LOST E A FILOSOFIA
por Wagner Veneziani Costa
Lost começa com o acidente de um avião que saiu de Sydney com destino a Los Angeles e caiu numa misteriosa ilha tropical em algum lugar do Oceano Pacífico.
Os sobreviventes deverão trabalhar juntos contra as cruéis condições climáticas, as dificuldades do terreno e a convivência em grupo se quiserem permanecer vivos.
Mas a ilha também tem muitos segredos, como o constante barulho das misteriosas criaturas na floresta, o que os aterroriza. Felizmente, graças à calma e inteligência do líder Jack, eles têm esperança de sobreviverem na ilha.
Sucesso de crítica e público, Lost teve uma média 15,5 milhões de espectadores por episódio durante todo o seu primeiro ano de exibição e garantindo vários prêmios da indústria audiovisual, incluindo o Award Emmy para melhor série televisiva na categoria drama em 2005, melhor série americana importada na Academia Britânica de Prêmios Televisivos também em 2005 e o Globo de Ouro por melhor drama em 2006.
A série foi logo agregada à cultura pop americana, por ser um fenômeno que encanta cada vez mais espectadores e mídias externas, como comerciais, revistas em quadrinhos, webcomics, revistas de humor e canções populares. Todo o Universo fictício da série foi explorado também através de novelas e de jogos de realidade alternativa, com o Lost Experience e o Find 815.
Em maio de 2007 foi anunciado que Lost continuará com uma quarta, quinta e sexta temporada, concluindo com 117 episódios produzidos até Maio de 2010. As três próximas temporadas consistirão de apenas 16 episódios, exibidos semanalmente sem interrupções ou reprises. A quarta temporada estreou no dia 31 de janeiro de 2008 nos Estados Unidos e Canadá, movida das quartas para as quintas-feiras, às 21 horas.
Vamos entrar em Lost através da Filosofia…
Bem, vamos imaginar que se você estivesse naquele avião, o que você faria?
Será que você é a pessoa que afirma ser?
Você gosta de quem você é?
Já tentou imaginar que de uma hora pra outra você pode desencarnar?
Será que você seria exatamente isso que é?
Como você lidaria com situações diferentes, alteradas?
Qual personagem você seria agora?
Apague a luz, agora. O que você vê?
O que estou tentando fazer é trazer a tona o seu caráter, pois as situações colocadas nos seriados é exatamente essa, pois há todos os instantes elas nos convidam a trazer, a refletir, sobre o que faríamos se estivéssemos separados de nosso ambiente cultural e natural. Considerando duas narrativas antigas, cujo cenário é uma ilha, que têm certa relação com Lost: O Épico homérico de Odisseu, na ilha de Calipso, e a famosa história do século XVIII de Daniel Defoe, sobre um marinheiro sobrevivente de um naufrágio, Robinson Crusoé, e outro sucesso, só que esse bem mais atual, Naufrago, com Tom Hanks. Nesse filme uma das cenas que mais me chama a atenção é a relação entre Tom Hanks e sua Bola inseparável, “Wilson”, é simplesmente fantástico, quando “Wilson” se solta da embarcação… O desespero do ator por ver “Wilson” se distanciar é trágico, mas ao mesmo tempo magnífico… Pronto perdi meu melhor amigo!…
No poema de Homero, Odisséia, Odisseu está voltando das ruínas de Tróia em uma viagem que durou dez anos, à sua terra natal, Ítaca, onde sua esposa e filho o aguardam. No início da jornada para casa, Odisseu vai parar na ilha de Ogígia, onde Calipso, uma linda ninfa divina, o aprisiona. Sob o encantamento de Calipso, Odisseu se torna seu amante e escravo por sete anos. Ele é seduzido por sua beleza e promessa de imortalidade (juventude eterna), sendo tentado a esquecer sua família; mas, por fim, acaba convencendo Calipso a libertá-lo e ajudá-lo em sua viagem de volta. Essa história é usada para ilustrar uma escolha que algumas pessoas têm de fazer: ir atrás do sonho do eterno prazer juvenil (com Eros) ou optar pela domesticidade, ou seja, ter um lar e uma família, aceitar o avanço da idade.
Quando Odisseu chega em casa, há uma cena de alegria doméstica, invejável (depois que ele expulsa os rivais e inimigos). Odisseu e sua esposa Penélope passam a primeira noite juntos fazendo três coisas: contando suas histórias nesse tempo em que ficaram separados, fazendo amor e dormindo. O épico de Homero usa eficientemente a narrativa da vida na ilha para que seu principal personagem descubra quem ele ama de verdade (Penélope, não Calipso) e tome a decisão de negar a gratificação imediata e o deslumbramento das aparências para estar ao lado da pessoa amada…
A vida na ilha oferece um contexto ímpar para o autoconhecimento e autotransformação…
Quantas vezes ficamos perdidos?
Pois, com certeza você já ficou perdido. O seriado Lost aborda o medo mais profundo: o de ser isolado de tudo o que você conhece e ama, deixado à própria sorte em uma terra estranha. Esse é um medo filosófico porque fala da condição humana. Ele nos compele a confrontar aquelas perguntas profundas acerca de nós mesmos e do mundo.
E é esse o papel desse livro Lost e a Filosofia, fazer com que você se aprofunde em você mesmo…
Descobrir quem realmente somos, é fundamental para o entendimento do mundo e da nossa essência. Ao trabalharmos a consciência interior, passamos a agir com inteligência emocional, verdade e segurança, o que restaura o poder espiritual e retira o controle da nossa vida das mãos dos outros e dos acontecimentos negativos.