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Por Wagner Veneziani Costa
Lilith é vulgarmente tratada como um demônio da noite. Ela é também referida na Cabala como a primeira mulher do bíblico Adão. Pensa-se que o Relevo Burney, um relevo sumeriano, a represente. Muitos acreditam que há uma relação entre Lilith e Inanna, deusa sumeriana da guerra e do prazer sexual.
Inanna era a deusa (dingir) do amor, do erotismo, da fecundidade e da fertilidade, entre os antigos sumérios, sendo associada ao planeta Vênus. Era especialmente cultuada em Ur, mas era alvo de culto em todas as cidades sumerianas.
Surge em praticamente todos os mitos, sobretudo pelo seu caráter de deusa do amor (embora seja sempre referida como a virgem Inanna); por exemplo, como se a deusa tivesse se apaixonado pelo jovem Dumuzi, tendo este morrido, a deusa desceu aos infernos para resgatá-lo dos mortos, para que este pudesse dar vida à humanidade, agora transformado em deus da agricultura e da vegetação.
É cognata das deusas semitas da Mesopotâmia (Ishtar) e de Canaã (Asterote e Anat), tanto em termos de mitologia como de significado.
O dia 2 de janeiro é tradicionalmente consagrado a Ishtar, a deusa dos acádios, herança dos seus antecessores sumérios, cognata da deusa Asterote dos filisteus, de Ísis dos egípcios. Mais tarde, ela foi assumida também na Mitologia Nórdica como Easter, a deusa da fertilidade e da primavera. Essa deusa era irmã gêmea de Shamash e filha do importante deus lua – Sin.
Considerados uma das maravilhas do mundo, os Portões de Ishtar, na Babilônia, foram transportados para um museu na Europa, o Museu de Berlim. Uma réplica se encontra no Iraque.
Astarte e Afrodite
Astarte – (em grego Αστάρτη e em hebraico עשתרת) – personagem do panteão fenício e na tradição bíblico-hebraica conhecida como deusa dos Sidônios (I Reis 11:2). Era a mais importante deusa dos fenícios. Filha de Baal e irmã de Camos. Deusa da lua, da fertilidade, da sexualidade e da guerra, adorada principalmente em Sidom, Tiro e Biblos.
A deusa Astarte foi a mais importante das numerosas divindades fenícias e a única que permaneceu inamovível na sua rica mitologia, apesar das profundas e contínuas mudanças no culto que resultaram de diversas influências oriundas de toda a área do Mediterrâneo, recebidas por este povo de navegantes. A deusa era uma representação das forças da fecundidade e, como tal, foi adorada sob diversos aspectos. Todos eles tinham em comum a imagem de uma deusa amorosa, bela, fecunda e maternal. Chamaram-lhe Kubaba-Cibeles na Síria do Norte. Esta e as outras divindades fenícias eram adoradas em santuários, mas o seu culto não carecia de esculturas religiosas, pelo que, muitas vezes, elas faltavam nos templos. A sua sede era uma simples pedra ou pilone no centro do lugar sagrado. A proteção divina na vida doméstica era invocada em estatuetas de material tosco, inacabadas, ou em amuletos de inspiração egípcia, como, por exemplo, o célebre escaravelho solar das pinturas faraônicas.
Tem muitos atributos relacionados com Afrodite, a deusa grega do amor, do sexo, da regeneração e da beleza corporal. De acordo com o mito mais aceito, nasceu quando Urano (pai dos Titãs) foi castrado por seu filho Cronos, que atirou os genitais cortados de Urano no oceano, e este começou a ferver e espumar. De aphros (”espuma do mar”), ergueu-se Afrodite e o mar a carregou para Chipre. Por isso, um de seus epítetos é Kypris. Assim, Afrodite é de uma geração mais antiga que a maioria dos outros deuses olímpicos.
Afrodite (em grego, Αφροδίτη) era a deusa grega da beleza e da paixão sexual. O seu culto estendeu-se a Esparta, Corinto e Atenas. Foi identificada como Vênus pelos romanos.
Suas festas eram chamadas de afrodisíacas e eram celebradas por toda a Grécia, especialmente em Atenas e Corinto. Suas sacerdotisas eram prostitutas sagradas, que representavam a deusa, e o sexo com elas era considerado um meio de adoração e contato com a deusa. Seus símbolos incluem a murta, o golfinho, o pombo, o cisne, a romã e a limeira. Entre seus protegidos, contam-se os marinheiros e artesãos.
Com o passar do tempo, e com a substituição da religiosidade matrifocal pela patriarcal, Afrodite passou a ser vista como uma deusa frívola e promíscua, como resultado de sua sexualidade liberal. Parte dessa condenação a seu comportamento veio do medo humano frente à natureza incontrolável dos aspectos regidos pela deusa do amor.
Voltando a Lilith…
Contam algumas histórias que Lilith é também chamada de “A mulher escarlate”, um demônio que guarda as portas do inferno montada em um enorme cão de três cabeças, Cérbero. Outros aspectos e nomes de Lilith, além dos já citados, são: Aino (finlandesa, Deusa da Beleza); Amaterasu (japonesa, Deusa do Sol, liderança); Axo Mama (peruana, Deusa da Fertilidade); Cibele (asiana menor, Deusa da Fertilidade); Hathor (egípcia, Deusa do Amor); Freya (norueguesa, Deusa do Amor e da Cura); Hécate (grega, Deusa da Magia e da Morte); Itchita (siberiana, A Grande Mãe); Oxum (africana, Deusa da Fertilidade e do Amor); Kaly (hindu, a face escura da Grande Mãe).
Na origem de todos os povos do mundo sempre existiu a tradição de um casal fundador da raça humana. A maioria é formada por casais-deuses, exceto nas religiões patriarcais, como a judaico-cristã-islâmica, em que um único Deus masculino formou todas as coisas e seres.
Entretanto, ao estudar a espiritualidade hebraica, por meio da Cabala, aprendemos que o grande deus monoteísta não é do sexo masculino, ele é completo em si mesmo; o que existem são divisões de gênero, inclusive é uma insolência lhe dar aspecto humano, pois sua essência é luz pura. E desde quando luz tem sexo?
Ao se estudar Carl Jung, descobriremos que dentro de cada homem há uma mulher (anima) e em cada mulher há o princípio masculino (animus). Esse eterno jogo de yin-yang se ajusta e se completa. Portanto, nenhum indivíduo é inteiramente masculino ou inteiramente feminino.
Cada um de nós é composto dos dois elementos e esses dois constituintes estão freqüentemente em conflito. O princípio feminino ou “Eros” é universalmente representado pela Lua e o princípio masculino ou “Logos”, pelo Sol. O mito da criação no Gênesis afirma: Deus criou duas luzes, a luz maior para reger o dia e a luz menor para reger a noite. O Sol como princípio masculino é o soberano do dia, da consciência, do trabalho e da realização, do entendimento e da discriminação conscientes, o Logos.
A Lua, o princípio feminino, é a soberana da noite, do inconsciente. É a deusa do amor, controladora das forças misteriosas que fogem à compreensão humana, atraindo os seres humanos irresistivelmente um para o outro, ou separando-os inexplicavelmente. Ela é o Eros, poderoso, fatídico e totalmente incompreensível.
Na natureza, o princípio feminino ou a deusa feminina mostra-se como uma força cega, fecunda, cruel, criativa, acariciadora e destruidora. É a fêmea das espécies mais mortal que o macho, feroz em seu amor como também com seu ódio.
Esse é o princípio feminino na forma demoníaca. O medo quase universal que os homens têm de cair sob o domínio ou a fascinação de uma mulher. A atração que esta mesma servidão tem para eles são evidências de que o efeito que uma mulher produz num homem é, em geral, realmente de caráter demoníaco.
A História de Lilith na Tradição Judaica
Quando Jehová criou a Adão, criou ao mesmo tempo a uma mulher, Lilith, retirada do barro da terra. Foi entregue a Adão como esposa. Porém, Lilith não estava satisfeita, pois esperava outra coisa de Adão. Ela não se submeteu à dominação masculina. A sua forma de reivindicar igualdade foi a de recusar a forma de relação sexual com o homem por cima.
Inimizou-se com ele, pronunciou o nome inefável de Jeová e se foi voando pelos ares. Adão queixou-se a Deus de sua esposa, e este enviou à sua procura três anjos: Senoi, Sansenoi e Samanglof, que a encontraram nas margens do Mar Vermelho, onde mais tarde as tropas egípcias seriam engolidas por ordem de Moisés.
Lilith se negou a voltar a ocupar seu lugar junto de Adão. Os três anjos, por ordem de Jeohvá, avisaram-na de que a cada dia perderia cem de seus filhos se não regressasse. Lilith então fez um trato, e os anjos tentaram afogá-la no Mar Vermelho; porém Lilith advogou em causa própria e salvou sua vida com a condição de jamais causar dano a uma criança recém-nascida de onde viera seu nome escrito.
Finalmente, Jehová deu a Lilith, Sammael (Satã – O Senhor das forças do mal; adversário), e ela foi a primeira das quatro esposas do “Diabo” e a perseguidora dos recém-nascidos. (Paul Louis Bernard Drach, De l’harmonie de l’Église et de la Synagogue, II, p.319)
De acordo com essa narração, Lilith foi entregue a Adão como uma mulher-objeto. Entretanto, ela se rebela e se nega a obedecer Jehová, que é seu pai. Esse não pode desfazer-se dela; uma vez que a criou para Adão, só poderá deixá-la. E foi feito, pois o nome de Lilith não é citado mais que uma vez na Bíblia, reduzida assim a um estado incerto.
Segundo uma velha tradição, Lilith seria uma figura sedutora, de cabelos longos, que voa à noite, como uma coruja, para atacar os homens que dormem sozinhos. As poluções noturnas masculinas podem significar um ato de conúbio com a demônia, capaz de gerar filhos demônios para a mesma.
As crianças recém-nascidas são as suas principais vítimas. A crença em Lilith, durante muito tempo, serviu para justificar as mortes inexplicáveis dos recém-nascidos. Uma forma de proteger as crianças contra a fúria da bela demônia é escrever na porta do quarto os nomes dos três anjos enviados pelo Senhor. Outra maneira é a de fixar no berço do recém-nascido, três fitas, cada uma delas com um nome dos três anjos. Segundo Unterman, na véspera do Shabat e da Lua Nova, quando uma criança sorri é porque Lilith está brincando com ela. Para protegê-la, deve-se bater três vezes de leve no nariz da criança, pronunciando uma fórmula de proteção contra Lilith. O mesmo autor afirma que, na Idade Média, era considerado perigoso beber água nos solstícios e equinócios, períodos estes em que o sangue menstrual de Lilith pinga nos líquidos expostos. Finalmente, uma outra tradição judaica afirma que a lendária rainha de Sabá que teria visitado Salomão nada mais era do que Lilith. O sábio rei, contudo, descobriu o ardil, ao levantar a saia da rainha e constatar que as suas pernas eram peludas.
Segundo uma lenda judaica, após a expulsão do paraíso, Adão, para se mortificar, ficou 130 anos afastado de Eva. Uma ocasião que estava dormindo sozinho, Lilith o encontrou, deitou-se ao seu lado e dele concebeu um sem-número de demônios. Os que se defrontavam com eles eram torturados e mortos (Gorion, 54).
A rebelião de Lilith contra Adão e o Criador levou à necessidade da criação de Eva, esta formada a partir de uma costela de Adão (Gênesis 2, 21). É possível, portanto, imaginar que um corte foi realizado entre o capítulo 1, versículo 28, e o capítulo 2, versículo 21. É provável que esse corte tenha ocorrido mesmo, em época bastante remota, como no quarto século antes de Cristo, quando se supõe que o texto escrito tomou uma forma aproximada da atual (Leach, 1983:77).
O próprio teor do capítulo 1, versículo 28, sustenta esta hipótese: “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra …” Como seria possível abençoar a ambos e recomendar a multiplicação se Eva ainda não estava criada?
Roberto Sicuteri (1986: 27) chama a atenção para outro detalhe importante: após a criação de Eva, extraída da costela de Adão, este diz: “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada” (Gênesis 2, 23). Para Sicuteri, esta agora soa como uma inequívoca referência a uma mulher anterior. (Roque de Barros Laraia).
A palavra lilith, que se pode relacionar com o assírio lílitu, de lilaatuv, “noite”, significa propriamente “noturno”. Também Lilu, na mitologia assíria, são espíritos malignos que sempre surgem na escuridão da noite. A Lílít do texto hebraico se traduz na versão grega de Septuaginta e por Lamia na Vulgata latina de São Jerônimo. As lamias são muito conhecidas nas tradições gregas e latinas, como monstros voadores noturnos, que sempre aparecem sob o aspecto de pássaros. A maioria dos autores afirma que as lamias são monstros femininos que devoram homens e crianças. Portanto, as lamias e Lilith têm muitos pontos em comum e foram convertidas em “vampiras”.
Mas, o papel de Lilith parece não terminar quando se une a Satã; aliás, muito pelo contrário. Segundo o Zohar (Hhadasch, seção Yitro, p.29), depois participa da perdição de Adão, ao qual Jehová concede como segunda esposa a Eva, nascida da sua própria costela, ou seja, à imagem do homem, o reflexo do homem, ou a imagem castrada de Adão. “Depois de que o Tentador (Sammael) houvera desobedecido ao Santíssimo, bendito seja, o Senhor o condenou a morrer”. A Cabala faz eco desta tradição (livro Emek-Ammelehh, XI), que Sammael será castigado: “Nesse dia, Jehová visitará com sua terrível espada a Leviatã, a serpente insinuante, que é Sammael, e a Leviatã, a serpente sinuosa, que é Lilith.
Esse texto nos diz que tão-somente Lilith está incluída no castigo junto com Sammael e não as outras três esposas, e que Lilith também apresenta o aspecto de serpente. O que se conclui é que ela está reprimida no inconsciente e, quando surge, coloca a sociedade paternalista em xeque. Assim, quando Eva convida Adão para comer a maçã, é das mãos de Lilith que a receberá.
Eva, porém, à sua maneira, repetiria o gesto de rebelião de sua antecessora. Deus tinha permitido ao homem comer todas as frutas do jardim, com apenas uma exceção: “Mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia que dela comeres, certamente morrerás.” (Gênesis, 2,17).
É exatamente essa interdição que é rompida por Eva. A versão canônica diz que a mulher assim procedeu tentada pela serpente, sob a alegação de que o consumo da fruta proibida a tornaria tão poderosa como Deus. Acreditando na pérfida serpente, Eva comeu do fruto proibido e convenceu o seu companheiro a fazer o mesmo. A punição por esse ato de desobediência original foi a perda da imortalidade; a partir de então, os homens tornaram-se mortais.
