditava, o que explica por que seus esforços para relacionar as figuras bíblicas com as egípcias foram tão prolongados. Eles concentraram sua busca na época errada;
- Os quatro reis de Amarna: Akhenaton, Semenkhkare, Tutankhamon e Aye — que governaram durante um período tumultuado da história egípcia, no qual uma tentativa foi feita para substituir os vários deuses antigos por um Deus monoteísta — eram todos descendentes de José, o patriarca;
- O Êxodo foi precedido pelo fim da Amarna governada por Horemheb, o último rei da Décima Oitava Dinastia.
Vamos demonstrar que Moisés deve ser considerado o faraó Akhenaton.
Em agosto de 1799, enquanto as tropas francesas reparavam as fortificações ao norte de Rachid — na margem esquerda do Nilo, cerca de 40 quilômetros a leste de Alexandria —, um oficial, encarregado de demolir um muro velho, atingiu uma pedra preta com sua picareta. Acreditava-se que a pedra fizesse parte de um templo antigo, pois revelou possuir três inscrições. No topo, havia 14 linhas de hieróglifos; no centro, 32 linhas de demótico, a forma simplificada da antiga escrita egípcia; e na margem inferior, 54 linhas de grego. O texto em grego foi traduzido e publicado, mas a real importância da Pedra de Roseta, cujo nome é derivado da denominação européia do lugar em que foi encontrada, só veio à tona em 1818. Thomas Young (1773-1829), físico, cientista e filólogo britânico, teve sucesso ao decifrar o nome de Ptolomeu na seção hieroglífica e estabelecer o valor fonético correto à maioria dos hieróglifos. Embora o estudioso tenha dado os primeiros passos, a decodificação final da pedra foi feita três anos depois por um brilhante filólogo francês chamado, François Champollion (1790-1832).
Com essa recente descoberta, Champollion foi capaz de traduzir alguns textos egípcios que até então eram um completo mistério para os historiadores. Entre eles estavam os cartuchos da lista dos reis nas paredes do templo de Osíris em Abidos, no Alto Egito. A lista, que incluía os nomes dos reis da Décima Oitava Dinastia, não fez menção a Akhenaton ou aos outros três reis de Amarna — Semenkhare, Tutankhamon e Aye — que o seguiram. Nessas circunstâncias, não é surpreendente que, quando na metade do século XIX os arqueólogos se depararam com a figura de Akhenaton estranhamente descrita nas ruínas de Tell el-Amarna no Médio Egito, inicialmente não tiveram certeza do que fazer com ela. Alguns acreditam que, como a rainha Hatshepsut, esse faraó recém-descoberto era uma mulher que se disfarçava de rei. Surgiram mais contribuições à conjectura pelo fato de Akhenaton ter ascendido ao trono como Akhenaton IV e depois mudado o nome. Eles estavam lidando com um ou dois faraós?
No início do século XX, quando a cidade de Amarna foi escavada e soube-se mais a respeito de Akhenaton e de sua família, ele se tornou o foco de interesse para os egiptólogos do período, que o viam como um humanitarista visionário e como o primeiro monoteísta. Akhenaton foi revelado como um rei revolucionário, que aboliu o sistema religioso do Antigo Egito, o Deus Amon (oculto) com suas várias divindades representadas por amuletos ou formas animais. Ele substituiu os velhos deuses por um único Deus, Aton, que não possuía imagem ou forma, um Deus universal não apenas para o Egito, mas também para o Kush (Núbia) ao sul e para a Síria ao norte, um Deus para o mundo todo.
Ele foi o poeta que escreveu o hino a Aton, que possui notável semelhança com o Salmo 104 da Bíblia. Instruiu seus artistas a expressarem livremente o que viam e sentiam, possibilitando uma arte realista simples e nova, diferente em vários aspectos da forma tradicional da expressão artística egípcia. Foi-nos permitido ver o rei como um ser humano, com sua esposa e filhas, comendo, bebendo e fazendo oferendas a Aton. Ele não tinha o estereótipo militar dos faraós da Décima Oitava Dinastia. Embora os reis e príncipes da Ásia ocidental tentassem envolvê-lo em guerras recorrentes, ele recusou-se a participar dessas disputas. Não há dúvida de que os egiptólogos do século XX, prematuramente, viram nele uma expressão de suas próprias idéias modernas.
“O mais impressionante de todos os faraós e o primeiro indivíduo da história humana” são as palavras que James Henry Breasted, estudioso americano, escolheu para descrevê-lo. Esse foi um tema ao qual ele retornou e que desenvolveu posteriormente em um livro: “É importante notar… que Akhenaton era um profeta… Como Jesus, que, por um lado tirava suas lições dos lírios do campo, das aves do ar ou das nuvens do céu e, por outro, da sociedade humana ao seu redor em histórias como o Filho Pródigo, a Boa Samaritana ou a mulher que perdeu seu dinheiro. Portanto, esse profeta revolucionário do Egito fazia seus ensinamentos a partir de uma contemplação tanto da natureza como da vida humana…”
O mesmo tema encontra um eco na obra de Arthur Weigall, egiptólogo britânico: “… o nome Akhenaton surge das sombras como uma figura mais clara do que qualquer outro faraó e com isso vêm o cantar dos pássaros, as vozes das crianças e o perfume de várias flores. Desta vez podemos olhar diretamente dentro da mente de um rei do Egito e vermos um pouco das suas obras, e tudo o que é observado é digno de admiração. Akhenaton tem sido chamado de ‘o primeiro indivíduo na história humana’, mas é também o primeiro de todos os fundadores das doutrinas religiosas. Ele pode ser classificado na categoria do tempo e, em vista da nova classificação criada por ele, talvez na categoria de gênio, como o primeiro idealista mundial.”
Para o reverendo James Baikie, outro egiptólogo britânico, ele era “um sonhador idealista, que realmente acreditava que os homens viviam em verdade e falavam a verdade.”
Entretanto, nem todos os estudiosos tiveram uma visão tão entusiástica e favorável a respeito do primeiro dos reis de Amarna. Alguns, como o filólogo britânico Alan H. Gardiner, escreveu que “o colosso restante do peristilo de sua corte em Karnak tinha o olhar da determinação fanática, assim como sua história subseqüente que foi confirmada tão fatalmente.” John Pendlebury, que estava muito envolvido no início da exploração em Armana, chegou à conclusão: “Sua [de Akhenaton] preocupação principal era com a religião. Ele e [a rainha] Nefertiti se tornaram devotos de Aton. Nos dias de hoje os chamaríamos de fanáticos.”
A natureza controversa do caráter de Akhenaton e de seus ensinamentos finalmente atraíram o interesse do judeu Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, que introduziu um novo elemento no debate assim que a Europa começou sua guinada em direção à guerra em meados de 1930. Em julho de 1934, Freud escreveu o rascunho do que posteriormente seria a primeira parte do livro Moses and Monotheism (Moisés e Monoteísmo). Sua introdução foi publicada inicialmente na revista alemã Imago em 1937 sob o título de “Moses an Egyptian” (Moisés um Egípcio).
Freud demonstrou em seu artigo que o nome do líder judeu não era derivado do hebraico, como se acreditava até então, mas tinha como fonte uma palavra egípcia, mos, significando “uma criança”. Ele também mostrou que a história do nascimento de Moisés é uma réplica daqueles de outros mitos antigos dos grandes heróis da história. Entretanto, Freud apontou que o mito do nascimento e da exposição de Moisés permanece à parte dos de outros heróis e difere deles em um ponto essencial. Para esconder o fato de que Moisés era egípcio, o mito de seu nascimento foi invertido para fazer dele originário de pais humildes e assistido por uma família de boa situação social: “É bem diferente no caso de Moisés. Aqui, a primeira família — geralmente tão distinta — é bastante modesta. Ele é filho de levitas judeus. Mas, a segunda família — humilde, em que heróis governadores são criados — é substituída pela casa real do Egito. Essa divergência comum soou estranha a vários pesquisadores.”
Depois, em 1937, a Imago publicou um artigo de Freud sob o título de “Se Moisés fosse um egípcio”. A matéria questionava por que o judeu encarregado de transmitir as leis de Deus, se realmente fosse egípcio, teria passado a seus seguidores uma crença monoteísta em vez do clássico egípcio antigo da pletora de deuses e imagens. Ao mesmo tempo, Freud encontrou grande similaridade entre a nova religião que Akhenaton tinha tentado impor em seu país e os ensinamentos religiosos atribuídos a Moisés. Por exemplo, ele escreveu: “O povo judeu diz: ‘Schema Yisrael Adonai Elohenu Adonai Echod’.” (‘Ouça, Ó Israel, o Senhor teu Deus é um Deus’.) Como a letra hebraica d é a transliteração da letra egípcia t e e vira o, ele explicou que essa frase do povo judeu poderia ser traduzida como: “Escute, Ó Israel, nosso Deus Aton é o único Deus”.
Pouco tempo após a publicação desses dois artigos, soube-se que Freud estava com câncer. Três meses depois, os alemães invadiram a Áustria; em junho de 1938, ele deixou Viena e se refugiou em Londres, onde, sentindo seu fim se aproximando, decidiu que desejava ver os dois artigos e uma terceira seção escritos em um livro em inglês. Ele achou que isso proporcionaria um clímax apropriado para sua vida distinta. Suas intenções não iam ao encontro da aprovação de vários estudiosos judeus, no entanto, eles achavam que algumas de suas visões e, em particular, sua reivindicação na terceira seção não publicada de que Moisés havia sido assassinado por seus próprios seguidores em protesto contra a aspereza de suas crenças monoteístas, apenas se somariam aos problemas dos judeus, que já enfrentavam uma nova e dura opressão dos nazistas. O professor Abraham S. Yahuda, teólogo e filólogo judeu-americano, visitou Freud em sua nova casa em Hampstead, Londres, e implorou a ele que não publicasse seu livro, mas Freud recusou-se a ser dissuadido e Moses and Monotheism foi lançado em março de 1939. Nesse livro, Freud sugere que um dos altos oficiais de Akhenaton, provavelmente chamado Tuthmose, era adepto da religião de Aton. Após a morte do rei, Tuthmose selecionou a tribo hebraica, já vivendo em Gósen no Delta oriental, para ser seu povo escolhido, levou-a do Egito no tempo do Êxodo e transmitiu a ela as máximas da religião de Akhenaton.
Freud morreu aos 83 anos, seis meses depois que seu livro foi publicado. A explosão da Segunda Guerra Mundial não apenas pôs fim a todas as escavações no Egito como retardou a resposta à bomba que Freud havia deixado para trás. Isso não demoraria muito a ser remediado assim que o mundo retornasse à paz. O novo concorrente a entrar para a lista era outro psicanalista judeu, Immanuel Velikovsky, que nasceu e foi educado na Rússia no início do século XX e depois emigrou para a Palestina antes de se estabelecer nos Estados Unidos. Em 1952, ele publicou a primeira parte de seu livro Ages in Chaos (Eras no Caos), no qual tentou apresentar algumas provas de erupções vulcânicas no Sinai quando houve o Êxodo judeu do Egito, no início da Décima Oitava Dinastia, dois séculos antes do reinado de Akhenaton, para colocar Moisés em um ponto distante na história que precedeu o rei egípcio. Não apenas isso. Em uma obra à parte, Oedipus and Akhenaten (Édipo e Akhenaton), ele propôs mostrar que o Édipo da mitologia clássica grega tinha uma origem histórica egípcia e que Akhenaton era o rei Édipo que se casou com sua própria mãe, a rainha Tiye.
Pode-se dizer que a obra de Velikovsky acertou o tom nos anos pós-guerra quanto aos apontamentos para Akhenaton. Ao todo, estudiosos têm se esforçado para destruir sua imagem inicial favorável e estabelecer alguma ligação entre ele e o monoteísmo de Moisés. Um dos primeiros a embarcar nesta cruzada foi Cyril Aldred, egiptólogo escocês. Em seu livro a respeito do primeiro dos reis de Amarna, publicado em 1968, ele tentou explicar a ausência de genitália em um colosso nu do rei de Karnak pelo fato de Akhenaton ter sido vítima de uma doença penosa:
Todas as indicações são de que estas características físicas peculiares foram resultado de uma doença conhecida pelos médicos e patologistas como Síndrome de Fröhlich. Os pacientes homens com essa desordem freqüentemente exibem uma corpulência semelhante a Akhenaton. A genitália permanece infantil e pode não ser visível por ficar enfronhada na gordura. A adiposidade pode variar em grau, mas há uma distribuição tipicamente feminina de gordura nas regiões dos seios, abdome, púbis, coxas e nádegas. Entretanto, os antebraços são delgados e as pernas, por exemplo, lembram calças de jogar golfe… Há justificativa em se pensar que ele sofreu da síndrome de Fröhlich e desejava ser representado com todas as deformidades que distinguiam sua aparência do resto da humanidade.
Entretanto, realmente temos provas conclusivas de que Akhenaton teve ao menos seis filhas com a rainha Nefertiti. Aldred apresentou uma explicação engenhosa para esta aparente contradição: “Até recentemente era possível especular que, embora as filhas de Nefertiti sejam descritas como filhas de um rei, de forma nenhuma é certo que este rei foi Akhenaton, particularmente se Amenhotep III ainda estava vivo dois anos depois que a mais nova nasceu. Embora possa parecer prepotente que Amenhotep III se responsabilizasse pelas obrigações maritais de um co-regente estéril, no meio do reinado divino um alargamento de suas responsabilidades não é impensável.”