Existem outras interpretações para esta história. Os teólogos modernos acreditam que a serpente foi a forma tomada pelo Demônio para tentar Eva. Existe também a crença de que Lilith teria se transformado em serpente para tentar Eva e se vingar de Adão. Uma terceira interpretação é a que faz parte de uma tradição judaica: “A serpente bíblica era um animal astucioso, que caminhava ereto sobre as duas pernas, falava e comia os mesmos alimentos que o homem. Quando viu como os anjos prestigiavam Adão, teve ciúme dele, e a visão do primeiro casal tendo relação sexual despertou na serpente o desejo por Eva. Por instigação de Satã ou Samael, ou, segundo algumas versões, possuída por ele, a serpente persuadiu Eva a comer o fruto proibido e seduziu-a. Como castigo, suas mãos e pernas foram cortadas e ela teve de se arrastar sobre o seu ventre, todo alimento que comia sabia a pó, e tornou-se eterna inimiga do homem.(…) Quando teve relação sexual com Eva, injetou sua peçonha nela e em todos os seus descendentes. Essa peçonha só foi removida do povo de Israel quando estavam no Monte Sinai e receberam a Torá.” (Unterman, 1992: 236).
E também ao comer o fruto da Árvore, eles passaram a ter o dissernimento, o livre-arbítrio.
Segundo o antropólogo Roque de Barros Laraia, o Gênesis é um mito de origem que busca explicar o surgimento do primeiro homem e como tal não difere muito de outros mitos, integrantes das diferentes cosmologias existentes, principalmente em dois pontos fundamentais:
1) O mito não visa à explicação do surgimento de toda a humanidade ¾ como depois foi sugerido pelos exegetas judaicos e cristãos ¾, mas apenas o surgimento de um povo específico, no caso os hebreus. Tal fato está confirmado pelo versículo 16 do capítulo 4: “E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Nod, da banda do oriente do Éden.” O versículo seguinte afirma que “Caim conheceu a sua mulher e ela concebeu, e pariu Enoch…” Há duas interpretações possíveis para esses dois versículos: a primeira é que o conheceu significa apenas ter relações sexuais e, portanto, Caim teria chegado ao leste do Éden já com uma companheira. Mas a interpretação mais plausível é que de fato tenha encontrado um outro povo. Isto é mais condizente com o estilo dos mitos de origens, marcados fortemente pelo etnocentrismo.
2) O mito narra a história do pecado original. É, portanto, semelhante às narrativas que mostram que o homem perdeu a imortalidade em função de sua própria culpa. Uma escolha mal feita, um ato de desobediência (como no Gênesis) ou uma ofensa a um ser sobrenatural. Os Tupi Guarani seriam imortais se a primeira mulher não tivesse duvidado dos poderes de Mahíra. O texto bíblico relata a dupla desobediência da mulher: Lilith não atende a convocação do Senhor para voltar para Adão; Eva come do fruto proibido e convence Adão a fazer o mesmo.
A Visão dos Mistérios Órficos
Dentro dos Mistérios Órficos, Nyx, um negro espírito alado, levantou-se do Vazio do Caos para deitar o ovo cósmico de prata contendo o dourado espírito alado do amor, Eros, também conhecido como Phanes – o Revelador, cuja beleza radiante iluminou a Terra. Nyx, a Mãe Noite primal, dentro de seu reino estrelado também deu à luz as Fates (Destinos), as Hespérides, as Fúrias e Nêmesis (George 1992: 112-117).
Como a mitologia evoluiu, a precedência era classificada como dia e luz; todas as coisas sinônimas à noite escura ficaram exiladas ao chthonic (de khthonios – dentro ou fora da Terra), isto é: fertilidade, parto, abundância, colheitas, destino e morte, reino do submundo, regiões astrais, o mundo dos sonhos e a psique interna.
Com efeito, Hecate desenvolveu-se como a guardiã desses lugares sombrios e solitários, e de seus inerentes Mistérios ocultos. Atos obscuros do mistério sexual, Kundalini, profecia, inspiração e adivinhação, todos vieram de dentro de seu dom. Criaturas da noite – corujas, cachorros e cavalos tornaram-se seus totens, assim como o fizeram todas as criaturas do submundo aquático – cobras, serpentes, aranhas, sapos e rãs. (Ibid)
Como Dama da Transe-Formação, sua luz divina de gnose é secretada por seus poderes chthonicos de vida e morte; sua sexualidade voraz leva suas vítimas em um abraço profético de regeneração. Suas sacerdotisas legendárias levavam os agonizantes através de uma morte extática pelas suas convulsões orgásticas (George 1992: 111).
Ultimamente ligada à lua negra, anteriormente Hecate sempre havia sido a deusa da iluminação da alma. Tempo e destino estão dentro de seu domínio; muitos de seus epítetos revelam seus inúmeros papéis e formas – Sábia, Rainha das Sombras, Senhora da Iniciação, Guardiã do Portal, Condutora de Almas, e A Brilhante (www.hecate.org.uk/history.html).
Para os místicos, a Noite Escura é a profundeza do amor (Eros) e luz (Phanes). George (1992: 118) afirma que, dentro filosofia oriental, o preto representa o estado informe da matéria pura e um todo unificado, sem nenhuma separação. Isso é um truísmo refletido dentro da Nyx grega e da Nut egípcia; ambas carregam a mensagem eterna da matrix universal como uma expressão do verdadeiro amor (sabedoria e compreensão/compaixão), da qual a ignorância induz ao medo e vazio.
Waterson (1999:190) recebeu muitas críticas dos acadêmicos por promover a idéia de que Hecate é derivada de Hekt, uma deusa egípcia de cabeça de sapo, deusa do nascimento, da morte e da ressurreição, parteira dos deuses, mas sua teoria é merecedora de uma melhor inspeção. Essa deusa primal criativa parece ter ajudado Osíris a se levantar dos mortos, precedendo o papel adotado por Ísis. Além disso, seu símbolo, o sapo, foi mais adiante adotado pelos cristãos para representar a ressurreição de Cristo. Foram encontrados em numerosas luminárias cerâmicas com a inscrição: “Eu sou a ressurreição”. O eminente egiptólogo Wallis Budge (1971: 63) explica que dentre os ritos fúnebres egípcios, o amuleto de sapo (juntamente com o escaravelho) era colocado sobre a múmia, para mostrar o poder de ressurreição de Hekt sobre o mesmo.
Mais tarde, a mitologia grega revelou que Hecate, assim como Lúcifer/Lux (luz) nasce de Nyx/Nox (escuridão). Bem antes disso, contudo, ela era originalmente uma deidade da Trácia e foi adotada no panteão grego como uma Titã, uma deidade pré-olímpica. Ela era descrita como uma bonita donzela com cabelos adornados por estrelas que iluminavam as trevas. Sua tocha em chamas revelava seu papel como illuminatrix e Condutora (a que guia os mortos) através de seus três reinos – os Céus, Terra e os Mares/Mundo Subterrâneo.
A Tomadora de Almas
Como já foi demonstrado, somente mais tarde, quando foi consignada ao Inferno, Lilith assumiu o papel mais sinistro de tomadora de almas. Curiosamente, seu dia de festa é 13 de agosto, como uma deusa de fertilidade, e é um dia em que ela é propícia a evitar desastres que acontecem às colheitas. É notavelmente perto de 15 de agosto, quando acontece a festa da Santa Virgem Maria, a qual mais tarde assumiu essa função!
Em cada uma de suas quatro mãos (às vezes seis), Hecate maneja um objeto: uma chave que destranca os mistérios ocultos e a sabedoria da vida após a morte; uma corda/flagelo que representa tanto o cordão umbilical (permitindo nascimento) e o laço (morte); e a adaga, o símbolo da verdadeira vontade, que corta a ilusão e divide a corda (permitindo o nascimento) e o laço (facilitando a libertação da alma). Em sua quarta mão (nesta ou ainda nas três restantes), ela eleva a tocha (ou tochas) de iluminação e iniciação. Assim pode-se ver que ela preenche todos os papéis de Creatrix, Illuminatrix e Initiatrix – a (verdadeira) Deusa Tripla (de tripla face) (George 1992: 142-45).
Tanto Hecate quanto Hermes compartilham o papel de “Condutor de Almas” e “Protetor das Encruzilhadas” e caminhos secretos dos planos mentais e físicos. Hermes freqüentemente se posta de pé ao lado de Hectarea, uma forma tríplice de Hecate, completa com suas três cabeças e seis braços. Acredita-se que sejam amantes ou companheiros, e eles são curandeiros, protetores da energia lunar e arautos da morte. Fazendo a ponte entre os mundos, eles revelam o passado, o presente e o futuro simultaneamente, conferindo visões proféticas e comunicação ancestral. De seu mundo crepuscular de ilusões, seus dons de encantamento asseguram o arrebatamento e ventura de seus devotos.
Outro epíteto bem menos conhecido é Hekatos, que significa “A Distante” (a Magia transportada pelo ar que atinge seu objetivo), o qual Hecate, como uma forma de Ártemis, divide com Apolo. As lendas também falam dela como um anjo fosforescente, brilhando nas trevas do submundo, onde sua luz hipnótica de transe-formação é revelada dentro dos montes de terra dos sepulcros decadentes dos mortos. Aqui se encontram suas fusões de papel com os de Perséfone e de Deméter, com a qual ela ficou associada dentro de mitos alternativos gregos.
Vale relembrar que os gregos sempre viram Hecate como uma jovem donzela. Ela se tornou uma velha somente para os romanos (que julgaram seus papéis conectados aos assuntos de sangue feminino – nascimento e menstruação – como impuros) quando Ártemis e Se1ene a suplantaram nesta forma (Ibid).
Martha Ann e Dorothy Myers-Imel (1993: 157) também nos fazem lembrar, dentro dos Mistérios de Elêusis, o papel de Brimo (a destruidora terrível da vida), que dá à luz a Brimos (o Salvador). Ela é associada com Cybele, Deméter, Perséfone e Hecate e é também a guia de Perséfone quando ela volta para o mundo da superfície, ao chegar do Inferno de Hades. Ainda assim é Phosphorous – aurora e crepúsculo, mãe e guardiã, a que traz a aurora da vida, nascimento e morte. Ela é a Estrela Matutina, a portadora da Gnose, a propylia – aquela que fica diante do portal, e propolos – a guardiã do limite e condutora, a líder do caminho (Robert von Rudolf, Horned Owl Library). Shani – Revista Online The Cauldron Brasil.
Lilith nos lembra eternamente que as forças do “mal” respondem às forças da vida, e que tudo se equilibra – dia e noite, trevas e luz, masculino e feminino. Isso faz com que visualizemos o piso mosaico no centro dos nossos Templos Maçônicos.
As leituras modernas do mito de Lilith, entretanto, destacam o seu aspecto revolucionário e mesmo feminista. Ela representa a revolta contra um sistema hierárquico injusto, que quer impor um domínio inquestionável e repressor do masculino sobre o feminino. Lilith é a representação da mulher indômita, selvagem, livre, vibrante de energia, pronta para viver a sua sexualidade de forma plena e prazerosa, sem medos nem vergonha, é a celebração do princípio feminino.
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Nota: Lilith é citada na Epopéia de Gilgamesh (aprox.2000 a.C.), no Antigo Testamento (Isaías 34:14) e em relatos da Torá assírio-babilônica e hebraica, dentre outras fontes históricas. Ela aparece no Zohar, ou Livro do Esplendor, uma obra cabalística do século XIII que constitui o mais influente texto hassídico, e no Talmude, o livro dos hebreus. Seus filhos demônios, os Lilins, são citados inclusive na versão sacerdotal da Bíblia. Outras fontes são o Alfabeto de Ben Sira (séculoVII), em que se inscreve a versão mais ingênua do mito, o Zohar (século XIII), que dá do mesmo a versão mais oculta, e a Cabala (por volta de 1600), onde vemos LIlith unir-se a Samael.
Fontes de consulta:
CAMPBELL, Joseph, MOYERS, Bill. O Poder do Mito. Palas Atena.
SINGER, Marian. O Livro Completo de Wicca e Bruxaria. Madras Editora – 2004
As Deusas e a Mulher - Jean Shinoda Bolen.
Jardim do Éden Revisitado - Roque de Barros Laraia.
Lilith, a Lua Negra - Roberto Sicuteri.
O Livro de Lilith - Barbara Koltuv.
Os Mistérios da Mulher - M. Esther Harding.
Revista de Antropologia - Roque de Barros Laraia.
Rosane Volpatto - http://www.rosanevolpatto.trd.br/lilith.html
Shani - Revista Online The Cauldron Brasil - http://www.thecauldronbrasil.com.br
22 de Maio de 2007 às 09:51
Editor
O Pan (pão) Nosso de Cada Dia – A Grande Dádiva de Deus
Por Wagner Veneziani Costa
Durante todo o texto, tentarei fazer uma análise comparativa do Deus Pan em todas as civilizações, como suas lendas, mitos, histórias infantis e as diversas palavras que surgiram do nome dele, tais como pânico, panacéia, panteísmo entre tantas outras. O Deus Pan é muitas vezes chamado de Fauno, Sylvanus, Lupercus, o Diabo (no Tarô). Seu lado feminino é a Fauna; é Exú (na Umbanda), o Orixá fálico; Capricórnio (na Astrologia); Dionísius (deus do vinho); Baco (dos famosos bacanais). Muitas vezes é comparado aos deuses caçadores; ou ainda, a Tupã (Pajé, Caboclo).

Pan, antiqüíssima divindade pelágica especial à Arcádia (uma região rural), morada do Deus Pan. É o guarda dos rebanhos que ele tem por missão fazer multiplicar. Deus dos bosques e dos pastos, protetor dos pastores, veio ao mundo com chifres, orelhas e pernas de bode. Pan é filho de Mercúrio. Era bastante natural que o mensageiro dos deuses, sempre considerado intermediário, estabelecesse a transição entre os deuses de forma humana e os de forma animal. Parece, contudo, que o nascimento de Pan provocou certa emoção em sua mãe, que ficou assustadíssima com tão esquisita conformação. As más línguas dizem que, quando Mercúrio apresentou o filho aos demais deuses, todo o Olimpo desatou a rir.
“Mercúrio chegou à Arcádia, que era fecunda em rebanhos. Ali se estende o campo sagrado de Cilene; nesses páramos, ele, deus poderoso, guardou as alvas orelhas de um simples mortal, pois concebera o mais vivo desejo de se unir a uma bela ninfa, filha de Dríops. Realizou-se enfim o doce himeneu. A jovem ninfa deu à luz o filho de Mercúrio, menino esquisito, de pés de bode e testa armada de dois chifres. Ao vê-lo, a nutriz abandona-o e foge. Espantam-na aquele olhar terrível e aquela barba tão espessa. Mas o benévolo Mercúrio, recebendo-o imediatamente, colocou-o no colo, rejubilante. Chega assim à morada dos imortais, ocultando cuidadosamente o filho na pele aveludada de uma lebre. Depois, apresenta-lhes o menino. Todos os imortais se alegram, sobretudo Baco, e dão-lhe o nome de Pan, visto que para todos constituiu objeto de diversão.”