Todavia, posteriormente, no mesmo livro, ele nos diz que Akhenaton não era, no fim das contas, impotente. O autor contradiz sua especulação anterior sugerindo que Akhenaton se casou com sua filha mais velha, Meritaton, e teve uma criança com ela: “Na morte de Nefertiti, seu lugar foi ocupado por Meritaton… Poderia parecer que ela era mãe de uma princesa Meritaton, a pequena, de uma inscrição publicada recentemente em Hermópolis [A cidade que atravessa o rio de Amarna, cujas pedras Ramsés II usou para sua construção], mas é impossível dizer quem era o pai, embora a inferência pareça indicar Akhenaton.”
O autor vai adiante para sugerir que o rei tinha um relacionamento homossexual com seu irmão/co-regente/genro Semenkhkare. A tentativa de Aldred de destruir a antiga imagem favorável de Akhenaton levou-o a um caminho que outros estudiosos provaram ser o adequado a seguir. O mais recente adepto da teoria de Aldred é o professor Donald Redford é, da Universidade de Toronto, um estudioso eminente em assuntos do Velho Testamento e de Egiptologia, que escreveu o livro Akhenaten, the Heretic King (Akhenaton, o Rei Herético), publicado em 1984:
O Akhenaton histórico é marcadamente diferente da figura que os populistas criaram para nós. Humanista ele não foi, muito menos romântico humanitário. Fazer dele a figura de um “Cristo” trágico foi pura falsidade. Ele não foi o mentor de Moisés: uma lacuna vasta é fixada entre o monoteísmo do faraó e o henoteísmo hebreu [crença em um Deus sem afirmar que ele é o único] que em qualquer caso vemos por meio do prisma distorcido dos textos escritos 700 anos após a morte de Akhenaton.
Redford resume sua aversão ao rei nas seguintes palavras: “Um homem considerado feio pelos padrões aceitáveis atualmente, isolado no palácio em sua minoridade, certamente próximo à mãe, possivelmente ignorado pelo pai, superado por seu irmão e irmãs, inseguro; Akhenaton sofreu a infelicidade singular de ascender ao trono do Egito e seu império.” E então: “Se o rei e seu círculo inspiram-me algo como desprezo, é apreensão que sinto quando contemplo sua ‘religião’.”
A tentativa pós-guerra de crucificar Akhenaton e desacreditar sua religião tem sido unânime, pois quaisquer estudiosos que poderiam sustentar visões menos hostis mantiveram um silêncio suspeito. Na raiz da campanha de vilificação reside um desejo de realçar Moisés e seu monoteísmo ao desacreditar Akhenaton, o intruso egípcio, e as crenças que ele tentou introduzir em seu país. Ironicamente, os acadêmicos que conduzem sua impiedosa campanha escolheram o alvo errado. Ao atacar Akhenaton, eles estão, na verdade, atacando seu próprio herói — como Freud chegou tão perto de demonstrar, Akhenaton e Moisés eram uma única pessoa.
Para quem quer se aprofundar no assunto sugiro a leitura da obra:
Moisés e Akhenaton: a história secreta do Egito no tempo do Êxodo/Ahmed Osman, Madras Editora, 2005.
Publicado por Editor em 05 Dez 2006 | sob: Editor, Escola de Mistérios, Livros

Prefácio
“Recebam, meus queridos Irmãos, minhas primeiras Emoções
Que em Meu Coração a Ordem faz Surgir.
Feliz se Nobres Esforços
Fazem merecer sua estima,
Elevam-me a esse Verdadeiro Sublime,
À Primeira Verdade,
À Essência Pura e Divina
Da Alma Celeste Origem,
Fonte de Vida e Claridade.”
Ramsay
O espírito da inquietude está no ar. Atualmente, na face aparente das coisas, o mercantilismo fala mais alto, na maioria das vezes. Grandes associações entre o capital e a massificação de milhões parecem ser a “Ordem do Dia”. Dentro da classe política, tentam-se uma organização e uma cooperação em escala jamais vistas na história humana. Problemas econômicos estão sendo experimentados em uma medida que se torna impossível evitar sua somatória, de modo muito significativo, à experiência associada da Humanidade. Que conseqüências podem daí advir, somente os mais sábios poderiam agora opinar e, talvez, apenas os tolos se arriscariam a predizer.
Todavia, a natureza humana é um produto essencialmente estável, em que se pode depositar confiança sob qualquer circunstância. No âmago do coração do homem, mora o princípio da justiça e da eqüidade, e nenhum abuso arquitetado pelo egoísmo ou pela ganância teria vida longa. É possível que ainda estejamos longe do Reino Universal da Irmandade, porém há algo na recôndita essência do coração humano que se esforça no afã de alcançar a meta.
Tão relevantes quanto a agitação comercial e a disputa econômica, outros problemas estão igualmente em busca de uma solução. Usando o termo em seu sentido mais amplo, o problema psíquico caminha lado a lado com o econômico. Ética e Economia são inseparáveis. A conduta individual, o uso dos recursos vitais e a distribuição de renda sempre envolvem não só ética mas também economia; em síntese, constituem-nas.
Fora das igrejas e da literatura religiosa, pouco se comenta a respeito de religião, hoje em dia. Na verdade, aliás, pessoas “excelentes” parecem achar a religião (espiritualidade) obsoleta; algo do passado, uma sobrevida – quando, na verdade, admite-se de qualquer modo a sua sobrevivência – das eras de trevas. Possivelmente, nenhum erro mais grave poderia ter sido cometido. Os problemas aparentes podem ter mudado; as organizações podem ter se fragmentado ou desaparecido, mas os temas de discussão vitais não apenas permanecem como jamais estiveram em tamanha evidência como hoje. Nem poderia ser diferente, já que a natureza humana permanece imutável.
Somente os tolos ou degenerados podem, se o fizerem, tentar ignorar o elemento religioso (espiritualidade) inerente à sua própria natureza. Tão inevitável quanto a água em busca de seu nível para finalmente encontrar o caminho rumo ao mar, exatamente assim sente-se o homem em busca desse poder – dê-lhe o nome que quiser –, cujo raio divino o torna Homem e cuja presença intrínseca o eleva em momentos extraordinários, acima do sórdido “eu”, para o chamado da alma, no sentido do mais elevado, do imenso, do melhor, como em um toque de asas. Essa é uma experiência universal, igualmente vivenciada pelo selvagem ou pelo civilizado, e totalmente independente de teologias ou filosofias eclesiásticas. Teólogos, em todas as eras, têm se apossado dessa experiência humana comum e a têm formulado, com o propósito de direcioná-la, chegando freqüentemente a explorá-la, segundo a conveniência de seus credos, exatamente como os capitalistas manipulam os problemas econômicos relativos aos recursos da natureza e à distribuição da riqueza.
Em termos gerais, esse é o problema psíquico que constitui o elemento religioso inerente à vida humana. Nunca foi tão evidente como o é hoje. Essa é a realidade que, em nossos dias, caminha pari passu com o mercantilismo. E, se por um lado, como já mencionamos, talvez faça menos alarde, por outro é algo evidente em toda parte.
Todo problema na vida humana e todo movimento que afeta a sociedade são, em última análise, questões psíquicas. Ambos dizem respeito ao corpo e têm incidência no meio ambiente, essencialmente na alma do indivíduo.
O progresso obtido pela ciência materialista, em meados do último século, é tão extraordinário que se torna difícil encontrar um adjetivo apropriado para nomeá-lo. Logo, os problemas econômicos devem ser necessariamente revistos.
Enquanto os problemas psíquicos atingirem igual proeminência, não se pode chamar tais resultados de organizados, como os dos experimentos econômicos. A espécie, como um todo, tem reunido fatos e realizado experimentos. Raramente foi sugerida, na Psicologia, uma hipótese funcional. Não obstante, não há nenhum acordo amplo ou geral quanto a quaisquer teoremas. Parece-me não haver nenhum projeto em estudo, e os trabalhadores, as legiões, acham-se confusos.
A grande maioria das pessoas, mesmo entre as mais cultas e esclarecidas, irá apressar-se em negar ter o homem, algum dia, conhecido tal teorema psíquico. Para essas pessoas, a hipótese desse teorema ter sido descoberto em algum momento e, então, ter se perdido ou tornado hermético, é absurda; ainda assim, o conjunto das tradições e o Simbolismo da Maçonaria giram em torno desse teorema, essa hipótese funcional na vida psíquica do homem. Trata-se de algo fundamental para criar uma ordem na confusão dos problemas psíquicos, que afetam muitos hoje em dia.
Esse Grande Segredo, a Palavra do Mestre, foi dado a conhecer e preservado nos Mistérios da Antiguidade, tendo sido incorporado e preservado nas tradições e no simbolismo da atual Maçonaria. É um fato repetidamente mencionado ao longo desta singela obra, com o real propósito de despertar em iniciados, especialmente nos maçons, o desejo de buscar o real segredo. É a recompensa ao estudo e à devoção, e jamais foi obtido sob quaisquer outras condições. Nunca foi outorgado mediante os graus ritualísticos da Ordem maçônica, e isso possivelmente jamais ocorrerá. É o estabelecimento do entendimento na alma humana, entre aquele seu “Eu” mais elevado e o “Mais”, e além do “Eu”, a partir do qual ele fundamenta sua vida e de onde nascem suas intuições, seus insights. Esta é a real iniciação: tornar-se uno em sua mente.
Sinto-me gratificado e também encorajado pela acolhida e interesse manifestados à minha obra e pelos elogios, vindos de muitos amigos, irmãos de diversos setores e sociedades.
Creio que em nenhum outro lugar, no seio da sociedade humana, pode-se encontrar hoje em dia uma abordagem tão próxima àquela da Fraternidade, Ideal do Homem, como nas Lojas maçônicas. Perfeita não o é, mas não pode sê-lo até que a evolução humana seja completada. Atualmente, dentre as centenas de milhares de maçons existentes no mundo, seria difícil encontrar um que não se empenhe, dando o melhor de si, na prática da beneficência e da fraterna bondade, particularmente em relação aos seus Irmãos nas Lojas. Além do mais, há milhares de maçons que percebem ser a Maçonaria algo que tem alcance e implicações muito maiores do que o simples ato de comparecer aos rituais e cerimônias da Loja. Há um interesse realmente muito amplo e cada vez mais crescente nesse sentido e, esse é o escopo, acima de tudo, com que a Maçonaria Mística foi concebida, no intuito de fomentar, encorajar e auxiliar. Na verdade, na última década, houve um crescimento notável desse sentimento, e nós não temos a menor sombra de dúvida quanto ao resultado. Se isso for somente a minha esperança, que seja assim! Se pois isso morrer em mim, não terei mais o que fazer, pelo menos no que se refere à Ordem. Sei que estou sendo um tanto romântico, ou melhor, poético, mas sinto-me bem, por encorajar todos os que vibram na mesma freqüência, na mesma sintonia, na mesma harmonia de sincronicidade que eu e torcem para que nossa Ordem ressuscite, o mais rápido possível, antes que seja tarde demais. Continuemos…
São os preceitos éticos inculcados na Loja e amplamente praticados pelo ofício, mais que tudo, o que contribui para abrir as intuições mais elevadas do homem, permitindo-lhe intuir e finalmente compreender problemas mais complexos, ocultos, no profundo simbolismo da Maçonaria. Por conseguinte, a Moderna Maçonaria está se tornando rapidamente, como seu protótipo na Antiguidade, uma Escola de Mistérios; sendo o real Mistério, a origem e a natureza da alma humana, o destino transcendente e imortal do Homem. Os que já atingiram os mais altos graus da Ordem sabem a que estou me referindo.
A organização maçônica é muito grande, forte e amplamente difundida; seu espírito é tão fraterno e seus ensinamentos tão valiosos e inspiradores que parece estar fadada a obter os resultados mais gloriosos no aprimoramento e na elevação da raça humana, como um todo. Pelo menos é assim que o mundo profano nos vê e assim o foi.
As profundas e rígidas amarras que até aqui haviam segregado a Humanidade estão desaparecendo rapidamente. Credos e dogmas perderam seu valor, uma vez que o Estado não mais os protege, além do que se esvaiu o medo dos anátemas eclesiásticos. Homens e mulheres de todas as classes estão se familiarizando cada vez mais com a finalidade manifestada da compreensão, de maneira que podem ajudar-se mutuamente. Reconhece-se cada vez mais que o bem do indivíduo é o bem-estar de todos. O “pecado da separação” vai sendo, por conseguinte, lentamente solapado. Partindo daí, os problemas éticos, religiosos, econômicos e políticos são vistos como praticamente inseparáveis e todos eles definitivamente relacionados ao problema básico, que é a evolução do homem. Essa reconhecida unidade de pensamento bem como os interesses da comunidade são o prelúdio para a Irmandade Universal do homem, o que representa o estado ideal e o sonho de qualquer verdadeiro filantropo através dos tempos. A Maçonaria representa exatamente isso, na íntegra, essencialmente como nas eras em que se definiu e se promulgou claramente a filosofia que viabiliza a existência de um Estado ideal, tal como uma Grande República de Nações e Povos. Deve ela ser fundada nos alicerces da natureza intrínseca do homem e consolidada na afetuosa fraternidade individual e coletiva, a fim de que assim possa existir e perdurar.
Tomo a liberdade de pedir aos nossos Irmãos que voltemos a empreender, levando ao mundo um pouco mais de LUZ.
Promover esse glorioso resultado é a finalidade exclusiva desta singela obra. Essa é, na verdade, a Obra da sua Loja, como deve ser a de cada Irmão, em cada canto deste planeta, até que finalmente se torne a obra de cada ser humano.
Que o Grande Arquiteto do Universo possa iluminar nossos trabalhos. Fazer com que cada um dos homens que formam a Maçonaria sejam alterados pela Luz Divina para que possam perceber qual é o seu papel, a sua missão, e que todos os seus trabalhos sejam abençoados!!!
Eu Sou o Que Sou,
Wagner Veneziani Costa
Introdução
“A Verdade está dentro de nós. Não surge das coisas
externas, mesmo que assim acreditemos.
Há um centro interno onde a Verdade habita
em sua plenitude.”
Buda
Antes mesmo de começar a escrever a introdução de nossa obra, quero frisar os meus mais sinceros respeitos a J. D. Buck, Saint-Ives d’Alveydre, Eliphas Levi e Oswald Wirth, que são, na verdade, os maiores idealizadores e motivadores desse meu sonho que se torna realidade. Fundamento, base e inspiração, além de diversos textos em seu pleno conteúdo das suas obras originais, foram aqui mantidos. Quero também dizer a eles, onde quer que estejam, que seus trabalhos não foram e não serão facilmente esquecidos, pois tomo a liberdade de ingressar, mergulhar com eles, manter o mesmo prisma, trazer à tona suas obras, recheadas de textos e referências atualizados.
Esta obra não apenas atrai a atenção e instiga o estudo, mas também reflete, por meio dos seus originais, a aprovação incondicional das maiores autoridades maçônicas de nossos dias. Homens com grandes ideais.
E isso me entusiasmou a pegar os originais de J. D. Buck, assim como diversos outros, e compilá-los – prefiro esse termo a pesquisar. Ele próprio já o fizera antes e, não importa o motivo, colocou todos os textos aqui inseridos como sendo suas idéias, o que sabemos, por meio de pesquisas, que não os são. Mais isso é irrelevante perto da riqueza deste material que tenho a grata satisfação de editar e inserir nos textos da edição em língua portuguesa.
Parti do princípio de que tem havido, ultimamente, um amplo interesse quanto aos assuntos relacionados com a Maçonaria. Acreditando poder somar, abracei essa valiosa oportunidade de mostrar que a Arte Real, após centenas de anos, pode apresentar sua sublime filosofia ao mundo, para o aprimoramento da Humanidade.
Há outros autores que quero homenagear e ao mesmo tempo agradecer: Albert Pike, que não canso de citar durante todo o livro; Édouard Schuré; Fabre d’Olivet; J.M. Ragon; Helena Petrovna Blavatsky (Madame Blavatsky ou H.P.B.); A. Leterre; C. W. Leadbeater, além dos mais recentes e extraordinários escritores, historiadores e arqueólogos: Laurence Gardner; John J. Robinson; Christopher Knight; Robert Lomas; Martin Lunn; David Stevenson; Andrew Sinclair; Alfredo Lissoni; Richard Leigh e Michael Baigent.
Em sua apresentação, o autor J. D. Buck nos diz: “Meu livro, Mystic Masonry (Maçonaria Mística), é, em grande parte, uma compilação”. Não era propósito do autor tornar-se um inovador, mas, em vez disso, modestamente, um inspirador e renovador. Imbuído desse princípio, apenas reprisou enunciados já formulados por figuras importantes, com autoridade no tema Maçonaria; enunciados estes que foram negligenciados ou esquecidos e que precisavam ser relembrados.
Outro ilustre autor, Albert Pike, prefaciando seu livro Moral e Dogma, declara: “(…) Aproximadamente metade de seu conteúdo é original, enquanto a parte restante constitui-se de material colhido em variadas fontes e, uma vez que não estava escrevendo por fama ou dinheiro, mas para beneficiar o ofício, a fonte na qual havia se baseado era assunto de importância secundária”. Freqüentemente, fez adaptações em vez de inserções de passagens, em muitos pontos, e bem raramente citou suas fontes. Abordava assuntos que, evidentemente, acreditava serem do conhecimento da Fraternidade maçônica e havia despido sua mente de toda motivação egoísta ou esperança de ganhos; portanto, não se deve atribuir-lhe o uso de plágio. Fez freqüentes excertos, a partir dos escritos de Alphonse Louis Constant, mais conhecido como Eliphas Levi Zahed,* cujas obras à época eram publicadas apenas em francês e cujo conteúdo apresenta, sem dúvida, o saber mais profundo acerca das Ciências Ocultas e dos Mistérios da Antiguidade, revelados ao mundo desde os dias dos Antigos Iniciados.
É minha esperança que meus Irmãos percebam o real significado deste trabalho e que de nenhuma forma se sintam obrigados a aceitar a interpretação de seu conteúdo. Mais do que isso, peço que evoquem a tolerância e que por meio de sua inteligência busquem o saber e posssam discernir, a partir de critérios de eqüidade e moderação, a seqüência lógica de seu todo como reveladora da profunda filosofia da Natureza e da Vida, bem como a influência benéfica que tais ensinamentos seguramente irão exercer, se universalmente difundidos e adotados entre os homens, em seu dia-a-dia.
Precisamos observar a Natureza e aprender com ela, a exemplo da água, que nasce no útero da terra, cresce, enfrenta seus obstáculos, desenvolve-se, cumpre sua missão e volta ao centro da terra. E novamente nasce…
É possível que Liberdade e Igualdade baseadas na Fraternidade se tenham transformado em um slogan sangrento à época da Revolução Francesa; todavia, em tempos mais pacíficos, tal Fraternidade deve ser interpretada como a condição ideal para promover a Irmandade Universal e Incondicional do Ser Humano.
Wagner Veneziani Costa
Quarta capa
É comum ouvirmos que a Maçonaria consiste em uma instituição que congrega homens de bons costumes, solidários e transformadores da sociedade. Há quem diga que sua origem remonta às primeiras civilizações do mundo (egípcios, persas, gregos…) e que vem acumulando diversos conhecimentos desde então.
O que podemos afirmar é que a Maçonaria, sem sombra de dúvida, sempre foi uma Escola Iniciática de Mistérios, alicerçada nos símbolos e na tradição. Ninguém ensina Maçonaria para ninguém, é preciso vivenciá-la; isso é algo comum em qualquer escola iniciática. Cabe ao recipiendário absorver e praticar cada palavra, cada símbolo e detê-los em sua existência.
Os Antigos Mistérios não deixaram de existir quando o Cristianismo se tornou a religião mais poderosa no mundo, e a Maçonaria é a prova da sua sobrevivência. Sua estrutura simbólica é muito rica e complexa. A interpretação dessa simbologia é responsabilidade individual do maçom; e é no processo dessa interpretação pessoal que se pode entender a sobrevivência da Ordem Maçônica como um ‘Mistério’.
Em Maçonaria – Escola de Mistérios – A Antiga Tradição e Seus Símbolos, Wagner Veneziani Costa apresenta esse universo de Mistérios por meio de uma compilação de textos de autores consagrados, como J. D. Buck e Oswald Wirth, além de fontes como Albert Pike, Saint-Ives d’Alveydre, Eliphas Levi, Fabre d’Olivet, Helena Blavatsky, A. Leterre, C.W. Leadbeater, entre outros.
A descrição dos Mistérios correlatos à Maçonaria, os Mistérios da Índia, os Mistérios Egípcios, os Mistérios de Elêusis, os Mistérios Gregos, os Mistérios do Cristianismo, os Mistérios dos Judeus e dos Essênios, os Mistérios Egípcios, os Mistérios Cabírios, os Mistérios Sagrados de Zoroastro e de Mitra são temas que valem a pena conferir neste compêndio maçônico.
Publicado por Gerente Editorial em 06 Out 2006 | sob: Maçonaria, Madras, Livros, A Espiritualidade da Maçonaria
Introdução à Edição Brasileira
Nossa Ordem vive hoje, infelizmente, na mais profunda obscuridade intelectual e espiritual. Alguns Irmãos estão tentando transformá-la, rebaixando seus propósitos de tal forma que, praticamente, pessoas sem os quesitos necessários para compor o quadro de Obreiros das Lojas acabam tendo ingresso em suas oficinas, até mesmo os ateus, e nela permanecem. Sei, e com muita convicção, que a Instituição não é o que praticam nela, e o pior, existem Irmãos que acreditam que a Maçonaria é aquilo que vêem, que ouvem e, muitas vezes, aquilo que fazem…
São esses Irmãos que ignoram seus maiores feitos e nomes. É por isso que faço questão de introduzir este texto em uma obra magnífica, escrita de forma clara e objetiva, tratando daquilo que é um dos fatores mais sublimes no ser humano: a sua espiritualidade, fator este que está intimamente ligado à Maçonaria, a começar pelas cerimônias de Iniciação, o que veremos adiante.
Jean-Pierre Bayard é um dos principais escritores de nossa época, e, com muito conhecimento, presenteia os leitores da Madras Editora com este livro: A Espiritualidade da Maçonaria. Mas antes de tratarmos do tema central, abordado pelo autor, creio ser relevante, até mesmo para conhecimento dos leitores profanos, lembrarmos o que é, afinal, a Maçonaria.
A Maçonaria é uma Ordem Universal, formada por homens livres e de bons costumes, não importando sua raça, sua cor, seu credo e sua nacionalidade. Nela, os seres são acolhidos por suas diversas qualidades com a finalidade de evoluírem, física e espiritualmente. Essa Ordem foi fundada sob o Amor incondicional, na esperança da construção de uma sociedade humana mais justa e perfeita. Por isso mesmo, é Investigadora da verdade e combate a ignorância. Seus princípios são a Tolerância, a Virtude, a Justiça e a Sabedoria, sob a tríade Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Ao contrário do que muitos pensam, a Maçonaria não é uma sociedade secreta. Nossa história tem sido divulgada em diversos livros, os quais estão à venda em todas as livrarias. Nossos documentos são registrados em cartório. Temos endereço certo, como toda pessoa jurídica legalmente constituída. Também não é uma religião. Não promove nenhum dogma, deixando o ser pensar como bem entender. Não é ateísta, muito menos um partido político, como muitos tentam conduzi-la. Para muitos, e eu me incluo entre estes, a “política é uma introdução à guerra”.
Além de combater a ignorância em todas as suas modalidades, constitui-se em uma escola, impondo-se o seguinte programa:
I — Obedecer às leis democráticas do país;
II — Viver segundo os ditames da honra;
III — Praticar a justiça;
IV — Amar o próximo;
V — Trabalhar pelo progresso do homem.
A par dessa definição e da declaração formal da aceitação dos Landmarks, codificados por Albert Gallatin Mackey, proclama, também, os seguintes princípios:
I — Amar a Deus, a pátria, a família e a humanidade;
II — Praticar a beneficência, de modo discreto, sem humilhação;
III — Praticar a Solidariedade Maçônica, nas causas justas, fortalecendo os laços de fraternidade;
IV — Defender os direitos e as garantias individuais;
V — Considerar o trabalho lícito e digno como dever do Maçom;
VI — Exigir de seus membros boa reputação moral, cívica, social e familiar, pugnando pelo aperfeiçoamento dos costumes;
VII — Exigir a tolerância para com toda a forma de manifestação de consciência, de religião ou de filosofia cujos objetivos sejam os de conquistar a verdade, a moral, a paz e o bem social;
VIII — Lutar pelo princípio da equidade, dando a cada um o que for justo, de acordo com sua capacidade, suas obras e seus méritos;
IX — Combater o fanatismo, as paixões, o obscurantismo e os vícios.
Comungo da verdade de a Maçonaria ser uma Ordem tradicional, muito mais antiga do que a data que lhe é atribuída, que é de 1717. Baseia-se essa informação pela estrutura da Ordem, a prática mecânica de nossos rituais, os símbolos, a transmissão das ciências secretas aos Iniciados, as diversas teorias místicas, ocultistas, metafísicas, espirituais e filosóficas. Enfim, somos uma entidade muito mais antiga, mas, infelizmente, os livros de História não podem nos dar uma data precisa de nosso surgimento. Não nos esqueçamos de que a história é narrada e criada pelos vencedores e que muitos dos vencedores, diversas vezes, não têm interesse de que a verdade seja revelada.
Sejamos, ao menos, justos. Se debitamos à Maçonaria, em geral, todos aqueles casos particulares, ponhamos-lhe a crédito, em contrapartida, os benefícios que dela temos recebido em iguais condições. Beijem-lhe os jesuítas as mãos por lhes ter sido dado acolhimento e liberdade na Prússia, no século XVII — quando expulsos de toda a parte, o próprio Papa os repudiava —, pelo maçom Frederico II. Agradeçamos-lhe a vitória de Waterloo, pois que Wellington e Blucher eram ambos maçons. Sejamos-lhe gratos por ter sido ela quem criou a base na qual veio a assentar a futura vitória dos Aliados — a Entente Cordiale, obra do maçom Eduardo VII. Pensando na América, podemos citar a Independência do Brasil e a Abolição da Escravatura. Na França, a Maçonaria teve influência na Revolução Francesa. E não nos esqueçamos, finalmente, de que devemos à essa Ordem as maiores obra da arte moderna — Fausto, do maçom Goete, e a memorável A Flauta Mágica, do maçom Mozart.