As ninfas zombavam incessantemente do pobre Pan, por causa do seu rosto repulsivo, e o infeliz deus, ao que se diz, tomou a decisão de nunca amar. Mas Cupido é cruel, e afirma uma tradição que Pan, desejando um dia lutar corpo a corpo com ele, foi vencido e abatido diante das ninfas que riam.
Uma vez, ouvi um flautista contar com sua música uma história linda: a história do amor do Deus Pan, pela ninfa Sirinx. Ele disse que Pan se apaixonou pela ninfa, mas não foi correspondido. Sendo assim, Sirinx vivia fugindo do deus metade homem metade bode, até que se escondeu dele em um lago e se afogou. No lugar da sua morte, nasceram hastes de junco que Pan cortou e transformou em uma flauta de sete tubos, a qual se tornou um atributo dele. Sirinx, então, imortalizava-se.

Pan também era o deus da fertilidade, da sexualidade masculina desenfreada e do desejo carnal. Como o nome do deus significava “tudo”, no mais amplo sentido da natureza, a raiz, a fertilidade, Pan passou a ser considerado um símbolo do Universo e a personificação da Natureza; e, mais recentemente, representante de todos os deuses.
Celebrar a Pan é celebrar a sexualidade de maneira primal, a bebida e a boa música. O que hoje conhecemos como pânico tem sua origem no nome desse deus. A justificativa é que existia o mito de que quem morava próximo às florestas era perseguido à noite pelo deus. Dessa forma, o temor irracional que era atribuído a esse evento ficou conhecido como pânico.
Os romanos tinham um panteão de deuses que foi, em sua maioria, “herdado” da cultura grega. Portanto, quase todos os deuses romanos possuem seus correspondentes gregos.
Sylvanus e Faunus eram divindades latinas cujas características são muito parecidas com as de Pan, que nós podemos considerá-las como o mesmo personagem com nomes diferentes.
Faunos
Entre os romanos, faunos eram deidades de florestas selvagens com pequenos chifres, pernas de cabra e um pequeno rabo. Eles acompanhavam o deus Faunus, eram alegres, habilidosos, e viviam sempre cantando e se divertindo. Faunos são análogos aos sátiros gregos.
Era o deus da natureza selvagem e da fertilidade, também considerado o doador dos oráculos. Ele foi identificado depois com o Pan grego e também assumiu algumas das características de Pan, como os chifres e as pernas de cabra. Como o protetor dos rebanhos, ele também é chamado Lupercus (”aquele que protege dos lobos”).
Uma tradição particular conta que Faunus era o rei de Latium, o filho de Picus e neto do deus Saturno. Depois de sua morte, ele foi divinizado como Fatuus, e surgiu um culto pequeno em torno da sua pessoa, na floresta sagrada de Tibur (Tivoli). Em 15 de fevereiro (a data de fundação do templo), seu festival, o Lupercalia, era célebre. Padres (chamados Luperci) vestiam peles de cabra e caminhavam pelas ruas de Roma batendo nos espectadores com cintos feitos de pele de cabra. Outro festival era o Faunalia.

Ele é acompanhado pelos faunos, análogos aos sátiros gregos. Sua contraparte feminina é a Fauna.
Para os cristãos, os chifres representam o Demônio, o cordeiro ou cabrito, que era sacrificado em redenção do pecado. Mas os chifres sempre foram sinais de algo Divino. Na Babilônia, o grau de importância dos deuses era identificado pelo número de chifres atribuídos a eles. Moisés fora representado plasticamente com chifres na testa, bem como o próprio Alexandre, o Grande, encomendara uma pintura do seu retrato, mostrando-se com chifres de carneiro na testa.
Os antigos judeus conheciam esse simbolismo, recebido das mitologias circunvizinhas. Se’irim geralmente pode ser traduzido por bode. Habitam os lugares altos, os desertos, as ruínas… No Gênesis, lemos que os filhos de Jacó degolaram um bode para com seu sangue manchar a túnica de José (Gn. 37:31).
O termo vulgar “bode” é designado pela mesma palavra que se emprega em outras partes para designar um sátiro. A palavra hebraica sa’ir significa propriamente “o peludo” e se aplica tanto ao bode como a qualquer outro sátiro, demônio ou divindade inferior, na mentalidade popular.
O bode representa um dos deuses subalternos do grande Azazel, deus ou temível príncipe dos demônios do deserto. Freqüentemente mencionado pelos apócrifos, Azazel só aparece na Bíblia em uma oportunidade, na descrição do rito de expiação:
“O sumo sacerdote receberá da comunidade dos filhos de Israel dois bodes destinados ao sacrifício pelo pecado… Lançará a sorte sobre os dois bodes, atribuindo uma sorte a Iahweh e outra a Azazel. Aarão oferecerá o bode sobre o qual caiu a sorte para Iahweh e fará com ele um sacrifício pelo pecado. Quanto ao bode sobre o qual caiu a sorte para Azazel, será colocado vivo diante de Iahweh para fazer com ele o rito de expiação, a fim de ser enviado a Azazel, no deserto. ( …) Aarão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode e confessará sobre ele todas as faltas dos filhos de Israel, todas as suas transgressões e todos os seus pecados. E depois de tê-los assim posto sobre a cabeça do bode, irá enviá-lo ao deserto, conduzido por um homem preparado para isso, e o bode levará sobre si todas as faltas deles para uma região desolada”. (Lv. 16: 5-8 e 10:21s).
Para os Celtas, o Deus Cornífero
O Deus Cornífero é representado por um ser com cabeça humana, chifres e pernas de cabra ou cervo. Ele é o guardião das entradas e do círculo mágico que é traçado para se começar o ritual. É o deus pagão dos bosques, o rei do carvalho e senhor das matas. É o deus que morre e sempre renasce. Seus ciclos de morte e vida representam nossa própria existência.
Mas por que essa imagem diabólica tão horripilante? O chifre apresentava conotação sagrada, como um sinal “divino”, desde dez mil anos a.C., no período Paleolítico, representando também fertilidade e vitalidade. Acreditava-se que os chifres recebiam poderes especiais vindos das estrelas e dos céus.
Existem várias versões do Deus Cornífero, como o Deus Cernunnos (versão celta e galo-romana), Pan “Grécia”, Osíris e outros. Na religião pagã Wicca, criada por Gerald
Gardner, acredita-se que o Deus Cornífero seja o guardião das entradas e do círculo dos ritos.
Confundido no Cristianismo (propositalmente ou não) com o “Diabo”, por sua estranha aparência, o Deus Cornífero nasce e morre todos os dias, tentando ensinar os segredos da morte e da vida.
Segundo a Wicca, o Deus Cornífero nasceu da grande Deusa, divindade suprema para os wiccanianos, representada por várias faces. Acredita-se que a Deusa começou a ser cultuada entre 35 a 10 mil anos antes de Cristo, pois arqueólogos encontraram várias estatuetas de figuras humanas representando mulheres grávidas.
Uma das versões do Deus Cornífero é a que o considera protetor dos pastores e dos rebanhos. Deus Osíris – considerado pelos egípcios o deus da agricultura e da vida para além da morte.
Em algumas cavernas da França, foram encontradas pinturas do período Paleolítico, com homens fantasiados de veado, representando o Deus Cernunnos. Muitas vezes, ele era representado em imagens, acompanhado de uma serpente, e em tempos mais modernos, com uma bolsa cheia de moedas.
Nada foi relacionado a um ser infernal. Nos dias atuais, em que imaginamos o Diabo ou um ser infernal, o que nos vem à mente é uma imagem demoníaca, um ser com chifres e pernas de cabra. Ninguém pode afirmar ao certo a imagem de um ser obscuro, ele pode ser apenas uma força negativa invisível, sem aparência.
Existiu conspiração religiosa na imagem do Deus Cernunnos? Teriam criado essa farsa apenas para acabar com as antigas religiões? Não se sabe isso ao certo, pois não foram encontradas muitas coisas escritas sobre o Deus Cernunnos, e sim muitas imagens e estátuas. Geralmente, ele é representado sentado e de pernas cruzadas, talvez assumindo a posição de um xamã.
Considerado também o deus da caça e da floresta, hoje é um deus ou ser divino quase esquecido, lembrado apenas nas religiões pagãs.
Exu – O Orixá Fálico
Exu também tem os seguintes epítetos ou atributos: Exu Lonan, o Senhor dos Caminhos; Exu Osije-Ebo, o Mensageiro Divino; Exu Bará, o Senhor (do movimento) do Corpo; Exu Odara, Senhor da Felicidade; Exu Eleru, o Senhor da Obrigação Ritual; Exu Yangi, o Senhor da Laterita Vermelha; Exu Elegbara, o Senhor do Poder da Transmutação; Exu Agba, aquele que é o ancestral; Exu Inã, o Senhor do Fogo.
Exu é o Orixá que rege o jogo de Búzios, uma modalidade divinatória. Diz um mito que Exu é o único Orixá que tinha esse poder, mas decidiu compartilhá-lo com Ifá em troca de receber as oferendas e pedidos antes de qualquer outro Orixá.
É o mensageiro dos deuses, seu poder é o de receber e transportar os pedidos e oferendas dos seres humanos ao Orum, o Mundo dos Deuses. É o Senhor dos Caminhos, das encruzilhadas, das trocas comerciais e de todo tipo de comunicação. Ele representa também a fertilidade da vida, os poderes sexual, reprodutivo e gerativo. Não podemos nos esquecer de que o sexo, diferentemente do que os cristãos dizem (uma coisa de luxúria, de pecado), é na verdade um ATO SAGRADO. Talvez por isso, por ele ser o poder sexual, os cristãos o comparem com o Demônio.
Quando pergunto a qualquer pessoa se Deus é onipresente, onisciente e onipotente, e elas normalmente respondem que sim, concluo com a seguinte pergunta: Então, quem é o Diabo? Elas ficam sem resposta… Ora, esse Demônio, tão difundido pelas religiões judaico-cristãs, não existe. O conceito de bem ou mal é relativo, está intrinsecamente ligado ao ser humano, dentro de cada um de nós e não fora.
O Diabo só existe dentro de nossos corações frágeis e reina naqueles que não dominam suas emoções e navegam conforme a maré dos acontecimentos, sem rumo certo. Sem falar que normalmente a figura do Senhor Exu é colocada com chifres, rabo, pintado de vermelho, imagem bem parecida com a que os cristãos “desenham” o Diabo… Então, Exu nada tem em comum com o diabo lúdico, e as esquisitas estátuas comercializadas e utilizadas arbitrariamente em terreiros são frutos da imaginação de visionários que não enxergam nada além das manifestações dos baixos sentimentos em formas deprimentes, nos seres que lhes são afins. Exu poderia ser comparado a Príapo, a Hermes, a Mercúrio, deuses mensageiros ou protetores da sexualidade masculina, nunca ao Demônio cristão.
Laroiê, Senhor Exu! (”Ninguém tira a saúde e a riqueza”).
Tupan
Tupã ou Tupan (que na língua tupi significa “trovão”) é uma entidade da mitologia tupi-guarani.
Os indígenas rezam a Nhanderuvuçu e a seu mensageiro Tupã, que não era exatamente um deus, mas sim uma manifestação de um deus. É importante destacar esta confusão feita pelos jesuítas. Nhanderuete, o liberador da palavra original, segundo a tradição mbyá, que é um dialeto da língua guarani, do tronco lingüístico tupi seria algo mais próximo do que os catequizadores imaginavam.

Câmara Cascudo afirma que Tupã “é um trabalho de adaptação da catequese”. Na verdade, o conceito “Tupã” já existia, não como divindade, mas como conotativo para o som do trovão (Tu-pá, Tu-pã ou Tu-pana, golpe/baque estrondeante); portanto, não passava de um efeito, cuja causa o índio desconhecia e, por isso mesmo, temia. Osvaldo Orico é da opinião de que os indígenas tinham noção da existência de uma Força, de um Deus superior a todos. Assim ele diz: “A despeito da singela idéia religiosa que os caracterizava, tinha noção de Ente Supremo, cuja voz se fazia ouvir nas tempestades – Tupã-cinunga, ou “o trovão”, cujo reflexo luminoso era Tupãberaba, ou “relâmpago”. Os índios acreditavam ser o deus da criação, o deus da luz. Sua morada seria o Sol.
Para os indígenas, antes de os jesuítas os catequizarem, Tupã representava um ato divino, era o sopro, a vida, e o homem, a flauta em pé, que ganha a vida com o fluxo que por ele passa.
A religião propagada por Car era baseada na crença a um Deus onipotente, a quem ele chamou P. A. N., também uma palavra cabalística que significa “Senhor do Universo”. Dois séculos depois, pregou Moisés a mesma crença a um Deus onipotente, a quem ele chamou Je-oh-va. O nome Pan, com o significado de Senhor, permaneceu nos países orientais em todos os tempos. Alexandre Magno foi chamado na Ásia de “O Pany Alexandros”. Na Tchecoslováquia, na Polônia, na Rússia e em outros países, usa-se ainda PANE e PANJE como elocução. “Pane Antony” é igual ao “Sir Antonio”. Note-se também que a palavra panis (nosso pão) vem de Pan: a dádiva de Deus.
TU-PAN, o Deus onipotente na religião dos antigos brasileiros, significa: “Adorado Pan”. Na língua dos cários, fenícios e pelastos, significa o substantivo THUS, THUR (respectivamente TUS, TUR e TU): “sacrifício da devoção” ou “incenso”. Tudo que o homem oferece a Deus é, na língua da ordem dos sacerdotes cários, T. U., que também é uma fórmula cabalística. O infinito do verbo “sacrificar” é, no fenício, TU-AN; no germano, TU-EN; no grego, THU-EIN e THY-EIN; no latim, TU-ERI (venerar, contemplar, olhar, guardar). THUS, também no latim, é o incenso que se oferece a Deus, respectivamente aos deuses. A origem de TUPAN, como nome do Deus onipotente, remonta à religião monoteísta de Car.
O Lobisomem
Mito-maldição dos mais antigos e talvez o único verdadeiramente universal, correndo a terra de ponta a ponta e com uma antiguidade que permite registros de Plínio, o Velho, Heródoto, Petrônio e outros.

O nome, derivado das Lupercais, festividades dedicadas ao deus Pan, na antiga Roma, alastrou-se também nas Américas Central e do Sul, via Espanha (Lubizon), Portugal (Lobisomem), e na do Norte, via França (Loup-garou), ou saxão (Werrwolf), depois de ter atingido toda a Europa. Registros indicam a existência do mito na China e no Japão e na África.
O homem “vira” Lobisomem, misto de lobo e homem, por ser o sétimo filho nascido após sete filhas, se for atingido pelo sangue de outro lobisomem ou sendo filho de incesto, também.
Pode-se quebrar esse encanto-maldição, bastando, para tanto, que a primeira filha batize, ferindo-o, durante sua transformação, bastando apenas tirar-lhe uma gota de sangue ou, quase sem perigo, com um tiro de arma de fogo, cuja bala tenha sido previamente untada com cera de uma vela comum, mas que tenha ardido em três missas de domingo. Se for em uma só missa-do-galo, também fará o efeito.
A sina do Lobisomem, além da própria maldição, parece ser cansativa; pois consiste de, toda sexta-feira, fazer uma maratona, visitando, entre meia-noite e duas horas, sete cemitérios ou adros de igrejas, sete vilas, sete encruzilhadas, sete outeiros e sete mata-burros, voltando sempre ao ponto de partida.
O Panteísmo
Etimologicamente falando, o termo “panteísmo” deriva das palavras gregas pan (”tudo”) e teísmo (”crença em deus”), sustentando a idéia da crença em um Deus que está em tudo, ou à de muitos deuses representados pelos múltiplos elementos divinizados da natureza e do Universo.
Em diversas culturas panteístas, freqüentemente a idéia de um Deus que vive em tudo, complementa e coexiste pacificamente com o conceito de múltiplos deuses associados com os diversos elementos da natureza, sendo ambos, aspectos do Panteísmo.
A principal convicção é que Deus, ou força divina, está presente no mundo e permeia tudo o que nele existe. O divino também pode ser experimentado como algo impessoal, como a alma do mundo, ou um sistema do mundo. O Panteísmo costuma ser associado ao misticismo, no qual o objetivo do mortal é alcançar a união com o Divino.
O Panteísmo é também a linha filosófica que mais se aproxima da filosofia hermética do antigo Egito, em que o principal objetivo é fazer parte da conspiração universal (ou conspiração Cósmica).
Pandeísmo
Corrente religiosa sincrética (do grego: πάν (pan), “todo” e do latin deus, “deus”) proveniente da junção do Panteísmo (identidade de Deus com o Universo) com o Deísmo (O Deus criador do Universo não pode mais ser localizado, senão com base na razão), ou seja, a afirmação concomitante de que Deus precede o Universo, sendo o seu criador e, ao mesmo tempo, sua totalidade.
Como o Deísmo, faz uso de razão na religião, o Pandeísmo usa os argumentos cosmológico, teológico e outros aspectos da chamada “religião natural”. Tal uso se deu entre os disseminadores de sistemas filosóficos racionais, durante o século XIX. Também foi largamente empregado para identificar a expressão simultânea de todas as religiões.
Algumas mitologias, tais como a nórdica, sugerem que o mundo foi criado da substância corporal de uma deidade inativa, ou ser de capacidades similares; no exemplo citado, Odin, junto de seus irmãos Ve e Vili, derrotaram e mataram o gigante Ymir, e de sua carne fizeram a terra, dos cabelos, a vegetação, e assim por diante, criando o Mundo conhecido. Semelhantemente, a mitologia chinesa propugna a mesma estrutura, atribuindo a Pan Gu a criação dos elementos físicos que compõem o Mundo.
Modernamente, Thomas Paine, filósofo britânico, e o naturalista holandês Franz Wilhelm Junghuhn redimensionaram os conceitos sobre Deísmo e Panteísmo em suas obras, introduzindo-as na mentalidade contemporânea.
Em 2001, Scott Adams escreveu God’s Debris (Restos do Deus), que propõe um formulário de Pandeísmo.
Panacéia
Remédio que curaria todos os males. Panacéia faz parte da mitologia, pois descende de Asclépio, o deus da Medicina, simbolizando a cura universal.
Antigamente, os médicos, quando acabavam de se formar, faziam um juramento chamado de o Juramento de Hipócrates, muito comprido, que começava assim:
“Eu juro, por Apolo médico, por Esculápio, Hígia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue…”
Mais modernamente, entenderam que não fazia sentido jurar em nome de deuses gregos, e a fórmula mudou.
Esculápio era o deus romano da Medicina e da cura. Foi herdado diretamente da mitologia grega, na qual tinha as mesmas propriedades, mas um nome sutilmente diferente: Asclépio (”cortar”).
Segundo reza o mito, Esculápio nasceu como mortal, mas depois da sua morte foi-lhe concedida a imortalidade, transformando-se na constelação Ofiúco. Dentre seus filhos, encontram-se Hígia e Telésforo.
Curiosamente, na província da Lusitânia, Esculápio era especialmente venerado, enquanto em Roma era considerada uma divindade menor.
Pandora
Na mitologia grega, Pandora (”bem-dotada”) foi a primeira mulher, criada por Zeus como punição aos homens pela ousadia do titã Prometeu em roubar dos céus o segredo do fogo.
Em sua criação, os vários deuses colaboraram com partes; Hefestos moldou sua forma a partir de argila, Afrodite deu-lhe beleza, Apolo ofereceu-lhe talento musical, Deméter ensinou-lhe a colheita, Atena concedeu-lhe habilidade manual, Poseidon deu-lhe um colar de pérolas e a certeza de não se afogar, e Zeus, uma série de características pessoais, além de uma caixa, a caixa de Pandora.
“Caixa de Pandora” é uma expressão utilizada para designar qualquer coisa que incita a curiosidade, mas que é preferível não tocar (como quando se diz que “a curiosidade matou o gato”). Tem origem no mito grego da primeira mulher, Pandora, que por ordem dos deuses abriu um recipiente (há polêmica quanto à natureza deste, talvez uma panela, um jarro, um vaso, ou uma caixa tal como um baú…) onde se encontravam todos os males que desde então se abateram sobre a humanidade, ficando apenas aquele que destruiria a esperança no fundo do recipiente. Existem algumas semelhanças com a história judaico-cristã de Adão (Adan) e Eva em que a mulher é, também, responsável pela desgraça do gênero humano.

Desde que Zeus (Júpiter) e seus irmãos (a geração dos deuses olímpicos) começaram a disputar o poder com a geração dos Titãs, Prometeu era visto como inimigo, e seus amigos mortais eram tidos como ameaça.
Sendo assim, para castigar os mortais, Zeus privou o homem do fogo; simbolicamente, da luz na alma, da inteligência… Prometeu, “amigo dos homens”, roubou uma centelha do fogo celeste e a trouxe à terra, reanimando os homens.
Ao descobrir o roubo, Zeus decidiu punir tanto o ladrão quanto os beneficiados. Prometeu foi acorrentado a uma coluna e uma águia devorava seu fígado durante o dia, o qual voltava a crescer à noite.
Para castigar o homem, Zeus ordenou a Hefesto (Vulcano) que modelasse uma mulher semelhante às deusas imortais e que tivesse vários dons. Atena (Minerva) ensinou-lhe a arte da tecelagem, Afrodite (Vênus) deu-lha a beleza e o desejo indomável, Hermes (Mercúrio) encheu-lhe o coração de artimanhas, imprudência, ardis, fingimento e cinismo, as Graças embelezaram-na com lindíssimos colares de ouro… Zeus enviou Pandora como presente a Epimeteu, o qual, esquecendo-se da recomendação de Prometeu, seu irmão, de que nunca recebesse um presente de Zeus, o aceitou. Quando Pandora, por curiosidade, abriu uma caixa que trouxera do Olimpo, como presente de casamento ao marido, dela fugiram todas as calamidades e desgraças que até hoje atormentam os homens. Pandora ainda tentou fechar a caixa, mas era tarde demais: ela estava vazia, com a exceção da “esperança”, que permaneceu presa junto à borda da caixa.
Pandora é a deusa da ressurreição. Por não nascer como a divindade, é conhecida como uma semideusa. Pandora era uma humana ligada a Hades. Sua ambição em se tornar a deusa do Olimpo e esposa de Zeus fez com que ela abrisse a ânfora divina. Zeus, para castigá-la, tirou a sua vida. Hades, com interesse nas ambições de Pandora, procurou as Pacas (dominadoras do tempo) e pediu para que o tempo voltasse. Sem a permissão de Zeus, elas não puderam fazer nada. Hades convenceu o irmão a ressuscitar Pandora. Graças aos argumentos do irmão, Zeus a ressuscitou dando a divindade que ela sempre desejava. Assim, Pandora se tornou a deusa da ressurreição. Para um espírito ressuscitar, Pandora entrega-lhe uma tarefa; se o espírito cumprir, ele é ressuscitado. Pandora, com ódio de Zeus por ele tê-la tornado uma deusa sem importância, entrega aos espíritos somente tarefas impossíveis. Desse modo, nenhum espírito conseguiu nem conseguirá ressuscitar.
Peter Pan
O menino mágico que voa sem medo de envelhecer, mas não quer crescer. Peter Pan leva-nos aos gnomos e fadas comuns em histórias européias antigas. Esses “arquétipos”, como Jung deveria dizer, têm reaparecido na “mente coletiva”, mais recentemente como o Sr. Spock. Quando despimos nosso amigo Vulcano (deus do fogo na Mitologia Romana) de seu uniforme Star Trek, encontramos a imagem familiar parecida com a do gnomo em um humanóide de orelhas pontudas com grande inteligência, ou seja, Peter, visto pela ótica mítica do deus Pan, deus dos bosques, da natureza selvagem que habita cada um de nós.
Pan, a carta “O Diabo” no Tarô Mitológico: o encontro com o que há de instintivo, sexual, amoral, cruel e divino. Quando essa carta sai em um jogo, é hora de confrontarmos o medo, de livrarmo-nos das amarras da moralidade, de expandirmos a mente por meio do encontro com o que há de sombra na nossa psique, com o que há de vergonha nos nossos cotidianos vividos, pensados e guardados.
Peter Pan toca sua flauta com nostalgia no filme de Hogan. Sem tristeza, porém. Afinal, ele só pode ter pensamentos felizes, pois só assim se pode voar.
Tomo a liberdade de transcrever aqui o Hino a Pan, do Mestre Aleister Crowley, para que possam ver que não estou “viajando” sozinho…
(*)Vibra do cio subtil da luz,
Meu homem e afã
Vem turbulento da noite a flux
De Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Do mar de além
Vem da Sicília e da Arcádia vem!
Vem como Baco, com fauno e fera
E ninfa e sátiro à tua beira,
Num asno lácteo, do mar sem fim,
A mim, a mim!
Vem com Apolo, nupcial na brisa
(Pegureira e pitonisa),
Vem com Artêmis, leve e estranha,
E a coxa branca, Deus lindo, banha
Ao luar do bosque, em marmóreo monte,
Manhã malhada da âmbrea fonte!
Mergulha o roxo da prece ardente
No ádito rubro, no laço quente,
A alma que aterra em olhos de azul
O ver errar teu capricho exul
No bosque enredo, nos nás que espalma
A árvore viva que é espírito e alma
E corpo e mente — do mar sem fim
(Iô Pã! Iô Pã!),
Diabo ou deus, vem a mim, a mim!
Meu homem e afã!
Vem com trombeta estridente e fina
Pela colina!
Vem com tambor a rufar à beira
Da primavera!
Com frautas e avenas vem sem conto!
Não estou eu pronto?
Eu, que espero e me estorço e luto
Com ar sem ramos onde não nutro
Meu corpo, lasso do abraço em vão,
Áspide aguda, forte leão —
Vem, está fazia
Minha carne, fria
Do cio sozinho da demonia.
À espada corta o que ata e dói,
Ó Tudo-Cria, Tudo-Destrói!
Dá-me o sinal do Olho Aberto,
E da coxa áspera o toque erecto,
E a palavra do louco e do secreto
Ó Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã Pã! Pã.,
Sou homem e afã:
Faze o teu querer sem vontade vã,
Deus grande! Meu Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Despertei na dobra
Do aperto da cobra.
A águia rasga com garra e fauce;
Os deuses vão-se;
As feras vêm. Iô Pã! A matado,
Vou no corno levado
Do Unicornado.
Sou Pã! Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!
Sou teu, teu homem e teu afã,
Cabra das tuas, ouro, deus, clara
Carne em teu osso, flor na tua vara.
Com patas de aço os rochedos roço
De solstício severo a equinócio.
E raivo, e rasgo, e roussando fremo,
Sempiterno, mundo sem termo,
Homem, homúnculo, ménade, afã,
Na força de Pã.
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!
(Magick in Theory and Practice, de The Master Therion, prefácio de
Aleister Crowley, 1929.)
Para finalizar essa pesquisa, concluo que muitos deuses antigos como Baco, Pã, Dionísio e Quíron (este foi uma das figuras mais nobres e inteligentes da mitologia. Em sua origem, Quíron era um deus da Medicina na mitologia tessaliana, mas se tornou um centauro imortal na mitologia grega, que tinha maior aceitação. Apesar de os centauros geralmente serem selvagens e indomáveis, Quíron era exceção. Destacou-se por sua inteligência, e seu conhecimento de Medicina foi legendário) foram representados com chifres. Lembro que até mesmo Moisés foi homenageado com chifres pelos seus seguidores, em sinal de respeito aos seus feitos e favores divinos.
Os chifres sempre foram representações da luz, da sabedoria e do conhecimento entre os povos antigos. Portanto, como podemos perceber, desde tempos imemoráveis os chifres foram considerados símbolos de realeza, divindade, fartura, e não símbolos do mal como muitos associaram e ainda associam. O chifre sempre simbolizou a força de um animal, ou o poder de uma pessoa ou nação.
Sl 89:17 – “Pois tu és a glória da sua força; e no teu favor será exaltado o nosso poder (chifre).”
Lam 2:3 – “No furor da sua ira cortou toda a força (o chifre) de Israel; retirou para trás a sua destra de diante do inimigo; e ardeu contra Jacó, como labareda de fogo que consome em redor.”
Examinando o verso, vemos que o altar e seus chifres eram um. Da mesma maneira que a Sua pessoa e o Seu poder são inseparáveis, conectados, não há nenhum limite para que Deus libere poder quando um sacrifício é feito. Note o que também é ensinado em relação aos chifres:
Ex 29:12 – “Depois tomarás do sangue do touro, e o porás com o teu dedo sobre as pontas (chifres) do altar, e todo o sangue restante derramarás à base do altar.”
Havia poder ilimitado no sangue que foi borrifado nos chifres. Também porque o sangue representa vida, e o sacrifício era um substituto, por causa de um, os pecadores viveriam com Deus. Havia uma união de sangue entre o altar, os chifres e o pecador.
A misericórdia de Deus também é vista aqui:
1Rs 1:50 – “Porém Adonias temeu a Salomão; e levantou-se, e foi, e apegou-se às pontas (chifres) do altar.”
Os sacrifícios também eram amarrados relutantemente com cordas aos chifres:
Sl 118:27 – “Deus é o SENHOR que nos mostrou a luz; atai o sacrifício da festa com cordas, até às pontas (chifres) do altar.”