Isso é apenas um pouco da nossa história que não foi apagada nem esquecida…
Mas vamos falar de espiritualidade. Ao abordarmos este tema, surge um outro infinitamente ligado a ele — A MORTE.
E começamos por citar algumas palavras de um Lama, sacerdote tibetano: “Não há uma pessoa, na verdade, nenhum ser vivo, que não tenha retornado da morte”. De fato, todos nós morremos várias mortes antes de virmos para esta encarnação; e aquilo que chamamos nascimento é apenas o lado inverso da morte, como um dos dois lados de uma moeda, ou, ainda, como uma porta que chamamos de “entrada” a partir do lado de fora, e de “saída”, a partir do lado de dentro.
É ainda mais surpreendente que nem todos se lembrem de sua morte anterior. E, em decorrência desse lapso de memória, a maioria das pessoas não acredita que tenha havido uma morte anterior. Mas também não se lembram de seu mais recente nascimento, embora, nesse caso, não duvidem de terem nascido. Tais pessoas esquecem-se de que a memória ativa é uma pequena parte de nossa consciência normal e que nossa memória inconsciente registra e preserva cada impressão e experiência passadas, que a nossa mente despertada não consegue se lembrar.
Poderia citar também a lagarta; o que ela chama de morte, chamamos de BORBOLETA.
Na realidade, nem todos têm a sensibilidade de perceber determinadas vibrações, ou melhor, freqüências vibratórias, o que dificulta, e muito, os contatos que são feitos com habitantes de um outro plano ou outra dimensão. Muitas pessoas que fazem parte de nosso grupo de estudos tentam desenvolver essa sensibilidade por diversos meios, um deles seria o que chamamos de “viagem astral”, em que, por meio de exercícios, as pessoas conseguem entrar em um estado de relaxamento (transe) profundo e contatar esses habitantes de outros planos, em outras dimensões ou na mesma dimensão.
Esse processo é muito semelhante ao da sintonia de um rádio, quando vamos sintonizar uma determinada estação. As ondas estão ali, no mesmo lugar, passando por nós, mas se não sintonizarmos na “freqüência” certa, se não entramos em sua sintonia, não conseguiremos captar a estação.
Obviamente, o que parece ser tão fácil, não é.
Todo trabalho, de qualquer escola Iniciática séria, tem de preparar o discípulo para a morte, para que ele tenha a oportunidade de se iluminar no tempo certo, por meio da integração com a sua própria essência. Para que o leitor tenha uma compreensão mais vasta do tema, recomendo a leitura de duas obras verdadeiramente herméticas: O Livro dos Mortos do Antigo Egito e O Livro dos Mortos Tibetano, lançados pela Madras Editora. Ambos dão um registro muito claro e preciso “da arte de viver e da arte de morrer”.
Vejamos, agora, como grandes personalidades da História vislumbravam o fenômeno morte. Primeiramente, vou descrever parte de um texto da obra escrita em Fedro, livro de autoria de Platão:
“Nenhum poeta jamais cantou nem cantará a região que se situa acima dos céus. Vejamos, todavia, como ela é. Se devemos dizer sempre a verdade, quanto mais obrigados o seremos ao falarmos da própria verdade? A realidade sem forma, sem cor, impalpável só pode ser contemplada pela inteligência, que é o guia da alma. E é na idéia Eterna que reside a ciência perfeita, aquela que abarca toda a verdade.
“O pensamento de um deus nutre-se de inteligência e de ciência puras. O mesmo se dá com todas as almas que buscam nutrir-se do alimento que lhes convém quando a alma, depois da evolução pela qual passa, atinge o conhecimento das essências; esse conhecimento das verdades puras a mergulha na maior das felicidades.
“Depois de haver contemplado essas essências, volta a alma ao seu ponto de partida. E, ao longo da evolução pela qual passou, ela pôde contemplar a Justiça e a Ciência — não esta que conhecemos, sujeita às mudanças e que é contingente aos objetos, mas a Ciência que tem por objeto o Ser dos Seres. Quando assim contemplou as essências, quando saciou a sua sede de conhecimento, a alma mergulha novamente na profundeza do céu e volta a seu pouso. Aquela (alma) que mais Verdades contemplou gerará um filósofo, um esteta ou um amante favorito das Musas.
“A beleza era visível em todo o seu esplendor quando, na corte dos bem-aventurados, deparávamos com o espetáculo ridente em que seguiam a Zeus (Deus na mitologia grega) e alguns entre nós a outros deuses. Iniciados nos mistérios divinos, nós os celebrávamos puros e livres, isentos das imperfeições em que mergulhamos no curso ulterior do nosso caminho. A integridade, a simplicidade, a imobilidade, a felicidade eram as visões que a ¬iniciação revelava ao nosso olhar, imersas numa pura e clara luz. Não tínhamos mácula nem tampouco contato com esse sepulcro que é o nosso corpo, ao qual estamos ligados como a ostra à sua concha.”
Existem diversas teorias a respeito da morte, entre elas, há os que dizem que sentem muito frio ao desencarnarem.
O poeta Ovídio dizia que a Noite, mãe do Sono e do Falecimento, habitava além do país dos cimérios, que o Sol jamais ilumina. Nela, os galos nunca anunciaram a volta da aurora. Os cães e os gansos que vigiam as casas nunca turbaram com seus gritos o silêncio que reina eterno. Nessa época fabulosa de poesias eternas e encantos nunca vistos, também se sabia que a Morte, irmã gêmea do Sono, era implacável, mesmo tendo sido ludibriada poucas vezes, como aconteceu com Sísifo, que, como nos relata a mitologia, burlou a Morte acorrentando-a de tal modo, que ninguém morria na Terra. Mas foi punido pelo Deus Marte, que o levou ao inferno após livrar a Morte, para continuar a ordem no Universo.
Podemos notar que os castigos para os pecadores no inferno são severos e eternos. Sísifo, por exemplo, tinha o dever de rolar uma grossa pedra até o pico de uma montanha, mas sempre que chegava próximo, uma força maior fazia com que a pedra rolasse até o chão, e novamente ele se esforçava para tentar levá-la até o pico da montanha.
Para as Denaides, protagonistas de um belíssimo poema em que matam seus maridos, pelo pecado foram condenadas a carregar jarros de água de uma fonte e encher um poço sem fundo.
Pela mitologia grega, sabe-se que o inferno, formado pelos rios Estige e Aqueronte, tem um vigia, um barqueiro chamado Caronte, que escolhe os mortos que serão levados ao seu eterno lar na escuridão. Ao chegar do outro lado, os mortos condenados ao inferno encontram o cão vigia de Caronte, chamado Cérbero, que tem três cabeças e que impede qualquer das almas de voltar ao mundo normal.
Ao longo de toda a sua história, o homem sempre soube que o inferno é um lugar onde impera o calor, em que se queima enxofre eternamente. Conforme algumas teorias, lugares quentes, como o inferno, têm pouquíssima energia; logo, o Céu, oposto ao inferno, tem muita energia, e por isso é muito frio.
Se as almas dos mortos que se destinam ao inferno não podem voltar, impedidas por Caronte e seu cão Cérbero, não se pode dizer o mesmo das almas que vão para o céu, às quais Deus sempre dá uma outra oportunidade. São almas não pecadoras, normalmente vítimas de algum maltrato, mas que simplesmente não conseguiram achar seu aposento no céu. Ao voltarem à Terra para pedir ajuda, trazem o frio celeste consigo, causando o tremor de quem as vê ou se aproxima.
Sócrates (469-399 a.C.) já dizia: “Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas. Ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja, ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para outro”.
Então, talvez morrer não seja de todo desagradável. Será que viver é que seria a nossa “condenação”? Eis um autêntico paradoxo. Viver implica várias formas de sofrimento e uma busca incessante pela felicidade. ¬Ademais, viver implica morrer um pouco a cada dia, de forma que o evento terminal de uma “vida”, ao qual chamamos “morte”, é apenas o cessar do processo de morte. Deveríamos, então, ter medo da vida e não da morte.
O corpo físico do homem, com seus cerca de 1.028 átomos, troca aproximadamente 98% desses átomos todos os anos. A mucosa do estômago se renova em uma semana; a pele inteira, em um mês; os ossos, em três meses; o fígado, em seis semanas; etc., de forma que, em aproximadamente cinco anos, todos os nossos átomos retornaram ao “pó” e outros foram colocados no lugar. Diante disso, podemos concluir que o corpo físico “morre” a cada cinco anos. Assim sendo, o que é que permanece do nosso corpo original com toda essa metamorfose?
Pode-se pegar um atalho conceitual e afirmar que morte é ausência de vida. Mas o que é vida? Existe vida após o nascimento? Realmente se vive, somente pelo fato de termos nascido? Afinal, o que é que nasce e o que é que a morte faz cessar? Desde que o “cérebro se tornou capaz de investigar o cérebro”, uma pergunta é repetida e respondida pelo homem: existe alguma forma de consciência após a morte do corpo físico? A neurociência não consegue, ainda, responder a essa questão. Não há nenhuma evidência que sim, nem que não.
A vida é algo que está além do corpo físico e que em algum momento passa a “habitá-lo” ou “preenchê-lo”, a “dar-lhe vida”. Partindo do conceito científico moderno de que não existe algo como um corpo individual delimitado no espaço, pois todos os corpos são interdependentes, processos vivos compartilhados, e de que a vida e a consciência devem estar de alguma forma escondidas no mundo quântico, pode-se afirmar que a vida é uma propriedade do Universo em geral, ligada a tudo e a todos. Se a vida é Una, algo que está imerso em toda a manifestação, nós podemos concluir que, para que algo morra, é necessário que tudo morra. Somos todos UM!
Há, ainda, grandes vultos da História que proferiram frases relevantes a respeito do assunto, e que faço questão de mencionar:
“A morte de qualquer homem diminui-me, porque eu estou englobado na humanidade.”
Carl Gustav Jung (1875-1961)
“Eu, enquanto homem, não existo somente como criatura individual, mas me descubro membro de uma grande comunidade humana.”
Albert Einstein (1879-1950)
“A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o¬¬ ¬futuro.”
John Lennon (1940-1980)
“O que é oposto à morte? … É o nascimento, pois a Vida é eterna!”
Sidarta Gautama, O Buda (563-483 a.C.)
Fernando Pessoa já dizia que “a morte é a curva da estrada; morrer é só não ser mais visto”. Diante disso, é possível termos uma visão da morte com mais serenidade, como ponto de partida para uma nova vida. Sobretudo, de modo transcendente, ou seja, sublime. É como se adormecêssemos com a plena convicção de que continuaremos vivos no dia seguinte, junto àqueles que amamos. Porém, estaremos em outra dimensão, convivendo com seres que já convivemos um dia, que foram nossos entes queridos em outras vidas, ou mesmo na atual, e estaremos prosseguindo nossa jornada evolutiva nessa nova fase da existência. A vida é assim: feita de reencontros, aqui ou em qualquer lugar. Não entraremos, aqui, no mérito da questão de que a alma poderá não ir para esse paraíso, e sim para o inferno. É o que muitos podem estar pensando neste momento. Mas, afinal, quem somos nós, seres humanos, para julgarmos os destinos das almas ou espíritos?
É comum ouvirmos a expressão “a morte é a única certeza que temos na vida”. Ocorre que a civilização ocidental materialista se amoldou à idéia de que tudo acaba com a morte. Dessa forma, ela é tratada, por muitos, como um tabu, algo que não se deve comentar ou investigar. O maior desejo do ser humano é a imortalidade, e esse desejo está intimamente relacionado ao medo da morte. Mas, de onde vem esse medo? Pode ser que venha do medo que se tem do desconhecido, do instinto de autopreservação que estimula o medo da própria extinção. Ou será que viria de uma experiência antiga, guardada na memória, já vivida e não mais desejada?
Se desejamos viver indefinidamente, por que insistirmos em acreditar que morrer é o fim? Provavelmente, se o contrário estivesse acontecendo, se o homem tivesse certeza de sua imortalidade, ele procuraria a própria extinção. Será que o inconsciente coletivo do homem já tem essa certeza da imortalidade? Será que os atos humanos destrutivos, contra a natureza e contra si mesmos não são formas veladas (e doentias!) de se buscar atingir esse estado?
Mesmo assim, a morte assusta, talvez pelo apego que temos às coisas materiais, as quais perderemos definitivamente quando morrermos, e pelo apego que temos à própria vida. Talvez um apego à nossa persona, nossa “individualidade” que irá se desfazer, voltar ao “pó” (Eclesiastes 12:7). Na realidade, o nosso medo vem de uma fonte mais profunda: não sabemos quem realmente somos. Somente após a morte do corpo é que se pode experimentar a possibilidade de uma outra vida, caso ela exista. Por outro lado, não se pode comprovar a possibilidade contrária (a inexistência de uma outra vida), afinal, não se terá consciência dela.
Para os materialistas, o dia da morte de uma pessoa deveria ser uma data inerte; afinal, tudo acaba com esse fenômeno e não há razão para homenagear quem não existe mais. Ocorre, porém, que a maioria das pessoas homenageia a memória de seus entes queridos, até mesmo os ateus; mas, no fundo, estão apenas dando vazão à dor da própria ferida não curada, gerada pela falta que sentem dos seus entes queridos: saudades.