Podemos dizer, então, que o Deus, a Grande Mãe e o Deus Cornífero representam juntos as forças vitais do Universo Cornífero. É o mais alto símbolo de realeza, prosperidade, divindade, luz sabedoria e fartura. É o poder que fertiliza todas as coisas existentes na Terra.
Eu Sou, apenas o que Sou…
Wagner Veneziani Costa
(*)N.E.: Hino a Pã; traduzido de Hymn To Pan, de Aleister Crowley, por Fernando Pessoa. Sobre o jeito da tradução, indico a leitura da monografia “Hino a Pã”, tradução de Helena Barbas; ela faz uma exaustiva análise das coisas que Pessoa troca, das censuras, etc.; ela diz que as alterações que lhe introduziu a uma leitura literal “não podem ser meramente explicadas por um esforço de poeticidade”.
A tradução foi publicada na edição de julho-outubro de 1931, de Presença.
Fontes:
http://www.cranik.com
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pandora
http://www.desejosesonhos.hpg.ig.com.br/pandora.htm
http://www.vidhya-virtual.com/vidhya4/antigahistoria3.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tup%C3%A3
http://www.emporiowicca.com.br/deus.htm
Créditos:
Primeira ilustração: Rosaleen Norton
às 09:42
Editor
Por Wagner Veneziani Costa
No princípio tudo era o Caos. Tudo existia, porém não havia ordem. A fonte de todas as coisas pairava latente em sua natureza. Em um determinado instante, uma ordem se manifestou e surgiu então a primeira divindade concreta: Gaia, a Terra, a Grande Mãe.
O verbo grego correspondente a “mito” significa calar. O silêncio sempre foi a marca da Iniciação. O iniciado não desvela o sigilo que lhe foi transferido a não ser por meio de parábolas ou alegorias (alegoria significa, literalmente, falar de outro modo).
Em uma definição bem simples, mito é uma história de ficção ou parcialmente verdadeira. É obvio que um mito é muito mais que isso… Um mito é uma história religiosa. Uma força ou entidade superior sempre está envolvida na trama. Os deuses e deusas ou outros seres sobrenaturais são sempre reverenciados pela humanidade. Considerando como verdade, o mito é tido como sagrado para aqueles que fazem parte de sua cultura.
Ele oferece uma explicação sobre algo desconhecido, como a criação do Universo e da Terra. Também tenta responder àquelas questões amplas e fundamentais que fazemos, como o significado e o objetivo da nossa existência.
Um mito é parte de uma mitologia maior, que incorpora muitos mitos. Todos eles interligados por uma semelhança ou um tema comum. Ao se constituir desse modo, a Mitologia torna-se uma verdade socialmente aceita.
Os mitos freqüentemente enfocam histórias sobre a interação direta entre os homens, os deuses e as deusas. Muitas vezes esses deuses e deusas são guiados pela emoção e não pela razão. Em virtude disso, a interação entre o homem e a divindade nem sempre é harmoniosa, e sim quase sempre dramática.
Uma das principais funções do mito é explicar o desconhecido. Os mitos sempre contêm símbolos que coordenam os anseios e temores humanos com os grandes fenômenos naturais.
Mitologia Grega
A Mitologia Grega é uma das mais geniais concepções que a humanidade produziu. Os gregos, com sua fantasia, povoaram o céu e a terra, os mares e o mundo subterrâneo de Divindades Principais e Secundárias. Amantes da ordem, eles instauraram uma precisa categoria intermediária para os semideuses e heróis. A Mitologia Grega apresenta-se como uma transposição da vida em zonas ideais. Superando o tempo, ela ainda se conserva com toda a sua serenidade, equilíbrio e alegria.
O início da filosofia grega, no século VI a.C., trouxe uma reflexão sobre as crenças e mitos do povo grego. Alguns pensadores, como Heráclito, os Sofistas e Aristófanes, encontraram na Mitologia motivo de ironia e zombaria. Outros, como Platão e Aristóteles, prescindiram dos deuses do Olimpo para desenvolver uma idéia filosoficamente depurada sobre a divindade. Enquanto isso, o culto público, a religião oficial, alcançava seu momento mais glorioso, em que teve como símbolo o Partenon ateniense, mandado construir por Péricles. A religiosidade popular evidenciava-se nos festejos tradicionais, em geral de origem camponesa, ainda que remoçada com novos nomes. Os camponeses cultuavam Pã, deus dos rebanhos, cuja flauta mágica os pastores tentavam imitar; as ninfas, que protegiam suas casas; e as nereidas, divindades marinhas.
As conquistas de Alexandre, o Grande, facilitaram o intercâmbio entre as respectivas mitologias, de vencedores e vencidos, ainda que fossem influências de caráter mais cultural do que autenticamente religioso. Assim é que foram incorporados à religião helênica a deusa frígia, Cibele, e os deuses egípcios Osíris, Ísis e Serápis. Pode-se dizer que o sincretismo, ou fusão pacífica das diversas religiões, foi a característica dominante do período Helenístico.
De acordo com os gregos, os deuses habitavam o topo do monte Olimpo, principal montanha da Grécia Antiga, morada dos deuses e deusas, centro de poder, por assim dizer. Desse local, comandavam o trabalho e as relações sociais e políticas dos seres humanos. Os deuses gregos eram imortais, porém possuíam sentimentos de seres humanos. Ciúme, inveja, traição e violência também eram características encontradas no Olimpo. Muitas vezes, apaixonavam-se por mortais e acabavam tendo filhos com estes. Dessa união entre deuses e mortais surgiam os heróis.
Zeus, deus de todos os deuses, senhor do Céu; Afrodite, deusa do amor e da beleza, talvez você a conheça como Vênus que é o nome romano dessa deusa; Poseidon, irmão de Zeus, deus dos mares, dos lagos e das nascentes; Hades, deus dos mortos, dos cemitérios e do subterrâneo; Hera, deusa dos casamentos e da maternidade; Apolo, irmão gêmeo de Ártemis, deus da arquearia, da música, da poesia, das artes em geral; Ártemis, deusa da caça e protetora das crianças; Ares, deus da guerra, tinha prazer na destruição; Atena, deusa da sabedoria, da serenidade, da guerra, das artes e da técnica; Hermes, deus do comércio, da luta e da sorte, informalmente era mais conhecido como o mensageiro dos deuses; Hefestos, divindade do fogo e do trabalho.
Os gregos enxergavam vida em quase tudo que os cercava, e buscavam explicações para tudo. A imaginação criativa e fértil desse povo criou diversos personagens e figuras mitológicas: os Heróis (seres mortais, filhos de deuses com seres humanos, como por exemplo: Heracles ou Hércules e Aquiles); as Ninfas (seres femininos que habitavam os campos, levando alegria e felicidade); os Sátiros (figura com corpo de homem, chifres e patas de bode); os Centauros (corpo formado por uma metade de homem e outra de cavalo); as Encantadoras Sereias (mulheres com metade do corpo de peixe que atraíam os marinheiros com seus cantos atraentes e os hipnotizavam com sua beleza); as Górgonas (mulheres, espécies de monstros, com cabelos de serpentes, exemplo: Medusa); as Quimeras, (uma mistura de leão e cabra que soltavam fogo pelas ventas).
Todos esses seres habitavam o mundo material, tendo uma enorme influência em suas vidas. Bastava ler os sinais da natureza, para conseguir atingir seus objetivos. A Pitonisa era uma espécie de sacerdotisa, importante personagem nesse contexto. Os gregos consultavam-na em seus oráculos para saber sobre as coisas que estavam acontecendo e também sobre o futuro. Quase sempre, a Pitonisa buscava explicações mitológicas para tais acontecimentos. Agradar uma divindade era condição fundamental para atingir bons resultados na vida material. Um trabalhador do comércio, por exemplo, deveria deixar o deus Hermes sempre satisfeito, para conseguir bons resultados em seu trabalho.
Opa, eu fui convidado para escrever sobre Hades, o que estou fazendo?
Voltando a Hades…
Hades ganhou o reino dos mortos quando os irmãos divinos dividiram os domínios entre si. Você pode pensar que Hades ficou com a parte pior, mas esse reino combinava perfeitamente com ele. Hades era um deus solitário, sombrio e sinistro, que adorava ficar sozinho. Embora fosse sempre descrito pelos antigos como sendo frio, ele nunca foi associado ao demônio. Era simplesmente o Senhor da Morte. Desempenhava suas atividades com um inegável senso de responsabilidade e as completava com eficácia. Por isso, não dava espaço para pena ou qualquer outro sentimento que pudesse atrapalhar seu trabalho.
Hades era um dos seis olímpicos originais. Como ele não fazia nenhuma questão de estar entre os outros, e por isso muito raramente visitava o Monte Olimpo, ficou praticamente banido da companhia de seus irmãos. E isso combinava perfeitamente com Hades, pois não tinha a menor vontade de fazer parte do conselho divino. Mas nem por isso os seus poderes eram menores, porque nenhum outro deus se intrometia no Mundo Subterrâneo. Ele tinha o controle absoluto de seu reino, e mesmo Zeus evitava interferir no seu comando.
Embora Hades fosse um deus completamente solitário e que raramente deixava seu reino para visitar a terra dos vivos, dizem que ele visitou a terra dos vivos pelo menos uma vez. Foi durante essa visita que se deparou com a beleza de Perséfone, filha de Deméter e Zeus.
Como diz a lenda, Perséfone estava colhendo flores em uma planície na Sicília, acompanhada pelas ninfas, quando Hades se deu conta dela, ficou imediatamente impressionado com sua beleza e sequer perdeu tempo em cortejá-la. Em vez disso, simplesmente a raptou e a levou para o Mundo Subterrâneo.
Lá, Perséfone ficou prisioneira. Como você pode imaginar, sua mãe ficou completamente deprimida com o desaparecimento repentino da filha e correu o mundo em busca de Perséfone.
É importante, nesse ponto, falarmos sobre a deusa da fertilidade, da colheita e dos cereais, Deméter. Deusa da terra, ela preferia passar a maior parte de seu tempo bem próxima ao solo. Assim, acabava permanecendo apenas o necessário no Monte Olimpo. Mas isso não significa que Deméter não se fazia notar entre os deuses. Ao contrário de Hades, ela era completamente envolvida com os acontecimentos na morada dos deuses olímpicos e sempre participava de conselhos ou tribunais. Mas sua presença era mais bem sentida na terra. Era por isso que ela, mais do que qualquer outro deus, podia reivindicar para si o controle da terra. Com seu domínio, a terra era seu lar.
Deméter era uma deusa muito popular por toda a Grécia antiga. Alguns mitos atribuem essa popularidade ao fato de ela sempre estar entre os homens, viajando de um campo a outro. Outros dizem que sua popularidade advém da necessidade de sua bênção. Como era a deusa da colheita e dos cereais, os antigos dependiam dela para conseguir a comida necessária para sobreviver. Era, portanto, natural que ela gozasse de imenso prestígio entre eles.
Por outro lado, sua popularidade pode ser creditada ao simples fato de ela ser uma deusa boa e generosa (representa o signo de Virgem – uma virgem regando a terra com ramos de trigo em sua mão). Ao contrário de Poseidon, que era mais temido do que amado, Deméter era mais amada e respeitada do que temida. Mas, de qualquer modo, ela continuava sendo uma deusa e por isso precisava ser reverenciada, pois detinha tanto o poder da destruição quanto o da criação.
Apesar de Deméter ser uma deusa bondosa, não podemos esquecer de que as divindades sentiam as mesmas emoções que os humanos. Em um instante, sua generosidade poderia transformar-se em crueldade, o que poderia deixá-la simplesmente assustadora. Quando Deméter perdeu sua filha, deixou que a emoção tomasse controle, o que resultou em tempos terríveis para a humanidade.
Um outro exemplo da crueldade nada habitual de Deméter foi vivenciada por um ímpio jovem, Erísicton.
Erísicton era filho do rei de Dotion. Ele teve a idéia de construir um grande salão para banquetes, mas precisava de madeira para conseguir erguê-lo. Como não tinha respeito pelos deuses, entrou em um bosque de carvalho sagrado, que pertencia a Deméter, e foi cortando as árvores de que precisava para construir seu salão.
Quando começou a cortá-las, as árvores começaram a verter sangue dos ferimentos. Um homem que por ali passava chegou a alertá-lo para não cometer tal sacrilégio, mas Erísicton desafiou e degolou o pobre homem. E não parou, continuou sua tarefa; três espíritos gritaram em desespero e chamaram por Deméter.
Ela se aproximou de Erísicton disfarçada de sacerdotisa. Em um primeiro momento, implorou para que ele parasse de cortar as árvores, mas quando ele se negou a fazê-lo, ela ordenou que ele saísse do bosque. Rindo da audácia da sacerdotisa, Erísicton ameaçou-a com um machado. Deméter recuou e disse a ele para continuar porque ele iria mesmo precisar de uma sala de jantar. Ela estava estarrecida com esse ultrajante ato de sacrilégio. Era algo que ela não poderia deixar por isso mesmo. Então, chamou Peina (a Fome) para atormentar Erísicton pelo resto de sua vida. Peina ficou grata por ajudar Deméter e imediatamente saiu em busca do garoto inescrupuloso.
E foi feito, fazendo-o ter um incontrolável desejo de comer e nunca se sentir saciado. Ele comia tudo o que via, mas sem conseguir alívio. Em poucos dias, ele gastou toda a sua fortuna em comida, embora ainda não se sentisse saciado.
Finalmente, tornou-se um pedinte, sem ter nada mais que uma filha. Sua filha vendeu-se como escrava para ajudá-lo a conseguir alimento. Como não dispunha de mais nada, Erísicton começou a comer as próprias pernas. Mas isso não deu nenhum resultado e ele continuou faminto. Erísicton enlouqueceu, devorou o resto de sua própria carne e, assim, morreu.
Dá para perceber que Deméter era uma deusa que não devia ser contrariada. Doce como uma flor, na maior parte do tempo, ela tinha um lado cruel que brilhava de tempos em tempos, quando a situação pedia por isso.
Mas o mito mais popular estrelado por Deméter é aquele em que divide o papel principal com sua filha Perséfone. Lembra-se que Perséfone havia sido raptada por Hades e do desespero de Deméter quando soube disso? Deméter não queria saber de mais nada, e sim procurar a sua filha. Todas as suas tarefas e responsabilidades como deusa da colheita e da fertilidade foram postas de lado por causa da tragédia. Em sua busca frenética, Deméter chegou a percorrer o mundo, vagou por toda a Terra, por nove dias e nove noites, com uma grande tocha na mão. Durante esse tempo ela não comeu, não dormiu, nem bebeu.
No décimo dia, encontrou Hécate, uma divindade menor, que sabia do rapto, mas não sabia informar quem o tinha o praticado. Contudo, Hécate levou Deméter até Hélio, o deus Sol, que, em virtude de sua visão onisciente do mundo, tinha testemunhado o rapto. Hélio contou a história que havia presenciado para Deméter e tentou convencer-lhe de que sua filha estava bem com Hades.
Deméter ficou tomada pela fúria, pela dor e pela tristeza. Abandonou o Monte Olimpo e todas as suas responsabilidades como deusa. Sua saída deixou o mundo em um verdadeiro caos, completamente castigado pela seca e pela fome. A terra agora era estéril, e tanto a vegetação nativa quanto as plantações morreram, enquanto as novas se recusavam a crescer.
Nas viagens narradas por Homero, Deméter estava determinada a se esconder na Terra até que sua filha retornasse e, por isso, começou a vagar pelos campos. Algumas vezes ela era recebida com acolhimento, outras vezes era ridicularizada. Quando foi recebida na casa de Misme, ofereceram-lhe umas bebidas, como um ato de bem receber. Mas como ela sorveu o líquido muito rapidamente, porque obviamente estava morrendo de sede, o filho de Misme zombou dela. Furiosa com o desrespeito às regras de hospitalidade, Deméter atirou sua bebida no garoto, transformando-o num lagarto.
Cheia de dor, transformou-se em uma velha senhora enquanto estava em Elêusis. Lá, parou ao lado de um poço para descansar. A filha do rei Céleo aproximou-se da velha senhora e a convidou para se refrescar em sua casa. Deméter, tocada com o gesto de bondade da moça, concordou, e foi com a garota até o palácio. Lá, foi tratada com imensa cordialidade não só pela filha do rei como também pela rainha. Deméter ficou impressionada com aquela casa e com uma mulher em particular, Iambe, que era a filha de Pan e uma criada na casa de Céleo. Iambe era jovem e era a única pessoa que fazia com que Deméter sorrisse.
Deméter tornou-se criada da casa dos Céleo, juntamente com Iambe. Como logo ganhou a confiança da rainha, tornou-se a babá do príncipe Demofonte, em quem encontrou o consolo que só uma criança poderia lhe oferecer. Ela decidiu conceder a imortalidade ao menino. Para fazer isso, Deméter alimentou-o com ambrosia e o colocou na lareira para que o fogo queimasse a sua mortalidade. Mas ela foi descoberta pela rainha, que interrompeu a ação com um berro. Deméter, furiosa com a interrupção, deixou a criança cair.
De volta à sua forma natural, Deméter ordenou que a casa real construísse um templo para ela. Ensinou-os também a praticar de modo adequado os ritos religiosos em sua homenagem. Essa prática mais tarde se tornou conhecida como os Mistérios de Elêusis.
Esses Mistérios eram os ritos religiosos praticados em homenagem a Deméter e Perséfone, os mais importantes em toda a Grécia antiga. Lembre-se que foi na cidade de Elêusis que Deméter permaneceu a maior parte do tempo de luto por sua filha. Ali, o templo foi construído em sua honra e era onde os Mistérios de Elêusis eram praticados. Dizem que foi a própria Deméter quem instituiu o culto e ensinou o povo como lhe prestar homenagens corretamente.
Como era um culto secreto, era considerado uma religião de mistério. Apenas aqueles formalmente iniciados podiam participar, e nenhuma palavra sobre o que acontecia durante os rituais podia ser dita. Quem quisesse ser iniciado deveria antes preencher alguns requisitos. Por exemplo, um devoto não poderia ter derramado sangue em nenhum momento de sua vida. As mulheres e os escravos eram proibidos de participar.
Os mistérios religiosos incluíam os cultos Dionísicos, Órficos e Cabiri, e, naturalmente, os Mistérios de Elêusis.
Vamos conhecer o cativeiro de Perséfone, o Mundo Subterrâneo. Zeus envia Hermes para conversar com Hades para convencê-lo a libertar Perséfone. Hades não poderia admitir desistir de Perséfone, mas a mensagem enviada por Hermes era para ser interpretada como uma ordem direta de Zeus. Hades não tinha outra escolha a não ser deixar a menina partir. Contudo, ele utilizou um truque.
Via de regra, todo mundo que comesse algum alimento nas dependências do Mundo Subterrâneo não poderia retornar à terra dos vivos. Enquanto fingia acatar as ordens de Zeus e libertar Perséfone, Hades também enganou a menina, dando-lhe algumas sementes de romã. Perséfone comeu-as enquanto ainda estava no Mundo Subterrâneo, portanto, ela passara a pertencer àquele Mundo.
Zeus não podia negar essa Lei. Contudo, como Deméter estava tão desolada e como Hades, em um certo sentido, havia desobedecido Zeus, este chegou a um meio termo. Perséfone viveria com Hades no Mundo Subterrâneo durante três meses do ano e moraria com sua mãe na terra nos outros oito meses.
Perséfone tornou-se, assim, a mulher de Hades e, depois, rainha do Mundo Subterrâneo. Ela desempenhou muito bem suas tarefas como mulher (esposa) e rainha. Dizem que ela correspondeu ao amor de Hades.
O Mundo Subterrâneo, a Terra dos Mortos, Região de Baixo, a Morada de Hades, Inferno, esses eram alguns dos nomes que as pessoas usavam para se referir ao Mundo Subterrâneo, que também tinha suas leis e possuía várias divisões. Imaginem uma prisão com diferentes blocos com celas. Um bloco de celas era para as pessoas comuns, outro para os realmente excepcionais, normalmente heróis, e um terceiro bloco, para os muito maus, aqueles que precisavam de punição. Mas é óbvio que existia muito mais do que “esses blocos de celas”.
Dizem que quando uma pessoa morre, Hermes vem apanhar sua alma para guiá-la até o Mundo Subterrâneo. Deve também atravessar pelo menos um rio, pois são muitos os rios que cercam a Terra dos Mortos: Aqueronte, o Rio da Dor; Cocito, o Rio da Lamentação; Lete, o Rio do Esquecimento; Pyriphlegethon, o Rio do Fogo; e Styx, o Rio do Ódio. Para fazer essa travessia, era preciso utilizar os serviços de Caronte (filho de Erebo e da Noite), o barqueiro dos mortos. Ele exigia uma moeda como pagamento. Contudo, apenas conduzia o barco, e era a alma que teria todo o trabalho de remar. Se, por acaso, a alma não tivesse dinheiro para pagar os serviços, era obrigada a vagar depois da linha do oceano por cem anos, para depois ganhar direito de embarcar novamente.
Depois de sofrer a recepção de Caronte, o morto tinha que passar por Cérbero, o cão de Hades (cão com três cabeças e três gargantas, que guardava as portas dos Infernos e do palácio de Plutão, (o deus romano do Inferno ou do Submundo). Cérbero nasceu do gigante Tífon e de Equidna. Ele agradava as almas infelizes que desciam aos infernos e devorava as que dali queriam sair. Quando Orfeu foi buscar Eurídice, ele fez Cérbero adormecer ao som de sua lira; Héracles (Hércules) teve que descer ao reino dos mortos como um dos 12 trabalhos exigidos por Euristeu; Enéias foi visitado pelo fantasma de seu pai na terra dos vivos e foi visitá-lo na terra dos mortos, antes de entrar pelos Portões do Mundo Subterrâneo. Cérbero adorava comer carne fresca e certamente não era o melhor amigo dos homens. Mas parecia se dar bem com as almas que ali entravam. Ele só atacava as que tentassem fugir.
Viajando pela rua Divisória, a alma encontrava uma bifurcação, onde era recebida pelos Juízes. Estes decidiam para que parte do Mundo Subterrâneo a alma seria levada para morar para sempre.
Tornou-se um hábito entre os antigos colocar uma moeda embaixo da língua dos entes queridos que morriam. Isso permitia que eles pudessem pagar os serviços de Caronte e cruzar o reino dos mortos. Aqueles que não eram enterrados adequadamente, ou sequer fossem enterrados, não conseguiam obter permissão para entrar no Mundo Subterrâneo e ficavam vagando por cem anos.
Mas vamos saber mais a respeito daqueles “blocos de cela”. Elíseos, algumas vezes conhecido como Campos Elíseos, era uma ilha para os abençoados. Era para onde os muito bons, geralmente heróis, eram enviados depois da morte. Elíseos era um paraíso em todos os sentidos, onde homens e mulheres curtiam a vida na morte. Jogava-se, tocava-se música e todo mundo se divertia. Os campos eram sempre verdes e o sol sempre brilhava.
Alguns mitos, porém, não fazem distinção entre o esplendor de Elíseos e os Campos de Asfodel. Aqueles que eram mandados para os Elíseos não podiam saber a diferença. Como todas as almas eram meramente almas, nenhuma delas poderia adivinhar o que estava acontecendo ao seu redor, e determinar o lugar onde estavam. Mesmo assim, esse é considerado o melhor “bloco” dos três.
Os Campos Asfodel era um lugar de limbo. Não era nem bom nem ruim; era um local para o descanso final dos seres mais comuns. Esse lugar era o que abrigava mais almas do que os Elíseos e o Tártaro juntos.
As almas, geralmente nos Campos de Asfodel, desempenhavam as mesmas atividades realizadas em vida. A memória não era cultivada. Por isso, uma alma existia e agia, na maior parte do tempo, como uma máquina, sem nenhuma individualidade. Um lugar neutro, sem nenhuma qualidade positiva nem negativa. Um lugar monótono, sem novidades.
O Tártaro, ficava abaixo do Mundo Subterrâneo. Acreditava-se que a distância entre o Mundo Subterrâneo e Tártaro era a mesma entre a Terra e o céu. Um lugar escuro e triste e era onde os maus eram mandados para punição eterna.
Como o leitor percebeu, a menos que você fosse protegido pelos deuses e fosse enviado aos Elíseos, a vida depois da morte não prometia muita coisa. Os simples mortais, realmente, não tinham o que esperar da morte. Por causa desse desalento é que muitos ritos e cultos religiosos surgiram, como, por exemplo, muitas das crenças novas centradas em uma divindade individual (como Deméter e Dionísio). Supostamente, essas divindades ofereciam àqueles que tivessem fé os segredos do Mundo Subterrâneo, incluindo o mapa do lugar, com todos os seus rios e nascentes, para se evitar beber delas e, portanto, assegurar a morada nos Elíseos. Começa uma nova esperança de uma pós-morte mais digna, muitos se tornaram bastantes crentes e devotos à sua religião e divindade.
Depois que a Grécia foi anexada ao Império Romano, a Mitologia Grega passou a fazer parte de Roma, e os deuses e deusas apenas mudam de nome.
Baseando-se no panteão das divindades gregas, uma nova psicologia foi apresentada por Jean Shinoda Bolen (psiquiatra e analista junguiana) em seu livro Os Deuses e o Homem, que usou os conceitos de Carl Jung para estudar os oitos deuses gregos que corres-pondem a oito tipos de personalidade masculina. Nas próximas linhas, transcreveremos apenas os arquétipos de Hades:
“Todo aquele que gosta de ficar sozinho, curte a privacidade e não se importa muito com o que se passa no mundo, leva a existência de Hades. O Hades ‘puro’ é solitário e vive em seu reino interior. O homem-Hades é introvertido e geralmente alheio às regras de etiqueta e frivolidades. Não está ‘nem aí’ com o que as outras pessoas pensam dele. No trabalho se afina com tarefas repetitivas que lhe permitam certa exclusão. No amor, quando se apaixona, vive experiências profundas com sua parceira e é somente ela que consegue arrancá-lo da toca.Todo homem-Hades tem predisposição para ser solitário e sentir-se inadequado em um mundo muito competitivo, ele se recolherá para dentro de sua concha interior e para uma vida de esterilidade emocional. No mundo de Zeus, ele enfrenta muitas dificuldades, pois se sente inferior, um estranho no ninho. Fora de seu reino, verifica que só é recompensado todo aquele que atinge o topo, que adquire status, que se expõe e que corre riscos. Essa cultura extrovertida dominante é estranha ao homem de Hades, porque lhe faltam a ambição e a comunicação. A menos que desenvolva outros arquétipos, ficará à margem da estrada e só se encaixará em trabalhos que não ofereçam desafios, pois sua vida real é ‘interior’.
Um Hades comete todas as ‘gafes’ possíveis em reuniões sociais e diante de uma mulher. É natural, portanto, que muitas vezes seja rejeitado. A única experiência sexual do deus Hades foi com Perséfone que a raptou e a estuprou. A vida pode seguir o mito, mas o homem-Hades que se cuide, porque diferentemente de Zeus e Poseidon, ele tem menos credibilidade e poder e pode vir a ser denunciado e rotulado.
O casamento para este homem é crucial, pois sem ele será solitário e excluído. É por meio da esposa e dos filhos que irá relacionar-se com a sociedade. Como pai é sombrio, mal-humorado, sem emoção e só espera de seus filhos organização e dever cumprido. Entretanto, pode compartilhar com as crianças o tesouro de sua vida interior.
O maior problema que um homem-Hades cria para os outros sendo como ele é, é que vive em um mundo ‘a parte’, sem se dar chance de envolver-se emocionalmente com outras pessoas. O que se espera é que ele se comunique e nos conte o que acontece lá embaixo. Amar alguém como Hades é bem difícil, pois a qualquer momento pode tornar-se invisível e inabordável. O melhor modo de um Hades crescer é combiná-lo com um Hermes, pois era por intermédio deste último deus que as imagens e as sombras do mundo inferior eram entendidas e comunicadas aos outros.”
O assunto é vasto e fascinante, mergulhe nesse mundo fantástico que é a Mitologia e veja o quanto ainda temos para aprender. Não tema, conheça mais a respeito do mundo de Hades, em suas leituras. Na próxima edição, pretendo discorrer a respeito de outro deus bastante interessante: Pan.
Bibliografia:
BOLEN, Jean Shinoda. Os Deuses e o Homem. São Paulo: Paulus, 2002.
BOLTON, Lesley. O Livro Completo da Mitologia Clássica – Deuses, Deusas, Heróis e Monstros Gregos e Romanos – de Ares a Zeus. São Paulo: Madras Editora, 2004;
COSTA, Wagner Veneziani et al. O Livro Completo dos Heróis, Mitos e Lendas. São Paulo: Madras Editora 2004.
30 de Novembro de 2006 às 15:59
Gerente Editorial
Introdução
A situação no mundo atual nos preocupa muito, não só a planetária, mas também a evolução da humanidade. Acreditamos que o homem é belo no campo das Ciências, da Tecnologia, da Arquitetura, das Artes, da Literatura, entre outros, e quando sentimos que ele é capaz de expressar de forma maravilhosa a compaixão, o amor, a compreensão, enfim, a paixão pelo próximo, não podemos duvidar que ele possua algo divino e que é capaz de transcender essa luz em forma de paz, abundância e fraternidade.