Quem de nós nunca sentiu saudades?! Aquele que já a vivenciou sabe o quanto ela dói, causa um estado profundo de melancolia, faz chorar, provoca um desejo imenso de querer ter de volta aquilo ou alguém que um dia nós “possuímos”; pode, enfim, levar uma pessoa à “loucura”. E no momento em que qualquer ser humano perde um ente querido, seja ele espiritualista ou ateu, a saudade daquele que partiu mexe com os mais profundos sentimentos. Assim sendo, pergunto a um ateu se a morte seria mesmo o fim da vida. Por que, então, ele sente saudades de quem se foi, se a morte acaba com tudo? Qual a razão de homenageá-los?
Já ouvi muitos espiritualistas dizerem que, apesar de acreditarem na eternidade da vida, não se conformam quando a morte chega em sua família; então sofrem e choram a perda de seu ente querido. A dor da perda é a visita da morte à vida, e sem dor não há vida, porque nos apegamos demais a tudo o que possuímos, ou seja, pensamos que possuímos; na verdade, apenas nos foi emprestado, inclusive a carne, e, como tal, um dia teremos que devolvê-la ao Universo.
Flua como um rio, desapegue-se de situações e de pessoas, transcenda…
A Teosofia afirma que essa homenagem remonta à época dos Atlantes, raça de “gigantes” (Gênesis 6:4), os enacim e os emim, presentes na Bíblia Sagrada (Números 13:33 e Deuteronômio 1:28, 2:10).
Historicamente, o culto aos antepassados é tão antigo quanto a história do Antigo Egito. Seu povo, longe do conhecimento de sua avançada espiritualidade, restringia o seu culto à veneração de imagens dos antepassados, ou de alguma divindade menor, por meio de diversas superstições, incluindo o uso de amuletos.
Na Índia védica, os filhos do Sol buscavam a ciência pura do fogo sagrado, a adoração ao Deus Supremo e a honra aos antepassados por meio de orações. Ao milenar povo chinês, afastado dos ensinamentos elevados acerca do Tao, restava um culto mágico aos antepassados e uma adoração de espíritos.
Para o Xintoísmo, a alma dos que morrem permanece poluída, conservando sua personalidade de quando estava em vida, necessitando, assim, de rituais de purificação para que assuma um aspecto benevolente e pacífico. Dessa forma, ela atingirá o grau de guardião, ou deidade (kami) protetora da família. Assim, enquanto religião, a divinização das energias cósmicas foi acompanhada da divinização dos espíritos dos antepassados (considerados deuses tutelares da família), dos sábios ancestrais, dos imperadores, de alguns animais e de forças elementares da natureza.
A Psicologia Transpessoal fala da existência de outros pacotes de inconsciente, além do Inconsciente Coletivo descrito por Jung. Um deles seria o inconsciente familiar, responsável pela repetição de padrões de comportamento presentes no seio familiar. Alguns pesquisadores defendem que essas memórias estariam impressas em nosso DNA e, dessa forma, acessíveis à nossa mente inconsciente. Essa tese explicaria também a ocorrência de memórias novas, em transplantados, de fatos ocorridos na vida do doador do órgão. O culto aos antepassados, de forma que se libere essas energias de sua influência sobre nós, seria uma forma de se trabalhar no inconsciente familiar.
Para os celtas, o ano era dividido em quatro períodos de três meses e, no início de cada um, havia um grande festival. No primeiro dia do ano celta, celebrado em 1.º de novembro, era comemorada a mais importante das quatro festas: o Samhain, conhecido como “Noite dos Ancestrais” ou “Festa dos Mortos”, pois os celtas acreditavam que nesse dia o véu entre os mundos estaria bem fino. Hoje, essa festa está associada com o Hallows Day e é celebrada na noite anterior ao Halloween. O mundo cristão assimilou essa festa pagã e passou a comemorá-la em 2 de novembro (Dia de Finados).
Concluindo nosso pensamento, podemos dizer que a crença generalizada na existência da morte, como aniquilação individual, fez sumir a visão de longo prazo e afetou o planeta inteiro. Não se prepara mais o futuro, apenas se vive em busca de prazeres e desejos pessoais do ego, teoria de vida pregada pelo capitalismo, que é uma forma geradora de desejos. O homem está destruindo o planeta e a si mesmo. Definitivamente, não há morte como a concebemos. A morte existe apenas porque não se sabe o que a vida é, porque ainda estamos inconscientes da Vida, da sua ausência de morte.
Assim, os que perguntam o que acontece após a morte o fazem por não lhes ter acontecido nada durante a vida. É necessário um nascimento espiritual para que a Vida nos permeie em sua abundância. Quando se conhece a Vida, conhece-se a morte. A morte é apenas uma transição de um estado de consciência para outro, e a única coisa que morre é a morte. A morte é apenas uma PASSAGEM, e essa passagem deve ser o triunfo de uma existência, seu mais glorioso momento.
Preparar-se para morte, sem exageros, conscientes de que, assim como nascemos, todos passarão por ela, coloca-nos em sincronicidade com as Leis do Universo.
Somente quando formos capazes de entender a chave iniciática contida nas palavras de São Francisco de Assis, quando dizia que “… é morrendo que se nasce para a vida eterna”, ou a declaração proferida pelo Faraó, no final da quinta etapa da iniciação egípcia, “Sebek Ur Sebek”, “Só a Morte pode Vencer a Morte”, estaremos, de fato, preparados para ela.
E esse entendimento somente será completo até mesmo em certas iniciações em que a “LUZ É DADA DEPOIS DA MORTE”, e “QUE SE FAÇA A LUZ…! E A LUZ FOI FEITA!”.
A Luz é a sua recompensa…
Caro leitor, procuramos a Verdade e a perseguiremos sempre, custe o que custar… mas sem nunca pensarmos em possuí-la ou desligá-la. Bem sabemos que a Ísis reveladora das Supremas Verdades não pode aparecer sem véu…
Quero, ainda, não fugindo ao tema aqui proposto, dizer que me sinto muito honrado por estar trabalhando ao lado de um homem honesto, que respeita as leis universais, e que teve a visita da morte muito próxima de si. Trata-se do Eminente Cláudio Roque Buono Ferreira. Em seu leito, no hospital, com o estado de saúde profundamente debilitado, em decorrência de uma cirurgia para implante de um stent coronário, Cláudio fez uma promessa: se “saísse daquela”, retribuiria muito mais do que tudo que já havia recebido até então, e que dedicaria o restante de sua vida à Maçonaria e aos ideais da espiritualidade. Pois ele “saiu daquela”, e cumpriu o que prometera. Atualmente, aos 70 anos, é o Grão-Mestre do Grande Oriente de São Paulo (GOSP — GOB) e, por sinal, já cumpriu praticamente tudo o que prometeu em sua proposta de trabalho para sua gestão no GOSP, na qual estabeleceu promover uma Nova Era Maçônica.
Tenho absoluta convicção de que o nosso Eminente Cláudio Roque Buono Ferreira possui todas as qualidades, físicas e espirituais, para modificar a trajetória de nossa Ordem, colocando-a, novamente, em sincronicidade com as Antigas Tradições e fazendo com que nós cumpramos a vontade do G. A.D.U.
Eu Sou Apenas isso,
Eu Sou Você,
Você Sou Eu,
Eu Sou, a Sua Manifestação…
Eu Sou, Wagner Veneziani Costa.
Publicado por Gerente Editorial em 29 Set 2006 | sob: Editor, Madras, Livros

Introdução à Edição Brasileira
Antes de adentrarmos nessa maravilhosa coleção Mestres do Esoterismo Ocidental, quero escrever um pouco sobre esoterismo, magia, ocultismo, misticismo, hermetismo, gnose e discorrer acerca da sua importância em nosso Universo.
Antigamente, quando um homem era sábio ele era chamado de Magus, Mago ou Magi, plural da palavra persa antiga magus, significando tanto imagem quanto “um homem sábio”, que vem do verbo cuja raiz é meh, que quer dizer Grande, e em sânscrito, Maha (daí Mahatma Gandhi, por exemplo).
Os Magi originais eram formados pela casta sacerdotal da Pérsia, além de químicos e astrólogos. Seus trajes consistiam de um manto escuro (preto, ou marrom, ou vermelho), e suas demonstrações públicas envolviam o uso de substâncias químicas para geração de fumaça, as quais causavam grande impressão entre o povo. Com isso, os observadores europeus trouxeram sua imagem para o folclore do Ocidente.
Mago usualmente denota aquele que pratica a magia ou o ocultismo; no entanto, pode indicar ainda alguém que possui conhecimentos e habilidades superiores, quando, por exemplo, se diz que um músico é um “mago dos teclados”, pois ele toca o instrumento musical com muita destreza.
No sentido religioso e histórico, portanto, denotava uma linha sacerdotal ou casta hereditária na Pérsia, da qual Zoroastro (ou Zaratustra) foi um membro conhecido. Essa casta formava uma sociedade de Magos que dividia os iniciados em três níveis de iluminação:
Khvateush – Os mais elevados, iluminados com a luz interior, iluminados;
Varezenem – Aqueles que praticam;
Airyamna – Amigos dos arianos.
Os antigos Magos Parcis podiam ser divididos em três níveis:
Herbods – noviços;
Mobeds – Mestres;
Destur Mobds - Homens perfeitos, idênticos aos Hierofantes dos mistérios praticados tanto na Grécia como no Egito (veja Hermetismo).
Esclarecemos que Hierofante é um termo utilizado para classificar os sacerdotes da alta hierarquia dos mistérios. Em língua portuguesa, o Grande Hierofante representa o Sacerdote Supremo ou Sumo Sacerdote. Um dos exemplos mais conhecidos de alguém que pode ser designado Grande Hierofante é o líder supremo (supremo para os que comungam do mesmo credo, é lógico) da Igreja Católica Apostólica Romana, o Papa, também chamado de Sumo Pontífice.
Podemos dizer que o Hierofante simboliza o mestre espiritual que habita em nosso interior, é o intermediário que faz a ligação entre a consciência terrena e o conhecimento intuitivo da lei Divina. Um dos principais objetivos desses líderes, ou instrutores, é o de ajudar os seres humanos na escalada dos graus na grande jornada da vida, permitindo-os evoluir para se libertarem de seus sofrimentos. Em cada grau que ascende existe um desafio, uma experiência, até que o indivíduo consiga separar o joio do trigo.
A teosofista Helena Blavatsky, em Ísis Sem Véu, refere-se ao Hierofante dizendo que era o título pertencente aos mais elevados adeptos nos templos da Antiguidade: mestres e expositores dos Mistérios e os iniciadores nos grandes Mistérios finais. O Hierofante era a representação do Demiurgo que explicava aos candidatos à Suprema Iniciação os vários fenômenos da Criação que se expunham para o seu ensinamento.
Discorrendo claramente a respeito do Demiurgo, o escritor Kenneth R. H. Mackenzie disse que “era o único expositor das doutrinas e arcanos esotéricos. Era proibido até pronunciar seu nome diante de uma pessoa não-iniciada. Residia no Oriente e levava como símbolo de sua autoridade um globo de ouro junto ao colo. Chamavam-no, também, Mistagogo”.
De acordo com o francês Pierre Weil, Presidente da Fundação Cidade da Paz e Reitor da Universidade Holística Internacional de Brasília (UNIPAZ), o Sumo Pontífice (Sumo Pontifex) é aquele que lança pontes, ou, tradicionalmente, aquele que deve unir as diferentes pessoas e coordenar esforços, lançar pontes em todas as direções. Hierofante também designa grandes sacerdotes de outras religiões. Em seu livro A Enxada e a Lança, Alberto da Costa e Silva traz esta definição: “Orumila, o Hierofante”. Sabe-se que Orumila é o grande conhecedor do Orum (o Desconhecido), o outro lado, o infinito, o longínquo. Acredita-se que nesse lugar inalcançável pelos habitantes da Terra (para os iorubás, Aiyê) os Orixás conservam suas moradas.
Na Bíblia, os magos são vistos como homens sábios. O termo também se tornou familiar, por causa dos três reis magos, que, seguindo uma estrela, chegaram ao local onde se encontrava o menino Jesus.
Na atualidade, a magia foi revivida em seu aspecto ritualístico, principalmente pela Ordem Hermética do Amanhecer Dourado (Hermetic Order of the Golden Dawn), na Inglaterra, no final do século XIX.
Na Maçonaria, que dia a dia permite que homens investidos de uma pregação comunista e materialista desviem a Ordem de seu curso natural, esse aspecto ritualístico está sendo perdido aos poucos. A Maçonaria é uma Escola Iniciática, na qual o candidato galga os graus, submetendo-se a ultrapassar os obstáculos, enfrentando-os até alcançar a Luz. Somos construtores sociais, sim (maçons = pedreiros), mas temos que em primeiro lugar elevar a consciência, incentivando a busca do conhecimento próprio. Esse conhecimento é profundo… Precisamos primeiramente construir nosso próprio edifício e, somente depois de acabado, ajudar o próximo a construir o seu, e assim sucessivamente…
O maçom tem que se esforçar para poder libertar todas as amarras do instinto. É aquele que guia as rédeas ao conduzir a parte animal que ainda, por missão, sente-se obrigado a possuir no mundo. No entanto, sabe que tudo na Terra tem seu período de transição, todas as coisas ocupam tempo fixo, por lei, e são determinadas pela necessidade evolutiva. Ele sabe, mediante sua mente divina, que a atuação do Ser Supremo se faz através do Espaço. Quando volta seus “olhos de ver” para a Imensidão, é capaz de ler essas lições no livro da Sabedoria Eterna, onde tudo fica gravado para sempre, como se fosse um eterno presente.