Pouco nos importam as idéias políticas, as crenças religiosas ou convicções filosóficas de cada um; o que acreditamos é que não há mais tempo para a divisão, não importa a sua forma, mas sim para a união. E que essa união seja feita para o bem comum de toda criação. Precisamos urgentemente ser mais tolerantes. Ser tolerante é saber lidar e aceitar as diferenças do próximo.
Todos nós somos portadores de inteligência e todos temos idéias, algumas mais avançadas e outras superiores.
O que precisamos fazer é colocá-las à disposição para servir o Cosmo, repensar nossos valores, compartilhar nossas verdades, estabelecendo uma meta progressiva de expansão para o planeta Terra.
Devemos despertar nossas belezas interiores, deixando nossos corações fluidificarem nossas atitudes.
Reflita pela manhã, em Deus. Acredite: não há mais miséria nem pobreza, pois temos o que precisamos para sermos felizes. Meu trabalho é fonte do meu bem-estar; todos os animais são meus irmãos; nossos governantes estão trabalhando no interesse da humanidade; minhas inspirações serão obras de beleza e de pureza; amarei e perdoarei o meu próximo, pois o Universo é minha casa e EU SOU quem conduz o que sou.
Invoque a pureza da Natureza. Peça força para que os obstáculos dos seus caminhos sejam retirados. Luz, Amor e paz para o seu próximo!
Que assim seja!
Wagner Veneziani Costa
9 de Outubro de 2006 às 09:00
Gerente Editorial
Devemos sempre procurar novos objetivos e novas fronteiras
Prever o futuro ou, pelo menos, compreender como o desenvolvimento tecnológico afetará a nossa vida não é tarefa fácil. No entanto, adaptarmo-nos a novos conceitos e paradigmas será essencial no competitivo mundo do amanhã, ou melhor, já está sendo necessário. Caso contrário, corremos o risco de nos tornarmos obsoletos. Pior ainda, a sociedade e as suas instituições podem sofrer as conseqüências da inabilidade de olhar para o futuro antes de definir o presente.
Durante os últimos cem anos, os avanços da Ciência foram, no mínimo, notáveis. A Ciência progrediu mais no período compreendido entre a descoberta da teoria da relatividade e da energia atômica e o desenvolvimento do projeto do Genoma Humano do que em toda a antecedente História humana. Recentes desenvolvimentos na informática, na astrofísica, nas ciências biológicas e na manipulação molecular da matéria nos levam a pensar que esta tendência de evolução científica deve continuar ou mesmo acelerar. Devemos, portanto, antecipar novas revoluções científicas num futuro próximo. Estar preparado pode significar a diferença entre o sucesso e o desastre.
Quando fui iniciado, e recebi o nome espiritual de Goura Chandra, várias faces da minha vida foram-me reveladas, e uma delas era o desafio de ultrapassar as barreiras colocadas por seres que tudo fazem para que a humanidade não evolua.
Para quem desconhece Cosmologia, ressaltamos que a singularidade em Astronomia é o centro de um buraco negro; vejam bem, não é branco, é negro. Ninguém sabe, ou sequer imagina, aquilo que se passa na singularidade do buraco negro. As equações de astrofísica dão resultados contraditórios ou impossíveis.
De acordo com a lei de Moore, a capacidade dos computadores aumenta de modo expansivo. Baseados em avanços nas áreas de informática, inteligência artificial e nanotecnologia, acreditamos que muitas mudanças ainda ocorrerão no meio tecnológico. Vivemos à sombra de um futuro glorioso que se pode transformar em catástrofe se, por miopia cultural, política, ou religiosa, não soubermos lidar com essas tecnologias de um futuro próximo. “O passado é de todos, o futuro só de alguns.” Mas estamos progredindo com a humanidade e a globalização; e, identificados com tal progresso, lançamos a obra Inteligência Artificial — Um Guia para Iniciantes, do cientista Blay Whitby.
Por ora, perguntamos por que o Genoma passou a ser um assunto de destaque na mídia? Que impacto essas pesquisas poderão ter em nossas vidas? Estará o nosso destino “escrito” no DNA? Será que teremos de substituir o estado espiritual (espírito) por DNA? Para mim, mudam somente os nomes; isso existe e sempre existiu. E mais: temos o direito de ler esse destino? Os planos de saúde ou seguro terão esses direitos? Poderemos, no futuro, modificar nossos genes? Será ético agirmos assim? Irão os genes virar mercadoria, ou já viraram?
Surge, porém, uma grande questão: retrocedemos ao materialismo brutal ou ao agnosticismo inócuo? Somos, ou seremos, mais capazes? Somos mais inteligentes que os nossos ancestrais? Ainda há novas teorias e possibilidades a explorar? Enfim, são muitas as perguntas e poucas as respostas que podem (e devem) ser feitas.
Líder no mercado editorial nas áreas de Magia, Maçonaria, Bruxaria, Holismo, Misticismo, Ocultismo, Fraternidade Branca, a Madras Editora, cuja equipe gerencial tem o vigor da juventude e a vivência da maturidade (em média 30 anos), vem abrindo novos horizontes aos seus leitores, desenvolvendo uma linha pedagógica elogiadíssima por professores doutores no assunto; são obras provenientes da Espanha, da Alemanha, da França, da Inglaterra e dos Estados Unidos, com uma nova proposta educacional e com tecnologias de comunicação inovadoras.
E, paralelamente, uma nova proposta nas áreas de Filosofia e Mitologia, editando, além dos clássicos (Nietzsche, Platão, Sócrates e outros), obras inovadoras, como Matrix — Bem-vindo ao Deserto do Real, um grande sucesso. Lançamos Os Simpsons e a Filosofia, Seinfeld e a Filosofia, Buffy: a Caça Vampiros e a Filosofia, A Paixão de Cristo e a Filosofia, Harry Potter e a Filosofia, Star Wars e a Filosofia, A Família Soprano e a Filosofia, Super-Heróis e a Filosofia, e muito mais vem por aí.
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Não podemos deixar de ressaltar o crescente sucesso dos livros do Mestre Rubens Saraceni, que, com sua mente inovadora, brinda o nosso público com seis livros editados em um único mês: O Cavaleiro da Estrela Guia — O Início da Saga, O Cavaleiro da Estrela Guia — A Saga Continua, O Cavaleiro da Estrela Guia — A Saga Completa, Aprendiz-Sete — O Filho de Ogum, Guardião Sete — O Chanceler do Amor e Magia Divina dos Elementais.
Nossa ousadia não pára por aqui; nossos amigos leitores e internautas, que já dispõem do nosso catálogo completo na Internet (www.madras.com.br). Também disponibilizamos jogos de Runas, Tarô, entre outros, além de consulta ao seu Horóscopo.
Diferentemente de outros editores que, enganosamente, afirmam que obras a respeito de anjos, misticismo e ocultismo já não ajudam os leitores e que somente livros práticos que ensinam como pagarem suas contas no fim do mês são úteis, nós, da Madras Editora, nunca estivemos tão confiantes nas energias superiores e no Universo, que conspira a nosso favor.
Que o nosso público não se preocupe, pois a Madras é uma editora de obras tradicionais e, sem perder a sua característica principal, ela procura cumprir a sua missão, que é abrir os portais da mente e do coração, convidando seus leitores a alçar novos vôos, ultrapassar novas fronteiras, conhecer novas verdades, aprendendo, assim, a aceitar o novo e a recusar o obsoleto. Avançar sempre! Sem mudanças, algo adormece dentro de nós e raramente desperta. Como afirma William Blake: “Sem contrários não há progresso”.
Quero lembrar, ainda, que como a Madras Editora tornou-se consagrada pelo seu público como a Maior Editora Holística do Brasil, vale destacar que Holismo significa o Todo existente em cada parte, e cuja lei maior afirma que tudo o que existe emana de uma Realidade Una. Logo, tudo o que há é uma Unidade. E mais: em Ciência Espiritual, reconhece-se que é uma ilusão sentirmo-nos separados. Por acreditar firmemente nessa Lei, não me canso de repetir:
Eu Sou Apenas isso,
Eu Sou Você,
Você Sou Eu,
Eu Sou, a Sua Manifestação…
Eu Sou, Wagner Veneziani Costa
27 de Setembro de 2006 às 12:06
Gerente Editorial
Introdução
Vênus é a estrela mais brilhante do espaço sideral. É a rainha dos planetas, jóia da coroa de nosso sistema solar.
Vênus, a deusa mais popular do Olimpo grego, é símbolo do amor e da beleza. Filha de Zeus e de Dione ou, segundo outra versão, da espuma do mar. Fecundada pelo sangue de Urano (Céu), nasceu uma jovem levada em primeiro lugar para a ilha de Cítera e, em seguida, a Chipre.
Deusa encantadora, não tardou percorrer a costa, e as flores nasciam em seus pés delicados. Chama-se Afrodite (Vênus), deusa da beleza e dos prazeres, dos fogos e dos risos.
O filósofo grego Pitágoras descobriu que a estrela da manhã e a estrela da noite eram, de fato, a mesma. A estrela matutina, Vênus Lúcifer, é vista no leste, na aurora do dia. A estrela vespertina, Vênus Hésperus, é vista no oeste, no crepúsculo. No Brasil, é conhecida como estrela-d’alva. Vênus rege as sextas-feiras.
Os latinos chamavam o planeta Vênus de Lúcifer, que significa “Portador da Luz” (vem do latim lux, lucis = luz; ferre = carregar), cuja correspondência em grego significa phosphoros, o “portador da luz”, aquele que traz a luz.
Em Apocalipse 22:16 está escrito: “Eu, Jesus,… Eu sou a raiz e o descendente de Davi, sou a estrela radiosa da manhã”.
Todos devem saber que Vênus, por sua proximidade ao Sol, “aparece” quando este se encontra no horizonte, durante os crepúsculos, seja esse matutino ou vespertino. Durante o amanhecer, a “estrela” Vênus aparece no horizonte antes do “nascimento” do Sol.
Está mais do que claro que assim como é na Terra, embaixo, é no Céu, em cima, e Vênus, o planeta-irmão de nossa querida Terra, foi sacrificado pela ambição, para mostrar nosso planeta como “Escolhido” do Senhor. E Vênus tornou-se o bode expiatório. Isso ocorreu na Idade Média. Os pais da Igreja fizeram-no com o incansável desejo de provar um insignificante sistema teológico construído a partir de antigos materiais pagãos, como sendo o único correto e sagrado.
Não podemos deixar de citar que Vênus-Afrodite, a deusa nascida da espuma, a “Mãe Divina”, era chamada “Estrela da Manhã”, “Virgem do Mar”, “Rainha do Céu” (daí Maria), “O Grande Abismo”, títulos dados hoje pela Igreja Romana à sua Virgem Maria. Todas estavam ligadas à “Lua”, em sua fase crescente, ao Dragão e ao planeta Vênus, uma vez que a mãe de Cristo estava relacionada a todos esses atributos.
Lembrem-se: onde há mistério, supõe-se haver também o mal. Isso foi e é detectado pela mente humana inclinada para o mal, até mesmo nos olhos luminosos que espreitam nosso perverso e ignorante mundo através do véu do éter.
Poderia estender este assunto por muitas e muitas páginas, mostrando que os “bons padres” do templo da Igreja do Cristianismo sabiam como utilizar o material pagão para difamá-los em seus dogmas. Basta lembrar que não fora ele, “o diabo”, o Salvador, o Redentor, o Crucificado seria nada mais que um ridículo supernumerário, e a cruz, um insulto ao bom senso.
Dificilmente podemos deixar de nos perguntar por que pessoas educadas ainda são ignorantes o bastante, em pleno Terceiro Milênio, a ponto de associar um planeta ou qualquer outra coisa da Natureza criada pelo Incriado, o Onipotente, Onisciente e Onipresente, ao Diabo.
Para finalizar, saiba que a natureza tem um vasto arquivo de memória, e que o ser humano, por meio de estágios de evolução e capacidades espirituais, pode acessar diretamente esses arquivos, pois são infalivelmente precisos e inesgotavelmente minuciosos.
Lembre-se de que todas as pessoas que vivem no presente desempenham um papel muito importante na missão Divina. Que todos possam, no centro, encontrar seu “eu mesmo”.
Do irreal leve-me ao Real.
Das trevas leve-me à Luz.
Da morte leve-me à Imortalidade.
Eu Sou, Wagner Veneziani Costa
26 de Setembro de 2006 às 15:34
Gerente Editorial
Introdução
Distintos leitores, investigadores da Verdade, irmãos que se movimentam e vibram as partículas do nosso Universo. Eu, humildemente, venho mais uma vez agradecer a todos, pela manifestação positiva que têm demonstrado para com a nossa Madras Editora. Procuramos, todos os dias, sermos úteis, gerando alegria, felicidade, abundância, harmonia e, o mais importante, o conhecimento.
Nossa missão continua — que é a de produzir com a mesma qualidade obras que visam a mudar os nossos horizontes, transformando-nos em parte integrante de tudo e de todos. Obviamente, não é uma tarefa fácil, pois o nosso Universo é infinito e o conhecimento que o rege é gigantesco.
O meu maior desejo, e acredito que é parte da nossa missão, é o de despertar o próximo, procurando revelar os princípios e as leis que regem o Universo.
Iluminemos os nossos pensamentos, palavras e ações, para que vibremos em todos os níveis, conscientes de que somos parte de uma Centelha Divina e que a capacidade do nosso ser é ilimitada. Mas nos lembremos de que tudo tem o seu preço, nada é de graça. Toda ação gera uma reação. Temos de estar dispostos a dar e a compartilhar, pois assim o nosso próximo terá a mesma oportunidade de prosperar.
Todas as manhãs, antes de sair do seu lar, desenvolva o hábito de desejar a todos muita Luz, Amor e Paz. Mas o faça com amor; brote esta semente dentro de você e deixe que as pessoas que estão ao seu redor se alimentem desse amor. Mas o faça com força no pensamento; não se esqueça de que o pensamento é uma energia e que energia é força e poder. Logo você envolverá todo o seu universo, repleto de felicidade. Mentalize prosperidade!
Pela redução numerológica, 2004 é equivalente 6, número este que representa a harmonia, o equilíbrio entre matéria e espírito e estética e sensibilidade. Dentre tantas representações, está simbolizado pelo Selo de Salomão (Yoni e Lingan —Yoni = Vagina, Lingan = Pênis), o selo com dois triângulos, negativo e positivo, macho e fêmea. O Selo de Salomão também simboliza o macrocosmos.
No Tarô Cigano, o 6 representa os ventos, o sopro da vida.
No Tarô de Marselha, o 6 é atribuído ao arcano “O Enamorado”, conhecido também como o casamento — Eliphas Levi passou a chamá-lo de “Os Amantes”.
Seis é o centro do sistema da Cabala, com Tiphareth, Sephirah. O número 6 é o centro da Árvore da Vida.