Portanto, o maçom precisa, sim, desenvolver seu sexto sentido. A intuição é seu modo de ver, ouvir e falar. No mais alto grau da Maçonaria, já se torna senhor dos três mundos: físico, anímico e espiritual. Somente nesse ponto pode e deve ser considerado Mestre Maçom.
O caminho da Iniciação
Assim como uma flor não desabrocha fora do tempo, do mesmo modo a alma terá seu momento de encontro com a Luz. Nenhum esforço, além da senda apontada pela Consciência, poderá marcar mais perfeitamente o início dos primeiros passos no Caminho. A ansiedade é má conselheira e oferece tanta resistência à evolução do discípulo quanto à displicência. De tal modo Deus fez a alma do Homem, que ela sabe que, apesar de todas as voltas e curvas do caminho humano, é seu destino retornar mais iluminada ao Reino do Pai. Se levarmos em conta o rigorismo do vocábulo esoterismo, na acepção de oculto, somente os Iniciados poderiam chamar-se esoteristas.
Iniciados são, portanto, todos os seres que, tendo atingido os páramos supremos dos últimos graus da iluminação, ainda como seres humanos, adquirem os meios de coordenar as forças ocultas do ser. Já sabemos que a iluminação é o ponto solar que conduz o Homem aos Mistérios. Como poderia palmilhar o Caminho aquele que, primeiramente, não se iluminasse? De sua Luz brota a claridade para seu próprio Caminho.
Dentre os filósofos que se manifestaram a respeito da Iniciação, Próclus nos diz que ela serve par “retirar a alma da vida material e lançá-la na luz”. E Salústio afirma que “o fim da Iniciação é levar o Homem a Deus”.
Antonio de Macedo nos dá uma boa luz sobre o significado de esoterismo: “O adjetivo eksôterikos, -ê, -on (exterior, destinado aos leigos, popular, exotérico) já existia em grego clássico, ao passo que o adjetivo esôterikos, -ê, -on (no interior, na intimidade, esotérico) surgiu na época helenística, nos domínios do Império Romano. Diversos autores os utilizaram. Veremos adiante alguns exemplos.
Esotérico e exotérico têm origem, respectivamente, em eisô ou esô (como preposição significa “dentro de”, como advérbio, “dentro”), e eksô (como preposição significa “fora de”, como advérbio, “fora”). Dessas partículas gramaticais (preposição, advérbio) os gregos derivaram comparativos e superlativos, tal como no caso dos adjetivos. Via de regra, o sufixo grego para o comparativo é teros, e para o superlativo é tatos. Por exemplo: o adjetivo kouphos, “leve”, tem como comparativo kouphoteros, “mais leve”, e como superlativo kouphotatos, “levíssimo”. Do mesmo modo, do advérbio/preposição esô obtém-se o comparativo esôteros, “mais interior”, e o superlativo esôtatos, “muito interior, interno, íntimo”. O adjetivo esôterikos deriva, portanto, do comparativo esôteros.
Certos autores, porém, talvez com uma visão mais imaginativa, propõem outra etimologia, baseada no verbo têrô, que significa “observar, espiar; guardar, conservar”. Assim, esô + têrô significaria qualquer coisa como “espiar por dentro e guardar no interior”.
Sabemos que as práticas ocultas concentram-se na habilidade de manipular leis naturais, como na magia. Antigamente, Mistérios eram cultos sempre secretos nos quais uma pessoa precisava ser “iniciada”. Os líderes dos cultos incluíam os Hierofantes (”revelador de coisas sagradas”). Uma sociedade de Mistério mantinha tradições como: refeições, danças e cerimônias em comum, especialmente ritos de iniciação. Faziam isso por acreditar que essas experiências compartilhadas fortaleciam os laços de cada culto.
Esoterismo é o nome genérico que designa um conjunto de tradições e interpretações filosóficas das doutrinas e religiões que buscam desvendar seu sentido oculto. É o termo utilizado para simbolizar as doutrinas cujos princípios e conhecimentos não podem ou não devem ser “vulgarizados”, sendo comunicados apenas a um pequeno número de discípulos escolhidos.
A idéia central do Esoterismo é pesquisar o conhecimento perdido e utilizar todas as técnicas possíveis para que cada homem consiga transmutar o velho em novo, as trevas em luz, o mal em bem. Enfim, para que o esotérico consiga fazer a alquimia da sua própria alma e ascender ao encontro com o Criador. O Esoterismo estuda e faz uso prático das energias da natureza. Os métodos de sintonia com essas energias são inúmeros.
Segundo Blavatsky, o termo “esotérico” refere-se ao que está “dentro”, em oposição ao que está “fora” e que é designado como “exotérico”. Mostra o significado verdadeiro da doutrina, sua essência, em oposição ao exotérico, que é a “vestimenta” da doutrina, sua “decoração”. Um sentido popular do termo é de afirmação ou conhecimento enigmático e impenetrável. Hoje em dia, o termo está mais relacionado ao misticismo, ou seja, à busca de supostas verdades e leis que regem o Universo, porém ligando ao mesmo tempo o natural com o sobrenatural.
Ao encontro do Misticismo
Misticismo é uma filosofia que existe em muitas culturas diferentes e que se apresenta de várias maneiras. Místico é todo aquele que concebe a não-separatividade entre o Universo e os seres (reino transcendente). A Essência primordial da vida, a Consciência Cósmica, ou Deus, como costumamos chamar – ao contrário do que se pensa – não está e nunca esteve separado de qualquer coisa. O místico é aquele que busca um contato com a realidade, que utiliza as forças naturais como intermediário.
O místico busca a presença de um Ser Supremo, ou do inefável e incognoscível, em si mesmo. Ele acredita que dessa forma pode perceber todas as coisas como parte de uma infinita e essencial Unidade de tudo o que existe. Os místicos não reconhecem diferenças entre a natureza do Universo e a natureza dos seres.
Misticismo é, portanto, a busca de conhecimento espiritual direto mediante processos psíquicos que transcendem as funções intelectuais. Sob essa ótica, o Misticismo é tido como um caminho pessoal de evolução, realização e felicidade.
Hermetismo
Aquilo que na atualidade é chamado de Hermetismo, ou de Ciências Herméticas, compreende um campo de conhecimento muito amplo. Diariamente, observamos as ordens e as sociedades herméticas; ouvimos falar de conhecimentos herméticos. Em um primeiro momento, o leigo acredita que a palavra “hermética”, presente em inúmeras organizações, significa oculto, mistério, velado. Mas esse não é o sentido real. Aquilo que é ensinado como Hermetismo tem raízes tão antigas que é impossível precisar o seu surgimento. Acreditamos que pode ser considerado como sua origem, o registro de todos os conhecimentos que a humanidade foi acumulando, ciclo após ciclo de civilização, mesmo muito antes da Atlântida.
A Prof. Dra. Eliane Moura Silva, do Departamento de História da UNICAMP ressalta: “Em 1460, Cósimo de Médicis manda Marsílio Ficino interromper a tradução dos manuscritos de Platão e Plotino para iniciar com urgência, a tradução do Corpus Hermeticum, coletânea de textos formados pelo Asclépios (onde se descreve a antiga religião egípcia e os ritos e processos através dos quais estes atraíam as forças do Cosmo para as estátuas de seus deuses) e outros quinze diálogos herméticos tratando de temas como a ascensão da alma pelas esferas espirituais até o reino divino e a regeneração durante a qual a alma rompe os grilhões da matéria e torna-se plena de poderes e virtudes divinas, incluindo o Pimandro, que é um relato da Criação do mundo”.
Essa tradução e as obras de Platão e Plotino tiveram um papel fundamental na história cultural e religiosa do Renascimento, sendo responsáveis pelo triunfo do neoplatonismo e de um interesse apaixonado pelo Hermetismo em quase toda a Europa. A apoteose do homem, característica do Humanismo, passou a ter, em diferentes pensadores do período, uma profunda inspiração na tradição hermética redescoberta, assim como no neoplatonismo para cristão.
De acordo com estudiosos, todos os movimentos de vanguarda da Renascença tiraram seu vigor e impulso a partir de um determinado olhar que lançaram sobre o passado. Ainda vigorava uma noção de tempo cíclica em que o passado era sempre melhor que o presente, pois lá estava a Idade do Ouro, da Pureza e da Bondade. Essa tendência aponta uma profunda insatisfação com a escolástica e uma aspiração em encontrar as bases para uma religião universalista, trans-histórica e primordial. O Humanismo Clássico recuperava a Antiguidade Clássica procurando o ouro puro de uma civilização melhor e mais elevada. Os reformadores religiosos procuravam a pureza evangélica nos estudos das Escrituras e nos textos dos precursores da Igreja.
A crença em uma prisca theologia e nos velhos teólogos – Moisés, Zoroastro, Orfeu, Pitágoras, Platão e Hermes Trismegistos – conheceu uma voga excepcional, assim como a leitura do Antigo Testamento, dos Evangelhos e a própria Tradição Clássica. Pensava-se em uma aliança possível entre essas antigas e puras teologias, entre as quais se destacava o Hermetismo (afinal, sendo Hermes o mais antigo dos sábios e diretamente inspirado por Deus, pois suas profecias se cumpriram com o nascimento de Jesus), para se chegar a um universalismo espiritual capaz de restaurar a paz e o entendimento pela compreensão da “divindade” nos seres humanos.
Sob essa ótica, no decorrer dos anos assistimos a uma intensa recuperação de diversas formas de gnose, da alquimia e do esoterismo cristão em seus temas fundamentais: enobrecimento e transmutação dos metais, regeneração do homem e da natureza, a quem serão devolvidas a dignidade e a pureza perdidas com a queda, a vitória sobre as doenças, a imortalidade e felicidade no seio de Deus, as relações simpáticas entre os seres e as coisas, o acesso a textos ocultos e revelados a poucos iniciados, astrologia, magia naturallis, entre outras fontes do saber.
Estamos falando das bases sobre as quais certos pensadores que marcaram época construíram suas obras, dentre eles Johanes Augustinus Pantheus, sacerdote veneziano; autor de Ars transmutationes metallicaee; ou ainda, do provençal Michel de Nostredame (ou Nostradamus), médico e alquimista, protegido de Catarina de Médicis e autor das proféticas Centúrias; de Jerônimo Cardano, médico e matemático perseguido pela Inquisição e protegido pelo Papa; Juan Tritemio, sacerdote do convento de Spanheim, mas também um profeta, necromante e mago da corte do Imperador Maximiliano. Por fim, chegamos a Paracelso (Teofrasto Bombast von Hohenheim), discípulo de Tritêmio e buscador da realização sobrenatural. Temos também Enrique Cornelius Agrippa de Netesheim, que em 1510 publicou De Occulta Philosophia. Ele era um exímio estudioso de cabala, magia naturallis, alquimia, angelologia, dos segredos ocultos da natureza e da vida. Lembramos, ainda, dos esoteristas cristãos Marsílio Ficino e Pico de la Mirandola (a renovação do cabalismo no Renascimento).
Para esses pensadores, era possível elaborar uma harmonia entre gnose, hermetismo, cabala, magia natural e cristianismo. Magia naturallis era compreendida como a aproximação da Natureza com a religião, ou seja, estudar a natureza (inclusive oculta) das coisas era visto como um caminho para compreender e chegar a Deus”.
Gnosticismo ou Conhecimento
De acordo com os apontamentos de Claudio Willer, os gnósticos existiram como seitas, em diversos grupos, nos séculos I a V da Era Cristã, especialmente no Egito, convivendo e interagindo com o neoplatonismo e o Hermetismo. Escritores conceituados, sempre empenhados na recriação mítica de suas origens, deixaram uma série de evangelhos apócrifos (a exemplo dos cabalistas que, mais tarde, também fizeram seus acréscimos à Bíblia, reescrevendo ou introduzindo trechos atribuídos aos profetas). Esses autores foram desaparecendo diante da organização, não só teológica como política, do Cristianismo. Perseguidos e combatidos como hereges, ressurgem na Idade Média como bogomilos, variante do Maniqueísmo, nos atuais territórios da Bulgária, Hungria e Romênia. E, já nos séculos XII e XIII, aparecem como cátaros, os albigenses da Provença, militarmente exterminados. Sua documentação também foi destruída, restaram apenas as peças acusatórias do Cristianismo que, para se afirmar como poder temporal, os varreu da face da Terra.
Com isso, encerra-se a Gnose como forma de organização social, mas não como modo de pensar. A inversão da história do Jardim do Éden, com a serpente portadora não da perdição mas da sabedoria, além de se manter em práticas de magia e bruxaria desde a baixa Idade Média e da Renascença, reaparece na criação de novos escritores, especialmente na transição do século XVIII para o XIX. Alexandrian, em sua História da Filosofia Oculta (Seghers, 1983, ou Edições 70, Portugal, s/d), atribui-lhe grande alcance: o espírito da Gnose subsistiu até nossos dias; além disso, todos os grandes filósofos ocultos foram, de uma forma ou de outra, continuadores dos gnósticos, sem que necessariamente utilizassem o mesmo vocabulário e os temas. Seu comentário coincide com aquele feito em 1949 por André Breton (no ensaio Flagrant délit, em La clé des champs, Le Livre de Poche, 1979), ao registrar com lucidez a importância da então recente descoberta das Escrituras Gnósticas de Qumran. Sabe-se, com efeito, que os gnósticos estão na origem da tradição esotérica que consta como tendo sido transmitida até nós, não sem se reduzir e degradar parcialmente no correr dos séculos, apontando ainda que poetas tão influentes como Hugo, Nerval, Baudelaire, Rimbaud, Lautréamont, Mallarmé e Jarry haviam sido mais ou menos marcados por essa tradição.
Esses escritores são de uma família representada também por William Blake (1757-1827). Pouco antes de Blake, Emannuel Swedenborg (1688-1772) havia formulado cosmologias complexas de grande influência, a ponto de se criarem seitas swedenborguianas, grupos que persistem até nossos dias. Swedenborg, que também deixou obra científica, representa uma dualidade típica do século XVIII, a coexistência do culto à razão e ao desenvolvimento científico, e seu aparente inverso, o crescimento, a sombra do Iluminismo, de seitas e grupos iniciáticos de orientação hermética. Entre outros, destacam-se a Maçonaria, na versão de Cagliostro; os Martinistas e os “Iluminados”. Ambos, racionalismo e ocultismo, aparente claridade e suposto obscurantismo, modernização e tradicionalismo, pólos da mesma complexa configuração. Para cada Voltaire havia um Cagliostro; para cada Rousseau, um Marquês de Sade. Todos possíveis graças à liberdade de pensamento e expressão possibilitada pelo enfraquecimento dos regimes absolutistas e do poder temporal da Igreja.
Não por acaso, o pai de William Blake foi adepto de Swedenborg. E o poeta, também notável artista plástico, formou-se por meio de leituras não somente do próprio Swedenborg, mas de seus antecessores renascentistas como Paracelso e Jacob Boehme – formuladores da teoria das “assinaturas” de que o microcosmo reproduziria traços do macrocosmo, e cada coisa particular manifestaria correspondências com o Todo, as qualidades e características da ordem universal – e dos movimentos ocultistas de seus contemporâneos, iluminados e martinistas inclusive. Não era de se estranhar que, sendo um visionário, Blake acreditasse que, desde a adolescência, conversava com profetas bíblicos e que poemas seus fossem ditados por anjos.
Sem dúvida, Blake foi um panteísta e um politeísta, pelo modo como apresentou em seus poemas uma pluralidade de entidades, uma teogonia particular, e como cultuou a natureza, visualizando-a animada pela energia divina (minha principal fonte, The Poetical Works of William Blake, editada por John Sampson, Oxford University Press, 1960). Formulou antevisões, em seus Poemas Proféticos, em América, A Revolução Francesa e em Matrimônio do Céu e do Inferno, em cujas metáforas, deslindando-as, é possível reconhecer antecipações do que estava por vir (no mínimo, na Canção de Liberdade, em Matrimônio do Céu e do Inferno), ou seja, a expansão e a subseqüente queda do Império Britânico. Até que ponto sua poesia encerra idéias gnósticas, isso é e continuará sendo uma incógnita.
Contudo, declarações como esta: “O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria” (a mais famosa de Matrimônio do Céu e do Inferno) permitem associação a um gnosticismo dissoluto. Igualmente, as estetizações de Satã, retratado como fonte da sabedoria (em Matrimônio do Céu e do Inferno, em outros lugares de sua obra e na esplêndida gravura na qual seu Lúcifer triunfante é uma herética citação do redentor apocalíptico de Michelangelo), e os personagens, deuses criadores do mundo, porém decaídos ou malignos, como Los, Urizen e Nobodaddy, são representações do Pai opressor.
Friedrich Hölderlin (1770-1843) jamais ascendeu ao status de profeta, e o componente visionário de sua obra – mais evidente quando passou o restante de seus dias na pequena cidade de Nürtingen, abrigado na casa do carpinteiro Zimmer em sua fase de loucura – não pode ser tomado como expressão da adesão a seitas e doutrinas. Escrevia como se fosse um grego e estivesse na Grécia antiga, e, impregnado de mitos, lamentava a queda dos deuses em poemas lacunares, extremamente modernos, com belas imagens; assim naufraga o ano no silêncio…
Com o passar do tempo, Hölderlin e Blake, quase contemporâneos, cresceram em prestígio e estatura literária. Outro poeta, já de um romantismo tardio, de uma geração seguinte, também se destacou: Gérard de Nerval (1808-1855), influenciado pela Cabala, pelo Hermetismo e por idéias gnósticas, as quais havia aderido de modo consciente, conforme deixou claro em Les Illuminés. Em Aurélia, obra que escreveu antes de desencarnar em virtude de um acesso de melancolia e que é uma narrativa regida por mecanismos do sonho e do delírio, bem como em Sílvia, exemplarmente analisada por Umberto Eco em Seis Passeios pelos Bosques da Ficção, confundem-se dois modos do pensamento mágico: um deles, aplicação ou expressão da formação ocultista; o outro, resultado de seu distúrbio psíquico.
Hoje, Nerval é visto como possuidor de uma estatura próxima à do autor referencial, inaugurador da modernidade, Charles Baudelaire (1821-1867), o poeta dos mistérios, dos abismos e da sua cidade, da metrópole moderna e movimentada em que Paris ia se convertendo. Ambos, Nerval e Baudelaire, eram excêntricos no plano da conduta pessoal; sua excentricidade passando a símbolo de uma provocação romântica e pós-romântica.
Karl Bunn nos diz que: “No ocidente, algumas das formas mais conhecidas de Gnose são o Hermetismo, a gnose cristã, a alquimia, os ensinamentos dos Templários e a Maçonaria.
O Hermetismo ou os Mistérios de Hermes foi estabelecido em antiqüíssimos tempos por Hermes Trismegistos, no Egito dos grandes magos e sacerdotes. Afortunadamente, essa ciência conseguiu manter-se pura e intacta até nossos dias nas lâminas do Tarô Egípcio. Já a Gnose dos primeiros cristãos, somente nos últimos 20 anos do século passado ressurgiu nos principais centros culturais do mundo, tanto em forma integral quanto em forma de livros compilados a partir das chamadas obras apócrifas do cristianismo antigo – que de apócrifos nada têm, considerando-se que a lista canônica foi elaborada para servir aos interesses dos primeiros padres da Igreja Romana. Na realidade, apócrifa e canônica são obras escritas na mesma época e da mesma maneira. Existe sim uma diferença de fundamental importância: os textos denominados apócrifos não sofreram mutilações nem adaptações ao longo dos séculos e são, portanto, mais puros, originais e completos que os canônicos.
Segundo estudiosos do assunto, existem muitas discussões e polêmicas em torno das obras apócrifas. Isso é compreensível, levando-se em conta que as fantasias teológicas, criadas nos últimos dois mil anos, estão muito vivas na cabeça das pessoas, principalmente dos fiéis católicos e das seitas cristãs. Em contrapartida, é crescente o número de pessoas esclarecidas que atestam a veracidade e a fidelidade dos textos considerados apócrifos, tornando acessível ao público toda a sabedoria gnóstica da Antiguidade.
A Gnose chama a atenção não só por seus aspectos históricos e antropológicos, que ajudam a explicar os pontos cruciais da atribulada trajetória da humanidade, mas também por seu caráter psicológico profundo, de extrema atualidade, como conhecimento divino, ou fogo liberador que surge das mais íntimas profundezas do indivíduo.
Hoje em dia muitos sábios, filósofos, psicólogos, humanistas, etc., encontraram na Gnose as orientações precisas que possibilitam o esclarecimento dos grandes enigmas do Universo e do Homem. Basta recordar a famosa frase: “Nosce te Ipsum” (”Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses”).
Vemos, então, que a Gnose sempre foi um conhecimento misterioso, que parece surgir espontaneamente nas mais diversas épocas e lugares. O estudioso francês Serge Hutin diz o seguinte: “Se o Gnosticismo não fosse mais que uma série de aberrações doutrinárias, próprias de hereges cristãos dos três primeiros séculos, seu interesse seria puramente arqueológico. Mas é muito mais que isso, a atitude gnóstica aparecerá espontaneamente, além de qualquer transmissão direta. O Gnosticismo é uma ideologia mística que tende a reaparecer incessantemente na Europa e em outros lugares do mundo em épocas de grandes crises ideológicas e sociais”.
E também afirma: “Ainda que muitos gnósticos falem uma linguagem desconcertante para o homem contemporâneo, sua atitude no fundo é muito moderna: apresentam-se como homens preocupados com o futuro do mundo, procurando uma solução para os problemas que o envolvem”.
Em meados do século passado, foram encontrados pergaminhos, manuscritos e outros textos que, ao serem traduzidos, mostram a profundidade das doutrinas gnósticas praticadas antes de Jesus Cristo e também depois de sua vinda, fundindo-se com as primeiras comunidades cristãs. Pode-se dizer que o Cristianismo nascente encontrou seu primeiro ponto de apoio nos filósofos gnósticos daquela época.
O Gnosticismo, ou grupos de doutrinas relativas à Gnose, constitui-se no que é a tradição esotérica das diversas religiões, em especial do Cristianismo. Podemos dizer que a Gnose é aquele elo secreto que une a sabedoria do Oriente à do Ocidente.
No Budismo, vamos encontrar a Gnose principalmente nas formas que se caracterizam pela transmissão direta, como o Zen; nas formas esotéricas tibetanas, o Prajna-Paramita, entre outros.
A palavra zen é a forma japonesa do ch’an chinês, que por sua vez vem do dhyana sânscrito, do qual se deriva gnana (sabedoria), que finalmente chega ao grego, e daí Gnose em língua portuguesa.
No Islã também vamos encontrar a Gnose na parte esotérica, no Sufismo.
No Pistis-Sophia, livro que pode ser considerado a Bíblia Gnóstica, vimos que Jesus revelou a Gnose oralmente a seus discípulos, depois da Ressurreição.
Após os primeiros séculos do Cristianismo, a pura Gnose Cristã precisou se envolver no véu do Hermetismo, pois sua existência manifesta já não era mais conveniente à religião de estado que então se formou.
No entender de um antigo Patriarca Gnóstico, Clemente de Alexandria, “Gnose é um aperfeiçoamento do homem enquanto homem”. A Gnose, transmitida oralmente depois dos apóstolos, chegou a um pequeno número de pessoas.
As doutrinas gnósticas, sendo doutrinas de regeneração, ocupam-se especialmente do trabalho com a energia criadora, a transmutação ou alquimia sexual, ou ainda Tantrismo, como é conhecida no Oriente a ciência gnóstica da supra-sexualidade.
É interessante saber que a misteriosa ciência dos alquimistas teve origem na Gnose de Alexandria. De Alexandria, ela passou a Bizâncio e aos Venezianos. Mas foram os Árabes que levaram a Alquimia à cristandade européia, por meio da Espanha.
Na alquimia tântrica, o amor desempenha um papel essencial. Por isso, as ilustrações feitas pelos alquimistas mostram sempre um casal em atitude amorosa.
Uma das principais características do Tantrismo é que ele se apóia totalmente em um progressivo e total domínio da sexualidade – o que também é exigido de todo alquimista. O Tantrismo e a Alquimia buscam os mesmos objetivos: a reconquista progressiva dos poderes perdidos pelo homem quando da queda (sexual) no Éden, do domínio total das energias ocultas do Cosmos e também das energias que se encontram no próprio homem.
Gnose é, portanto, conhecimento, mas, apesar de ser a chama única de onde emanam a ciência, a arte, a filosofia e a religião, não é um conhecimento mundano ou meramente intelectual. Gnose refere-se a um conhecimento secreto, íntimo, a sabedoria imanente que há em cada pessoa e que, quando despertada, alimenta e faz crescer dentro de nós aquele homem interior do qual nos falou Paulo de Tarso, o ser esotérico.
Por tudo isso, a Madras Editora traz ao público de língua portuguesa a coleção Mestres do Esoterismo Ocidental, na qual o leitor poderá fazer muitas descobertas e trilhar diversos caminhos que o conduzirão ao encontro de suas verdades eternas.
Wagner Veneziani Costa
Fontes de Consulta:
http://pt.wikipedia.org
Jornal Infinito (www.jornalinfinito.com.br).
J. H. Spalding, introdução ao pensamento religioso de Swedenborg;
S. Toksvig, cientista de Emanuel Swedenborg e mystic;
G. Trobridge, Swedenborg, vida e ensinar;
S. M. Warren, ed., um compêndio das escritas de Theological de Emanuel Swedenborg.
Publicado por Gerente Editorial em 29 Set 2006 | sob: Editor, Maçonaria, Madras, Livros

Introdução à Edição Brasileira
Quando conheci o trabalho de Christopher Knight e Robert Lomas, fiquei admirado. Comecei a ler seus escritos e não quis mais parar, pois a cada página havia uma surpresa. Encantei-me pela obra deles, tanto é verdade que adquiri todos os seus títulos que não possuíam edição em língua portuguesa, pois tenho certeza de que isso faltava em nosso país. Lógico que muitos estranharão, outros não gostarão; mas eu gostei… Sinto muito, mas querendo ou não, todo maçom, muito em breve, conhecerá as obras desses dois autores e terá que ter, pelo menos, dois exemplares de sua autoria em suas bibliotecas.