Não podemos nos esquecer de que a raiz latina de 6 é sex, que significa sexo. Diremos, então, que o 6 representa a união criativa, é produto do equilíbrio e complementação dos opostos.
A letra hebraica correspondente é Zain. Significa espada, que, forjada no fogo e temperada na água, é o símbolo de polaridade.
Sua atribuição astrológica é Gêmeos, um signo de ar, mutável e governado por Mercúrio. No corpo humano, rege os pulmões, os braços e os ombros. A missão de Gêmeos é a de ter idéias e estimular intelectualmente os outros. Seu principal verbo é: “eu duvido”; sua frase integradora é: “eu dou profundidade ao meu conhecimento por meio da sabedoria da concretização”.
A regência astrológica de 2004 pertence ao planeta Mercúrio, que, por sua vez, é o regente natural de dois signos: Gêmeos e Virgem. Em Virgem, é um Mercúrio de terra; em Gêmeos, é um Mercúrio de ar. Na mitologia, Mercúrio era o mensageiro dos deuses. Ele era rápido — tinha asas em seus pés —, esperto, conhecedor de inúmeros assuntos e possuidor de muitos dons, inclusive o da intuição. Mercúrio possui o caduceu como símbolo do conhecimento universal, ainda hoje usado como símbolo da Medicina.
Mercúrio era filho de Júpiter e Maia, uma das Plêiades, filha de Atlas. Os gregos chamavam-no de Hermes, isto é, mensageiro ou intérprete. Deus da eloqüência e da arte de bem falar. A quarta-feira lhe era consagrada.
Mercúrio também colocará seu foco na casa 6, que é a casa natural do signo de Virgem. Este é o signo do trabalho e da atuação prática.
Procuremos respeitar as Leis, buscar novas filosofias de vida, desenvolver a tolerância e dar vazão ao pensamento livre, pois somente com esta amplitude do nosso Eu Interior é que conseguiremos alcançar os nossos objetivos e fazer cumprir a nossa missão.
Eu Sou Você e Você Sou Eu; Um por todos e todos por Um.
Eu Sou o que Sou,
Wagner Veneziani Costa
25 de Setembro de 2006 às 10:43
Gerente Editorial
Introdução
Tudo está na Linha. Para Mim. Para Você. Para a Humanidade e para o Planeta.
Aos meus Amigos, Clientes, Parceiros, Fornecedores, Fraters, Sórores e Irmãos, os meus mais sinceros e calorosos votos de Luz, Amor e Paz!!!
Onde há visão, pode surgir uma vontade. E onde há vontade, surge um caminho…
Podemos declarar nossa imensa satisfação de estar cumprindo nossa missão. Mais do que uma editora, somos, com certeza, os divulgadores e mensageiros de uma “Verdade” por muitos desconhecida e ignorada.
Estamos cientes de nosso trabalho e do compromisso que temos para com os seres dessa e de outras dimensões e galáxias. Sabemos que estamos sendo assistidos… E podem estar certos de que Eu não temo nada e ninguém, pois Eu Sou O Que Sou.
Vivemos um grande momento, em que as vibrações no planeta e em cada um de nós estão aceleradas; isso tem um porquê, para que ocorram as mudanças necessárias.
O homem vem procurando por meio da física moderna o que classificam como a “Teoria unificada do todo”. Essa busca levou a algumas descobertas que julgo ser surpreendentes, que inclui supercordas, quarks e supercondutividade, junto com a consciência de planos de existência até então desconhecidos, além de nosso familiar espaço-tempo e que agora podem ser manipulados. Na mecânica quântica, os cientistas confirmaram que a matéria pode, na verdade, estar em dois lugares ao mesmo tempo. O teletransporte está muito perto de se tornar uma realidade. Já anunciam o material antigravitacional para o transporte aéreo.
Portais estão sendo abertos há muito, há muito tempo…, mas nunca houve tantos seres sendo despertados e ao mesmo tempo temerosos com o que está acontecendo. Surgem, com isso, milhares de questões que nos são formuladas todos os dias. Percebo que o medo, a desconfiança, a confusão, a curiosidade e o tumulto estão cada vez mais presentes, assim como, por outro lado, a certeza de que fazemos parte das Leis que regem o Universo, da cura, do amor incondicional, da sensibilidade e da magia que crescem a todo instante. A cada dúvida surge um tipo de resposta… É como se estivéssemos acordando de um “Sonho”. Um sonho que muitos já percebiam estar vivendo.
Começamos, juntos a essas mudanças, um processo de descobertas no qual, dirigidos pelos planos superiores, movemo-nos até uma nova espiral consciencial em que as energias da dualidade (antagonismo) e da separatividade estão sendo removidas de nossas esferas. Posso citar um desses exemplos: O Portal 11:11, um projeto que é uma ativação planetária para uma nova espiral de padrão energético completamente nova, diferente daquela que estamos vivendo até então. É um gatilho pré-codificado em nossa memória celular, colocado há muito tempo nas fibras do DNA dos nossos seres, antes de virmos inicialmente à matéria.
Dentro de nós estão os padrões de ilusão, da dualidade e da separação. Nós somos criados no conceito de que somos unidades separadas da Fonte; seres fracassados procurando por um Deus que vive fora, que nos faz sentir solitários e abandonados. No entanto, é chegado o momento de despertarmos e darmos atenção ao nosso Deus Interno, buscar a conexão com o nosso EU SUPERIOR, nossa Presença Divina ou Alma Individual que tem a percepção direta e instantânea da VERDADE, do que é autêntico e do que é realmente importante para o nosso progresso. Temos de ter muito cuidado com o que fascina em vez de elucidar, com o que nos hipnotiza em vez de conscientizar. Um exemplo disso é nossa história, principalmente a religiosa. Chegou o momento de descartarmos velhos hábitos e condicionamentos que estão enraizados na ilusão.
O Portal 11:11 é um símbolo da transformação para aqueles humanos que são conhecidos como as crianças das estrelas ou os trabalhadores claros. Esses humanos não têm as mesmas origens. As crianças das estrelas estão aqui para uma finalidade, mas muitos que encarnaram como seres humanos apagaram toda a memória de suas origens. O código para o símbolo de 11:11 é uma espécie de código genético implantado para fazer com que comecem o processo de recordar. Se você está lendo este texto, é porque está experimentando o enigma; então, você é uma criança da estrela. Aceite o chamado. Respire fundo e tente se conectar. Imagine que neste momento uma grande nave está ancorada sobre o local onde você está. Abra sua mente e seu coração e peça que os seres dessa nave emitam um raio dourado sobre você, como se você estivesse sendo banhado por esse raio dourado. Permita-se experimentar…
Nós não somos o que pensávamos que éramos. Isso mexe muito com cada um de nós. O que somos, então? Somos muito mais expandidos e livres. Somos estrelas. Cada célula em nosso corpo é a representação simular do Universo. Podemos agora, sim, e nesse exato momento, sentir as redes dos nossos seres intertecidas em nosso ser único. Começamos a erguer-nos, uma nova era está começando, nosso ser único começa a entrar em ação. Tornamo-nos vivos. Entramos em novos níveis de existência, conscientes tecidos em unicidade e passamos, então, da onda da Experiência ao Fazer e da onda do Fazer para o SER.
Isso significa que você tem de ser real e verdadeiro e viver seu amor, um amor incondicional, pois tudo que tem uma existência é você também, você é tudo o que pensa, vê, ouve, fala e respira; enfim, você é o todo e por que não dizer, o nada. Os cientistas já sabem, e os físicos já comprovam, que o pensamento cria a realidade e que pode curar; aliás, o pensamento pode tudo, basta que você se liberte totalmente.
Temos um grande desafio: começar agir de forma inteligente dentro do Universo. Não podemos esquecer de que toda a vida é sagrada e toda a espécie desempenha um papel vital. Não apenas os mamíferos, nossos parentes próximos, os répteis também desempenham um poder especial, possuem a incrível inteligência de conhecimentos da consciência da Terra. Cuidado apenas com seus pensamentos, estou falando desse exato momento, o que vocês estão pensando? Que enlouqueci? Ou que estou sonhando acordado? A resposta é que estou vivenciando um momento muito importante… permitindo-me viver os meus sentidos, presenciar os meus insights, acreditar em minhas intuições, deixando vir tudo à tona, expondo-me.
No fundo, vocês precisam encontrar o seu segredo interior, sua mônada pessoal, que não é física e está muito além do emocional. Pensamento puro bem dentro de seu coração, a chama trina. A inteligência desse seu Eu Superior é surpreendente e tudo o que precisam fazer é assumir a responsabilidade de
24 de Setembro de 2006 às 17:47
Gerente Editorial
Introdução
“A liberdade do outro amplia a minha ao infinito!” (Bakunin, 1814-1876)
Meus Irmãos, Amigos e Parceiros,
Recebam os meus mais Sinceros Votos de Luz, Amor e Paz!!!
TUDO É, VERDADEIRAMENTE, DEUS.
TUDO É DA NATUREZA DE DEUS.
TUDO É NECESSÁRIO.
Somos, antes de tudo, buscadores da “Verdade” na grande Aventura da Vida.
A Madras Editora é formada por um grupo de pessoas (funcionários, autores, amigos, irmãos e colaboradores) que acredita que os sonhos se realizam e que é pelo nosso trabalho que o Caminho surge para a realização de nossas vontades.
Nosso objetivo é o de despertar no homem sua própria Consciência Maior, o seu “EU” Superior. Acreditamos que o livre-arbítrio e o destino acontecem aqui e agora, regados pelo despertar de nossas consciências que buscam a liberdade de espírito.
Cientes de que a verdadeira liberdade não está no livre-arbítrio de simplesmente escolher entre o bem e o mal, mas sim escolher entre o bem e um bem maior. E que essa escolha seria impossível sem CONHECIMENTO, SABEDORIA E ESPIRITUALIDADE.
Somos Guerreiros dos Mistérios, Cavaleiros da Luz, do Amor e da Paz!!!
Diferentes, sim, por não aceitarmos nenhum tipo de imposição ou crença. E acreditamos que a “unanimidade é ignorante”. Cremos, também, que tudo no Universo é bipolar, e isso nos inclui. Somos uma energia que tanto pode atuar no lado negativo quanto no positivo, ou seja, somos Luz e Sombra; negativo e positivo; fêmeas e machos; o Yin e Yang, duas forças opostas em harmonia.
Tudo o que enxergamos é definido pela nossa visão por meio da Luz. Porém, necessitamos de um oposto à luminosidade, as Sombras. Se vivêssemos em um Universo onde só houvesse Luz intensa ou profunda Escuridão, não conseguiríamos definir as formas, os contrastes e as nuanças. Podemos concluir, então, que uma necessita da outra e que somente juntas dão origem aos tons e às formas. E não é só isso, pois nem tudo o que enxergamos é o que estamos olhando. Stephen Covey defende que os modelos mentais são as lentes através das quais vemos o mundo, o que determina o nosso modo de pensar e de agir. Isso quer dizer que enxergamos o mundo não exatamente como ele é, mas como nós estamos condicionados a vê-lo. Vocês se recordam de Matrix?
Lembrem-se também do que vemos quando olhamos para o Universo, o que vemos é o passado muito distante.
Quando falo de visão, logo me vem à mente uma outra visão, não a que nos faz “ver” com os olhos, mas com a mente, o coração e o espírito, a INSPIRAÇÃO. Momento em que enxergamos o que queremos ou alguma resolução qualquer, um projeto, uma ação específica, até mesmo o ato de levantar em busca de algo. Somos dependentes da inspiração, de algum motivo que nos faça correr atrás do que queremos naquele momento.
Dependemos sempre de algum fato ou elemento físico que nos desperte a mente e ative o mecanismo de busca para aquele objetivo. O encontro perfeito do Eu com a possibilidade de atuação plena. É o processo da busca da conexão que possamos utilizar para desenvolver nossos dons, tornando-nos úteis. Uma Fonte Divina que está dentro e fora de nós.
A inspiração é o momento em que o arquivo mental entra em ação e abre-se uma porta para a entrada de uma grande idéia.
E ao me passarem o trabalho de editar, compilar, criar e prefaciar nosso Diário Abracadabra, logo surgiram duas luzes: a primeira foi os símbolos do Sol e da Lua; e a segunda, o Alfa e o Ômega. Achei estranho… mas logo viria a resposta… Estamos em 2006, que em sua redução numerológica tem o resultado 8, número da matéria, do infinito, símbolo do Alfa. No tarô, é a carta “A Justiça”, um arcano que exprime toda a força do equilíbrio necessário perante as correntes antagonistas, mas também a disciplina do espírito e a força de cortar. Nessa carta de tarô podemos ver claramente o símbolo da balança, perfeitamente equilibrada, o equilíbrio Cósmico. Duas vezes quatro, e mostra a plena e total encarnação do espírito, em uma matéria que se torna criadora e autônoma, originando suas próprias leis em harmonia com as leis cósmicas: “Como é o acima, assim é o embaixo”. Lamed é a letra atribuída a esse Arcano. É uma letra simples, feminina, sua cor é verde-esmeralda e seu valor numérico é trinta. Hieroglificamente, Lamed representa uma serpente desenrolando-se ou também a asa de um pássaro esticando-se para levantar vôo. No caminho cabalístico de Lamed, ela une e equilibra Tiphareth (a Beleza) com Gueburah (a Força). Na Maçonaria, estaria representando as duas colunas: Boaz e Jaquin. Sua atribuição astrológica é Libra, um signo de Ar, cardinal, governado por Vênus. Governa os rins, que são os órgãos eliminadores que purificam o sangue das impurezas. Seu verbo é: “Eu equilibro”, e sua sentença integradora é: “Eu gero harmonia com beleza e autenticidade”. A figura central dessa carta é uma mulher jovem. Em vários tarôs o centro da balança é uma espada. É a espada dos Magos, que aparece no Ás de Espada, com seus três sóis e duas luas no punho. É a arma de Elohim Gebor, nome Divino de Gueburah. Pode fazer a guerra ou forçar a paz. Como a mente que afirma e nega, a espada é um símbolo da polaridade. Podemos perceber que esse Arcano é a expressão simbólica das forças cósmicas que ajustam e equilibram o Universo, desde o Cosmos como um Todo até cada uma de nossas células e partículas subatômicas. Para manter tal equilíbrio, essas forças vão construindo aqui, destruindo lá, ajustando os fenômenos particulares…
A Lua e o Sol são o par Divino. Segundo Plutarco, a Lua é a morada dos homens bons, após a morte. Eles levam uma vida que não é divina nem bem-aventurada, mas sem preocupações até a segunda morte, pois o homem deve morrer duas vezes: da segunda morte resultará um Novo nascimento.
“No caminho da Iluminação Mística, a Lua ilumina o caminho sempre perigoso da imaginação e da Magia, enquanto o Sol abre o caminho real da iluminação e da objetividade”.
A Lua é a dura conquista do “Verdadeiro”