Sinto-me realizado como editor por lançar todas essas obras, mas não só por isso; creio estar cumprindo, também, o papel a que me foi confiado pelo meu querido Grão-Mestre de São Paulo, o de Grande Secretário de Cultura e Educação Maçônicas do GOSP. Para se ter uma idéia, lançaremos, neste semestre, mais de 56 livros sobre temas relacionados à Ordem. Com isso, passaremos de a Maior Editora Holística do Brasil (Ocultismo, Misticismo, Fraternidade Branca, Bruxaria, Magia, Fitoterapia, Tarô, Templários, Filosofia) para a Maior Editora Maçônica do Brasil.
Esses lançamentos são em comemoração aos dez anos da Madras Editora, e agradeço aqui a todos os que colaboraram e torceram para que conquistássemos nosso lugar no mercado.
Irmãos, saibam que não foram poucas as vezes que nossos livros foram retirados de uma ou de outra livraria, por incomodarem os católicos. Freiras e padres chegaram a ameaçar alguns parceiros comerciais, dizendo: “se for para eu entregar a lista de materiais de nossa escola para os nossos alunos e eles se depararem com esse logotipo (referindo-se ao Senhor Ganesha), prefiro entregá-la em outra livraria.” Mas, muitos desses padres e freiras “deram com os burros n’água”; nossos amigos e colaboradores enfrentaram esses desafios e, com profissionalismo, Vontade e muito Amor, vencemos todos os obstáculos. Hoje em dia, vemos nossas obras espalhadas nas melhores livrarias do país. Preconceito ainda existe? Sim, mas é bem menor do que aquele com o qual nos deparamos quando ingressamos com uma nova proposta editorial, uma nova linha de produtos com qualidade superior a deles, prova disso é que somos detentores de três prêmios de qualidade da América do Sul.
Mas, não estou aqui para falar da nossa Madras, e sim para apresentar, com o devido respeito, esta maravilhosa obra dos meus Irmãos Christopher Knight e Robert Lomas. Julgo-os, hoje, os maiores historiadores de nossa Ordem. Isso porque eles foram beber diretamente na fonte, por meio de suas pesquisas arqueológicas, diferentemente de muitos autores que se baseiam apenas em pesquisas técnicas e literárias, o que não lhes tira o mérito.
Perceberemos também que nossos Irmãos não foram poupados pela Santa Igreja, que, em seus periódicos, referira-se aos autores sem nenhum respeito, ridicularizando-os, assim como o seu trabalho. Mas, e o medo que coloquemos suas “verdades” em xeque-mate? Tento, particularmente, fazer isso em todas as nossas obras, pois sinto vergonha só de observar quantas e quantas pessoas há séculos são enganadas, iludidas, em todos os sentidos, por essa instituição.
O Catolicismo não admite discussões teológicas, por não lhe convir enfrentar os argumentos irrespondíveis da crítica científica; foge dela como, segundo sua própria teoria, “o diabo foge da cruz”. Seu pavor embarga-lhe a voz. Seu silêncio assemelha-se ao silêncio do cataléptico, embora da discussão tivesse de surgir a salvação de um descrente, pois, o que está escrito não sofre mais discussões; é crer… mesmo no absurdo. Os argumentos contrários são armas de Satanás… os absurdos são Mistérios e Mistérios não se discute!
Diógenes, o cínico, já dizia que “os Mistérios tinham pretensão de garantir a felicidade eterna a celerados, uma vez que fossem iniciados, ao passo que os homens honestos, que deles se afastassem, teriam de sofrer nos Infernos.”
Repugna-me aceitar como essência divina a idéia de que um homem virtuoso, caridoso, temente a Deus, possuidor, em suma, de todos os requisitos de um santo, como os há aos milhões em credos contrários, se veja condenado como herege à excomunhão e às penas, não só terrenas, como as de um inferno eterno, só pelo fato de não aceitar os dogmas do Catolicismo, de acordo com o apregoado livre-arbítrio que, por pilhéria, ele preconiza, ao passo que um celerado, assassino, ladrão devasso e hipócrita merecerá todas as honras e regalias do céu, uma vez que tenha abdicado do irônico livre-arbítrio e satisfaça as tabelas absolutórias, ou, na última hora, se tiver tempo, peça perdão a Deus, o que não deixa de ser uma grande comodidade para os bandidos, mas pouco edificantes em moral e religião.
E a massa analfabeta ou dos simplórios e a dos fanáticos, que só se cogita a exterioridade, abandonando a parte espiritual que desconhece, entrega-se inconscientemente, de corpo e alma, nas mãos de uma legião de cegos espirituais, que lhe suga o último vintém, em benefício único do tesouro do Vaticano, senão mesmo atirando-lhe a própria alma nos braços do seu maior agente, Satã! É com tais armas que o Catolicismo se ostenta, e é com tal massa que ele computa a maior parte do Brasil, e que, erroneamente, computava a da Espanha.
Esquecem-se que, por cerca de trezentos anos, a Igreja Romana viveu, por assim dizer, ao deus-dará; cada qual cultuava como entendia, cada um interpretava a seu modo, chegando mesmo a ligar-se ao Paganismo, até que, sobrevindo os Concílios, estes passaram a decretar coisas tais que as consciências se revoltaram entre os próprios adeptos, causando sanguinolentos encontros e as horrorosas guerras das Cruzadas, o Santo Ofício da Inquisição e uma política de perseguições entre os próprios Papas, o que fere o próprio Cristo e abala os fundamentos da alma de quem lê a História do Cristianismo, Antigo e Medieval, para terminar transformando essa doutrina, toda espiritual, em uma organização política romana, que só tem em mira apoderar-se da espada Temporal.
Antes de prosseguir e entrar no mérito da obra O Livro de Hiram, quero anunciar que lançamos também a obra A Biblioteca de Nag Hammadi — A Tradução Completa das Escrituras Gnósticas, de James M. Robinson. Peço especial atenção de todos, pois, sem nenhuma dúvida, essa obra revolucionará a opinião de muitos cristãos (católicos). Trata-se da maior reunião de textos Apócrifos já publicados.
É necessário recorrer aos que estudam desapaixonadamente, com o único fim de procurar a “Verdade” em seu benefício e para o bem da humanidade, livrando-se das garras dos espertalhões ou velhacos. São estes os Sábios que levaram a vida inteira comparando os livros sacros de todas as religiões perante a História e perante a Ciência. Podem seus argumentos serem tachados de errôneos pelos sofismas, mas não podem ser destruídos pela lógica, pela razão e pelas próprias palavras dos Cristos.
E, infelizmente, assim como fizeram na Igreja Romana, tentam fazer na Maçonaria, se já não conseguiram… Para mim, ainda há uma esperança de que os homens que se intitulam LIVRES E DE BONS COSTUMES sejam realmente isso: Livres… e de Boa Conduta…
Alguns Irmãos dizem que estamos errados em comemorar os solstícios e os equinócios dentro de nossos Templos. Que isso não existe e que estamos inventando rituais disso ou daquilo. Santa ignorância! Que esses Irmãos despertem, pois isso deveria acontecer em todas as Oficinas e não apenas na nossa, como eles próprios mencionam, pois é um fato, como poderão ver e CONHECER neste livro. Comecemos por citar a data da fundação da UGLE (Grande Loja Unida da Inglaterra). Trata-se da mesma data em que comemoram o solstício de verão, 24 de junho, no Hemisfério Norte, dia de São João Batista, porque aqui estamos, nessa mesma data, comemorando o solstício de inverno. Recordemos as festas juninas (São João). No dia 25 de dezembro comemoramos o solstício de verão e, no Hemisfério Norte, o solstício de inverno. É a data do nascimento de Avatares como: Krishna, Mitra, Hórus, Buda e Jesus Cristo, todos considerados grandes Sóis (Deuses). Percebam que quem trouxe a Maçonaria para o Hemisfério Sul não se preocupou com isso. Simplesmente copiou seus Templos com as mesmas características, esquecendo-se de “inverter as posições” de suas “estrelas” seus “planetas” e também o altar de nossas Dignidades. Até mesmo a queda d’água, por exemplo; ao darmos descarga em um vaso sanitário no Hemisfério Sul, a água gira para o lado direito e no Hemisfério Norte, para o lado esquerdo.
A Terra faz um movimento de translação ao redor do Sol em uma órbita plana, quase circular, com período definido de um ano. Enquanto isso, ela gira em torno de si mesma, originando os dias. O equinócio é o ponto da órbita da Terra onde a duração do dia e da noite são iguais. É o dia a partir do qual os dias ou as noites começam a crescer (respectivamente primavera e outono), até que se chegue ao solstício, que é o ponto da órbita da Terra onde existe a maior disparidade entre a duração do dia e da noite. Os solstícios são, então, o dia e a noite mais longos do ano (verão e inverno, respectivamente).
Iniciando então no solstício de inverno (noite mais longa do ano), é a partir dessa data que os dias começam a crescer, até que se alcance uma igualdade entre o dia e a noite (equinócio de primavera), e continua até o ápice do dia no solstício de verão (dia mais longo do ano), data a partir da qual os dias diminuirão até que, mais uma vez, a igualdade se faça presente entre dia e noite (equinócio de outono), seguindo, novamente, para o solstício de inverno, onde começamos nossa explicação, em um ciclo perpétuo.
O solstício deve ser comemorado com “ágapes solsticiais”. Isso não significa se reunir para comer ou beber, mas sim para compartilhar, agradecer e unir energias a serviço do “Mais Elevado” e da ajuda à humanidade. E por esse motivo, compartilhar uma comida simples.
Os mesmos Irmãos que nos criticam, normalmente dão mais valor aos “sinais e toques”, que dizem ser secretos, do que ao estudo astronômico e astrológico do Templo, acreditando nas penalidades de ver sua garganta cortada, sua língua e seu coração arrancados… Só para lembrá-los, isso sim é que não existe, ainda mais nos dias de hoje. Poderíamos vivenciar essa época, descrevendo como era antes e relatar que nos tempos antigos, se algum Irmão fosse perjuro ou traísse de qualquer forma a Ordem, sua pena seria… E muitos pagaram com a própria vida, é o que eu acredito, pois disso não se tem provas. Gostaria, também, de ver em todas as Lojas Maçônicas, naquela época (1717), uma Bíblia em cada Altar de Juramentos, afinal, era tão fácil se ter uma Bíblia, não era? Todos conheciam o latim, o grego e o alemão. Ora, deixemos de ser irônicos, sabemos que ter uma Bíblia e saber como lê-la não era para qualquer um… A primeira Bíblia em português foi impressa em 1748. A tradução foi feita a partir da Vulgata latina e iniciou-se com Dom Diniz (1279-1325). A divisão em capítulos foi introduzida pelo professor universitário parisiense Stephen Langton, em 1227, que viria a ser eleito bispo de Cantuária pouco tempo depois. A divisão em versículos foi introduzida em 1551 pelo impressor parisiense Robert Stephanus. Ambas as divisões tinham por objetivo facilitar a consulta e as citações bíblicas, e foi aceita por todos, incluindo os judeus.
Se não bastasse, quero lembrá-los de que todas as nossas palavras “Sagradas e de Passe” são hebraicas e não cristãs. Referem-se ao Antigo Testamento e não ao Novo Testamento.
Os autores Christopher Knight e Robert Lomas descrevem de forma clara e objetiva alguns passos da iniciação, da elevação e da exaltação, e fazem menção à “ressuscitar um cadáver”. Pergunto a vocês: isso não é Necromancia? Quer dizer que Hiram, assim como Jesus, foram ressuscitados? E no terceiro dia? E o candidato ao grau três, mesmo que simbolicamente, também não é ressuscitado? A Arte de ressuscitar os mortos não é Necromancia?
Todos os Templários eram enterrados de forma peculiar, pois cruzavam os ossos e separavam sua cabeça, lembrando, assim, mais uma passagem do grau três (seu símbolo). E a bandeira dos piratas, não lembra a cabeça com os ossos cruzados? Não foi nessa mesma época que a Inglaterra se separou da Igreja de Roma?
A construção de um Templo Maçônico está totalmente embasada na Astronomia, e o Grande Arquiteto do Universo é associado ao “Mais Elevado”, o Deus Sol. E isso, Irmãos, é fato, não se trata de especulação, pois especulativa é a Maçonaria moderna. Que pena!
Uma outra coincidência refere-se à Estrela de Vênus, na qual os autores encontram respostas, e que são as mesmas que encontrei e registrei, com muito pouca diferença, em minha mais recente obra Maçonaria – Escola de Mistérios – Antiga Tradição e Seus Símbolos. Também faço menção no Diário da Abundância, no qual citei a Estrela de Vênus como a estrela matutina e vespertina e a comparei com Lúcifer, Phosphóros, O Portador da Luz. Isso porque, em seu percurso, ela cai e se levanta, perfazendo um “U”, um chifre, daí a referência a Lúcifer como o anjo caído; e ainda a Nut, “que carregava Rá entre seus chifres.”
Vênus também era considerado pelos antigos como dois astros diferentes, ao qual davam o nome de Lúcifer e Vesper. Só mais tarde, quando se descobriu tratar-se do mesmo corpo celeste, é que atribuíram a ele o nome de Vênus, pela sua Luz e Beleza, pois quando está no céu, à noite, é o astro mais brilhante depois da Lua. Porém, no século III a.C., Pitágoras já afirmava que Lúcifer e Vênus eram um único corpo celeste. No Brasil, é conhecido como Estrela Dalva.
Os autores de O Livro de Hi